Monday, March 12, 2007

:- crônicas do amanhã -:

SIMPLESMENTE… SER

Sem pensar no que somos, donde e ao que viemos. Somos, apenas... com a deliciosa dúvida da escolha: ou acolá, agora ou depois, isto ou aquilo, hoje ou amanhã... ah, como é bom poder escolher! Mesmo escolhendo errado – o que às vezes pode ocorrerainda assim é o “poder” da escolha, pois somos seres fadados ao plano cartesiano espaço x tempo: temos que escolher, e bem; o melhor que pudermos, ao menos, pois o tempo, invariável, passará, e se nossa escolha não for a correta, este tempo estará perdido para sempre.

Fôssemos diferentes, todavia, poderíamos, brincar com tais equações: se não nos subjugássemos à rigidezespaço x tempo”, por exemplo, teríamos tudo ao mesmo tempo agora. Não precisaríamos decidir entre estar aqui ou ali – poderíamos estar nos dois (ou mais) lugares ao mesmo tempo. Tampouco precisaríamos nos preocupar em fazer isto ou aquilo – faríamos tudo ao mesmo tempo – e tempo” não passaria de uma medida tridimensional, que poderíamos arrastar para , para ou acolá, conforme a conveniência.

Outra maneira de subvertermos o espaço x tempo, seria se fôssemos imortais. Daí, a próxima pergunta, uma vez passada a euforia que a idéia da imortalidade carrega emmesma, seria “o que fazer com isso”? Quem agüenta ser imortal?

Nada fácil pensar numa continuidade sem fim, semobjetivo”. A finitude das coisas nos dá o parâmetro necessário do nosso esforço e objetivo. Sendo assim, nossa finitude é a coisa mais natural – e esperada! – da nossa vida mortal. não sabemos quando, e pensamos em adiá-la o máximo possíveldentro dos limites humanos da dignidade.

E o que dizer quando essa “naturalidade” é interrompida pela mão brusca da natureza (ou de deus, para os gnósticos)? Quando algo que vinha no prumo se desconchava, quando um pai perde o filho... é difícil entender a cosmologia.

Já se foi dito que se os cavalos ou os bois pudessem esculpir, fariam estátuas de deuses à sua semelhança e os adorariam... tal qual fazem os humanos!

Friday, March 09, 2007

2 gigs

Depois de perder Herbie Hancock tocando em Dublin, Bill Frisell eu não perco não! Será 12/05/07 no Vicar Street, juntamente com outros dois músicos - Martin Hayes e Dennis Cahill. Engraçado que no site de Bill, o show está anunciado como "Bill Frisell with musicians Dennis Cahill and Martin Hayes", enquanto no Vicar Street, "Dennis Cahill, Martin Hayes and Bill Frisell". Será porque Dennis Cahill e Martin Hayes são irlandeses? Bem, como não os conheço, não posso dizer se seus nomes deveriam ou não estar na frente no anúncio... Direi depois do show.

Outro não tão imperdível assim, mas igualmente "worthwhile" será E.S.T. - Esbjörn Svensson Trio - suecos que fazem um jazz justo... e como andamos carentes de jazz por aqui, vale a pena conferir, dia 16/03/07 também no Vicar Street. Aliás, o Vicar street sempre traz coisas legais... foi lá também a prineira vez que assisti The Bad Plus ao vivo... WOW!
E.S.T.

Thursday, March 08, 2007

dia da mulher

Totalmente contra os meus princípios, vale um comentário no "dia da mulher". Primeiro, acho que o dia da mulher não devia ser comemorado. Nem o dia da criança, ou idoso, assim como não tem o dia do homem. Dia do carteiro, da secretária, do aviador, do livro, da música, de São Pedro, Nossa Senhora da Aparecida, etceteras, vai lá, pois são profissões, coisas, santos, ou nada disso. Também sou contra a comemoração do dia do negro e do índio, já que não há o dia do branco. Gênero e raça não deve ser comemorado, pois vira pura súplica desesperada pelo reconhecimento, assumindo assim um papel menor. Se papéis e posições sociais foram alcançadas ao longo da história, que sejam desfrutadas olhando-se para a frente. De nada vale lembrar que a humanidade foi horrível no passado - e ainda é em muitos lugares. "Mas e o preconceito?", perguntarão uns... Sim, é uma coisa estúpida, que deve ser combatida sempre e com fervor, mas ainda acho que não justifica a comemoração de datas, que só trazem à memória o passado de uma situação desumana.

Thursday, February 22, 2007

22022007

se de me magoar já me canso
enquanto desgosto me causo,
pauso agora esta vida de feridas
sabidas e não sabidas, na busca
ofusca(da) da pedra filosofal,
grande mal da humanidade: tentar
tapear a morte e com ouro fácil enricar
quando deveria pensar em volatizar...
volatizar - sendo um Ser mais Sermente -
volatizar-me-ei num SELFware mais SELFwarely!

natalis mihi hodie est:
parabéns para mim.



assyno eduardo miranda,
d este porto seguro da jlha do Eire,
oje, qujmtª feira, vigesº segonº dia do segonº mez d este anno de MMVII

Tuesday, January 23, 2007

infimo brasillis

Depois de algum tempo morando na Europa, a cada vez que deságuo em águas de Pindorâmicas (Pindorama: termo cunhado pelo jornalista Élio Gaspari em sua deliciosa coluna dominical na horrenda Folha de São Paulo – horrendos também são O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde, O Globo, Correio Brasiliense...), é inevitável não deixar de notar alguns absurdos – uns banais, outros nem tanto.

A bi$pa e o apó$tolo

Certamente o Bra$il não é o único paí$ priveligiado com a monetização da igreja e da$ crença$, ma$ o que me e$panta e me pergunto é $e por aí também há o me$mo nível de idiotia e cegueira que $ó a fé (confiança ab$oluta em alguém ou em algo) pode cau$ar: que a religião é a bengala e$piritual do$ aleijado$ da razão, a ane$te$ia enebriante do$ inconformado$ com $eu$ próprio$ fraca$$o$, e o freio ca$ual do$ depravado$ da moral, vá lá... ma$ alegar que o grande golpe da “bi$pa” e de $eu marido “apó$tolo” $ão obra$ do demônio para de$virtuar a $alvação que a Rena$cer Em Cri$to humildemente oferece ao$ irmão$ – $omo$ todo$ irmão$, certo? – em troca de algun$ mí$ero$ trocado$, o vil metal, abandona qualquer po$$ibilidade de di$cu$$ão, e não merece $equer atenção: todo mundo pra cadeia! Terão a$$im muito tempo para rezarem aos céus e aos $eus, o que eu duvido que farão. E embora tenham tanta intimidade com o divino, apo$to que ga$tarão o telefonema que têm direito com um bom advogado, e não com deu$, cri$to ou outro $ecretário qualquer...

Brasil 0 x 0 Irlanda

As coisas andam ruim por aí em Pindorama. É o alto nível de violência urbana e rural, o capitalismo selvagem fazendo mais vítimas através de obras que privilegiam o ganho de dinheiro em detrimento da qualidade e das condições de segurança, a fome somada à vontade de comer que resulta na miséria sub-humana de pessoas revirando lixo atrás de comida pouco estragada, é a falta de vergonha da falta de educação (talvez o principal problema do Brasil), é o descaso das autoridades, o descaramento da bandidagem, a inação do “politburro”, a política do próprio umbigo, a memória curta, o prazo demasiado longo para as esperanças (sem cobranças), é a mídia perdida atirando às cegas, buscando o quarto-poder onde não há primeiro, segundo nem terceiro, só os interesses de organizações isoladas, rivais jogando no mesmo time.

Para consolo de alguns, por aqui na Republiqueta da Irlanda, as coisas não vão 110% não! Há problemas bem parecidos com os de Pindorama. Por exemplo, em Pindorama tem desemprego (12,8% - mais que o dobro da média mundial!), e na Irlanda também (4,3%, e caindo...); em Pindorama tem engarrafamento, na Irlanda também; Pindorama tem transporte público deficiente, a Irlanda também; Pindorama tem enchente quando chove muito, Irlanda tem muito verde porque sempre chove muito; Pindorama tem saúde gratuita (INSS), Irlanda também (todos os hospitais); Pindorama tem escola pública e particular com condições diversas, Irlanda também (o número de alunos por classe é menor nas particulares); Pindorama tem presidente sapo barbudo, Irlanda tem presidenta que tinge o cabelo; Pindorama tem Zé Dirceu, Irlanda tem Bertie Ahern; Pindorama tem Argentina, Irlanda tem Inglaterra; Pindorama tem Hugo Chaves, Irlanda tem Tony Blair; Pindorama tem PCC, Irlanda tem IRA (que atualmente cumpre trégua); Pindorama tem EUA, Irlanda tem a Europa toda; Pindorama tem futebol, basquete e volei, Irlanda tem rugby, hurley e futebol gaélico.

Como se vê, tudo é muito parecido. Tão parecido que dei um 0 x 0 no resultado... a grande diferença é que por aqui o jogo é muito mais limpo!

Brevior saltare cum deformibus mulieribus est vita - numa tradução livre: A vida é muito curta pra se dançar com mulher feia.