Sunday, December 30, 2007

pra piorar o que já não ia bem..

A morte de Benazir Bhutto no dia 27 de dezembro de 2007 durante um atentado suicida, vem para piorar o que já não ia bem: o balanço do ano de 2007. Não há muito de bom para ser lembrado, e certamente isso contribui para marcar 2007 como um ano ruim para o mundo: o Senhor Jorge Caminhador Arbusto (Mr. George Walker Bush todo, ele mesmo, é algo ruim, o verdadeiro Senhor da Guerra: Guerra do Petróleo, Guerra Contra o Terror, Guerra Contra o Meio-Ambiente), o Aquecimento Global (e algumas pessoas e organizações querendo dizer que Aquecimento Global é balela), a crise bancária mundial, o fortalecimento da direita facista na Europa, a exacerbação do consumismo a cada ano e cada vez mais...

Vladimir Putin está usando o petróleo como arma política, assim como Bush e Chávez. A própria China, que vem se mostrando uma verdadeira potência mundial - o poder dominante não só economicamente, mas também andam mexendo seus músculos militarmente - prevê que em 2020 os chineses consumirão o equivalente a toda a atual produção de petróleo do mundo. Numa estimativa apenas razoável, dá pra se dizer que a ávida raça humana em breve, muito breve, precisará de um segundo planeta para habitar. Isto porque as pessoas querem consumir e pronto! Alguém aí consegue imaginar que chineses ou indianos concordariam em parar seu desenvolvimento? E o Brasil a respeito da Amazônia? A que custo desenvolvimentista parar com o desmatamento? Haveria uma "compensação" para este retardamento desenvolmentista? Seria justo cobrar algo para não destruir o que resta dos recursos naturais do planeta, como já destruíram os países desenvolvidos?

Complexo não? Mas para simplificar um pouco a coisa, cabe a pergunta: reparaste se alguns de teus familiares, amigos ou vizinhos propuseram uma reavaliação de seu consumismo notório? É da natureza humana que pessoas só tomem este tipo de atitude em casos de extrema necessidade - e o que seria extremo? Usar máscaras de oxigênio para poder respirar? A ciência ter que encontrar uma alternativa para a água potável? Não poder mais se expor durante o dia aos raios solares? Estará tudo isso muito distante dos nossos dias? Ou será isso apenas um problema para nosso bisnetos - problema deles, então!?!? Sem falar na última das catástrofes possíveis - e que daria um final muito mais trápildo a tudo isso: A Guerra Nuclear.

"Não, não a guerra nuclear! Aí você já está sendo pessimista, derrotista", dirão uns. "A ameaça nuclear acabou junto com a guerra fria". Infelizmente não é bem assim... apocalíptico sim, eu sou, mas a história do poder geopolítico mostra que a Guerra-Fria não terminou devido a um tratado de paz, mas sim por um mecanismo chamado MAD - Mutual Assured Destruction (Destruição Mútua Garantida). Em poucas palavras, EUA e (na época) URSS não poderiam disparar suas armas nucleares sem se destruírem a sí mesmos. Ou seja, nada muito nobre, apenas auto-preservação.

Ontem mesmo discutía com amigos sobre a Teoria do Caos: Tudo está conectado. Seja a produção de carne no Brasil que tenta entrar na Europa, seja as enchentes na Ásia, a seca na África, o mercado de ações ao redor do mundo... E como disse James Downey no Irish Independent, que "... o silêncio permanente de uma brava mulher transformou um ano ruim num ano verdadeiramente terrível." Benazir Bhutto era a atual Presidente do Partido do Povo Paquistanês (PPP, Pakistan Peoples Party), um partido de centro-esquerda afiliado à Internacional Socialista. Bhutto foi a primeira mulher eleita para liderar um Estado muçulmano, tendo sido duas vezes Primeira Ministra do Paquistão. Seu assassinato tem uma abrangência muito maior do que possa parecer. A importância geopolítica do Paquistão é colossal, e se desintegrada, o choque será sentido em todo o mundo, seja pela ameaça de suas (possíveis) armas nucleares, seja pelos fundamentalismo islâmico que o país abriga.

Como já dizia o poeta: "Paz na Terra aos homens de má-vontade, pois os de boa-vontade já estão cheios dela!"

Com sorte, 2008 será um pouco melhor.

Friday, December 21, 2007

Um Conto de Natal

Já passava das 10 da manhã quando ele chegou no escritório. Não sentia-se vigiado por isso, tampouco pressionado de maneira alguma. Sentia-se, como há tempos não se sentia, aliviado! Talvez o resultado dos 90 minutos de academia logo pela manhã, talvez o resultado do bom trabalho que vem fazendo ultimamente e que vem lhe rendendo elogios de clientes, parceiros e associados, ou talvez apenas o Espírito Natalino...

- Não! Não o espírito natalino - pensou. Esta seria a última coisa à qual ele atribuiria seu bem-estar. Não acreditava nestas coisas. Perdera muito cedo a inbocência do natal, e isto havia lhe deixado um azedume no espírito. Aconteceu quando tinha 5 anos, num dos jantares de natal que seus pais costumavam oferecer para a família. Ao recipitar-se para a cozinha, constatou que o Papai-Noel que há pouco distribuíra presentes e gargalhadas, não passava do seu obeso tio, que agora estava sentado à mesa de jantar com a barba ao colo, comendo e bebendo compulsivamente. E o embaraço dele ao tentar recolocar a barba, a boca cheia de comida, babando o vinho, e seus pais querendo afastá-lo da cozinha... depois daquele ano, nunca mais houve Papai Noel, nem renas nem duendes... o natal deixara de ser aquele algo mágico e passara a ser apenas mais uma noite com um jantar caprichado, falsas mensagens de paz e esperança e algumas porcarias trocadas entre as pessoas.

Era um dia tranqüilo, uma sexta-feira tranqüila, clara, fria e ensolarada. Não havia muitas requisições, mais nenhuma exposição agendada para este ano, praticamente não havia nada para ele fazer. E como só decidira se feriar nesta semana, pegou a oportunidade para dedicar algum tempo ao lazer remunerado... Avisou aos colegas que iria ao banco. Desceu as escadas, acenou ao porteiro, de maneira que fosse visto saindo do escritório. entrou no carro e deu uma volta no estacionamento, parando o carro atrás de uma moita. Vestiu sua roupa de motoqueiro (ele nunca tivera moto), sua balaclava, armou-se do seu pé-de-cabra e dirigiu-se até a porta dos fundos do depósito.

Ele conhecia os seguranças. Sabia que se revesavam durante o almoço, e também sabia que Pedro estaria cobrindo a carga horária de João, que tirara a sexta-feira de folga, por conta própria. Pedro comeria um lanche na guarita mesmo. Ele sabia que Pedro teria que ir comprar o lanche na cantina, e para isso se ausentaria por não mais do que 4 minutos... A hora era agora.

Forçou a porta com o pé-de-cabra com o cuidado de não arrebentar a fechadura, de maneira que pudesse fechar novamente por dentro. Aproximou-se dos quadros. Embora pressionado pelo tempo, escolheu-os cuidadosamente: "O Lavrador de Café", obra de 1939 de Cândido Portinari, e "O Retrato de Suzanne Bloch", um Pablo Picasso de 1904. Retirou os quadros da moldura com um pequeno mas bem afiado estilete, pois com a moldura não seria possível sair pela porta da frente. O Picasso media 65x54 centímetros e o Portinari 100x81 centímetros.

Três minutos após sua entrada, saia tranqüilamente pela porta da frente do depósito. Sabia que, a não ser pelo vigia, ali não era caminhos de ninguém. Um minuto foi o suficiente para chegar ao carro sem ser visto. Do carro pode ver o vigia voltando com seu lanche na mão. Colocou os quadros no porta-malas, tirou a roupa de motoqueiro e a balaclava, entrou no carro e voltou para o estacionamento. Estacionou calmamente, subiu ao escritório e, ao ser encarado com cara de espanto pelos colegas, disse:

- Esqueci meu cartão! Abre a gaveta, pega o cartão e sai novamente, avisa que não voltará mais hoje, e deseja a todos um ÓTIMO NATAL e um ANO NOVO CHEIO DE PAZ E PROSPERIDADE!

No caminho de casa parou no Shopping Centre para comprar uma barba postiça, o último adereço que lhe faltava: seria o papai-noel para os sobrinhos naquele natal...

xmas & nuyear

Dizem que sou louco / por subir no pé de coco
pra pegar o coco / descer com o coco
do pé do coco / e abrir o coco
pra saber se o coco / é oco.
( anônimo, em 'Pequeno Livro dos Despautérios e das Causas Perdidas do Povo do Norte-Leste Brasileiro’, 1757,)

é só iço que ouuerã :

emcoantu aijmda algo d nos meesmos nos falta,

é como averija de seer: nõ podemos dijzer que

ouro o prata nõ teemnhä nenhuüm' ijmportãcia

) ë seer, por seer, com seer ( neesta modernaijdade :

emtam dijguo falhame señr, que valhote, amen

- agora y na ora d mijnha ora . . .


Y neeste novu anno que sy açerca,

que a terra sejanos leve mas nosas oras lomgas . . .

que a gamnãçija nõ ademtre muijto em nossos corações

poijs huü pouco só - y asy só -

casy nõ se apercebe,

- neë tampoco se pod' ijmpedjr.


Y que a paz faça morada na memte dos homeës de maas uontades,

porque os de booas uontades ja a tem!



o<[¦¬]==
oh, oh, oh
& felizannonovodenovo &
> 2oo7, 2oismileoit8 <
asyno eduardo miranda
deste porto seguro d' jlha d' Eire,
oje, sestª feira, vjgesº prjmerº dija d dezº-segº mez deeste Anno-Domijnij d MMVII .

Wednesday, December 19, 2007

tá cada vez mais down no high society

Executivos da RTÉ estão sendo questionados pelo parlamento Irlandês sobre as fontes utilizadas no controverso documentário "High Society" (Alta Sociedade) sobre o uso de cocaína. O programa foi baseado no livro de mesmo nome, de Justine Delaney-Wilson, que alega ter entrevistado um político, um piloto de avião e uma enfermeira e todos disseram ser usuários habituais de cocaína.

O problema foi mexer com os políticos - um Ministro! O programa afirma que um Ministro do Parlamento admitiu usar cocaína regularmente, fato que deixou os membros do parlamento embaraçados e emputecidos, que agora querem dar nomes aos bois - quem é "O" Ministro? Quem é ou são as fontes?

O pessoal da RTÉ apenas diz que "todos atestam a veracidade do programa. Não há razão para não fazê-lo", mas o que a ministrada quer ver é ação: nomes. Eles querem nomes, seja o do ministro, seja o da suposta fonte da jornalista. Parece-me justo. Sigilo profissional aqui não se aplica: quem mata a cobra tem que mostrar o pau! Ou a jornalista diz logo quem é o cheirador ou se redime. A RTÉ já se comprometeu a não fazer mais programas "fortemente baseados em fontes ou contribuições anônimas".

Pergunta-se a Esopo qual é a melhor das coisas e Esopo mostra sua língua, dizendo: «é a língua a melhor das coisas». E perguntam-lhe em seguida qual é a pior das coisas. E ele mostra de novo a língua dizendo: «é a língua».

Esse parece ser um problema da imprensa em todo o mundo: muitas vezes apenas fazem acusações ou insinuações levianas mascaradas de notícias, com um bom grau de sensacionalismo para garantir a venda do produto, e assim os supostos furos chegam ao grande público sem que as fontes ou a simples veracidade das informações sejam checadas - não há tempo para isso. É o vil metal novamente, infelizmente.

Isso sem falar de quando a mídia se auto-classifica como um deus todo-poderoso, que usa seu poder de penetração sob a carapuça da liberdade de expressão, e muitas vezes pratica a parcialidade - dizer mentiras afirmando apenas meia-verdades.

Seria bom ver algo ao fim deste episóldio: cabeças rolando. Ou a do cheirador ou a da fonte da jornalista.

Nossa carne é melhor que a deles...


Não contente em banir a carne brasileira da Irlanda, o Departamento de Agricultura Irlandês quer que UE também adira ao boicote da importação da carne brasileira.

A ministra da Agricultura Mary Coughlan disse em entrevista hoje no programa Morning Ireland da RTE 1 que as práticas pecuárias e agrícolas no Brasil ainda são motivo de preocupação. Fitossanitarismo e rastreabilidade. Em outras palavras, nossa higiene não é satisfatória e nossa carne não pode ser adequadamente rastreada...

EUA, Australia, Japão e Coréia do Sul já bloquearam a carne brasileira, mas a UE mantêm apenas bloqueios regionais - por enquanto. A Irlanda importou 330.000 toneladas de carne brasileira no ano passado.

O Vil Metal

Dizem por aí que tudo não passa de lobby dos pecuaristas, já que a carne brasileira é mais barata do que a que é produzida no país.

Se é mais barata, não sei... mas que é melhor, isso é!


Sunday, December 16, 2007

O papa impop

Não sei se é só eu ou se todo mundo compartilha da idéia de que este papa NÃO é pop, NÃO é simpático e tem cara de mal!

Consenso ou não, o fato é que o papa tem um passado engajado em causas não muito nobres, quando defendeu pedófilos e foi indiciado pela justiça americana, mas acabou se livrando da acusação com a ajudinha do Senhor Jorginho Arbusto - também comhecido como Mr. George Bush. (Leia aqui).

O papa "impop" de 80 anos Pope andou dizendo por aí que o aquecimento global deve ser tratado sem alarmismo, e com base científica. Ora, nada de novo, não? Há muito tempo os cientistas vêm alertando para os perigos do aquecimento global, mas ninguém liga! Agora que a coisa anda quase no limite, com graves conseqüências sendo observadas pelo mundo afora, vem o Seu Bento nos dizer que devemos ouvir os cientistas? Cabe uma pergunta aqui: A quais cientistas Seu Bento se refere? Àqueles que dizem "Parem as máquinas AGORA!" ou aqueles que dizem que "... o aquecimento global é fruto da indústria do pânico"? Estaria o impop-papa se aliando ao discurso americano - ou arbústico, bushístico - de que aquecimento global é um exagero e que os EUA não vão reduzir suas emissões ou retrair sua indústria baseado em "boatos" e "pânico"?

Parece mais acerto de contas, pagamento de dívida, retribuição de favor... Eu, hem? Mr. Bean para PAPA, JÁ!!!

Thursday, December 13, 2007

CPMF - Com Parcimônia e Muita Fé

Do total da CPMF, 51% vai - IA - para a saúde. Para a Previdência 25%, e para o Desenvolvimento Social mais 24% de toda a arrecadação da CPMF. Ia, não vai mais... O que já era ruim agora vai ficar pior: vamos ver como se dará o país da piada pronta com R$ 40 bilhões a menos no orçamento... será menos dinheiro para a saúde, para a educação, para as reformas... e menos para os ladrões também! E quer saber? Ao final vão culpar o Lula - incompetente!

Quem não quer a CPMF são aqueles que querem fazer o “desmanche” do Estado e de suas políticas sociais, são os que acham que o mercado é mais eficiente para dar hospital e escola, são os que mantêm o “Caixa Dois”, são os que querem acabar com as favelas simplesmente desaparecendo com elas, pois o problema não é deles, são os que querem nomear o Coronel Ustra diretor-geral da Polícia Federal, e assim só prender “preto-pobre”, são os mesmos que só acreditam no que lêem na Revista Veja e querem matar o Governo Lula de fome, como manda o bom neo-liberalismo.

Quem sabe assim os Deputados e Senadores resolvam tirar um pouco de dinheiro de seus próprios bolsos (não o dinheiro deles... pois o dinheiro deles é público)! Contando salários, assessores (pra não chamar de parente), verbas para isso e aquilo, auxílio-gasolina, auxílio-viagem, auxílio-vestimenta, auxílio-cesta-básica, auxílio-champagne-Dom-Pérignon, e etcetera, passa de R$100, fácil, fácil...

Álcool & Publicidade

Bom engov para você também!

Ah... pera lá! Tá parecendo Irlanda? Bom Engov pra você? Quer dizer, beba, mas beba bastante, até passar mal, aí você manda um Engov goela abaixo e tudo bem? No meu tempo, o jargão era outro - igualmente mal, mas nem tanto: "Engov - um antes e um depois"!

Esse tipo de publicidade é que deveria deixar as pessoas indignadas. São estas coisas (e outras como estas também) que as pessoas deviam aproveitar e mostrar um pouco de dignidade, protestar, boicotar, mas não... todo mundo acha graça, e a coisa acaba "pegando"! Vamos acabar ouvindo nas ruas - se já não se ouve! - "Bom Engov!" E o outro, sorridente, responde, "Bom Engov para você também!".

É preciso acabar com este estigma de que o brasileiro ri da própria desgraça... A desgraça não tem graça, como a própria palavra diz.

* * *

O ocaso do acaso


Cerveja sem álcool? Essa não pega aqui não... o pessoal vai preferir deixar "ele" ao acaso!

Wednesday, December 12, 2007

EMT - Eduardo Miranda Time


Gostei do Chavez esta semana - criou seu próprio fuso horário, o que já vem sendo chamado de HCT, ou Hugo Chavez Time! Deu na BBC!

Eu também resolvi criar o meu próprio Fuso Horário, o EMT, Eduardo Miranda Time. Ele desloca 2 horas para frente ou para trás de GMT, conforme o período do dia. É simples, de manhã, como o dia por aqui anda dando as caras lá pelas oito e tanto, quase nove, como diria Chavez "para aproveitar a claridade", eu atraso o relógio em duas horas, e 9am GMT passa a ser 7am EMT... hora de levantar, tomar um banho, o café e ir trabalhar, começando no escritório lá pelas 8:30 EMT (sem se importar em ser 10:30 GMT, azar de quem não está no meu "timezone").

Como o pessoal do escritório não está em EMT, todo mundo vai almoçar lá pelas 12, 1pm GMT, que na verdade é muito cedo para mim, entre 10am e 11am EMT. Então, como sou um ser sociável, esta é a hora de retornar meu relógio para GMT e ir almoçar!

À tarde, porém, percebe-se que lá pelas 2pm GMT o dia começa a dar sinal de esvaecimento, e normalmente anda escurecendo entre 4pm e 5pm GMT. Hora de entrar em EMT novamente, adiantando o relógio em 2 horas, assim 2:30pm GMT será 4:30pm EMT, hora de ir pra casa... afinal, ninguém merece trabalhar mais do que 8h por dia, né?

Friday, November 30, 2007

máfia & jazz

O bom e velho Cronemberg

Eastern Promisses é um filme para ser visto. Não posso dizer porque, não sei dizer porque, mas deve ser visto. Como quase todos os filmes de Cronember - Scanners (meu primeiro contato), Videodrome e Naked Lunch (meus dois favoritos), M Butterfly, Crash, eXistenZ, Camera, A History of Violence, e por aí vai, cronologicamente ou não.

Eastern promises fala de uma mulher que investiga a morte de uma jovem russa, prostituída e violada, no violento universo da máfia russa em Londres. Mas a sutileza dos personagens de Cronemberg é que é algo muito além de histórias...

* * *

Estive em Leeds fim-de-semana passado. Terra de Allan Holdsworth - na verdade ele é de Bradford, vizinha de Leeds. E estive lá justamente para o show de Holdsworth, junto com duas feras - o baixista Jimmy Johnson e o baterista Gary Husband. Bom show? MA-RA-VI-LHO-SO! Holdsworth com seu estilo inconfundível é ainda mais impressionante ao vivo, onde você pode constatar tanto a agilidade quanto a abertura de mão, usadas em conjunto.

Holdsworth se pôs bem à vontade. Chegou brincando com o público, como se conhecesse alguém. Tocou com descontração, bebeu muita água, destilou virtuosismo - até demais, diga-se. Mas faltou algo... faltou algo que só Holdsworth poderia mostrar: faltou o próprio Holdsworth! Aquelas frases geniais, aquela sensibilidade, aquele fator surpresa, o inusitado, além do comum, além do esperado.

Holdsworth não nos agraciou com as maravilhosas melodias que costuma mostrar em performances de estúdio, ou mesmo em trabalhos ao vivo.

E daquela simpatia toda mostrada no começo e durante o show, nada sobrou para depois do show: o que deveria ser uma "prometida" sessão de autógrafos acabou por ser alguns constrangidos apertos de mão sem sequer um sorriso - mas ele teve disposição para olhar para (e comentar sobre) a bunda de uma fã depois de um autógrafo, e depois deu as costas para alguns fãs que ainda esperavam por um autógrafo no CD comprado no show...

É... algo não foi bem naquele show. E era a própria banda, diga-se de passagem.

Ainda Dezembro? Finalmente!


Mais um fim de ano... e junto com as festas começam também as mesmas e velhas chatices natalíneas: o trânsito, que é sempre horrível, presencia o caos dos megacongestionamentos; as falsas liqüidações que tomam as vitrines de supostas lojas de grife, enquanto supostas liqüidações tentam se impor em falsas lojas de grife; gente triste que se veste de pacotes na esperança de encontrar a felicidade perdida, mesmo que passageira, e gente tristemente vestida de papai noel em busca de do dinheiro perdido, infelizmente passageiro; o frio e a garoa que já são bem deprimentes tomam uma dimensão surreal nesta época... mas com alguma sorte tem-se um pouco de neve, nem sempre; os dias que se tornam mais raros e preguiçosos, e só dão o ar da graça entre 9h e 15h; o amigo-secreto em que você sempre tira alguém que não conhece, aí é aquele constrangimento do aperto-de-mão, do tapinha nas costas, do "Feliz Natal pra você e pra família" a quem você só encontra no corredor uma ou duas vezes por semana; mais lixo ainda na TV, sempre as mesmas canções natalinas, um monte de gente bêbada... enfim, Natal!

E aquele Espírito Natalino, aquele verdadeiro, que esperamos encontrar nas pessoas mas nem sempre nos preocupamos em saber se também o transmitimos... será que aquele Espírito Natalino já era? Seria culpa da Igreja que supervaloriza valores muito religiosos e acaba afastando os não-religiosos ou não-católicos? Seria culpa das mensagens comerciais cada vez mais apelativas? Uma pergunta: que diabos (com o perdão da palavra) Aquele-Bom-Rapaz-Judeu tem a ver com o Natal se ele (dizem por aí...) nasceu em Fevereiro? Cristo só nasceu no dia 25 de dezembro por obra do papa João I, que decretou a data do natal no ano de 525, mudando o calendário cristão. Consta também que Cristo nasceu durante o governo de Herodes, no ano 7 a.C.: É... Cristo nasceu "antes de Cristo".

Sim, eu sei que o natal foi criado para a comemoração do nascimento de Jesus Cristo... e afinal, o que eu, um agnóstico de ascendência cristã, tem a ver com o natal? Bem, gosto das comidas, da festa, e aprecio presentear, especialmente crianças. Gosto também da paz que - falsa ou não - parece imperar nas pessoas. Em mim impera. Me torno mais ameno, receptivo, emotivo, sereno... e nesses momentos aproveito para refletir e fazer promessas a mim mesmo de melhoras para o ano que se avizinha... invariavelmente e inevitavelmente. Seria esse um Espírito Natalino ou apenas um resquício de algo maior que já se perdeu?

Seja o que for, já me basta!

Feliz Dezembro... Ho, Ho, Ho!!!

Thursday, November 29, 2007

I did nothing today...


Gozado observar o comportamento das pessoas em diferentes empresas... Tendem a se agruparem, é claro, mas tentar descobrir o fator agrupante é uma tarefa interessante. O que faz cada um se agrupar com este ou com aquele, aqui ou ali... e mais interessante ainda é quando os padrões são flexíveis.

Por exemplo, cá onde estou esta semana, há o grupo dos fumantes, composto por Sra. A, Sr. B e Sr. C. A, B e C dão, regularmente, suas escapadas para o cigarette break - a pausa do cigarrinho. Sr. D, que não fuma, eventualmente junta-se ao grupo para um bate-papo rápido nos fundos do escritório - o fumódromo.

Há também o grupo do almoço, composto por Sra. A, Sr. B e Sr. D. Eu participo deste grupo também, mas o Sr. C não! Ele parece não almoçar. Já o grupo do café, é composto pela Sra. A, Sr. C, Sr. D e o Sr. E. O Sr. B, que é fumante, estranhamente não toma café.

* * *

Os Jogos Olímpicos Dos Bêbados, um subproduto dos Jogos Olímpicos (Não-Bêbados), é uma competição atlética em que os atletas só competem quando estão bêbados muito além do humanamente aceitável. Os primeiros Jogos Olímpicos Dos Bêbados ocorreram em Utah em 2005. Foi durante uma Olimpíada de Bêbados que o popular empilhamento de copos foi inventado. Em janeiro de 2004, Bode Miller fez uma declaração arrojada e controversa sobre esqui enquanto estava completamente bêbado. Após um dia e meio de bebedeiras, Miller apareceu na ESPN2 proclamando orgulhosamente: "EAAMPH, Airgve Glub Spleeekd Waidaaded HAHAHA!!" Após consultarem o Dicionário Oxford de Bêbedêz-Inglês, a declaração de Miller foi traduzida aproximadamente como "É... eu esquiei à toa. Hahaha." O âncora do ESPNEWS Steve Berthiaume mostrou-se visivelmente irritado.

Cheque esta e outras curiosidades na mais nova e acurada Enciclopédia da internet: Uncyclopedia!


* * *

Ah... e o Corinthians está quase lá!

Tuesday, November 27, 2007

Certifique-se de cancelar seus cartões de crédito ANTES de morrer!

Pode ser mais um HOAX, o famoso ciber-boato, mas é engraçado, e achei que valeria a pena dividir...

Uma senhora morreu num Janeiro qualquer, e o banco cobrou-lhe a anuidade do cartão de crédito em Fevereiro e Março. Como as faturas não foram pagas, o banco passou a adicionar mensalmente as devidas taxas, juros e correções sobre o valor original. Vendo aquele valor crescer todo mês, o sobrinho da falecida resolve ligar para o banco:

Sobrinho: "Bom dia. Estou ligando porque minha tia faleceu recentemente mas vocês continuam mandando faturas para o endereço dela."

Banco: "Meu senhor, nos nossos registros a conta nunca foi fechada, portanto as últimas taxas ainda são aplicáveis."

Sobrinho: "Talvez vocês devessem encaminhá-las ao setor de cobranças."

Banco: "Como já faz se passaram mais de dois meses, já foram encaminhadas."

Sobrinho: "E o que eles farão quando descobrirem que ela está morta?"

Banco: "Ou enviam para o Departamento de Fraudes ou para o Setor de Crédito... talvez para ambos."

Sobrinho: "Você acha que Deus ficará chateado com ela?"

Banco: "Como?"

Sobrinho: "Você entendeu o que eu disse? A parte sobre ela estar morta?"

Banco: "Senhor, seria melhor o senhor conversar conm meu supervisor."

O supervisor atende ao telefone:

Sobrinho: "Olá. Estou ligando em nome de minha tia, e estou tentando explicar que ela faleceu em Janeiro."

Banco: "Bem, consta em nossos registros que a conta nunca foi fechada, portanto as últimas taxas ainda são aplicáveis."

Sobrinho: "Você quer dizer que vocês vão descontar dos bens dela?"

Banco: "Eh... O-o se-senhor é o advogado dela?"

Sobrinho: "Não, sou o sobrinho."

Banco: "O senhor poderia nos enviar a certidão de óbito por fax?"

Sobrinho: "Claro."

Após o banco receber o fax:

Banco: "Nosso sistema simplesmente não está preparado para mortes meu senhor. Não sei mais o que posso fazer para ajudá-lo."

Sobrinho: "Bem, se você descobrir como, ótimo! Se não, vocês podem continuar mandando-lhe as cobranças... não creio que ela irá se importar."

Banco: "Mas as últimas taxas ainda são aplicáveis."

Sobrinho: "Vocês gostariam de ter seu novo endereço de cobrança?"

Banco: "Sim, seria útil."

Sobrinho: "Certo, anote aí: Cemitério da Quarta Parada, Av. Salim Farah Maluf, s/nº, Quadra 26, jazigo 269."

Banco: "Mas meu senhor, isto é um cemitério!"

Sobrinho: "Ora, e o que é que vocês fazem com os mortos no seu planeta?"

Sunday, November 25, 2007

... eu tô voltando!

É, eu tô voltando... Depois de uma árdua experiência em Montpellier, França, volto pra Dublin - home sweet home.

Depois de tanto tempo na Irlanda, já havia me esquecido das jornadas de 12 a 15 horas de trabalho do Brasil... digo-lhe amigo, não foi fácil! Estou fora de forma! Duas semanas de trabalho, de domingo a domingo, das 9 da manhã até meia-noite, 1 da manhã, não foi fácil. O preço de um projeto mal-planejado - um disastre!

Mas já estou em franca recuperação. E como o perdão beneficia mais ao perdoador do que o perdoado, perdôo prontamente a todos que de alguma maneira me maltrataram, para que tudo se acalme novamente. Mas sempre lembrando que, como proclamado no "Livro das Virtudes Humanas - Lições A Se Aprender Antes De Morrer", não existe nada mais importante no mundo do que você mesmo, e embora possa soar egoísta, é o princípio de tudo, como explicam: "TÚ és o requisito mínimo para que possas fazer algo, até mesmo praticar o amor ao próximo. Preserve-te para que possas doar-te".


Agora só preciso lidar com minha consciência e convencer-me que não colaborei para um mundo pior, oferecendo alternativas ao capital humano - "Deus est machina!"

Sunday, November 11, 2007

Tudo em seu tamanho e em seu lugar

Em questão de segurança, nem mesmo a Europa é uma maravilha, sabemos disso. Mas também está longe, mas muito longe, dos problemas que temos no Brasil. E por quê? Ora, longe de querer ser o iluminado que diz o que anda errado aqui ou ali, posso apontar um dedo ou dois: educação. E educação é um problema até para quem é educado.

Aqui, aprende-se desde criancinha que todos têm um papel social a cumprir, com responsabilidade, e geralmente cumprem. Não é porque algum espertinho não respeita a pista correta para a conversão à direita que os outros também não a respeitarão. Têm-se um senso comum do que é correto, e ninguém precisa lembrar ninguém.

Outro exemplo. A reciclagem do lixo. A coleta é realmente uma coisa não muito eficiente: as latas verdes para os recicláveis - papel, papelão e latas - só passa uma vez por mês. Plásticos - não todos - devem ser levados aos centros de reciclagem, que não são muitos. Mas mesmo assim, as pessoas vão. E geralmente, não usam as latas verdes para outros lixos - a coleta das latas verdes são gratuítas, enquanto o lixo não-reciclável custa 8 euros [pouco mais de 20 reais] por lata de 240 litros.

Geralmente é este o "background" do europeu-ocidental. Há excessões, mas elas não são as regras, e assim todos vivem bem, mesmo os espertinhos que eventualmente são apanhados em suas pequenas subversões e muitas vezes têm que desembolsar a multa na hora - ao vivo e à cores, já que o euro é bem coloridinho, como o real (Parênteses: episódio de Os Simpsons em que o Brasil é esteriotipado com macacos nas ruas, bandidos por todos os lados, seqüestros, favelas - nada de novo, na verdade, só o fato Rio do Janeiro ser ao lado da Amazônia - e o dinheiro colorido - "coisa mais gay!", foi o comentário. Fecha parênteses)

Na mesma linha da conduta social, tem o governo, que não é dos melhores - governo e perfeição são palavras que não cabem no mesmo pote - mas tem seus méritos, nem tanto econômicos - já que deve seu sucesso aos incentivos europeus - mas sociais. Paga-se caros impostos por isso, mas eu acho que vale a pena. Tem gente que reclama: "Onde já se viu pagar impostos para sustentar vagabundos e drogados?" É um ponto. É apenas uma parte do dinheiro que vai para este fim - habitação e auxílio financeiro para quem não trabalha - e é esta mesma parte do dinheiro que mantém os níveis de violência baixos, pois o governo dá casa salário para essa gente. Eles têm três opções: 1) viverem com o mínimo possível, aquém do limite do que muitos considerariam humano e digno, e assim comprarem suas drogas e se matarem aos poucos; 2) viverem simples, mas dignamente com o pouco que o governo oferece; 3) arrumarem um emprego e mudarem de vida. É isso, o benefício desse dinheiro é que não se cria bandidos. Violência [quase] zero. Aqui na Irlanda só morre gente de velhice, em tiroteios entre gangues de narco-traficantes, acidentes de carro envolvendo bêbados e suicídio de adolescentes.

Ainda assim uma doce-triste realidade!

Aonde é o aqui?

Close your Eyes
Dinho Ouro Preto, Bebel Gilberto, Béco Dranoff




You know you can feel the breeze with patience of a lifetime
Dance above the trees to the rhythm in your mind
Gently touching your skin inside out
Floating on the seas, it carries me around

You can close your eyes and never be alone
You can close your eyes and never be alone
You can close your eyes and never be alone
You can close your eyes and never be alone

Penso em você, sinto um gosto de mar
Nos grãos de areia, e eu a rolar
Vou rodar o mundo , mas aqui é o meu lugar
Eu vou rodar o mundo mas aqui é o meu lugar

Tuesday, November 06, 2007

E a saúde, como vai?

Sete mulheres foram diagnosticadas com câncer de mama após serem inicialmente informadas que nada tinham pelo Midland Regional Hospital em Portlaoise, no Condado de Laois, República da Irlanda.

Das aproximadamente 2.900 mamografias realizadas entre Novembro de 2003 e Agosto de 2007, cerca de 250 foram re-examinadas e dentre estas, 45 mulheres foram chamadas para refazerem seus testes.

Imagina, se você já fica puto da vida - eu fico - quando entra no "recall" da montadora de automóveis e xinga todo mundo dizendo que "estes filhos da puta só querem saber de ganhar dinheiro, fazem um serviço de merda e depois incomodam a gente pra arrumar as cagadas deles", o que dirá se te chamarem pra um "recal" num exame de câncer?

Pois é, o Health Service Executive (HSE), orgão responsável em fornecer serviços sociais e de saúde a todos que vive na república da Irlanda, desculpou-se às 45 mulheres que receberam o comunicado para o re-exame, lamentando a tensão que a notícia pode causar. Para as 7 infelizes que tiveram seus diagnósticos alterados para positivo, depois da lamentação de praxe, a ministra da Saúde Mary Harney soltou uma pérola digna do Ibrahim Suede: "Infelizmente foi uma notícia ruim, mas veja pelo outro lado: se elas tivessem câncer e fossem posteriormente diagnosticadas como negativas, não seria uma boa notícia?"

SOCORRO!!! Chama o SÍNDICO, que isso é uma palhaçada! Chama a Father Ted, que só pode ser piada! Chama o Michael Moore pra refilmar o "Sicko IN Ireland"!

E depois apaga a luz e me acorda no próximo século!

* * *

E falando em Michael Moore, fui ver o Sicko. É bom, esclarece o que a gente já sabia - ou ao menos desconfiava: o sistema de saúde americano é uma merda puramente capitalista. Uma loja com uma vitrine bonita, com produtos caros e um atendimento terrível, com contratos com mais entrelinhas do que linhas, advogados corruptos e inescrupulosos que ficam procurando - e às vezes criando - coisas para você ser desqualificado quando precisa usar os alegados benefícios do plano.

Ok, ele é um pouquinho tendencioso sim, principalmente quando sai dos EUA e se arrisca a entender a saúde em países europeus... mas e daí? A verdade foi dita: o sistema de saúde americano é um negócio, onde pagar os serviços a algum beneficiado é perder dinheiro.

Sunday, November 04, 2007

Soft Porn ou Plástica por Caridade?

Tire umas fotinhos semi-nua, coloque na net e ganhe por click. O dinheirto vai para um "bolsão" que, ao final da quantia necessária, pode ser sacado e usado para uma operação de... AUMENTO DE SEIOS!!!

Esta é A idéia controversa de Jason Grunstra, o criador do site MyFreeInplants.com.

Enquanto alguns acusam-no de pornografia suave, outros acham a idéia genial, e uma maneira eficiente de mulheres consegiurem realizar seus sonhos - ter um peiuto grande!

Leia mais aqui.

Os Esgotos da Liberdade


Rio Grande, Ciudad Juarez, México. O rio está seco. É uma rua de terra, então, que separa o paraíso do inferno: El Paso, Texas de Ciudad Juarez, no México.

Fortemente vigiada, esta fronteira México-EUA é talvez a mais tentadora de todas as fronteiras americanas, pois basta atravessar uma ponte, uma rua, ou uma boca-de-lobo para se chegar à América! Conhecidos como "Os Esgotos da Liberdade", a rede de saneamento básico de Ciudad Juarez / El Paso são as vias mais procuradas pelos imigrantes clandestinos.

E quem são os clandestinos? Geralmente são jovens vindos do sul do país, que trabalham nas "maquilas", as fábricas norte-americanas transferidas ao México. Eles se alternam em três turnos diários de oito horas cada, transportados por ônibus particulares e vigiados por guardas e contramestres. Os interesses são enormes, e as máquinas não param nunca. Por um salário de US$ 50 por semana, o mínimo para sobreviverem e vislumbrarem um futuro tão monótono quanto o percurso do rio Grande. Se estivessem nos EUA, em um mês de trabalho clandestino poderiam ganhar o equivalente a um ano de salário de operário no México.

No balanço de 2006 foram quase 123.000 clandestinos interpelados, cadastrados e enviados de volta Ciudad Juarez. Com a mobilização dos 6.000 homens da Guarda de Fronteira, o número de travessias caiu pela metade, mas mesmo assim, quase 1 milhão de imigrantes conseguem penetrar ilegalmente nos EUA a cada ano. Muitas vezes ao custo da própria vida. Muitos são encontrados boiando no rio Grande ou estendidos no deserto ao oeste da cidade: são adultos, mulheres, crianças, idosos... não há idade ou sexo: todos mortos pelo sol, pelo calor e pela exaustão.

E o que procuram? Um trabalho, que pode ser o de empregado agrícola, ou de empregado doméstico, vendedor de pizza, jardineiro ou até mesmo lixeiro. E, o mais importante, uma escola e um pouco de futuro para seus filhos. Nada pode deter essa gente. Um muro não vai represar esse fluxo de pessoas. Apenas tornará a travessia mais dura e perigosa, e conseqüentemente mais cara. É que quando os caminhos "tradicionais" da imigração ilegal são cortados, os "coiotes" inventam vias novas. É aí que os preços aumentam, as mortes se multiplicam, e a máfia organizada assume o monopólio do tráfico de seres humanos, um negócio de US$ 1.500 por cabeça, e que representa uma mina de ouro, mais lucrativo do que uma caravana carregada de entorpecentes.

Os novos coiotes - pessoas que ajudam imigrantes ilegais a atravessarem fronteiras - não hesitam em abandonar uma mulher grávida no meio do deserto ou em roubar um grupo de 20, 30 ou 50 clandestinos, antes de abandoná-los, sem dinheiro e sem água.

O Diabo-Moita (The Evil Bush) - Ao invés da compreensão, a repressão.

Sabendo-se, estatisticamente, que aumentar a repressão nas fronteiras americanas só causa mais mortes e inflaciona o serviço de coiotes, por que a política americana insiste nesta tática?

Os planos anexionistas dos EUA no século XIX incorporaram (roubaram?) considerável parte do território mexicano ao americano. Ou seja, originalmente, o povo deveria estar lá! Se sob este ou aquele governo, não importa. E esse papo de "isso é coisa do passado" não cola não! Quer dizer que antes podia e agora não pode mais? Tem que haver reparação... REPARAÇÃO JÁ!!! Abram as fronteiras! Escancarem as pernas das putas capitalistas-imperialistas, que o falo dos desvalidos gozem nas entranhas da podridão sem-alma dos abençoados pela informação privilegiada e pelo nepotismo...

Por séculos e séculos, amém!

Leia a reportagem completa aqui.

Thursday, November 01, 2007

de Papéis & de Gêneros

Não sou machista, não sou feminista. Quem me conhece sabe que gosto das causas dos desprivilegiados, dos desfavorecidos, das minorias abafadas. É inerente à minha formação de esquerda: Marx / Trotsky / Adorno / Hokheimer / Gramsci / Etcetera e Tal. E mesmo abalada pelos erros históricos, a "Fé Esquerdista" me mantém na linha, longe da cultura do dinheiro e das tentações do consumismo desenfreado, longe do essencial-fugaz e do "shopping therapy". Mas quando se trata de "papéis sociais" sempre acabo gerando a discórdia, principalmente entre as mulheres.

Se alguém vier com a velha história que mulher é minoria eu viro a página. Mulher não é minoria nem aqui, nem na China... bem, talvez na China e na Índia, onde ainda se comete feticídios femininos [ter uma menina”, diz um ditado chinês, é “cultivar o campo de outros”; um ditado indiano diz que é “cuidar do jardim do vizinho”], mas fora estes absurdos, é comum haver um equilíbrio entre homens e mulheres na idade jovem, embora predominem as mulheres na fase adulta e na velhice.

Esclarecido o aspecto demográfico, passemos ao aspecto social - este sim, delicado. É aqui que mora a discórdia: entre o que passa na cabeça dos homens e o que passa na cabeça das mulheres. E por mais que sejam de Marte ou de Vênus, ainda assim os papéis sociais existem. Infelizmente, dirão uns. Felizmente, outros, mas o que basicamente difere é como e por quem eles devem ser cumpridos.

Os papéis sociais podem, num sentido bem amplo, determinar quem caça e quem coleta numa sociedade. Independente de macho ou fêmea, deve-se concordar que - até agora - estes papéis devem ser executados.

Como bons primatas, carnívoros e mamíferos, historica e antropologicamente herdamos alguns hábitos sociais: agrupamo-nos, acasalamos, procriamos, constituimos um lar e protegemos nossa prole. E para sobreviver [olha os "papéis" aí, gente!], caça-se e coleta-se: enquanto um trabalha o outro cuida, prepara e ordena o lar e a prole. Sejam homens ou mulheres exercendo estes papéis, não importa. E como não há uma linha divisória clara entre eles, um ajuda o outro dentro do possível, sem negligenciar seus próprios papéis. O que importa aqui é que ambos os papéis - igualmente importantes - sejam cumpridos. Não é porque o papel da caça - o trabalho - tenha sido secularmente desempenhado pelo homem enquanto o das prendas domésticas - a coleta - pela mulher que deva ser sempre assim, isso é certo... mas simplesmente "abandonar" o papel para reivindicar "igualdade" tampouco parece justo. Por isso é o momento de discutir estes papéis, tanto sociais como sexuais. É hora de cuidar do que foi abandonado, de rever o que foi reivindicado no desespero da repressão.

Por isso é que eu brado aos quatro ventos: Viva a executiva que trabalha 16 horas por dia e ganha $200.000,00+ por ano! Viva a mulher que freqüenta os bares em cachaçadas sociais e canta homens menos poderosos que elas! Viva as mulheres que sustentam seus maridos para que fiquem o dia inteiro em casa tocando um instrumento e escrevendo poesia!

VIVA O ÓCIO ULULANTE ! ! !

só pra anotar...

Loucura total: Tanta coisa acontecendo e eu aqui caladinho, caladinho... quase letárgico! É a "responsa", meu camaradinha, afinal, alguém tem que trabalhar, senão a geringonça pára!

Mas deixando de lado este meu eterno conflito de estar colaborando para o vil metal, lá vou eu, ao menos para anotar...

A Solução para o Brasil II

Desbancando Raul Seixas que queria alugar o Brasil, muito melhor parece ser arrumar um evento internacional qualquer e assim ter a "chance de ouro" para resolver "todos os nossos problemas". Que tal então, aproveitar e tirar vantagem da Copa do Mundo? Claro! Exatamente nestes termos é que se anda proclamando como deveria ser utilizado o "Orçamento da Copa": aproveitar a oportunidade e melhorar a infra-estrutura, arrumar de vez o transporte público, os aeroportos etecétara e tal... mas só nas cidades premiadas, é claro! E se sobrar, pensa-se no resto... Ou vai se gastar tudo em chopp?

É preciso sobrar alguma coisa pra se falar depois, né?

* * *

Velho agora é valioso!

Já se fala em "Apagão de Mão-de-Obra" no Brasil. Este mesmo apagão já conhecido pelos Estados Unidos e por grande parte da Europa. Fala-se na "Volta dos Aposentados", aqueles mesmos que foram desprezados, humilhados e descartados de seus empregos há alguns anos atrás e agora são valiosos...

É, ainda bem que tem gente que já conhece este filme...

* * *

E aqui na Ilha Verde do Eire...

Polêmica sobre o "Provisional License" - a carteira de motorista provisória, que pode ser adquirida num escritório após um teste escrito de múltipla escolha. Por lei, um "motorista aprendiz" precisa ter alguém qualificado - portador da carteira de motoroista definitiva - ao seu lado toda vez que for dirigir. O problema agora é que vão por em prática - deixar de fazer vistas grossas - a tal lei. E aí surgem as indignações, pois o sistema de qualificação para a carteira definitiva tem uma fila de espera [em média] de um ano, O transporte público é um problemão, e não há nenhuma perspectiva de mudança a médio prazo.

Fala-se também de como os "hábitos da bebedeira social" aumentaram nos últimos anos, e como os índices de acidentes envolvendo álcool aumentaram exponencialmente em relação às estatísticas passadas, a grande discussão é "o que fazer para mudar esse quadro?" Há quem pergunte: Não será exagero esses números todos, e no fundo somos apenas pessoas normais tentando se divertir? Eu só sei que, em meio a tudo isso, ainda é necessário ter uma receita médica para se comprar anti-inflamatórios!

Monday, October 22, 2007

mais rápido que um relâmpago...

... porém mais inconsistente que um pote de gelatina precocemente retirada do congelador! É isso a imprensa brasileira? Sim, infelizmente uma parte dela é. E digo a uma parte para não soar exagerado, mas poderia dizer que "a grande maioria é assim, e que os erros só não são mais aparentes por pura sorte!", mas poderia soar injusto...

Assunto já amplamente apontado, discutido, e criticado, não só por este que vos escreve(u) - eu - mas também por um ou outro orgão com mais pertinácia pela verdade, mais acurácia pelos fatos e mais consciência da repercursão que informações equivocadas podem causar, a pressa de divulgar a (suposta) notícia acaba queimando a língua - e a caneta - de muitos jornalistas e comentaristas.

Recentemente comentei aqui a gafe do comentarista da CBN, senhor Ethevaldo Siqueira, que acreditou que Marte estaria tão próximo da Terra que poderia ser visto a olho nú! Ele não foi o único, é verdade. Milhares de pessoas receberam emails informando o fenômeno. O que esperaria de um formador de opinião é que checasse a fonte! E se não há fonte, pesquise! Informe-se! Faça QUALQUER COISA antes de levar - IRRESPONSAVELMENTE - tal informação ao ar!

Mas sobre Marte já comentei. Agora há uma nova, também na CBN. E não que a CBN seja particularmente ruim, ao contrário. Gosto de ouví-la, e por ouví-la, ouço os erros também.

A nova é do comentarista Wálter Maierovitch, que porcamente - desculpe a palavra, mais é a que melhor descreve o ato - copiou e colou um texto de algum bloguesinho qualquer em espanhol, arrumou algumas palavras para o português, não checou a informação, postou no seu blog e ainda comentou o caso no ar!

E foi uma coisa tão primária que deu até pena! Primeiro, a "tradução" do espanhol para o português deixou muitas palavras sem acento, com forte espanholismo no contexto. Aí, uma rápida busca na net trouxe a notícia: Onde o seu Wálter falava sobre "o camioneiro Kent, do Reino Unido...", era na verdade um fato passado EM Kent, no Reino Unido. Outros enganos como "... o Sr, Kent entrou com ação contra o governo Britânico..." enquanto a BBC, o The Times entre outros, deram que "o governo de KENT entrou com um pedido (...) para o governo Britânico...". E por aí vai!

É claro que os erros, tanto o de Ethevaldo quanto o de Wálter, foram rapidamente corrigidos: os posts dos blogs apagados e os comentários retirados do site da CBN, o que é uma pena, pois privou-nos de boas gargalhadas - depois da perplexão, é claro.

Faço aqui uma homenagem ao "profeta do apocalipse" Orson Welles, que aos aos 23 anos, em 30 de outubro de 1938, desencadeou o pânico na costa leste dos Estados Unidos ao narrar uma invasão extraterrestre nà Terra. E caso você não tenha percebido, o link acima te leva para um verbete de Orson Welles na Wikipédia... em Galego!

Enjoy it!

Tuesday, October 16, 2007

O banco mais velho do mundo


Frente à corrida gananciosa dos bancos mundiais, os da Itália têm se mostrado bem famintos, liderando as grandes fusões no setor: depois do Unicredit ter sido comprado pelo Hypovereinsbank (HBV) alemão em 2005, as fusões Intesa + Sanpaolo e Unicredito + Capitalia permitiram à Itália entrar no reservado clube dos grandes bancos europeus - leia-se GRANDES PREDADORES, oficialmente abonados, manipuladores de governos. Na linha contrária dos predadores abastados, tentam resistir os pequenos bancos nacionais - coitados!

Longe de ter pena de capitalistas selvagens, nós, capitalistas osmóticos e altruístas, que jogamos o jogo da vida, não o do mercado, apenas lemos as notícias, perplexos com tanto chorume e uberdade. Fusões e fusões, que tornam ainda mais bastos o poviléu, desprovido cada vez mais de mínimas migalhas de dignidade, surripiadas e compressadas na ética do "pilimpilim", do "cacau", da "mufunfa", da "pataca", do "tostão", do "tutu", do "vintém", do "vil metal"!

E mesmo os que parecem resistir, na verdade não resistem coisa nenhuma; estão apenas gritando, desesperadamente, para serem lembrados, e também engolidos neste esquema antropofágico, andrógeno de pudor e moral.

E é neste contexto que lhes apresento "a" Banca Monte dei Paschi di Siena (BMPS), banco italiano controlado por uma fundação bancária "puramente nacional". Fundado em 1472 sob os auspícios da antiga república de Siena, se diz "aberto a novos acordos". E, para a vossa felicidade, meu camaradinha italiano, a sua imprensa já mencionou um eventual acordo entre "O Monte" e o espanhol BBVA.

Olha a putaria aí, gente!

Monday, October 15, 2007

Motoboys

Pra você que acha os motoboys de São Paulo um problema...



É a lógica do jegue: numa casa extremamente pequena, após várias reclamações, coloca-se um jegue no meio da sala. Depois de alguns dias/semanas/meses, tira-se o jegue, e o alívio é geral. Todo mundo agradece, "agora sim ficou bom", e ninguém mais se lembra que a casa era pequena.

Os políticos brasileiros precisam aprender a solucionar problemas de maneira mais eficiente... TRAZ O JEGUE!!!

Tuesday, October 09, 2007

esquerda direita volver!

Por um entendimento dos blá-blá-blás.

A célebre carta de Zola, J’Accuse, com o subtítulo Carta a Félix Faure (Presidente da República na época), publicada no jornal literário L‘Aurore, em 13 de Janeiro de 1898, fez com que vários escritores assinassem o "Manifesto dos Intelectuais", documento que além de pedir a reparação de uma injustiça, também fixava a idéia do intelectual participante e ativo dos conflitos sociais e políticos. Logo em seguida veio a resposta, uma campanha de descrédito do movimento pelos chamados Antidreyfusards (os que pretendiam condenar Alfred Dreyfus), com o intuito de ridicularizá-lo. Eram sobretudo nacionalistas, politicamente adeptos da monarquia, de valores conservadores católicos, anti-democráticos, autoritaristas e militaristas. Valores estes muito mais próximos da chamada direita do que da chamada esquerda, que procuravam e procuram mercantilizar um mundo onde só cabia (ou cabe) seus interesses.

Por que tudo isso? Porque corre na internet uma coleção de fragmentos do discurso de posse de Nicolas Sarkozy, que dá destaque e privilegia certas afirmações oportunamente encadeadas para fazer referência a políticos e intelectuais de esquerda. Puro proselitismo. Os franceses escolheram um conservador, Nicolas Sarkozy em detrimento de um socialista, Ségolène Royal. Quer mais?

Diferentemente do que o texto que circula por aí quer dar a entender, quando Sarkozy diz que "A crise da cultura do trabalho é uma crise moral. Vou reabilitar o trabalho.", na verdade ele apenas cortou o sobre-imposto de quem faz horas extras, ou seja, quem quiser trabalhar mais do que as 35 horas semanais, já não paga mais por isso. Mas, como prega a boa cartilha política - independente da tendência, se mais à direita ou mais à esquerda - tudo tem um preço, e Sarkjozy teve que "comprar" a paz com os sindicatos comprometendo uma outra promessa de oferta mínima nos transporte público em casos de greves. Ou seja, Sarkozy, que se diz o "candidato do povo" e da "ruptura tranqüila", também pratica o famoso "toma-lá-dá-cá".

O autor da "colagem" resolve, num ímpeto de coragem, expressar uma fagulha do que se poderia chamar de pensamento, após informar que "... o texto é (parte, ele esqueceu de dizer que é parte...) do discurso de posse do presidente francês Nicolas Sarkozy", emenda uma "opinião", achando que o texto estaria "... dando um recado aos que se acostumaram a viver como proxenetas de um discurso esquerdista e que sempre alimentou aqueles que não sabem pensar por conta própria." Isso faz-me pensar que a "direita" não tem gente estúpida que apenas copia textos e idéias. Que iluminados!

Como ainda é possível aos homens de pensamento atuarem na defesa de causas em prol das liberdades individuais e coletivas quando estas se encontram ameaçadas pelo aventureirismo político? A abrangência do pensamento não pode, jamais, ser dado pela subjetividade de quem discorda ou tem dificuldade de aceitar e considerar outras opiniões. Filósofos, sociólogos, economistas e outras figuras chamadas "intelectuais" já denunciaram, há tempos, a banalidade da “lógica binária” do "Esquerda x Direita". É simplório e oportunista. Norberto Bobbio já apontou o embaçamento desta linha divisória em seu "Direita e Esquerda. Razões e Significados de uma Distinção Política", Francis Fukuyama determinou "O Fim da História", e ainda temos John Kenneth Galbraith e Roberto Campos, Karl Marx e Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso e Lula... vamos por tudo isso no mesmo caldeirão! Também Cuba, China e (a antiga) URSS no mesmo caldeirão! SOCORRO!!! DE CALDEIRÃO BASTA O DO HUCK!!!

E o desditoso arremata:

"Até parece que Sarkozy falou para os nossos intelectuais e para a esquerda tupiniquim. O intelectual brasileiro esquerdista ama Cuba e fala da maravilha da ilha de Dr. Castro, mas o apartamento para férias está em Paris. Cuba só em audiovisual."

Uma coisa é estudar Cuba, ir a Cuba, entender Cuba. Outra é perguntar sobre Cuba para cubanos que fugiram a nado para Miami. E outra ainda é colher declarações de simpatizantes da chamada esquerda e estereotipar num discurso hipócrita onde confunde o fruto do trabalho de pessoas físicas com a benesse de quem se apropria de bens públicos ou alheios. O que há de mal ou de incongruente em apoiar certas políticas cubanas - saúde e educação de qualidade e para todos, por exemplo - com tirar férias em Paris? A Cuba audiovisual que o desinfeliz alude é esta própria que ele demonstra conhecer: nem com toda a devida carga de desinformação, preconceito, encurtamento e incompetência intelectual que o extrato apresenta.

P.S.: Sobre o termo tupiniquim, certas pessoas deveriam tomar cuidado ao usá-lo: na afetação de soar progressista acaba por desmerecer os primeiros habitantes do país, grupo indígena da família lingüística tupi-guarani, quase exterminados pelo homem branco europeu, o mesmo que conduz e dita a linha de pensamento moderno.

(inspired by j. da p.)

o incrível huck!

O Sr. Luciano Huck conseguiu, no alto da sua presunção magnificente, despertar uma série de desabafos - estes sim desabafos, e não meras crises de intocabilidade ferida - dos leitores da Foilha de São Paulo - no devido espaço, é claro: o Painel do Leitor.

E só para ser imparcial, como o Dono do Caldeirão citou os assaltantes diretamente - "Como brasileiro, tenho até pena dos dois pobres coitados montados naquela moto com um par de capacetes velhos e um 38 bem carregado. Provavelmente não tiveram infância e educação, muito menos oportunidades. O que não justifica ficar tentando matar as pessoas em plena luz do dia. O lugar deles é na cadeia." - justo seria a Folha dedicar o mesmo espaço aos assaltantes como "direito de resposta", ou ainda, para ser "mais democrática" (!?!) a Folha poderia dedicar o espaço "Tendências e Debates" às experiências com assaltos que o povo brasileiro sofre, e não apenas apresentadores globais.

O apresentador acordou de um sonho no mundo das fadas: bem-vindo à realidade brasileira, Senhor Caldeirão! Realidade esta de crianças analfabetas em plena 5ª série, de postos de saúde onde só se marca consulta para 120 dias, mas e daí? Quem liga? O que importa é que isso diminui os índices de analfabetismo e aumenta os índices de atendimento da saúde pública. Assim se pode mostrar os números! Esse é o país da coisa falsa, seu Luciano, do faz-de-conta, do holograma e da ambigüidade: Deus e o Diabo na Terra do Sol, onde de manhã se pede benção ao traficante, e à noite à polícia, pois é melhor se dar bem com todo mundo.

Aqui, no andar de baixo, todo mundo sabe quem vende jogo do bicho, quem pede propina, quais são os políticos que roubam, e até sabemos onde está o seu Rolex, meu caro Huck. Mas duvido que algum policial vá trocar tiro com bandidos por causa dele... não com um salário-base de R$ 568,29 por mês! Grite seu Luciano, GRITE ALTO: "Onde está a TROPA DA ELITE?". Não é isso que lhe falta? Quantos ricos o Sr. Caldeirão conhece - e deve conhecer muitos - que estariam dispostos a ajudar a reverter esta situação indignante? E como? Entrando para o "Cansei"? É, tem coisa errada aí...

Seu desabafo, senhor Luciano Huck, é constrangedor. A sua indignação é vergonhosa, e, agora que sua imunidade revelou-se virtual no nosso mundo real, com a renda que o senhor concentra poderia fazer mais que isso. Seu programa poderia se preocupar em desenvolver uma consciência mais crítica no público, e não apenas "divertir" (?). Talvez o país fosse socialmente mais justo, e você não estaria à procura de um salvador da pátria.

É isso, ou mudar-se para OUTRO PLANETA!

Wednesday, October 03, 2007

a casa caiu

Comnetário sobre texto de Luciano Huck.

É pessoal... a casa caiu!

Desde muito tempo, nós os normais, que aliás também pagamos impostos, nós que andamos de ônibus, trem e metrô pela cidade de São Paulo e não usamos carros blindado nem helicópteros, nós, há muito já havíamos percebido tal violência, e, infelizmente alguns de nós (o palhaço aqui, por exemplo), também sofrido tal violência. Eu tive um assalto para chamar de meu, e também quase tive que engolir uma bala (que também não era de caramelo) pelos meus ouvidos. A diferença é que agora a violência que eu e você já conhecíamos está chegando nas mansões, está cutucando a bunda dos novos ricos e está privando-os de exibirem seus relógios Rolex e suas bolsas Louis Vuitton.

Do jeito que li, tive a impressão que só o Luciano Huck - e o Lula, claro - pagam impostos. Sem dúvida que a experiência do Huck foi transcedental, assim como a minha também foi, há sete anos atrás. Ele ficou indignado? Qualquer um ficaria em ter qualquer coisas sua roubada. E é só, camaradinha! Não adianta fazer drama não! A realidade, seu Luciano, está batendo na sua porta, né? Só que o mundo já deveria ter acordado há muito tempo! Vamos ver se ele - o mundo - acorda mais quando Dona Violência, essa senhora refinadíssima, de braços fortes, mãos grandes e dedos longos ornados com anéis funestos, subir mais alguns degraus e bater em portais mais nobres, não nestes dos novos ricos - produto da putaria econômica que privilegia e escancara as desigualdades sociais - mas nos dos velhos ricos, aqueles que foram privilegiados pela divisão das terras nos primórdios da cidade e hoje são donos de toda a cidade (e também é assim no estado e no país), os mesmos que se benificiam com informações privilegiadas na hora de uma transação qualquer, os mesmos que transformam o público em privado com a ajuda de marionetes-governantes. Isso é o país, uma grande festa com um grande bolo, onde pessoas privilegiadas comem gulosa e gananciosamente, pedaços e mais pedaços ao longo de um banquete histórico, sem se importar em deixar nem mesmo as migalhas aos outros, pois nem à festa foram convidados.

Entre o João Dória Jr. gritar "Cansei" e criar o Movimento "Cívico" (?) e "Apolítico" (!) para "Tomar o Poder com Oportunismo" (!?!?) e o Lobão cantar "Peidei" há um abismo enorme, meu caro Luciano: o sr. Dória é do andar de cima, como você, e, como você, está apenas querendo desfilar em paz. Nada contra, é claro! Todos - até os ricos! - têm o direito de ir e vir. Mas comparar este "movimento" com a indignação de Lobão - um ativista nato, que renunciou aos privilégios da burguesia e ao marasmo da Grande Indústria em pról de algo chamado "ideal" - palavra que pouca gente conhece no sentido kantiano - é demais! É muita falta de noção da realidade, a não ser que a realidade seja a sua própria, num mundinho todo cor-de-rosa.

Realmente tem alguma coisa errada, sim. Muita coisa errada: começando com a utilidade de um Rolex... me diga com sinceridade: você não se sente mal? Ah, talvez o seu era daqueles "baratinhos", de US$ 10.000,00 - DEZ MIL DÓLARES AMERICANOS!!! Algo em torno dos R$ 20.000,00 - VINTE MIL REAIS!!!

Aqui em Dublin, no Dublin Castle, conhecido centro do poder, donde os nobres governavam a cidade logo após a invasão normana, a deusa Justiça é muito bem representada: sem a venda, voltada para o pátio do castelo, simbolizando que ela, a Justiça, dentro dos muros do castelo, não é cega não! No Brasil, a Senhora Justiça deu no pé! Em seu lugar, ficou sua prima Fortuna, deusa grega que preside a sorte ao bem e ao mal, que deveria também ser cega por uma venda nos olhos e assim distribuir a sorte - boa ou má - sem ver a quem, mas parece não usar tal adereço, já que parece agraciar com os bons ares sempre os mesmos "afortunados".

eu também vou peidar...

Flatus
ensaio sobre poema "The Tiger", de Willian Blake



Flatus, flatus, de intenso cheiro, flatus,
O que és, flatus, senão gases expelido pelo ânus?
Dióxido de carbono, hidrogênio e metano na mistura,
E sulfeto de hidrogênio e enxofre para dar a bastura.

E se todos falam de peido, eu também vou falar
Pois peido mesmo são aqueles que deveriam governar
Mas só peidam & peidam, sem vergonha nem decoro,
Pelos cantos, pelas casas, peidam em todos os foros.

Em que narinas & em que pulmões, daqui ou d'além mar
Queimam teus fedores? Donde os planeja fermentar?
Dentre tantos horrores que ainda hoje se atença,
Que bundas & cús brindarás com tua flatosa presença?

Quantos mortos mais? Sejam nos aviões ou nas ruas?
Quais bolsos agora farão morada às tuas falcatruas?
Donde está a vergonha de ter tua cabeça a prêmio,
Se tirar o cú da reta te faz honrado no teu grêmio?

Quais foram os martelos? Quais foram as correntes?
Em que fornalhas ousaste forjar tua infesta mente?
Com que bigornas? Que morsas de mandíbulas infinitas,
Desafiaste tuas mortalhas em quais câmaras malditas?

Flatus, flatus, de intenso cheiro, flatus,
O que és senão o cheiro podre dos teus múnus
Mensaleiros, népotas e coronéis fazem a mistura
E um pouco de calheiro para dar a vazadura.

Friday, September 28, 2007

edgard allan poe


Em homenagem à citação do dia de Edgard Allan Poe ("All that we see or seem is but a dream within a dream"), posto aqui minha versão para The Raven...

Leia minha "transcriação" aqui...

Saturday, September 22, 2007

Pequeno Tratado Sobre Oportunismo

Dos Prazeres Mundanos, Dos Medos & Dos Enganos

Me diga você, meu camaradinha, como é que é "o gosto" da feijoada? Difícil, não é? Pois é, e aposto que você, brasileiro da gema, já comeu feijoada, não? Justo! Aonde quero chegar? Simples: se há coisas que mesmo lhe sendo naturais e conhecidas você não pode descrever, imagine se tiver que descrever algo que não conhece? É aí onde a porca torce o rabo! E é justamente isso que o italiano Giuliano da Empoli tenta fazer: explicar o que é inexplicável, tendo apenas provado da feijoada!

No encalço do mote de que o mundo se americaniza (verdadeira descarga cultural e econômica), da Empoli acha que o mundo vive uma "brasilização", onde convivem dois pólos emergentes: um carnavalesco e outro trágico. Noutras letras, a putaria e a violência.

Como pouco se pode dizer de da Empoli, já que não se encontra muitos trabalhos dele, o que sugere que ele esteja apenas começando, podemos sim colocá-lo num estereótipo europeu, já que a estereotipia européia é particularmente mais iluminada quando olhada de dentro da Europa. Diferente do que se pode pensar, o europeu não é um poliglota por natureza. Dependendo da sua natureza geográfica ele poderá se esforçar um pouco sim, mas não espere muito. Outro mito é o da multiculturalidade. O europeu médio é bem fechado na sua cultura, que pode ser apenas o que acontece na sua cidade, sem mesmo ter uma extensão nacional. E uma grande parte não conhece toda a diversidade de seu próprio país, quem dirá a dos compatrícios europeus.

Sendo assim, ao ler "Hedonismo e Medo - O Futuro Brasileiro do Mundo", livro de Giuliano da Empoli, a primeira coisa que me passa é que talvez o Brasil tenha sido sua primeira aventura estrangeira, onde se deparou com culturas tão diversas da branco-cristã na qual foi criado, culturas como a do candomblé baiano e do carnaval carioca, junto com o medo aterrorizador que deve ter sentido ao enfrentar realidades urbanas como Rio de Janeiro e de São Paulo, tão diferentes da européia, onde o pior gueto ainda pode nos parecer um lugar seguro, onde o submundo se restringe ao tráfico de drogas e a morte entre bandido, onde a violência da exclusão ainda não saiu do buraco para bater na porta dos incluídos (simplesmente porque não há excluídos... não como os conhecemos). Essa é a sensação que incomoda no Brasil, e o que incomodou da Empoli: o simples conflito da pobreza e da exclusão. Junte-se a tudo isso uma pitadinha de luxúria só para dar um gosto, e pronto... temos um livro!

Ok, não sejamos tão cruéis assim com da Empoli, afinal, ele fez sua lição de casa... é erudito e tem uns conceitos bem claros, o que mostra que entendeu direitinho o que leu. Em sua "bagagem", traz uma viagem ao Brasil em 2001, junto com a namorada. Por motivos incertos (?) a relação não vingou aqui (!!!), mas o país o inspirou. Eu "leio" esta declaração de da Empoli com outras palavras: veio pra cá curtir umas férias burguesa com a namorada, mas chegando aqui, ficou encantado com as baladas e a mulherada, deu um pé na bunda da namorada e, pra não sair tão mal da relação, escreveu um livro pra tentar justificar sua traição. Ou seja, gastou um tempão pra dizer que o Brasil deveria exportar bundas!.

No livro da Empoli usa uma técnica simplista porém muito eficiente (para os menos avisados): Ele cita. Da Empoli cita à vontade e abundantemente, até, embora não dê bibliografia. E em suas citações, na maioria de tendências esquerdistas ou social-democratas, já que é o lado da linha que agrupa a maioria dos pensadores de expressão, da Empoli apenas reforça conceitos já bem fundamentados, tentando assim dar consistência ao seu discurso. Por exemplo, numa passagem cita "A Democracia Americana" de Tocqueville, e imediatamente após cita Gilberto Freyre (intelectual, sem dúvida, mas com profunda tendência racista), resaltando características epicuristas de seu texto, e arremata chamando Freyre de "o Tocqueville brasileiro". Da Empoli procura com isso dar credibilidade a um conceito frágil que desenvolve com citações fragmentadas, encaixadas oportunamente num contexto que ele próprio criou.

O livro todo é uma grande citação, onde da Empoli "costura" com suas palavras os espaços conceituais que se escancaram entre uma citação e outra. E é quando da Empoli se arrisca a concluir que percebemos toda a fragilidade de sua trama. Numa clara confusão entre pós-9/11 e violência urbana causada pelo discrepante buraco social das sociedades modernas, da Empoli coloca tudo no mesmo saco e ainda espera que engulamos seus argumentos de que o presenteísmo é meramente fruto de uma fuga desesperada aos prazeres extremos, já que o medo e o terror impera. As coisas só se esclarecem mesmo quando da Empoli pega o gancho do terror, amarra no "arbusto" (Bush) e quer daí fazer uma crítica à política externa "do falcão" (a guerra contra o terror) e à política interna "do estrabismo" (o controle total da mídia) operada por Berlusconi.

Não creio que esse vislumbre sobre o futuro da humanidade de da Empoli seja relacionado de maneira alguma ao Brasil. O futuro da humanidade é obscuro, sim, mas por mera conseqüência do capitalismo selvagem e do vácuo espiritual - a religião sempre foi e sempre será uma anestesia, um mal necessário, onde pessoas fracas e frágeis de caráter, determinação e valores, buscam desesperadamente algo para temer, e assim tentarem manter o controle da situação de suas consciências perturbadas e de seus instintos indomáveis. No fundo, ao invés de ter escrito um livro, da Empoli deveria ter se limitado a dois artigos: num mostraria seu descontentamento com a massificação da mídia italiana nas mãos de Silvio Berlusconi; noutro faria um relato de suas férias no Brasil, na sua visão, de um país onde a putaria é institucionalizada. E só!

Tá falado...

E se ainda tiveres saco, camaradinha, leia aqui a entrevista de Giuliano da Empoli na Revista Época.