Wednesday, October 31, 2012

Para Sempre

É... Drummond tinha um jeito de dizer as coisas que ia ainda muito além da "simples" poesia...


Para Sempre
de Carlos Drummond de Andrade
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Friday, October 26, 2012

Quem dá mais?


Para quem achava que já tinha visto de tudo, lêdo engano! Não subestime a estupidez humana, já diziam... o que me pergunto e se falavam da estupidez individual ou da estupidez coletiva!

Deve ser individual, do ponto de vista de Catarina Migliorini, é individual, mas a fulaninha apelou geral na individualização das multidões e gerou uma situação social nunca dantes imaginada! Agora todos se conformarão com a nova norma social, ainda que percebida ao invés de vivida, e poderão se projetar nessa impressão do "normal". Essa é a coletiva! Vai chover virgem vendendo virgindade, o que poderá depreciar o mercado de hímens!

Catarina Migliorini, 20, brasileira, estudante, futrura ex-virgem, vai ter muita história pra contar sobre a primeira vez... nada romântica, é verdade, mas bem lucrativa. Demorou meros 15 lances para ela se vender por R$ 1.5 milhão! Ela vai dar pro cara, um japonês que assina Natsu, num avião, para evitar "problemas legais".

Dá pra chamá-la de prostituta? Tecnicamente sim, já que prostituta vende sexo, e embora Catarina tenha vendido "apenas o direito de alguém deflorá-la", espero que ela saiba que isso se dá através de relação sexual... pobrezinha!

Vamos ver se o milhãoemeio vai valer a pena pelas consequências depois...

Saturday, September 01, 2012

De Técnica & Arte




Esta semana fiz um pedido de Mozzarella di Bufala pela internet. Não uma mozzarella qualquer, mas diretamente da Itália, Campana DOP (Denominação de Origem Protegida), entregue na porta da sua casa!

O pedido é feito pelo site. Uma vez confirmado o pagamento, sai a ordem de produção das mozzarellas, que ficam prontas no mesmo dia, e partem para o destino no dia seguinte, bem cedo. No meu caso, que o destino é Dublin na Irlanda, o pedido chegou no porto de Dublin no final do mesmo dia, e na porta de casa na manhã seguinte. Fresca, fresca, fresca...

Só que desta vez algo mudou a rotina... Meu telefone toca (número do exterior):
Eu: - Hello, Eduardo speaking?
Ele: Signor Miranda, buongiorno. Chiamo dalle sito di mozzarelle... volevo sapere se la vostra richiesta è arrivata?
Eu: - Eh... Ah, mozzarella! Of course! How are you doing?
Ele: Eh... Hi Signor Miranda, Sono del sito di mozzarelle... Io non so perché l'ordine non è arrivato!
Eu: Mi scusi, ma non parlo molto bene l'italiano. Capisco un po...
Ele (claramente nervoso e num inglês macarrônico): Okay! Your order no arrive! I don't know whay, I'm sorry...
Eu (macarroníssimo, bem ao gosto italiano): Non preoccupare! Ho guardato UPS ed già è in Dublino. Dovrebbe arrivare oggi...
Ele (confuso): Ah... Okay, okay... grazie, I'm sorry, ciao.
Eu (simpatissíssimo e quase excitado por estar falando italiano, e achar que estava sendo entendido): Grazzie mille, grazzie tanti per chiamare... ciao
!
Todos os emails até então trocados com o site foram em italiano. Eles simplesmente assumiram que eu era italiano! Mas eu só usei o Google Translator e um pouco de ginga!

O Google Translator é parte "técnica" da história. Quando o cara me ligou, não pude aplicar a mesma "técnica" ao meu italiano, e tive que usar meu jogo de cintura, ou seja, a "arte", que ao bem da verdade estava bem enferrujada!

É mais ou menos isso que acontece nas minhas traduções de poesia. Há quem critique, mas o resultado - modéstia às favas - geralmente é bom. A parte técnica é o trabalho "científico", o de aplicar um molde, uma técnica para traduzir palavras baseadas num algorítimo próprio, que tenta considerar um pouco de contexto. Depois, apoiado em bons dicionários língua-inglês e língua-língua, de um bom compêndio de conjugação verbal e outro de gramática (além da poesia no sangue), aplica-se a "arte", o fator humano ao resultado científico.

Já falar a língua é outra coisa totalmente diferente... com sorte, fazemos uma pasta macarrônica e nos fazemos entender!

Tuesday, August 28, 2012

Lei? Melhor sem elas !


Ando meio desconectado dos assuntos brasileiros, é verdade... e para sanar tal desleixo, tenho tentado ouvir a CBN, mas a qualidade do áudio está sofrível... os caras reduziram o bit-rate do stream de tal modo que constantemente os diálogos perdem sílabas, ou mesmo palavras inteiras... e olha que isso é numa conexão de 100MB!

Posta a opçcão da rádio de lado, teria que ler notícias... o que me recuso! Dá muito trabalho filtrar toda a propaganda de interesses diversos das entrelinhas... então só leio opiniões. Mas ainda assim, coisas me escapam... e quando não escapam, geralmente falta tempo/motivação para divagar sobre os temas...

Recentemente recebi um email sobre uma tal de Lei Nº 12.605, de 3 De Abril de 2012, que determina o emprego obrigatório da flexão de gênero para nomear profissão ou grau em diplomas. Não fosse absurda o bastante a tal lei, o email exagerava e estrapolava na abrangência do emprego da lei, sugerindo que todas as palavras concordariam com o gênero, assim, eu, de paulista seria paulisto, de palmeirense viraria palmeirenso, nunca mais ficaria contente, mas contento... e por aí vão os absurdos.

Mas não... a lei refere-se apenas a profissões. E deve mesmo ter aqueles que acham tal flexão razoável, diferenciar entre dentista e dentisto, presidenta e presidento. Eu, como Analisto de Sistemos, prefiro as coisas como eram, muito obrigado. Aliás, para tornarem as coisas bem neutras, por que não tornar tudo em "e" e acabar com a flexão? Aí eu diria "Não, obrigade!"

Sim, é para rir mesmo! E depois falam dos nossos patrícios portugueses... que injustiça (ou injustiço?)! Camões, coitado, já está com dores nas costas de tanto se remexer em seu túmulo!