Monday, March 03, 2008

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Muito além do hamburguer, Big Mac também é um índice. Criado pela revista The Economist, o princípio é que os procedimentos operacionais da cadeia de fast food McDonald's - que se auto-intitula Restaurante - são os mesmo em todos os países em que operam, daí a dizer que os Big Macs são vendidos a um preço justo e supostamente igual no mundo inteiro, mantendo a mesma margem de lucro em todos os países.

Recentemente comentei o absurdo que um professor falou numa rádio brasileira por ocasião do boicote Europeu às nossas vacas - pelo menos a algumas delas. O professor fez um ponto querendo dizer que o quilo da carne na Irlanda, o país responsável pelo boicote, podia custar mais de cinqüenta reais (20 euros), o que é verdade, se adotarmos a simplicidade da conversão da moeda. Também é verdade que o salário mínimo aqui é €8.65/hora (Julho 2007).

Considerando o novo salário mínimo brasileiro em vigor à partir de hoje de R$415,00, recalculemos o que já havia sugerido:

€8.65 por hora, trabalhando 8 horas por dia (sim, 8 horas, e não 9 nem 10!), dá €69,20 por dia. Num mês de 20 dias, temos €1384,00, que dá a bagatela de R$3562,42! Uma diferença de R$3147,42 (R$3562,42 - R$415,00).

Por isso a sugestão do Índice Big Mac, onde o em Fevereiro de 2007 o Big Mac estava avaliado a R$6,40 no Brasil e a €2,94 na Euro-zona. Ainda assim, com o salário mínimo irlandês pode-se comprar 470,75 Big Macs no mês, enquanto com o brasileiro, compra-se 64,84...

Assim, a diferença entre o salário mínimo brasileiro e o irlandês deixa de ser R$3147,42 e passa a ser APENAS R$2597,82, ou seja, subtrai-se 64,84 Big Macs brasileiros dos 470,75 Big Macs irlandeses para se achar a diferença, e multiplica-se por R$6,40, o índice Big Mac do Brasil...

Justíssimo, não é professor?

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