Sunday, January 23, 2005

Soltando a língua II

Sempre achei amigável, e ao menos simpático, tentar falar o idioma do país em que se está, nem que seja a China! Baseado nesta premissa, sempre estou com um phrasebook no bolso, muita vontade e sem nenhum pingo de vergonha na cara, me metendo a falar qual seja o aidioma.

Com o Inglês, Francês e Espanhol, sem problemas... quase nem preciso do livro de frases, mas as outras... Lembro da vez que, em Praga junto com a Te, estávamos procurando as escadarias baixas que davam acesso ao Castelo. O mapa não era claro, e só nos restou perguntar... em inglês? Claro que não! Lá vou eu, metido que só vendo, perguntar, em Checo, pro policial aonde ficava a tal escadaria...
“Kde je ta dolní schod” ou algo assim, provavelmente sem a mínima fluência. O que eu não esperava (ou até esperava, mas acabei me surpreendendo) era o guarda entender o que eu havia dito e passar a responder, claro, em Checo!

Não fosse a universal linguagem dos sinais, eu estaria perdido. A Teresa diz que nada paga a minha cara de espanto frente à enxurrada de palavras sem o mínimo sentido que o policial passou a falar, eu procurando prestar o máximo de atenção que podia, e buscava me orientar nos gestos do homem, que desenhava o caminho no ar com as mãos, enquanto falava. Ao final, com um largo sorriso no rosto, só podia mesmo era agradecer: “Děkuji”!

Mal dobramos a esquina e a Te quase rolou no chão de tanto rir... “É, mas ao menos ele me entendeu!”

É preciso uma certa cara-de-pau e nenhuma vergonha pra enfrentar um situação destas. E atualmente venho enfrentando o mesmo, aqui em Antuérpia, na Bélgica. O idioma é o Nederlandês, falado na Bélgica e na Holanda, também conhecido como Dutch ou Holandês na Holanda, e Flemish ou Flamengo, na Bélgica, embora já tenha ouvido que Flemish não é língua, mas dialeto. Sei não... O que sei é que se fala o mesmo idioma na Holanda e na Bélgica, com diferenças regionais que beiram as mesmas existentes no Português entre Portugal e Brasil, no Castelhano entre Espanha e América do Sul e no Inglês entre Inglaterra e Estados Unidos.

É verdade que quando estou trabalhando não preciso usar outra língua que não seja o Inglês, embora eu arrisque uma ou outra palavra em Nederlandês no restaurante da empresa, para pedir o meu prato. Igualmente no hotel, ou no centro da cidade, o Inglês e o Francês são bem falados. O problema está nos bairros... aí a coisa complica. Poucos falam outra coisa que não o Nederlandês, e você tem que soltar a língua mesmo, ou não vai ser compreendido...

Até que soltar a língua é fácil, pois sempre é possível montar as frases que se quer usar com calma... mas e entendê-los? Entrar numa lanchonete, pedir por um lanche qualquer só porque ele está exposto no display, o que deveria tornar a tarefa menos árdua, mas não... a pessoa vira pra você e pergunta algo do tipo “blijven of meenemen”, querendo saber se você vai comer na mesa ou prefere levar para viagem, ou ainda, “klein, gemiddeld of groot”, para pqueno, médio ou grande... Estas coisas te pegam de surpresa, e a inevitável cara de espanto instála-se no seu rosto!

Mas ainda assim, eu ADORO isso!!! =P

Saudações Linguarudas!

Soltando a Língua I

… e novamente eu retraí. Depois de tanto tempo sem ouvir palavra em português que não fosse em minha própria cabeça ou pronunciada através de um aparelho telefônico, ao ouvir duas mulheres conversando ao meu lado no avião acabei retraindo ao impulso de puxar assunto e bater um papinho na língua mátria. Cheguei mesmo a ensaiar um “vocês são brasileiras?” ou ainda um “vocês estão indo para o Brasil?”, mas acabei não conseguindo me decidir qual das frases era menos ruim, pois brasileiras eram, bem estava na cara, ou melhor na língua, já que, a não ser pelo forte sotaque carioca (sem preconceito... só não suporto, oras! E podem falar do "ôrra" e do "meu" paulistas que num tô nem aí!) elas falavam perfeitamente o nosso português, e que iam para o Brasil também era um tanto óbvio, embora o vôo fosse para Amsterdam. Mas retraí... novamente retraí. E tão profundo era o meu silêncio que nem mesmo o livro português escancarado na minha cara, com o título em português,em letras garrafais,estimularam um “dá licença”, ou um “obrigado”, e uma delas, ao se levantar para ir ao toalete soltou-me um “excuse me” e em seguida um “thank you”, ao qual eu respondi com um titubeante “je bent welkom”, num longe-de-perfeito neederlandês, língua falada na Bélgica e na Holanda (e também conhecida como dutch ou holandês, na Holanda, e flemish ou flamengo, na Bélgica). É que ainda estava influenciado pelo idioma devido às minhas últimas 2 semanas de trabalho na Bélgica. E também não respondi em português porque já estava com medo de ofendê-las, pois elas tanto falavam em português, tão aberta e descontraidamente, como aqueles que têm a certeza de não estarem sendo ouvidos, que poderia parecer que eu estivera bisbilhotando a conversa delas este tempo todo, fingindo não entender o idioma...

Não é a primeira vez que isso me acontece. Entre o desconforto de conversar com estranhos, o ridículo do assunto fútil e do papo besta, inevitável em qualquer abordagem, sempre acabo retraindo ao impulso – que sempre sinto! – de puxar papo quando ouço alguém falando português. Talvez seja um pouco devido a alguma má experiência, como em Bruges, Bélgica, quando ao ouvir um casal ao meu lado dizer “U bent hier... e agora?”, achei tão engraçado que não dei o tempo necessário à razão para impor-se à emoção, e soltei um “vocês são brasileiros?”, e o cara me respondeu “naum, somush purt’guesish”, dando-me somente um olhar de relance, fugaz mesmo, sem disfarçar o desdém pelo povo um dia dominado, explorado, violado e oprimido...

É... atenção, atenção! A estupidez esta além de nações e nacionalidades, e não é privilégio de quarto, terceiro, segundo ou primeiro mundo não... ela junta todo mundo num balaio só e forma o submundo de subseres subinteligentes com seus subpréconceitos... CUIDADO! Nem só de bushes & sadams & sharons & arafats & putkins & blairs & todos os que pregam a violência em qualquer estado – sólido, líquido, gasoso ou empírico – como meio a qualquer coisa é formada a estupidez... por isso, SEMPRE ALERTA!

Cá pra nós... será que ele pensou que eu queria ser "amigo" dele? Era só bater um papinho de dois minutinhos, dar um "então tá então, até mais ver" e tudo estaria resolvido! Ele até sairia com fama de simpático...

Quanta estupidez né?

préVIXE II

O préVIXE está de site próprio! A humilde homenagem que fizemos ao nosso amigo Arnaldo Xavier (que já postei aqui, em http://eduardo-miranda.blogspot.com/2005/01/prvixe.html), que partiu desta paragens para outras em 26 de Janeiro de 2004, agora ganhou uma versão eletrônica no ciberespaço. Por estar acomodade em um provedor de domínios gratuíto, temos que agüentar os desagradáveis banners publicitários - particularmente horríveis! - que populam o site.

Mas isto é o de menos... o importante é que o conteudo está muito bom, com textos de Cuti, Dorival Fontana (apenas na versão eletrônica), Marco Rheis, Ronald Augusto (o Tutuca), Roniwalter Jatobá, Souzalopes e deste que vos escreve.

A editoração ficou a meu cargo e está bem simples, sem grandes recursos profissionais, apenas preocupada em publicar o trabalho. Futuramente pensaremos em acomodar a página num site pago, eliminando assim os indesejáveis anúnmcios.

É isso aí. O endereço é http://www.angelfire.com/zine2/casapyndahyba

Saudações Pyndahýbicas !

Thursday, January 20, 2005

You are sorry? No Way!

Sorry Everybody

Americano tem o dom de fazer dinheiro de tudo... Quando estive em NYC no início de 2002, logo depois do 9/11, fiquei pasmo ao vê-los cobrarem US$2 para se ver as ruínas do WTC, o Ground Zero!
E agora a história se repete. De proporções equivalentes ao 9/11, a reeleição de Bush é uma tragédia que ainda vai dar muito pano pra manga, e é claro, renderá muito dinheiro para alguns espertinhos, com todo o pejorativismo que o termo possa carregar. Esse site diz tudo, sorryeverybody, onde supostamente as pessoas se desculpam mas também aproveitam para vender um produtinho básico qualquer, que você naturalmente não precisa... é a famosa lojinha na saída do museu, que só os americanos, ou ao menos muito mais eles do que outros, sabem fazer muito bem.
Em vez de pedir desculpas, eles bem poderiam fazer algo mais eficaz, como um boicote ao consumo desenfreado e estúpido que eles também fazem melhor do que qualquer outro povo...
Any idea?