Saturday, December 31, 2005

2oo6

oje é sómente depois de hontem
çerto e imfimdo ha de seer
mas amanhaã ajnda esta por vir...

neeste novo anno que sy açerca,
que a jnoramçia nõ adentre mujto
pojs un pouco casy nõ se pode mpedjr!

assyno eduardo miranda
d este porto seguro da jlha do Eire,
oje, sesta feira, XXX-XII-MMV
para o primº dia do primº mez d este anno de 2oo6

Sunday, December 25, 2005

dezembro, oh dezembro...
já cedo veio
e de novo vem só,
só para me lembrar:

"Olha pra trás, olha!
e vê se te vês
a fazer coisas
que disseste que farias... "


<8¬]=
oh oh oh

merry christmas...
eduardo miranda
12-2oo5

Friday, December 23, 2005

bon nadal




la carne busca un algo ignoto donde los cumulonimbos se agolpan menazadores
del rojo-deseo…





... el colo se proyecta desde la sábana y el cuerpo que se posa sobre el cuerpo
y parpadea...
(¡y palpita! ¡y palpita!)



¿que es? ¿que era?
¿y después, que después podrían ellos darsen?

Josep D'Agustint: 2oo5, 12

Thursday, December 22, 2005

the last shopping day

eu,
solitário-nauta,
e meu colar de lágrimas
a enfrentar dona depressão vestida
de santa claus no abismo vertiginoso do dia-a-dia.
Shompras & chopping... pois é, tudo é poesia (melancolia) em mim
Mas EU fui! Enquanto TU, disse que (L) ia, e não foste. Falhaste, e meu coração
(já apertado de natureza e circunstância) surpreso - surpresa, surpresa...
meus pequenos, sujos e sórdidos desejos vieram à tona...
"Surprise. Surprise. Who is that with this afflicted
addiction, this oddly acquired taste for the
sordid. Who is that? What will frighten
you most is knowing that
could be either you,
I, one of us." -


e meu coração surpreso recolheu-se, pequeno, querendo a mesma atenção de outrora.

¦8,¬[=

Friday, December 16, 2005

livro de frases:-

Termos da nova dramática
Elisa Lucinda

Parem de falar mal da rotina. Parem com essa sina anunciada de que tudo vai mal porque
se repete. Mentira. Bi-mentira: Não vai mal porque repete. Parece, mas não repete
Não pode repetir. É impossível ! O ser é outro, o dia é outro, a hora é outra.
E ninguém é tão exato. Nem em filme. Pensando firme nunca ouvi
ninguem falar mal de determinadas rotinas: chuva, dia azul,
Crepúsculo, primavera, lua cheia, ceu estrelado,
barulho do mar, O que que há? Parem
de falar mal da rotina. Beijo na
boca, mão nos peitinhos,
água na sede, flor no
jardim, colo de
mãe, namoro,
vaidades de
banho e
baton
vai-
dades
de terno e
gravata, vaidades
de jeans e camiseta,
pecados, paixões, punhetas,
livros, cinema, gavetas são nossos
obvios de estimação e ninguem pra eles fala não
abraço, pau, buceta, inverno, carinho,sal, caneta, e quero
são nossas repetições sublimes e não oprime o que é belo e não
oprime o que aquela hora chama de bom, na nossa peça, na nossa trama
na nossa ordem dramática. Nosso tempo então e quando. Nossa circunstância é
nossa conjugação. Então vamos a lição: gente-sujeito vida-predicado; eis a minha oração.
Subordinadas aditivas ou adversativas aproximem-se! É verão, é tesão! O enredo a gente sempre
todo dia tece o destino ai acontece: o bem e o mal tudo depende de mim sujeito determinado da oração principal.

Tuesday, December 13, 2005

livro de frases:-

PESSOAL INTRANSFERÍVEL

escute, meu chapa: um poeta não se faz com versos. é o risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir com ela. nada no bolso e nas mãos. sabendo: perigoso, divino, maravilhoso. poetar é simples, como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena etc. difícil é não correr com os versos debaixo do braço. difícil é não cortar o cabelo quando a barra pesa. difícil, pra quem não é poeta, é não trair a sua poesia, que, pensando bem, não é nada, se você está sempre pronto a temer tudo; menos o ridículo de declamar versinhos sorridentes. e sair por aí, ainda por cima sorridente mestre de cerimônias, "herdeiro" da poesia dos que levaram a coisa até o fim e continuam levando, graças a Deus. e fique sabendo: quem não se arrisca não pode berrar. citação: leve um homem e um boi ao matadouro. o que berrar mais na hora do perigo é o homem, nem que seja o boi. adeusão.

torquato neto
teresina-pi

Sunday, December 11, 2005

adaptado de um blog chileno...

C:\>
C:\>cd heart
C:\Heart\>cd gaby
C:\Heart\Gaby\>dir /b
_passion.cfg
_love.ini
_hurt.dll
_disappointment.exe
C:\Heart\Gaby\>cd ..
C:\Heart\>rmdir Gaby
Gaby, Are you sure (Y/N)? Y
C:\Heart\>dir
Directory of C:\Heart
0 File(s) 0 bytes

legalzinho né?

nos reinos de baco...

ilustração de José Geraldo Martins, o JG! Aquele abraço JG!

Saturday, December 10, 2005

comece algo grande

O começo é sempre hoje. Comece algo grande! Faça, aconteça... apareça!
"Se ano passado jazzi, este ano emepeberei..."

Meus principais projetos do momento:

pequeno dicionário kanji - haiku (português/inglês)
seleção de kanjis que interpreto em haikus

pequeno livro dos rancores
nome temporário de um novo livro de poemas que venho trabalhando.

o linguarudo
guia básico de frases e situações para a sobrevivência do viajante. em português, inglês, espanhol, francês, italiano, japonês, russo, neederlandês e checo... as línguas que falo, flerto ou já flertei... outras pretendidas são catalão, romeno, alemão, chinês, latim, grego e tupi.

www.eduardomiranda.com.br
meu site pessoal, num endereço descente...

uma banda de eletro-SAMBA-jazz
isso está difícil, mas eu chego lá... e vou surpreender, me aguardem!

daspu, tá?

FRASE:

"A Daslu montou uma verdadeira organização criminosa. Praticava subfaturamento com o uso de notas falsas havia pelo menos cinco anos. Foi apreendido um vasto material que comprova isso"

MATHEUS BARALDI MAGNANI
procurador da República

E na contra-mão, as mulheres "Davida" vão - literalmente - à luta!
Prostitutas lançam a grife Daspu

Friday, December 09, 2005

despertar...

"Hoje acordei perdido de mim... de vez enquando me perco... às vezes é como se entrasse na rua errada, outras é como se esse mundo todo não fosse o meu, um abismo entre eu e o espelho do banheiro, sendo sem ser, ser-mecânico que faz o que tem de ser feito e volta... esse sou eu! Fuga para um não-sei-onde da minha rotina almiscarada, sem disposição para um café-da-manhã que alimentará a matéria, enquanto o espírito ainda sonolento nem sabe se está vivo... internamente programo meu despertador de reações para berrar daqui à uma hora... duas horas... não consigo tirar o espírito dessa pequena morte rotineira, mas luto, e como luto, corpo versus consciência, até que levanto, respiro fundo, e uma vez recobrado os sentidos, constato que a pior coisa é ter tempo pra fazer tudo o que você não tinha tempo antes, mas não fazê-las por ter tempo demais..."

"Today I wake up lost of myself... sometimes I get lost... sometimes is like getting a wrong road, but other times is like feelling the whole world is not yours, an edge between the mirror in the bathroom and yourself, being without be anything, mechanical-being doing whatever have to be done and that's it... this is me! Running away from a thing out of my musky rotine, with no disposition for a breakfast which will feed the body, while the spirit still asleep doesn't even know if it is still alive... I internally schedule my alarm-clock-of-reactions to shout in an hour... a couple of hours... I can't take my soul of this little deadly routine, but I fight, I don't give up, body versus conciousness, and sundelly I rise, breath deeply, and once stood up, I can see that the worst thing is to have time to do everything you didn't have before, but don't do them because you have too much time..."

livro de frases:-

"Ninguém pode ver além de si mesmo. Quero dizer com esta afirmação que cada um só compreende os outros segundo sua própria inteligência e horizonte."

Arthur Schopenhauer (22/02/1788-21/09/1860)

oOo

"O homem contemporâneo é dividido, mutilado, incompleto, hostil a si mesmo. Marx o chama de 'alienado', Freud, de 'reprimido'; um estado de harmonia antigo foi perdido, aspiramos a uma nova totalidade."

Italo Calvino (15/10/1923-19/09/1985)

oOo

"Estou cansado da minha vida e da vida dos que virão depois de mim, Estou morrendo de minha morte e da morte dos que virão depois de mim."

"Poetas imaturos imitam; poetas maduros furtam."

T. S. Eliot (26/9/18884/1/1965)

Wednesday, July 13, 2005

London, London

London, 07072005

Pois é... 7 de Julho de 2005. Um dia após o anúncio de que Londres sediaria os jogos olímpicos de 2012 (também, depois da delicadeza de Chirac na questão da comida inglesa - e finlandesa também!). Pois é... 7 de Julho de 2005. Só pra dizer que eu estaria em Londres neste dia.

Estava escalado para uma consultoria de meio dia num cliente em Londres, bem no centro financeiro londrino. Fora agendado em meados de junho. Seria uma consultoria rápida, de algumas horas, durante a tarde da quinta-feira. Eu deveria me apresentar por volta das 11am, mas o cliente desmarcara na terça-feira, dia 5, alegando um motivo qualquer. Quando eu soube pela internet dos atentados, fiquei mudo... sem ação! Só pude pensar "eu deveria estar lá".

Provavelmente eu não estaria nem perto de onde aconteceu toda a tragédia, na hora que aconteceu a tragédia - 9h eu deveria estar a caminho ainda, provavelmente no avião, mais tardar no aeroporto - mas é sinistro pensar que você estaria na cidade no mesmo dia, algumas horas depois de tudo o que aconteceu...

É... dessa eu escapei!

Wednesday, June 08, 2005

Monday, May 16, 2005

dos poemas mediterráneos

un poema

dos
ballarinas

lo que me llevó
a pasear por los campos
fue mi incapacidad de bailar.

todos los juncos creídos
e invertidos u ostentados
no fueram bastant per a moverme
a través de mis inquietudes.

y se los campos son vastos y libres
d'altra banda la inquietud es estany,
on la possibilidad de aprendre a bailar
paira en el aire, incierta i malsegura
ja que observo la dansa de las ballarinas...


dos, poema

me acerco de mi y no me veo
ni mis ojos o mi pared
pero sí siento lo que me persigue:
la noche partida y sudorosa...

no lo sé si es pecado o prohibido
solo sé que busco el fondo... hondo,
profundo.

Sunday, March 13, 2005

O Livre-Arbítrio

Por que não tenho Livre-Arbítrio
(Artigo onde o autor tenta provar que o ser-humano não tem livre-arbítrio)


O Alvedrio do Livre-Arbítrio

Interessante sim, mas sou obrigado – pelas reações químicas particulares ocorridas em meu cérebro no momento da leitura – a discordar do argumento... sem me revoltar.

Primeiro que o autor, mui simplória e superficialmente, tenta nos convencer de que, sendo o cérebro matéria “extraordinariamente complexa, com muitos componentes, todos interconectados em um padrão confuso e ainda pouco compreendido”, a simples redução de seu funcionamento às óbvias reações químicas que todo garoto na quinta-série já sabe, é suficiente para concluir a falta de vontade própria – como se o cérebro não fizesse parte do todo.

Se lermos com a atenção devida, imunes ao sensacionalismo pseudo-científico que o artigo sugere, podemos dizer que – para usar os mesmo argumentos do autor – quando recebemos um estímulo qualquer e o enviamos ao cérebro (e por quê fazemos isso?), este sinal irá interagir com o cérebro, desencadeando reações químicas e conseqüentemente uma reação psico-motora. O autor afirma não haver livre-arbítrio nisso. Ora, se não são as próprias instruções cerebrais (pensamentos) neste quadro o próprio livre-arbítrio? Se não o são, nada mais haverá, nem mesmo atividade cerebral.

O que o autor confunde – e mais além ele deixa mais explícita a confusão – é livre-arbítrio e consciência. Todos os processos químicos que ele descreve se dão num estado diverso da consciência, e muitos deles são resolvidos/executados também antes de atingirem o estado da consciência. Aí sim, pode-se especular que não há livre-arbítrio. E ainda assim, poderíamos especular se seria possível que mesmo num estado pré-consciente, tais reações químicas fossem subjugadas a uma “memória acumulada”, e as reações que se resolvessem sem o arbítrio da consciência – estado do sistema nervoso central que permite a identificação precisa, o pensamento claro, o comportamento organizado e a percepção ou sentido do que é moralmente certo ou errado – poderiam tomar “caminhos químicos” previamente ou mais comumente percorridos.

Tal argumento toma mais força se pensarmos (se é que somos capazes disso) no estado da consciência como o estado apresentado por um indivíduo de posse de suas faculdades (ver, ouvir, pensar etc.), como conhecimento imediato da sua própria atividade psíquica ou física. Sendo assim, ações inconscientes estariam livres de julgamentos morais e sociais, e não seria possivel rir de uma piada “inconscientemente”, como afirma o autor, pois não haveria parâmetros – sociais, culturais, morais, históricos – para analisarmos a informação recebida, nem percebermos seu sentido hilário, o que já depende de uma disposição do espírito (no sentido filosófico da palavra, do domínio da subjetividade, da consciência e do pensamento): o humor.

Depois o autor também confunde presciência com livre-arbítrio, pensando que o fato de você não rir de uma piada pré-conhecida é ainda uma qualidade puramente relacionada a uma reação química, indeprendente de um prévio conhecimento (pré-consciência, memória) da informação.
Atribuir a faculdade do pensamento a um processo químico é razoável, como tentativa científica de combater o argumento religioso de que Deus deu o livre-arbítrio ao homeme, mas destituir dele toda a carga de aprendizado e de valores do meio-ambiente e da consciência, com suas particularidades e individualidades, para concluir que não temos livre-arbítrio, é no mínimo prematuro, para não dizer infantil.

Thursday, February 24, 2005

22022005

Escrevi no dia, mas só deu pra postar hoje...
É. pois é. É meu niver, e daí? Tô aqui com meu note, meu charuto e minha champagne (que já passou para conhaque), que na verdade não é champagne, pois não é da região de Champagne, e não é conhaque pelo mesmo motivo, não é da região de Cognac, então, cá estou com meu Notebook, meu Charuto baiano - não cubano -, meu Frisante e meu Brandy...

Parabéns pra você nesta data querida... e que tudo o mais vá pra o inferno... Simples manifestação existencialista de quem já não sabe se é crente, ateu ou agnóstico, embora filosoficamente tenha comigo que não é possível ser ateu, kantianamente falando, pois não há como não acreditar em Deus tentando provar sua não-existência (não-existência do que não se acredita já é um paradoxo). Isso já uma crença! Assim, para não dizer - retro-ativamente - que creio, melhor agnóstico, do que ateu, o que seria muito triste!

Mas é sobre aniversários que vou falar...estando aqui, meio isolado de tudo e de todos, repenso o sentido da data. Afastado do sentido capitalista do aniversário, sobrou o sentido humano: considerações. Só considerações, sem presentes comprados e pagos com dinheiro suado do trabalho de alguém, que provavelmente foi explorado na sua força-trabalho - longe da mais-valia - e que assim ajudou a engordar uma cadeia de exploradores que vão cada vez mais enchendo suas bundas enormes de dinheiro explorado, gerado por gente explorada que muitas vezes não pode nem comprar o produto de seu trabalho explorado. E mesmo os exploradorezinhos são ao mesmo tempo motor e engrenagem de um sistema maior e impessoal, onde tratados são feitos sob as aparências da legalidade, favorecendo os ricos - cada vez mais ricos - em detrimento dos pobres - cada vez mais pobres.

Bem, mas isso tudo não é nem novidade e nem sobre aniversários... talvez seja porque ainda estou meio entorpecido pelos dois ótimos filmes que assisti no fim de semana:

"The Yes Man" - um filme sobre um grupo de ativistas que incorporam os representantes da WTO (World Trade Organisarion) e aparecem em palestras, seminários, rádio e TV, dizendo uma série de bobagens, para desmoralizar a WTO, passando a verdadeira mensagem de que eles são uns verdadeiros exploradores, bandidos e assassinos, pelo jeito que conduzem os tratados internacionais, priveligiando os países ricos com uma série de imposições aos países pobres. Nós, brasileiros, que digamos, sobre os Estados Unidos (vide ALCA). A mais recente é que se fez passar por um porta-voz da empresa Dow Química, responsável por uma das maiores catástrofes industriais da história, o desastre de Bhopal, na Índia (após vinte anos, o acidente continua matando uma pessoa por dia). O "porta-voz" conseguiu convencer a surcusal francesa da BBC de que a Dow estaria preparando uma indenização bilionária aos parentes das vítimas. A matéria foi ao ar e causou a queda das ações da empresa.

O outro filme chama-se "Edukators", com uma atmosfera de idealismo romântico, socialista-marxista, três jovens brincam de invadir casas de pessoas ricas e deixar mensagens que os façam pensar na condição deles perante a miséria do mundo... e educa-los. Por mais desatualizado que o tema possa parecer, é sempre atual, pois são questões que observamos diariamente, e cada vez mais. Quem diz que Marx está ultrapassado (eu não diria isso!) talvez esteja fazendo uma referência rasa à época de Marx, certamente não às idéias, principalmente se as interpretarmos sob a luz da modernidade. Como já disse pelas palavras de Max de Castro no post anterior, "atrás da mais-valia só não vai quem já morreu". E para citar o saudoso Arnaldo Xavier, "Citar Mais é de Marx, né?"

Fui!

Tuesday, February 22, 2005

O Vírus Móvel

Primeiro vírus para celular do mundo chega aos EUA

Esta é a "atitude hacker" que eu gosto de ver... sem apologias à criminalidade - pois não o é! Mostra a fragilidade das tecnologias, e conseqüentemente das empresas que oferecem - e exploram - estas tecnologias. Ou seja, ninguém está seguro, na busca das futilidades...

Tuesday, February 15, 2005

A Ética Consumista e o Espírito Desumano

um texto para hiperlinks

Permitam-me chamar meu camaradinha Max de Castro para umas palavrinhas [hiperlink1 - que se não é meu camaradinha é porque ainda não teve a oportunidade]: "Se hoje eu posso consumir eu sou cidadão, amanhã se não então eu sou marginal" [hiperlink2 - É, pois é, não há mais girassol/A tarde inteira o sol bronzeia os urubus/Pagando os pecados debaixo do Equador/Atrás da mais-valia só não vai quem já morreu/Se hoje eu posso consumir eu sou cidadão/Amanhã se não então eu sou marginal/Mas a mesma indiferença que cultiva o jardim na capital/É a mesma que o envenena e espalha o terror//É meu caro amigo, o mar está revolto/É sangue no olho, não dá pra segurar/Já deu meio-dia, não tem mais perdão/A sombra mais curta, o fim do erro mais longo//Ah eu quero ver o que vai acontecer/com quem fica no poder, quem não faz e não deixa fazer//Ah eu quero ver, pra onde vai correr/Quem fez tanta gente sofrer, na hora de quem nunca teve vez/Eu quero ver, se não muda o proceder/De quem gosta do poder, quem não faz e não deixa fazer.]

São os sinais dos nosso tempos... a ética consumista [hiperlink3 - Comportamento que expõe o desejo descontrolado por consumir, geralmente influenciado pela mídia, que leva as pessoas a consumir muito mais do que necessitam para sobreviver, herança cultural do sistema capitalista que não pára de produzir, e as pessoas, mesmo não precisando, se deixam levar pelo desejo de comprar, seguindo uma tendência ou para sentirem-se mais felizes e prazerosas.] engolindo a conduta, o comportamento, o tratamento das pessoas, onde você nada mais é que seu crédito. Nem o seu dinheiro é importante, mas o crédito, pois sem o crédito seu dinheiro não tem valor [hiperlink4 - simples assim: você com dinheiro na sua conta, mas sem cartão de crédito, por limite excedido, e seu cartão do banco não funciona]. Aí, aquela mesma cara amigável que costuma passar seu cartão de crédito na máquina comedora de dinheiro, recua um pouco ao receber a mensagem "transação não concluída" e pergunta se você tem outro cartão. Quando você responde que não, aí você passa automaticamente para a categoria dos indesejáveis, problemáticos e indígnos, só para ser curto... As expressões mudam nos rostos iguais - ainda iguais, porém não cordiais: você fugiu do padrão passarcartão-entregarcartão-sorrir-agradecer, e cuspir aquele sorriso plastificado, decorado em cursos de marketing pessoal de segunda categoria [hiperlink5 - sorrisos plastificados e vazios são ensinados em cursos de marketing pessoal, ou atendimento ao cliente, esquecendo-se que o corpo todo fala, e fala mais que qualquer palavra ou expressão pré-ensaiada e impressa em rostos tristes]...
to be continued...

Thursday, February 10, 2005

Wednesday, February 09, 2005

Soltando a Língua III, ou "O linguarudO"

Como já me comentei no Soltando a Língua II, estou desenhando o projeto de um livro de frases que pretendo chamar de "O linguarudO - Um Guia Básico de Sobrevivência ao Redor do Mundo", que pretende abranger o Português, o Inglês, o Espanhol, o Francês, o Italiano, o Japonês, o Russo, o Neederlandês e o Checo. Coincidentemente as línguas que "flerto", seja falando, estudando ou tentando me comunicar! As futuras pretendidas são o Romeno, o Alemão, o Chinês, o Latim, o Grego, o Hebraico, o Árabe, o Afrikaner e o Tupi, não necessariamente nesta ordem.

O esboço está quase pronto. Eis a primeira idéia de uma TOC (Table of Contents):
  1. Introduzindo…
    1.1 Proposta, Objetivo & Método
    1.2 Modo de Usar

  2. O Som da Palavra
    2.1 Um Guia de Pronúncia

  3. Pronomes (& Outras Cosinhas) Pessoais & Impessoais

  4. Particularmente…

  5. Perguntas Úteis & Comuns

  6. Batendo Um Papo…

  7. Números, Dinheiro, Horas, Dias, Tempo

  8. Um Pouco de Gramática

  9. Situações & Vocabulários
    9.1 Chegando
    9.2. Ficando
    9.3. Comendo
    9.4. Comprando
    9.5. Saindo
    9.6. Turistando
    9.7. Se Dando Mal...

  10. Expressões & Cultura
E antes que alguém diga, eu sei que ninguém vai precisar de um livro de frases Tupi... é o que parece não é? Mas vai que aparece um gringo louco que quer ver índios...

É isso aí!

Sunday, January 30, 2005

notas para um sábado

(fuga sobre motivo de "onde andaras?", de Ferreira Gullar)

lembra nossos sábados?
de manhãs preguiçosas e almoços espaçados,
e nós, atrasados... sempre atrasados!

sessões de cinema no fim da tarde
depois um jazzinho sem muito alarde
e a dança dos lençóis - capítulo à parte!

onde andarás nessas tardes vazias
agora que sábado é só mais um daqueles dias
intermináveis, que parecem não ter mais fim

depois que o sol se põe nas varandas
em que bares? em que cirandas?
por onde andas a te distrair de mim?

Thursday, January 27, 2005

A Revolução do Espaço Compartilhado

Road design? He calls it a revolution
Eu só fico imaginando uma coisa dessas em São Paulo ou Rio de Janeiro!

Sei não, mas creio que Arnaldo Xavier já discutia esse assunto...

Resumindo a mensagem: Espaço Compartilhado. Automóveis e pessoas convivendo harmoniosamente no mesmo espaço, nas ruas, sem necessidade de guardas de trânsito, semáforos ou sinais de trânsito como Pare, Dê a Preferência, ou Velocidade Máxima Permitida. O espaço e a vez de cada um deve ser negociado. "Quem tem o direito de ir ou vir primeiro?", pergunta retoricamente, Hans Monderman. "Sei lá. As pessoas têm que se virar, negociar seu espaço, usar a cabeça", responde ele.

E quem é ele? Um engenheiro de tráfico em Drachten, Holanda, não partidário da poluição visual de placas e semáforos e prefere pregar o convívio da experiência do espaço compartilhado.

Algumas variações menos radicais que o modelo de Drachen já podem ser vistas em outras cidades européias e mesmo nos EUA, onde notavelmente o pedestre (mesmo errado!) tem preferência sobre o automóvel, que para imediatamente ao ver um pedestre atravessar a rua, diferentemente das buzinadas e dos xingamentos que enfrentamos no Brasil...

Mesmo assim, sei lá... não é bom confiar não é mesmo?

Sunday, January 23, 2005

Soltando a língua II

Sempre achei amigável, e ao menos simpático, tentar falar o idioma do país em que se está, nem que seja a China! Baseado nesta premissa, sempre estou com um phrasebook no bolso, muita vontade e sem nenhum pingo de vergonha na cara, me metendo a falar qual seja o aidioma.

Com o Inglês, Francês e Espanhol, sem problemas... quase nem preciso do livro de frases, mas as outras... Lembro da vez que, em Praga junto com a Te, estávamos procurando as escadarias baixas que davam acesso ao Castelo. O mapa não era claro, e só nos restou perguntar... em inglês? Claro que não! Lá vou eu, metido que só vendo, perguntar, em Checo, pro policial aonde ficava a tal escadaria...
“Kde je ta dolní schod” ou algo assim, provavelmente sem a mínima fluência. O que eu não esperava (ou até esperava, mas acabei me surpreendendo) era o guarda entender o que eu havia dito e passar a responder, claro, em Checo!

Não fosse a universal linguagem dos sinais, eu estaria perdido. A Teresa diz que nada paga a minha cara de espanto frente à enxurrada de palavras sem o mínimo sentido que o policial passou a falar, eu procurando prestar o máximo de atenção que podia, e buscava me orientar nos gestos do homem, que desenhava o caminho no ar com as mãos, enquanto falava. Ao final, com um largo sorriso no rosto, só podia mesmo era agradecer: “Děkuji”!

Mal dobramos a esquina e a Te quase rolou no chão de tanto rir... “É, mas ao menos ele me entendeu!”

É preciso uma certa cara-de-pau e nenhuma vergonha pra enfrentar um situação destas. E atualmente venho enfrentando o mesmo, aqui em Antuérpia, na Bélgica. O idioma é o Nederlandês, falado na Bélgica e na Holanda, também conhecido como Dutch ou Holandês na Holanda, e Flemish ou Flamengo, na Bélgica, embora já tenha ouvido que Flemish não é língua, mas dialeto. Sei não... O que sei é que se fala o mesmo idioma na Holanda e na Bélgica, com diferenças regionais que beiram as mesmas existentes no Português entre Portugal e Brasil, no Castelhano entre Espanha e América do Sul e no Inglês entre Inglaterra e Estados Unidos.

É verdade que quando estou trabalhando não preciso usar outra língua que não seja o Inglês, embora eu arrisque uma ou outra palavra em Nederlandês no restaurante da empresa, para pedir o meu prato. Igualmente no hotel, ou no centro da cidade, o Inglês e o Francês são bem falados. O problema está nos bairros... aí a coisa complica. Poucos falam outra coisa que não o Nederlandês, e você tem que soltar a língua mesmo, ou não vai ser compreendido...

Até que soltar a língua é fácil, pois sempre é possível montar as frases que se quer usar com calma... mas e entendê-los? Entrar numa lanchonete, pedir por um lanche qualquer só porque ele está exposto no display, o que deveria tornar a tarefa menos árdua, mas não... a pessoa vira pra você e pergunta algo do tipo “blijven of meenemen”, querendo saber se você vai comer na mesa ou prefere levar para viagem, ou ainda, “klein, gemiddeld of groot”, para pqueno, médio ou grande... Estas coisas te pegam de surpresa, e a inevitável cara de espanto instála-se no seu rosto!

Mas ainda assim, eu ADORO isso!!! =P

Saudações Linguarudas!

Soltando a Língua I

… e novamente eu retraí. Depois de tanto tempo sem ouvir palavra em português que não fosse em minha própria cabeça ou pronunciada através de um aparelho telefônico, ao ouvir duas mulheres conversando ao meu lado no avião acabei retraindo ao impulso de puxar assunto e bater um papinho na língua mátria. Cheguei mesmo a ensaiar um “vocês são brasileiras?” ou ainda um “vocês estão indo para o Brasil?”, mas acabei não conseguindo me decidir qual das frases era menos ruim, pois brasileiras eram, bem estava na cara, ou melhor na língua, já que, a não ser pelo forte sotaque carioca (sem preconceito... só não suporto, oras! E podem falar do "ôrra" e do "meu" paulistas que num tô nem aí!) elas falavam perfeitamente o nosso português, e que iam para o Brasil também era um tanto óbvio, embora o vôo fosse para Amsterdam. Mas retraí... novamente retraí. E tão profundo era o meu silêncio que nem mesmo o livro português escancarado na minha cara, com o título em português,em letras garrafais,estimularam um “dá licença”, ou um “obrigado”, e uma delas, ao se levantar para ir ao toalete soltou-me um “excuse me” e em seguida um “thank you”, ao qual eu respondi com um titubeante “je bent welkom”, num longe-de-perfeito neederlandês, língua falada na Bélgica e na Holanda (e também conhecida como dutch ou holandês, na Holanda, e flemish ou flamengo, na Bélgica). É que ainda estava influenciado pelo idioma devido às minhas últimas 2 semanas de trabalho na Bélgica. E também não respondi em português porque já estava com medo de ofendê-las, pois elas tanto falavam em português, tão aberta e descontraidamente, como aqueles que têm a certeza de não estarem sendo ouvidos, que poderia parecer que eu estivera bisbilhotando a conversa delas este tempo todo, fingindo não entender o idioma...

Não é a primeira vez que isso me acontece. Entre o desconforto de conversar com estranhos, o ridículo do assunto fútil e do papo besta, inevitável em qualquer abordagem, sempre acabo retraindo ao impulso – que sempre sinto! – de puxar papo quando ouço alguém falando português. Talvez seja um pouco devido a alguma má experiência, como em Bruges, Bélgica, quando ao ouvir um casal ao meu lado dizer “U bent hier... e agora?”, achei tão engraçado que não dei o tempo necessário à razão para impor-se à emoção, e soltei um “vocês são brasileiros?”, e o cara me respondeu “naum, somush purt’guesish”, dando-me somente um olhar de relance, fugaz mesmo, sem disfarçar o desdém pelo povo um dia dominado, explorado, violado e oprimido...

É... atenção, atenção! A estupidez esta além de nações e nacionalidades, e não é privilégio de quarto, terceiro, segundo ou primeiro mundo não... ela junta todo mundo num balaio só e forma o submundo de subseres subinteligentes com seus subpréconceitos... CUIDADO! Nem só de bushes & sadams & sharons & arafats & putkins & blairs & todos os que pregam a violência em qualquer estado – sólido, líquido, gasoso ou empírico – como meio a qualquer coisa é formada a estupidez... por isso, SEMPRE ALERTA!

Cá pra nós... será que ele pensou que eu queria ser "amigo" dele? Era só bater um papinho de dois minutinhos, dar um "então tá então, até mais ver" e tudo estaria resolvido! Ele até sairia com fama de simpático...

Quanta estupidez né?

préVIXE II

O préVIXE está de site próprio! A humilde homenagem que fizemos ao nosso amigo Arnaldo Xavier (que já postei aqui, em http://eduardo-miranda.blogspot.com/2005/01/prvixe.html), que partiu desta paragens para outras em 26 de Janeiro de 2004, agora ganhou uma versão eletrônica no ciberespaço. Por estar acomodade em um provedor de domínios gratuíto, temos que agüentar os desagradáveis banners publicitários - particularmente horríveis! - que populam o site.

Mas isto é o de menos... o importante é que o conteudo está muito bom, com textos de Cuti, Dorival Fontana (apenas na versão eletrônica), Marco Rheis, Ronald Augusto (o Tutuca), Roniwalter Jatobá, Souzalopes e deste que vos escreve.

A editoração ficou a meu cargo e está bem simples, sem grandes recursos profissionais, apenas preocupada em publicar o trabalho. Futuramente pensaremos em acomodar a página num site pago, eliminando assim os indesejáveis anúnmcios.

É isso aí. O endereço é http://www.angelfire.com/zine2/casapyndahyba

Saudações Pyndahýbicas !

Thursday, January 20, 2005

You are sorry? No Way!

Sorry Everybody

Americano tem o dom de fazer dinheiro de tudo... Quando estive em NYC no início de 2002, logo depois do 9/11, fiquei pasmo ao vê-los cobrarem US$2 para se ver as ruínas do WTC, o Ground Zero!
E agora a história se repete. De proporções equivalentes ao 9/11, a reeleição de Bush é uma tragédia que ainda vai dar muito pano pra manga, e é claro, renderá muito dinheiro para alguns espertinhos, com todo o pejorativismo que o termo possa carregar. Esse site diz tudo, sorryeverybody, onde supostamente as pessoas se desculpam mas também aproveitam para vender um produtinho básico qualquer, que você naturalmente não precisa... é a famosa lojinha na saída do museu, que só os americanos, ou ao menos muito mais eles do que outros, sabem fazer muito bem.
Em vez de pedir desculpas, eles bem poderiam fazer algo mais eficaz, como um boicote ao consumo desenfreado e estúpido que eles também fazem melhor do que qualquer outro povo...
Any idea?

Pouca Farinha Pra Muito Bolinho

:: Agência Carta Maior ::

Revelações (?) como esta sempre são capazes de nos fazer pensar uma vez mais na questão: para que estamos aqui? O fim do mundo não deveria ser novidade para ninguém. Há muito, na Alemanha, precisamente em 85, um encontro onde participaram os grandes líderes e os grandes empresários mundiais já traçara o destino do mundo, no qual apenas 20% da população seria necessário... e quando alguém perguntou "E quanto ao resto?" responderam "Do resto cuidem os governos e as ONGs. É para isso que eles servem!"

Como já dizia meu camaradinha Michael Moore, “não há recessão, meus amigos; não há tempos difíceis para a economia. Os ricos estão pilhando e chafurdando – eles só querem ter a certeza de que você não irá procurar pela sua fatia do bolo”.

Tuesday, January 04, 2005

préVIXE

uma homenagem a Arnaldo Xavier
VIXE é um projeto que surgiu na Cabeça Pyndaíbica de Arnaldo Xavier, Souzalopes, Roniwalter Jatobá, Marco Rheys e eu. Discutimos muitas idéias, concordamos e discordamos em muitos pontos, acertamos a diagramação, a editoração, os textos, quem participaria, as capas – ah, a capa era um caso à parte para Arnaldo – mas não conseguimos acertar se a impressão seria com nossos próprios recursos, como manda o figurino pyndahíbico, ou se mandaríamos para uma gráfica, o que acarretaria custos extras.

VIXE é um projeto que Arnaldo não viu terminado, e na verdade ainda não está finalizado. Tantas dificuldades tivemos, ainda mais agora com a minha distância física e a ausência de Arnaldo, parece que os ânimos resfriaram um pouco mais.

Neste novo encontro – préVIXE – pretendemos primeiro homenagear nosso amigo, num brinde à amizade como sempre fizemos, e segundo, inaugurar a retomada dos trabalhos do que foi e ainda será o VIXE, na mesma concepção e contexto que, há quase dois anos atrás, começávamos a discutir e configurar, na mesa de um bar, entre vinhos e amigos...
Saúde Arnaldo!

Eduardo Miranda


  • quem tropeiro de que palavras
  • quem que de palavras tempeiro
  • de quem palavras que eu pé defumo
  • quem de palavras se arma sem arma
  • dura de couro quem vem de nagô
  • quem fala de nunca com olho mais oito
  • palavras de não que eu pé defumo

(souzalopes)



sempre guardou no peito
o repúdio doloroso
da pele e o pêlo
do preconceito imundo
que move o mundo

sempre foi ranzinza
muito ranzinza,
no dia do enterro chovia,
chovia muito.
nenhum de nós
colocou óculos escuros.
(marco rheis)


*
r. oda a dor
i. nevitavelmente
p. ara sempre

* *
neste ano
jazz-me-ei-te
em (26/1)2004 subtons

* * *
a recusa da prosa )
subsenhor sucumbe (
ékatómbe azul:
blue...
profundamente blue
(eduardo miranda)


ORIKI PARA ARNALDO XAVIER
quando você axévier dos emails da memória chegar
vai ser bom que não briguemos
como você brigou muitas vezes
por uma opinião
uma divergência
ou uma antipatia

melhor vai ser, xavier, deixarmos aflorar você daqueles seus versos
de que seu parceiro gereba nos deu notícia:
“o rio são francisco é uma lágrima doce
que desce pelo rosto de minas”

este arnaldo vai nos valer mais a pena agora
entre tantos que você foi

o cangaceiro e sua peixeira verbal
que lhe rendeu reações dos adversários
até pelas vias de fato
era um menino apaixonado por brincar de munganga
e fabricar palavras-bombas

o cangaceiro precisa descansar
de suas brigas contra os fantasmas do amor, das inimizades e da morte

axévier, agora você aprendeu de vez o que já sabia:
o que nos mata e nos torna assassinos cotidianos é nosso medo de amar
nossa economia de afeto
nosso apego às grades e algemas morais da formação deformada
que recebemos ao longo dos anos
o que nos mata e nos torna agentes dos pequenos assassinatos
é o cultivo da mágoa, do rancor, da raiva
o que nos faz suicidas e assassinos nas relações cotidianas
é desprezar a sabedoria do perdão
que não é palavra apenas
dita da boca pra fora
mas aquela onda que vem de dentro
inunda de boa vontade nosso interior
espalhando luz à nossa volta

o cangaceiro xavier já aprendeu para sempre:
é mais que urgente a necessidade de aprendermos amar diferente
de assumirmos a nossa
e a liberdade do outro
pois tudo passa
e o passado precisa ser nosso amigo
para que possamos recebê-lo com prazer
em suas constantes visitas

o arnaldo dos muitos amigos
o arnaldo de algumas mulheres
o arnaldo dos filhos assumidos e não assumidos
o arnaldo dos projetos para descaotizar o trânsito de são paulo
o arnaldo gélèdés
o arnaldo salve o corinthians
o arnaldo phyndaíba
o arnaldo das múltiplas parcerias
o arnaldo que ninguém conhecia
nem sempre disse
mas sabia
que jamais o outro será o que nós queremos que ele seja

por isso a sua “transnegressão”
por isso, perguntava: “por que o horizontal não pode dormir com o vertical?”
e dizia: “cumpad, eu não tenho ódio não”
quando acossado em uma conversa dura no deserto das armas

agora
além de seus textos convidativos para a viagem pelo desafio da linguagem
e da negritude
você é luz de memória
é luz de metáfora
pois que muitas vezes por medo de dizer “eu te amo”
acabamos por murmurar “eu te odeio”
e o que se diz quase sempre não é o que gostaríamos de ter dito
e por causa do interdito
o sentido mora no escuro
do olhar, da pele, do espanto, da dúvida
e só vem à tona quando a ele emprestamos a nossa luz

assim
obesos de mentiras
ou jejuamos
ou teremos que fazer doloridas lipoaspirações
sem contar o incômodo de sustentar por anos a fio
o peso do orgulho, da vaidade, do ciúme, da inveja e do ódio

axévier,
que este luto não seja mais uma luta de nossas contradições de viver
e sim um desprendimento de tudo
uma profunda e pacífica
meditação

é mais que urgente
que aprendamos a amar diferente
antes que seja tarde

quando você, axévier, chegar em nossos emails de memória
haveremos de ter o coração aberto
para recebê-lo com o nosso abraço
e servi-lo uma refrescante água de coco
aquela
da mais profunda sensibilidade da nossa paz
e leveza

que tua passagem e lembrança
nos sejam
um bálsamo
para continuarmos a viagem.

(cuti)


1.

orum o
palíndromo atravessado
na frente dos sem-narinas
o orum não oscila
entre ser algo
ou nada
não queda à mão
mas o pensamento o
pensamenta tanto
e da tal modo
que às vezes até consegue
deter num fotograma
o cine-orum
em termos de
rente afrografia
emprestada ao silêncio
do corpo

2.

negror de transegum
axévier hipérion é
meu hipograma meu
paragrama
cerco
de obsessões acústicas
encosto que se anagramatiza
fora da consecutividade da
cláusula temporal

programa de negro
software rasgacéu
achega de
xangô multilingual

na
quebrada
de xangô xangô
de cara
com o arnaldo

xingou e foi
xingado
(ronald augusto)


Adeus, poeta!

Faleceu, no começo da tarde de 26 de janeiro, o poeta Arnaldo Xavier. Um infarto fulminante o vitimou, novo ainda, aos 57 anos, um dia após acompanhar a passagem dos 450 anos de São Paulo, megacidade que o acolheu no final dos anos 60.
Nascido no bairro de Santo Antônio, em Campina Grande, na Paraíba, Arnaldo publicou livros como a Rosa da Recusa, de 1979, e foi parceiro do compositor baiano Gereba em muitos títulos musicais, como “Forró da Baronesa”, “Nas asas do Velho Chico” e “Arrasta-pé da Fiel”. Seu último trabalho na música foi justamente um frevo em torno do aniversário de São Paulo. Sobrevivia como funcionário da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) da prefeitura de São Paulo.
Conheci Arnaldo Xavier em meados dos anos 70, nos bares paulistanos, em plena ditadura militar. De lá para cá fomos amigos inseparáveis, unidos, sobretudo pela literatura e atuações em defesa da democracia e da igualdade social no país.
Com o também poeta Aristides Klafke e Arnaldo fundamos as Edições Pindaíba, uma editora marginal que editou inúmeros artistas. Uma das últimas publicações foi a antologia Contralamúria, de 1994. Com 382 páginas e reunindo 73 autores, era uma sincera homenagem ao afeto. À festa. À alegria. Era, em suma, uma salada mista e ecumênica para comemorar os vintes anos da editora.
Com a sua morte, ficou, no entanto, um projeto que um dia sonhávamos fazer. Era uma antologia que iria reunir diversos escritores contando como viram São Paulo pela primeira vez. Arnaldo me mostrou suas primeiras anotações:
“Era fim de outubro, 1969. Vista ao longe da rodovia Anhanguera, a cidade estava encoberta por uma neblina reluzente e nervosa, a garoa? As silhuetas compostas pelos prédios configuravam São Paulo, como a boca de um gigante, cujos dentes ameaçavam morder rubras nuvens dispersas ante os primeiros e tímidos raios de um sol de quase dezembro. Lá estava São Paulo, gigante deitado sobre o planalto de Piratininga, molhando os pés enfumaçados ora em Cananéia, ora em Itanhaém, ora em Ilhabela. Diante daquele primeiro olhar, a enorme boca foi pouco a pouco se traduzindo em ruas, avenidas, pontes e viadutos. Ali estava, flácido e sujo, o rio Tietê, expondo as fraturas de seu destino de locomotiva e de promessa de dias melhores”.
Nosso grupo Pindaíba perdeu um poeta – e amigo. Segundo seu conterrâneo, o escritor e jornalista paraibano José Nêumanne Pinto, Arnaldo morreu fazendo aquilo que mais gostava de fazer na vida: escrever. Foi enterrado num lugar onde escolheu em vida: no cemitério da Consolação, onde repousam os restos mortais de um batalhador que ele admirava, o jornalista abolicionista Luiz Gama.

(roniwalter jatobá)

Nasceu na Paraíba
à luz do bexiga
pariu-se o poeta
talvez o último
autêntico, fiel,
Idealista
pela essência,
por seus pensamentos,
pelo espírito...
hoje partiu
abrupto, imprevisível...
como a vida é
a morte imita
deixa o compromisso, o exemplo,
a palavra indecifrável
deixa família, saudades, amigos...
leva um abraço
do eterno, para o eterno
amigo Doriva.
(dorival fontana)

azulejos

“Estou curado de você:
Adoeci por outro alguém”
(Lande Onawale)

"Rejubila-se a alma repatriada. A memória pode falhar, mas no coração não há nada esquecido. Volto. Voltar é uma forma de renascer. Ninguém se perde na volta."
(José Américo de Almeida)

"Como disse Whitmam, a solidão é um grito que não ouve.Tô cá, calado, quieto desejando ver o tempo passar como uma estrela cadente, mas ele teima em ser lento.
(Arnaldo Xavier)

"Poesia é coisa de pobre pois economiza palavras."