Tuesday, January 23, 2007

infimo brasillis

Depois de algum tempo morando na Europa, a cada vez que deságuo em águas de Pindorâmicas (Pindorama: termo cunhado pelo jornalista Élio Gaspari em sua deliciosa coluna dominical na horrenda Folha de São Paulo – horrendos também são O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde, O Globo, Correio Brasiliense...), é inevitável não deixar de notar alguns absurdos – uns banais, outros nem tanto.

A bi$pa e o apó$tolo

Certamente o Bra$il não é o único paí$ priveligiado com a monetização da igreja e da$ crença$, ma$ o que me e$panta e me pergunto é $e por aí também há o me$mo nível de idiotia e cegueira que $ó a fé (confiança ab$oluta em alguém ou em algo) pode cau$ar: que a religião é a bengala e$piritual do$ aleijado$ da razão, a ane$te$ia enebriante do$ inconformado$ com $eu$ próprio$ fraca$$o$, e o freio ca$ual do$ depravado$ da moral, vá lá... ma$ alegar que o grande golpe da “bi$pa” e de $eu marido “apó$tolo” $ão obra$ do demônio para de$virtuar a $alvação que a Rena$cer Em Cri$to humildemente oferece ao$ irmão$ – $omo$ todo$ irmão$, certo? – em troca de algun$ mí$ero$ trocado$, o vil metal, abandona qualquer po$$ibilidade de di$cu$$ão, e não merece $equer atenção: todo mundo pra cadeia! Terão a$$im muito tempo para rezarem aos céus e aos $eus, o que eu duvido que farão. E embora tenham tanta intimidade com o divino, apo$to que ga$tarão o telefonema que têm direito com um bom advogado, e não com deu$, cri$to ou outro $ecretário qualquer...

Brasil 0 x 0 Irlanda

As coisas andam ruim por aí em Pindorama. É o alto nível de violência urbana e rural, o capitalismo selvagem fazendo mais vítimas através de obras que privilegiam o ganho de dinheiro em detrimento da qualidade e das condições de segurança, a fome somada à vontade de comer que resulta na miséria sub-humana de pessoas revirando lixo atrás de comida pouco estragada, é a falta de vergonha da falta de educação (talvez o principal problema do Brasil), é o descaso das autoridades, o descaramento da bandidagem, a inação do “politburro”, a política do próprio umbigo, a memória curta, o prazo demasiado longo para as esperanças (sem cobranças), é a mídia perdida atirando às cegas, buscando o quarto-poder onde não há primeiro, segundo nem terceiro, só os interesses de organizações isoladas, rivais jogando no mesmo time.

Para consolo de alguns, por aqui na Republiqueta da Irlanda, as coisas não vão 110% não! Há problemas bem parecidos com os de Pindorama. Por exemplo, em Pindorama tem desemprego (12,8% - mais que o dobro da média mundial!), e na Irlanda também (4,3%, e caindo...); em Pindorama tem engarrafamento, na Irlanda também; Pindorama tem transporte público deficiente, a Irlanda também; Pindorama tem enchente quando chove muito, Irlanda tem muito verde porque sempre chove muito; Pindorama tem saúde gratuita (INSS), Irlanda também (todos os hospitais); Pindorama tem escola pública e particular com condições diversas, Irlanda também (o número de alunos por classe é menor nas particulares); Pindorama tem presidente sapo barbudo, Irlanda tem presidenta que tinge o cabelo; Pindorama tem Zé Dirceu, Irlanda tem Bertie Ahern; Pindorama tem Argentina, Irlanda tem Inglaterra; Pindorama tem Hugo Chaves, Irlanda tem Tony Blair; Pindorama tem PCC, Irlanda tem IRA (que atualmente cumpre trégua); Pindorama tem EUA, Irlanda tem a Europa toda; Pindorama tem futebol, basquete e volei, Irlanda tem rugby, hurley e futebol gaélico.

Como se vê, tudo é muito parecido. Tão parecido que dei um 0 x 0 no resultado... a grande diferença é que por aqui o jogo é muito mais limpo!

Brevior saltare cum deformibus mulieribus est vita - numa tradução livre: A vida é muito curta pra se dançar com mulher feia.

3 comments:

Jos� Geraldo said...

Edu ...

Na verdade vemos o termo Pindorama foi usado primeiro por Torquato Neto em ¨Geléia Geral¨ (¨Tumbadora na selva selvagem/Pindorama país do futuro¨)
Quanto a Brasil versus Irlanda tenho algo a acrescentar :
Estive na ilhinha em 1992 (bem antes da unificação da moeda) e tive a impressão de um país parecido com o Brasil , alguns camelôs vendendo roupas vagabundas em Dublin me lembraram do largo Treze em São Paulo ... Existe um rio que une as duas cidades !!! O seu nome : liffeytê

Jos� Geraldo said...

Edu ...

Na verdade vemos o termo Pindorama foi usado primeiro por Torquato Neto em ¨Geléia Geral¨ (¨Tumbadora na selva selvagem/Pindorama país do futuro¨)
Quanto a Brasil versus Irlanda tenho algo a acrescentar :
Estive na ilhinha em 1992 (bem antes da unificação da moeda) e tive a impressão de um país parecido com o Brasil , alguns camelôs vendendo roupas vagabundas em Dublin me lembraram do largo Treze em São Paulo ... Existe um rio que une as duas cidades !!! O seu nome : liffeytê

Eduardo Miranda said...

É isso aí Jotinha... Os camelôs desapareceram, mas os pedintes aumentaram e o crime organizado tem crescido muito devido ao tráfico de drogas. Mas num país que incentiva o consumo do álcool - embora os impostos sobre a bebida sejam altíssimos - prega (ou facilita) a cultura da bebida ("Guinness is good for you!") e tem como símbolos nacionais (entre outros) um Leprechaum e uma Harpa (usada também pela Guinness!), até que está se saindo muito bem!

Um Abraço... e obrigado pelo toque do Torquato!