Sunday, September 11, 2011

110911


Dez anos do famigerado 911 - "nine-eleven" (devido ao modo como os americanos notam datas, mês-dia-ano) - o covardehorrendoterrível atentado de 11 de Setembro de 2001. Na ocasião, bem me lembro, estava no datacentre do Citibank, e por volta do meio-dia, 1 da tarde, recebemos a notícia. Fomos todos na sala de operações acompanhar as imagens, quase inacreditáveis, pela telinha. Fomos mandados para casa naquele dia, pois o Citibank, como todas as outras empresas americanas mundo afora, cerraram suas portas com medo de atentados... seria o primeiro sinal de vitória do terrorismo sobre o mundo-livre!

Tanto se falou na época, tão explorado foi o tema que parece que nada mais precisa ser falado. A mudança dos paradigmas, a divisão do mundo, o fim da liberdade... especulações não faltaram, umas reais, outras sensacionalistas, como tudo na imprensa. Na época eu não tinha um blog - uma tecnologia que ainda gatinhava - mas lembro das discussões acirradas sobre o assunto... inclusive um conhecido, ex-amigo, poeta, acreditou ter escrito o poema definitivo sobre o 911. Desnecessário dizer que apenas ele e talvez a namoradinha da época acharam o poema genial. Coisa de publicitário...

Rancores à parte, falar sobre o 911 no 110911 pareceu-me, à princípio, mero oportunismo. Ainda mais considerando-se todo o alvoroço americano - e de certa forma europeu - em torno da data: "aberturta" do Marco Zero e visita do presidente Obama e do ex-presidente "Dábliu" Bush, debates da situação Árabe-Americana, ampla cobertura da mídia escrita, falada e olhada... just too much!

Porém (dizem os puristas ser errado começar um parágrafo com porém, mas depois de Paulinho da Viola, é liberdade poética), convém lembrar as pequenas coisas, como bem lembrou Conor O'Clery, correspondente internacional do Irish Times que morava em Manhattan na época. Eu já conhecia Manhattan e as Torres Gêmeas de minha primeira visita a Nova Iorque em 1995. Revisitei-as em 1998 e 1999, para depois visitar o que restou delas em 2002, ocasião em que fazia um treinamento em Nova Iorque, pertinho do Marco Zero... e estar lá sem as torres foi no mínimo estranho. Além do óbvio - o horror do ato e suas consequências - as tais da pequenas coisas que as pessoas que conviveram na área sentiram, a imensa área de conveniência que era embaixo das Torres Gêmeas, as inúmeras bancas de jornais, os cafés, desde Starbucks até lojinhas administradas por famílias, com bagels fresquinhos todas as manhãs, aquele cafezinho caseiro, sem falar nos barbeiros, cabelereiros, chaveiros, engraxates, mercadinhos, pequenos restaurantes... um pedaço de história para cada frequentador diário daquele World Trade Center... e eu apenas convivi algumas semanas em esparsas visitas!

Assim, camaradinha, nesse 110911, ao invés de consumir toda essa super-produção que a mídia vai te empurrar goela abaixo, na TV, no rádio e nos jornais, tente se lembrar das pequenas coisas... aquelas aparentemente irrelevantes, ou inexpressivas, ou mesmo insignificantes, que no fundo fazem a diferença, simplesmente por te lembrarem que você está vivo para observá-las!

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