Wednesday, June 13, 2007

o relógio e o arbusto

Pois é, camaradinha... quase roubaram o relógio do Bush na Albânia. Já pensou? O homem está doido para instalar umas basesinhas nucleares aqui e ali; se roubam-lhe o Timex, podia ser o começo de uma nova Guerra Fria!!!

É isso aí: o Bush vem para a Europa fazer merda, quase perde o relógio, e ainda quase acusaram os Albaneses de povo ladrão!

A sabedoria popular diz: "não leve seu relógio para o arbusto" - ou seja, ao fazer suas necessidades, deixe o relógio num lugar seguro, ou você corre o risco de esquecê-lo. Numa tradução livre para o inglês, poderíamos dizer: "If you are going to shit, do not bring your watch to (the) Bush!

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Sunday, June 10, 2007

o bom vilão

Estavam querendo dar o papel de vilão para o Putin, mas ele estrategicamente virou o jogo: ofereceu uma base comum no Azerbaijão. Os aliados dos americanos estão excitadíssimos, estudando a tal proposta.

Ainda assim se fala: "talvez uma nova Guerra Fria seja a maneira deles combaterem o Aquecimento Global".

Há quem não duvide...

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Friday, June 08, 2007

cotidiano nº 2 - toquinho & vinícius

Hay dias que no sé lo que me pasa
Eu abro meu Neruda e apago o sol
Misturo poesia com cachaça
e acabo discutindo futebol

Mas não tem nada, não
Tenho meu violão

Acordo de manhã, pão com manteiga
e muito, muito sangue no jornal
aí a criançada toda chega
e eu chego a achar Herodes natural

Mas não tem nada, não
Tenho meu violão

Depois faço a loteca com a patroa
quem sabe nosso dia vai chegar
e rio porque rico ri à toa
também não custa nada imaginar

Mas não tem nada, não
tenho meu violão

Aos sábados em casa tomo um porre
e sonho soluções fenomenais
mas quando o sono vem a noite morre
o dia conta histórias sempre iguais

Mas não tem nada, não
tenho meu violão

Às vezes quero crer, mas não consigo,
é tudo uma total insensatez
Aí pergunto a Deus: "Escute, amigo,
se foi pra desfazer por que é que fez?"

Mas não tem nada, não
tenho meu violão

Wednesday, June 06, 2007

estácio, eu e você

luiz melodia

vamos passear na praça
enquanto o lobo não vem
enquanto sou de ninguém,
enquanto quero te ver

vamos passear na praça
enquanto sou de você
enquanto quero sofrer
curtindo dessa donzela, donzela

hoje o tempo está mais firme,
abre mais meu apetite
me cura e seca minha bronquite
algumas folhas de hortelã

vamos circular a praça,
prenda bem esse cansaço
'inda vou passar no Estácio,
o Estácio pode lhe querer
eu posso querer você
nós dois podemos te querer
estácio eu e você

Saturday, June 02, 2007

O Anti-Panegírico

Bem que eu tentei dar profundidade a isto tudo… mas foi em vão. Tentei ser bom, correto, e ao menos isso penso que consegui, mas agora me questiono se realmente valeu a pena todo este esforço. Ser bom é um esforço. Ao menos tentar ser bom exigiu muito esforço.

Não vou aborrecê-los com pormenores da minha infância, pois realmente não valem à pena – se é que uma pena tem algum valor. Dela posso dizer que foi como qualquer outra infância, normal, não fui abusado, tampouco espancado. Tive uma educação religiosa baseada na inexpressiva doutrina católica – o que resultou em agnosticismo –, freqüentei a escola normalmente e razoavelmente e tive paqueras que não deram em nada. Fumei cigarros, fumei maconha, tomei porres homéricos, tive alucinações coletivas e duradouras... sempre em nome de mim mesmo.

Tudo começou, digamos, quando me tornei gente. E isso só se dá muito tarde na vida, pois sempre se tem um impressão errada deste estado: primeiro lá pelos 14 anos, depois ao redor dos 18, novamente aos 24, 25, e depois aos 30. Só quando se chega aos 40 é que entendemos o que é a vida. É preciso começar a morre para se viver. Então passei a ser gente. Daí pra frente, as coisas só pioraram, e todos os meus sonhos de não-gente foram por água à baixo, pouco a pouco. Trabalhava para o sustento, sufocava minhas vontades, submetendo-me a vontades que não eram as minhas, privava-me de horas preciosas ao qual eu não dava a real impotância. Constitui uma família, pois me fora imposto que assim o tinha que ser. Traí minha esposa não por amor, mas por convenção. Separei-me, deixei filhos para trás, casei-me de novo, cuidei de filhos que não eram meus, não os amei como deveria, nem amei minha segunda esposa como pensei que amaria, e acabei por traindo-a também, novamente não por amor, mas por um vazio que sempre carreguei comigo e que não se resume em amor tampouco sexo. Fiz outros filhos, oficiais e clandestinos, que também não dei a atenção devida, ou que eu agora acho que seria devida, e levei a vida.

É verdade que no meio disso tudo tentei dar certa graça ao tempo que passava, fazendo coisas que pareciam mais nobres apenas por não serem impostas, cobradas ou esperadas, como tocar numa banda de jazz, escrever alguns contos, um ou dois romances e umas tantas poesias, além de me engajar em projetos sociais que nunca deram certo, me infiltrar na política – inevitavelmente de esquerda – para demonstrar que estava tentando mudar alguma coisa do sistema que me oprimia, mas tudo em vão.

No quesito tentativa, não tenho do que reclamar, pois tentei bastante. No quesito sucesso, sou só fracassos. Por mais que eu tenha tentado dar profundidade à minha existência acabava me propagando apenas em periferias, abrangências limítrofes, ciscedentes, muito aquém donde queria chegar. O que mais posso dizer sem levá-los ao aborrecimento? O porquê disso tudo? Claro... o porquê.

Dias antes do ocorrido, enquanto fazia compras no supermercado, um carro com quatro pessoas se aproximou de mim e estas pessoas me encararam como ninguém... demoradamente. Achei estranho, encarei-os de volta, mas eles não se intimidaram. Eu me intimidei. Passados aqueles 3 ou 4 segundos de encaração me intimidei, mas pude perceber de rabo-de-olho que meus observadores não se intimidaram. No dia seguinte ouvi na rádio local que um jovem havia sido morto a tiros numa casa nas redondezas e a polícia concluiu que fora provavelmente um engano, pois a vítima não tinha nenhum antecedente criminal. Isto me fez pensar naquele carro...

Não falo polonês, mas posso identificar a língua. E aquelas pessoas se dirigiram a mim em polonês, disso eu tenho certeza! Falaram coisas em polonês, gritaram em polonês, apontaram-me uma arma polonesa, e dispararam tiros poloneses.

Certamente mataram o cara errado.