Showing posts with label língua. Show all posts
Showing posts with label língua. Show all posts

Saturday, September 01, 2012

De Técnica & Arte




Esta semana fiz um pedido de Mozzarella di Bufala pela internet. Não uma mozzarella qualquer, mas diretamente da Itália, Campana DOP (Denominação de Origem Protegida), entregue na porta da sua casa!

O pedido é feito pelo site. Uma vez confirmado o pagamento, sai a ordem de produção das mozzarellas, que ficam prontas no mesmo dia, e partem para o destino no dia seguinte, bem cedo. No meu caso, que o destino é Dublin na Irlanda, o pedido chegou no porto de Dublin no final do mesmo dia, e na porta de casa na manhã seguinte. Fresca, fresca, fresca...

Só que desta vez algo mudou a rotina... Meu telefone toca (número do exterior):
Eu: - Hello, Eduardo speaking?
Ele: Signor Miranda, buongiorno. Chiamo dalle sito di mozzarelle... volevo sapere se la vostra richiesta è arrivata?
Eu: - Eh... Ah, mozzarella! Of course! How are you doing?
Ele: Eh... Hi Signor Miranda, Sono del sito di mozzarelle... Io non so perché l'ordine non è arrivato!
Eu: Mi scusi, ma non parlo molto bene l'italiano. Capisco un po...
Ele (claramente nervoso e num inglês macarrônico): Okay! Your order no arrive! I don't know whay, I'm sorry...
Eu (macarroníssimo, bem ao gosto italiano): Non preoccupare! Ho guardato UPS ed già è in Dublino. Dovrebbe arrivare oggi...
Ele (confuso): Ah... Okay, okay... grazie, I'm sorry, ciao.
Eu (simpatissíssimo e quase excitado por estar falando italiano, e achar que estava sendo entendido): Grazzie mille, grazzie tanti per chiamare... ciao
!
Todos os emails até então trocados com o site foram em italiano. Eles simplesmente assumiram que eu era italiano! Mas eu só usei o Google Translator e um pouco de ginga!

O Google Translator é parte "técnica" da história. Quando o cara me ligou, não pude aplicar a mesma "técnica" ao meu italiano, e tive que usar meu jogo de cintura, ou seja, a "arte", que ao bem da verdade estava bem enferrujada!

É mais ou menos isso que acontece nas minhas traduções de poesia. Há quem critique, mas o resultado - modéstia às favas - geralmente é bom. A parte técnica é o trabalho "científico", o de aplicar um molde, uma técnica para traduzir palavras baseadas num algorítimo próprio, que tenta considerar um pouco de contexto. Depois, apoiado em bons dicionários língua-inglês e língua-língua, de um bom compêndio de conjugação verbal e outro de gramática (além da poesia no sangue), aplica-se a "arte", o fator humano ao resultado científico.

Já falar a língua é outra coisa totalmente diferente... com sorte, fazemos uma pasta macarrônica e nos fazemos entender!

Wednesday, March 07, 2012

Aprender português?

Mundo Lusófono

A maioria das pessoas aprendem uma língua por necessidade, seja pelo trabalho ou pelo relacionamento. Alguns aprendem uma língua por puro prazer! Esse sou eu! Já flertei com o Inglês, o Espanhol, Frances, Italiano, Japonês, Russo, Chinês, Alemão, Coreano, Holandês, Flamengo, Catalão, Irlandês e até Esperanto!

Enfim, é assim começa um artigo na The Economist - Brazilian Portuguese is the Best Language, sobre pessoas que aprendem por necessidade ou por prazer. Depois a jornalista alega que escolher uma língua para ser aprendida deve considerar a quantidade de falantes, que seja falada por pessoas que valham a pena conversar, num país que valha a pena visitar, que tenha outras línguas próximas, o que supostamente facilitaria o aprendizado de outras línguas, e que não fosse tão distante assim do inglês - a língua do artigo.

Conclue a jornalista que a única escolha "racional" é o portugues do Brasil... e tem gente que REALMENTE acredita nisso! Argumenta ela que o Brasil é grande (190m habitantes), no momento está economicamente bem, São Paulo é a capital dos negócios na America Latina, a flora e fauna são maravilhosas, tem a Amazonia (?), tem clima e praias maravilhosas, um povo amigável e gentil (ou bons-mentirosos!) o bastante para dizerem que seu portugues está "maravilhoso", porém... (ah, porém!)

Se tirarmos a maquiagem desses argumentos, chegaremos à realidades mais cruas... o Brasil é grande sim, e 10% da população vive na mais absoluta miséria - são pelo menos 19 milhões de pessoas! Se somarmos o que 90% da população ganha não chega no que os 10% mais abastados ganham. São Paulo é a capital dos negócios na America Latina, e também uma das mais violentas. Flora e fauna maravilhosa, Amazonia (?), clima e praias... se isso enche barriga e dá estabilidade eu ainda não sei! Quanto ao povo amigável e dizendo mentirinhas gentis, funciona tanto para o bem como para o mal, e não têm escrúpulos em se aproveitar de uma situação! É falta de caráter mesmo!

E língua por língua, Machado de Assis que me perdoe, mas o portugues de Portugal é a língua evoluída, a nossa é a estagnada. Peço perdão também a Camões, mas em se tratando de falantes, os espanhóis totalizam 500 milhões em 21 países, enquanto o português apenas 240 milhões em 9 países. Além do que, Espanhol até o Schwarzenegger fala!

Hasta la vista, babe!

Wednesday, October 12, 2011

Excusez-moi mon anglais...


Curioso como certas expressões soam bem em certas línguas. Por exemplo, a expressão "excuse me my french". "Desculpe o meu francês" é uma frase usada para disfarçar palavrões. A frase é usada numa tentativa de se desculpar pelo uso de palavrões, sob o pretexto de as palavras serem parte de uma língua estrangeira, no caso o francês.

"Excuse me my french, but you are an asshole", ou "perdoe o meu francês, mas você é um cuzão." Soa bem, não? Esses ingleses... agora, será que os franceses, calmos e pacienciosos como são (!!), não têm uma frase do tipo? Aposto que sim, e deve soar algo como...

Encule vous!!! Excusez-moi mon anglais...

Wednesday, January 12, 2011

É Tudo de Bom!

Você já falou, durante um diálogo ou numa divagação qualquer, a expressão "isso é tudo de bom!!!" ? "Pois é, camaradinha", se já falou, ou se fala, você provavelmente também fala... "com certeza". Sinto muito!

Certos vícios deveriam desaparecer do linguajar das pessoas. Geralmente são palavras soltas a esmo, sem muito significado ou função além de preencher uma pausa, ou dar tempo ao interlocutor, ou ainda - e esta é a pior de todas - demonstrar interesse pelo assunto.

Segue um diálogo ilustrativo:
- "Qualquer dia, Ananias, me dou um tiro na cabeça!".
- "Aguenta a mão, Azevedo, que hoje não posso, prosear... estou com uma baita dor de cabeça".
- "É... melhor mesmo é esquecer de tudo e aproveitar que tem futebol na TV!"
- "Opa, futebol é tudo de bom, não é?"
- "Com certeza..."
Então tá, então... militância linguística, sim... e sempre!

Saturday, December 11, 2010

A Presidenta Pilar

Pilar del Río, viúva de Saramago, é presidente da Fundação Saramago, mas faz questão de ser chamada de "presidenta"... Diz ela, de boca cheia: "Presidenta, porque sou mulher!" Ela alega não perdoar "sexismos gramaticais"!

Essa cena vi no filme José e Pilar, documentário sobre José Saramago e Pilar Del Río, sua esposa e companheira dos últimos vinte e tantos anos de vida. Saramago lhe fez várias dedicatórias em seus livros, e a que mais me tocou foi esta:
"A Pilar, que ainda não havia nascido, e tanto tardou a chegar."
Em meio a tanto lirismo - Saramago quando abre a boca, é só para falar o que precisa ser dito; seja uma piada sarcástica ("Se Cristo realmente reencarnasse, diria 'Homens, perdoai-o, pois Ele não sabe o que faz!'"), seja indagações ("Céu? O que é céu? Não há céu... só o espaço..."), ou divagações filosóficas (Sobre a morte, "... é o sentimento de ter estado e já não estar"). Em meio a tanto lirismo, destoou o feminismo exarcebado de Pilar. Ela, 30 e tantos anos mais jovem, parecia uma adolescente insegura querendo impor uma opinião exdrúxula e sem fundamentos frente a um grupo de pessoas mais velhas, experientes e informadas, na ocasião em que tentava defender Hillary Clinton - exclusivamente por ser mulher - num almoço de família... Saramago, calmo e didático, tentou falar, mas Pilar o sobrepôs...

Tudo bem dona Pilar... quando a senhora ficar "doenta", ou com dor de "denta", procure uma destista, pois feminista que é, duvido que procure um "dentisto"!

Monday, November 08, 2010

O feminismo burro

Pior do que a presidenta falar presidenta, é o movimento feminista, à postos, como sempre, querer justificar a besteira que a presidenta falou, alegando que presidenta tem mais força, e reforça o gênero...

Como já disse aqui, e não é (não deveria ser) segredo pra ninguém, "presidente" é substantivo de dois gêneros. Possue uma só forma para o masculino e para o feminino, diferenciados apenas pelos artigos. Por esse motivo, não se diz a gerenta tampouco o gerento. Nem a pacienta, o paciento, a doenta, o doento, a clienta, o cliento etc. Caso fosse correto o uso de a presidenta, também seria correto dizer "a presidenta está doenta" e "o presidento está doento", seguindo as devidas concordâncias.

Enquanto as minorias continuarem se achatando com reinvidicações que só ressaltam suas diferenças, não vão conquistar o respeito devido. Serão sempre lembradas e tratadas como minorias.

Sunday, September 26, 2010

Eu quero falar Mirandês!

Muitas lhénguas ténen proua de ls sous pergaminos antigos, de la lhiteratura screbida hai cientos d'anhos i de scritores hai muito afamados, hoije bandeiras dessas lhénguas. Mas outras hai que nun puoden tener proua de nada desso, cumo ye l causo de la lhéngua mirandesa.
Eu, como um legítimo Miranda, das entranhadas aldeias do Conselho de Miranda do Douro, e que carrego a língua até no nome, deveria mesmo falar o Mirandês, não?!? Até curso online se pode achar! http://www.sendim.net/

O Mirandês é uma língua pertencente ao grupo astur-leonês, e segundo o "sítio" oficial do governo Portugês, o segundo idioma oficial do país! É falado numa área de aproximadamente quinhentos quilômetros quadrados, no extremo Nordeste de Portugal, ao longo da fronteira a sul de Alcañices, entre a ribeira de Angueira, a poente e sul, e o rio Douro, a nascente, num conjunto de aldeias dos concelhos de Miranda do Douro e Vimioso.

Os falantes do mirandês são em maior parte bilíngues ou trilíngues, pois falam o mirandês e o português, e por vezes o castelhano, e embora não mais de quinze mil pessoas falem a língua, eles ainda se dão ao luxo de se subdividirem em três dialetos - o central ou normal, setentrional ou raiano, meridional ou sendinês! E não bastasse isso, o sendinês, para complicar ainda mais, quer separar-se do mirandês e tornar-se uma "léngua oficiale". É o que trata o livro "La Proua de Ser Sendinês", de Emídio Pires Martins, lançado em 1999. Foi o primeiro livro escrito em sendinês, e funciona como um manifesto da língua.

Mas voltando ao mirandês... Língua de forte tradição oral passada de pais para filhos ao longo dos tempos, foi só em 1882 que José Leite de Vasconcelos, filólogo, arqueólogo e etnógrafo português, começou a investigá-la e a fixá-la em escrita. Na obra Flores Mirandesas, ele publica poesias suas e de Camões, contos, histórias, lendas, fábulas, provérbios, adivinhas, cantigas de amor, de humor, de devoção, etc.

Eis um poema de Vasconcelos em mirandês:
Lhéngua Mirandesa

Quien dirie qu’antre ls matos eiriçados
Las ourriêtas i ls rius d’esta tiêrra,
Bibie, cumo l chaugarço de la siêrra,
Ua lhéngua de sons tan bariados?

Mostre-se i fale-s’ essa lhéngua filha
D’un pobo que ten neilha l choro i l canto!
Nada por ciêrto mos cautiba tanto
Cumo la form' an que l’eideia brilha.

Zgraçiado d’aquel, qu’abandonando
La patri’ an que naciu, la casa i l huôrto.
Tamien se squeçe de la fala! Quando
L furdes ber, talbéç que stéia muôrto!
José Leite de Vasconcelos
In "Flores Mirandesas", pá.s 11-12
Livraria Portuense de Clavel & C.ª
1884 – Porto

A tradução eu deixo a cargo de cada um, mas antecipo: na TUDA de Outubro pode ser que apareça um textinho em mirandês traduzido para o português...

Mais textos em mirandês podem ser encontrados neste "sítio" de Lhéngua Mirandesa.

Saturday, September 18, 2010

Conjunto de Gerenciadores de Filas

Pois não é que a configuração do Conjunto de Gerenciadores de Filas que eu fiz não está funcionando? Por algumas particularidades no desenho da solução (decididas antes da minha chegada), as aplicações só podem gravar em Filas de Nomes Assumidos, não em Filas Reais. Tal limitação, em conjunto com a limitação do próprio Gerenciador de Filas que não permite que uma Fila de Nome Assumido aponte para outra Fila de Nome Assumido, apenas para Filas Reais (Locais, Remotas ou de Conjunto), fez-me apontar as Filas de Nome Assumido para Filas Remotas no Gerenciador de Filas Distribuidor, já que precisava delas apontando para outras Filas Reais - Locais - em outra definição de Conjunto de Gerenciador de Filas.

Até então, tudo bem. Desenhei as definições das Filas de Nomes Assumidos no meu Gerenciador de Filas originário apontando para uma Fila Remota no Gerenciador de Filas Distribuidor, que por sua vez apontava para uma Fila Local no meu Gerenciador de Filas destinatário. Qual foi minha surpresa ao perceber que, ao definir minha Fila Remota no Gerenciador de Filas Distribuidor, teria que especificar um Gerenciador de Fila fixo como destino - o que me privaria dos benefícios trazidos pela utilização da tecnologia dos Conjuntos.

O que me resta é definir um Gerenciador de Filas de Nomes Assumidos no meu Gerenciador de Filas Distribuidor que aponte para nada. Assim posso definir minhas Filas Remotas no meu Gerenciador de Filas Distribuidor de maneira que apontem para o Gerenciador de Filas de Nomes Assumido, e como ele não aponta para nenhum Gerenciador de Filas, desfrutarei dos benefícios da tecnologia dos Conjuntos...

Simples não?

Pois é como eu já dizia, nos idos de 1990... a tradução de textos técnicos para o português é uma MERDA!!!

Tuesday, August 03, 2010

Língua


Conta Esopo numa de suas fábulas que certo dia o seu senhor - Xanto - o encarregou de buscar no mercado o que de melhor encontrasse para servir como refeição a alguns convidados. Esopo saiu e comprou um punhado de línguas bovinas. Questionado por que línguas, Esopo justificou-se:
Há coisa melhor do que a língua? Ela é o laço da vida, da razão; e por meio dela as cidades são construídas e policiadas. Graças a ela as pessoas não só são instruídas, persuadidas e convencidas nas assembléias, mas também cumprem o primeiro de todos os deveres, que é o de louvar a Deus.
Xanto, querendo embaraçá-lo, pediu que Esopo comprasse, no dia seguinte, o que houvesse de pior. E no dia seguinte Esopo trouxe novamente línguas. Sem entender, Xanto pede uma explicação:
A língua é a mãe de todas as questões, a origem de todos os processos, a fonte das discórdias e das guerras. Se por um lado se ela é o órgão da verdade, de outro é também o do erro e, pior ainda, o da calúnia e da infâmia, porque se em dado momento ela louva os deuses, em outro é usada para a blasfêmia e a impiedade.
Onde se le língua, leia-se palavra. A palavra - principalmente a palavra escrita - é um instrumento poderosíssimo. E tem que ser usada corretamente e com critério. E são por estas e outras que eu digo: Não se imbecilize! Não caia na tentação das abreviações, da não-acentuação e da grafia simplificada (sic) das palavras... MSN, Twitter, Facebook, email, são ferramentas que vieram para ajudar a comunicação, não para deteriorar idiomas.

Abrace você também este apelo, seja lá em que língua você escreva!

Tuesday, March 16, 2010

o livro está na mesa...

Me lembro quando em criança, aprender inglês no ginásio não era fácil... não tinha ainda esta inclinação para as letras, tampouco para as línguas. Tudo era muito difícil, sôfrego, demorado... mas uma frase entrou em minha cabeça: "The book is on the table". Talvez tenha sido pelo castigo que a professoara aplicara à classe toda, certo dia - pela bagunça, é claro.
"Escrevam 10 páginas em vosso caderno: "The book is on the table". Quero para amanhã. E se alguém faltar ou não fizer, aumento 10 páginas para cada dia de atraso!
É... a Tieko era fogo!

Hoje as coisas mudaram, são mais amenas... tão amenas que às vezes me pergunto se os métodos antigos [pós-palmatória] não eram mais eficientes... disciplinarmente falando, pois todos sabemos que pedagogicamente eles eram muito, mas muito melhores. Vide a frase "The book is on the table", que ficou gravada feito uma estampa na minha memória! Se ela é útil ou não, é outra história...

Hoje sinto certa dificuldade nas aulinhas de Irlandês... Talvez eu deva usar o mesmo método da minha antiga professora (que mais sofisticadamente se parece ao método KUMON de ensino), e escrever, incansavelmente, que há um livro sobre a mesa...

Tá an leabhar ar an bhord.
Tá an leabhar ar an bhord.
Tá an leabhar ar an bhord.

Monday, March 08, 2010

Eficiente x Eficaz


Outro dia na rádio, quiseram convencer aos ouvintes de que eficiente e eficaz eram TOTALMENTE diferentes. Quiseram impelir ouvido adentro que eficiente é genérico enquanto eficaz é específico; que a pessoa eficiente (numa empresa) é aquela que cumpre todas as suas obrigações, enquanto o eficaz produz resultado certeiro e específico.

Diferentes, mas não totalmente

Os dois adjetivos têm lá suas diferenças, mas são muito mais parecidos do que distintos. Ambos são adjetivo de dois gêneros; ambos se caracterizam pelo poder de produzir um efeito real (ambos eficientes); e por extensão de sentido, ambos produzem o seu efeito específico (ambos eficazes).

A nova cartilha do mundo corporativo continua querendo mudar a cartilha da boa palavra. Não contentes com o estrago que fizeram à língua com o tal do gerúndio, que começou no Telemarketing e se espalhou como uma praga nos outros setores, e logo na sociedade, estão sempre tentando arrumar uma moda nova, mudar o sentido de uma palavra ou importar outras de outras línguas para vocabulários super-específicos.

Será que algum dia este pessoal vai estar aprendendo que estar fazendo isso para o português não estará sendo legal?!?

Friday, January 29, 2010

aprender, sempre!


Aprendi mais uma hoje - a expressão Brown Nose (nariz marrom), ou o nosso famoso puxa-saco. Só que bem mais pesada a imagem...

Puxar o saco ainda pode ser feito com certa finesse, educação, elegância e higiene até! O sujeito pode usar uma luva e pronto, nem se nota! Mas nariz marrom? Deu pra adivinhar o por quê do nariz marrom? Então imagine alguém enfiando o nariz na bunda do outro... e o nariz sai marrom. Não dá, né? Nem usando fucinheira!!!

Acho que esse termo não funcionaria no Brasil, já que lá além dos puxa-sacos comuns, há também os funcionais; o cara que gosta de puxar sacos. O cara que simplesmente gosta de sacos, e por isso vai puxar qualquer saco, de qualquer um que estiver acima dele.

Fazia tempo que não ouvia a expressão, e muito mais tempo que não convivo com nenhum ser da espécie. Se bem me recordo, desde o tempo em que trabalhava na Eletropaulo...

Serviço:
Brow-nose, brown-noser
(tr.v. brown·nosed or brown-nosed, brown·nos·ing or brown-nos·ing, brown·nos·es or brown-nos·es Informal. To curry favor with in an obsequious manner; fawn on) (flatter with the intention of getting something)

Sinônimos:
apple-polisher, ass-licker, backscratcher, backslapper, blandish, bootlick, bootlicker, brownie, butter up, clawback, courtier, creature, cringer, dupe, fawner, flatter, flatterer, flunky, footlicker, groveler, handshaker, helot, instrument, jackal, kowtower, lackey, led captain, lickspit, lickspittle, mealymouth, minion, peon, puppet, serf, slave, spaniel, stooge, suck, sycophant, timeserver, toad, toady, tool, truckler, tufthunter, yes-man

Monday, January 18, 2010

os sub-servientes


Tem uma propaganda da Cel-lep em que um rapaz discursa, em bom português, sobre os bons números da empresa no ano, sobre a produtividade, os investimentos, ou outras coisinhas - querendo dar a idéia de que ele é uma pessoa muito bem articulada. De repende, um outro interrompe e diz "Ah... excuse me, could you say it again in English?"

O rapaz gagueja, e muito sem graça, sem jeito e sem inglês, ameaça um "Well, the company..." e aí uma outra garota - supostamente mais desinibida - toma as dores e tenta, num inglês mais que macarrônico, expressar algumas palavras. O narrador do comercial passa a falar por cima algo como "se você quer falar inglês no mesmo nível de sua capacidade profissional, venha para o Cel-lep...".

Ao final, o fulano que pediu para que o assunto fosse repetido em inglês, interrompe, mui bruscamente, com um "That's enough! Thank you!" lá do alto da sua estadosunidade, como se ele estivesse se sentindo ofendido com o ocorrido.

Infelizmente, esse sentimento de subserviência ainda impera na sociedade tupiniquim - que se deve falar inglês. Sem dúvida, falar inglês - ou outro idioma de penetração - abre portas no seu horizonte, seja pessoal ou profissional, mas isso se aplica não só para brasileiros, e sim para todo mundo - inglês falando espanhol, francês falando italiano, português falando alemão...

Mas aí me vem este comercial que te impõe a arrogância do monolíngue inglês exigindo que alguém fale a língua dele? Nem em comercial de escola de línguas! Ainda mais de estadosunidenses!! Como aquela piadinha antiga já dizia: quem fala 4 línguas é poliglota, 3 é trilíngue, 2 é bilíngue, e uma é americano...

Por isso camaradinha, para não soar tão arrogante como nossos vizinhos estadosunidenses, ao viajar para qualquer país, lembre-se:
  • não espere que falem sua língua - nem em Portugal!
  • se não for um país de língua inglesa, não espere que falem inglês
  • é sempre elegante saber algumas palavras na lígua local, tais como bom dia, boa tarde, boa noite, até logo, por favor e obrigado (se quiser se aprofundar, tente "uma cerveja por favor" e "mais uma cerveja por favor")
Boa viagem!

Thursday, October 08, 2009

o boi da bolsa


Sempre aprendendo, esse é o meu lema. Até ontem, bull, para mim, não passava de touro - em inglês. Ledo engano... O famoso mamífero, artiodáctilo, ruminante, bovídeo, de chifres ocos, não ramificados, permanentes, e que incluem-se no gênero as raças domésticas largamente utilizadas pelo homem - inclusive para os jogos de azar, onde é representado pelo número 21, no 21º grupo, que abrange as dezenas 81, 82, 83 e 84 - além de touro per se, também significa macho de grandes animais (como elefante, baleia e até do homem, quando forte!), policial, e mesmo a bula papal - ou a forma daquele documento, lacrado com pequeno selo ("bulla" em latim) geralmente de cera. Em inglês, também é o centro de um alvo - que em Pindorama chamamos de mosca - "acertou na mosca"!

Mas fora todas estas enfadonhas explicações do que um touro pode ser, o que mais me chamou a atenção foi este significado: cause or attempt to cause prices to rise - causar ou tentar causar a subida dos preços. Gentem... só agora eu fui entender o boi de ouro em Wall Street...

Wednesday, September 30, 2009

Hoje é dia de tratado


Bem ou mal tratado, Lisboa está em pauta. Começa hoje a votação para ratificar (ou não) o Tratado de Lisboa na Repblica da Irlanda. As ilhas do condado de Donegal (Dún na nGall, em irlandes)

Por falar em Donegal, aprendi esses dias uma coisa que nem nativo sabe: Dún na nGall, Donegal em em irlandes, que significa "forte dos estrangeiros", diferentemente do que "todo mundo" pensava, não se pronuncia Dun-nû-nal (o "n" antes do "G" anula o som do "G"), pois "nal", em irlandês, significa "cego", o que mudaria o sentido para "forte dos cegos". Para evitar tal engano, criou-se uma saída, forçando o som do "g", não em "nGall", mas em "na"... algo como "Dún-nung-nal".

Essa é uma das coisinhas que tornam a língua "interessante"...

Thursday, September 24, 2009

You beach!


Na rabiola de um assunto já tratado aqui, falemos de sotaque e do quão difícil é pronunciar certos sons em determinados idiomas. Por mais discordância que o assunto possa causar, creio que todo mundo concorda nesse ponto: há certos sons que simplesmente não conseguimos falar! Isso, é claro, não nos impede de falar um idioma, claro que não. Acabamos simplesmente passando por cima daqueles sons da melhor maneira possível, por pura analogia, uma relação de equivalência com outros sons.

Por exemplo, o "u" francês tem um som bem particular, e para nós, brasileiros, é ensinado como o som da letra "i"emitido com a boca no formato para falar "u". Chegamos perto! O som gutural do "g" holandês - temos que puxá-lo como um "h" expirado, arranhado no fundo da garganta. Chegamos perto, novamente.

No inglês temos vários exemplos - a mistura de "d", "s" e até "f" (sem falar da linguinha entre os dentes) do "th", o pequeno "a" entre as letras "r" e "l", para amaciar e facilitar a pronúncias de palavras como "world" - "wor(a)ld", são técnicas usadas por professores para aproximar o som para algo mais "palpável" a quem aprende.

Vejam a palavra "beach" (praia), por exemplo. As letras "e" e "a" juntas têm um som longo de "i", foneticamente representadas com o símbolo (i:). Já a palavra "bitch" (cadela, prostituta), o "i" representa-se foneticamente pelo símbolo (I). O mesmo do verbo "to do" no passado - "did", o mesmo para "bit" e "rabbit", mas certamente não o mesmo "i" de "time" (ai), essa diferenciação mostra que os "is" têm sons diferentes - um aberto e longo, outro fechado e curto. Tal particularidade pode, por vezes, levar a confusões. Naquela técnica de analogia usada pelos professores para aproximar o som de algo mais palatável ao falante, algum professor (ou método) poderia dizer que aquele "i" de "bitch" e "did" soa fechado, algo entre o "i" e o "e" - eu diria "î", em letras romanas... outras confusões são dizer que o "f" de "of" (preposição "de) tem som de "v". Isso é assim dito para facilmente diferenciar o som do "f" simples, do som do "f" duplo, como em "off" (estar desligado, estar fechado) por exemplo - mas aí as pessoas levam ao pé da letra, e saem dizendo "ov", com som de "v" no final. Outro: "new". Para não falar "níu", ensina-se que o "ew" tem som de "u", e passam a dizer "Nu York".

Às vezes estas "liberdades" fonéticas acabam por criar novos fonemas - ainda mais no inglês, língua muito dada a absorções - e o "nu" incorporou-se no termo "nu-jazz", estilo musical cunhado por músicos nórdicos, pioneiros do "future-jazz e do jazztrônica.

É isso aí!

Wednesday, September 23, 2009

a primeira vez a gente nunca esquece...


Fiz uma tradução de um poeta baiano, Plínio de Aguiar, lá na TUDA de Setembro (confira). O poema me foi enviado por um amigo em comum, Roniwalter Jatobá.

Após a publicação da revista, Plínio - que não conheço pessoalmente - me enviou um email de agradecimento, dizendo ter gostado da tradução e que estava muito feliz em ver um trabalho seu vertido para outro idioma. Fora a primeira vez!

Outras pessoas também elogiaram o trabalho, outras até enviaram sugestões que ajudaram a dar uma interpretação ainda melhor ao poema. São estas coisas que nos fazem bem, e nos dão força para manter-nos na batalha... Aliás, a TUDA anda bem badalada. Dá até vontade de publicar lá, não fosse a decisão prévia de usá-la apenas para exercícios de tradução.

E falando em tradução, outro dia me perguntaram quantas línguas eu falo, e retruquei "properly? Só português! E olha lá!" É claro que conheço outras línguas, arranho espanhol, francês e italiano, estudei japonês e russo, e atualmente tomo aulas de irlandês, mas tudo isso porque gosto de línguas. E por gostar de línguas - ainda mais agora, depois de ler "Just A Phrase I'm Going Through" (É só uma frase que eu estou passando) de David Crystal - se eu me armar de um bom dicionário, um compêndio gramatical e um guia de verbos, vou me meter a traduzir línguas que não falo, sim... pelo simples desafio... vide minhas traduções na TUDA!

Para a próxima edição, estou pensando num letrista catalão, ativista na luta contra a ditadura franquista...

Até lá!

Friday, September 11, 2009

The Hole In The Wall


Não tem sido fácil estes dias, e embora ninguém tenha me falado que seria fácil, tampouco me disseram que seria difícil! Difícil sim, como força de expressão. A língua permite estes abusos.

E por falar em língua, no meu cursinho de irlandês esses dias, soube que a Quinta-feira é - ou era, na Antigüidade (trëma?) Céltica, um dia de banquete. É que em irlandes, "Dé Aoine", Sexta-feira, deriva de "Dé" (dia) e "Aoin" (jejum) - Dia de Jejum. Quarta-feira é "Dé Ceadaoin", onde "Ceadaoin" deriva de "Céad", primeiro, prévio, e "Aoin", jejum - Dia do Primeiro Jejum; e finalmente Quinta-feira é "Déardaoin", que deriva de "Dé idir dá Aoin", onde "Dé" - dia, "idir" - entre, "dá" - dois, e "Aoin" - jejum. O dia entre os dois jejuns. Certamente, Quinta-feira era o dia daqueles fartos e altamente calóricos desjejuns irlandeses, com toucinho, lingüiça, chorizo, batata, ovos, cogumelos, tomate, feijão doce, pão de soda e torradas na manteiga... nossa!

E como é Sexta-feira, Dia de Jejum, vou assumir que é quinta mesmo, e ir correndinho lá pro "The Hole in the Wall", meu novo "Local Pub"...

Fui!

Monday, August 24, 2009

Sem sotaque


Falar uma língua estrangeira pode parecer fácil. Falar com desenvoltura, um pouco mais difícil. Falar sem sotaque, praticamente impossível. Primeiro que não existe língua sem sotaque, já que o sotaque é justamente uma maneira particular de se pronunciar determinados fonemas numa língua qualquer. Pode variar por região, classe ou grupo social, etnia, sexo, idade ou indivíduo, em qualquer grupo linguístico, e pode-se caraterizar por alterações de ritmo, entonação, ênfase ou distinção fonêmica.

Assim, não há fala sem sotaque. O que pode haver é o "sotaque padrão", considerado lingüisticamente oficial, e há, claro, o sotaque estrangeiro, ou seja, a maneira que um não-nativo fala determinada língua, geralmente com variações devido a limitações fonéticas inerentes de cada língua. Especialistas defendem que se você já deixou a infância, nunca mais terá uma pronúncia pura - se é que se pode dizer isso. É como diz o (velho) ditado: quanto mais velho, mais difícil de perder certos vícios...


A neurociência nos ensinou que existe uma área funcional para a linguagem no cérebro dedicada à oralidade que precisa ser estimulada. Quando nascemos, não sabemos em que país estamos, por isso falaremos a língua do nosso entorno. Até os seis meses de idade toda criança balbucia sons, mesmo os surdo-mudos. Até o primeiro ano de vida, o bebê ganha e perde sons da linguagem. Por exemplo, os orientais não falam os erres. Como o fonema não é utilizado na língua chinesa, os chineses acabam perdendo esse som antes mesmo de começarem a falar. Isso é tão sério e verdadeiro que na China há um tipo de cirurgia na língua que promete melhorar a pronúncia inglesa. A cirurgia consiste num pequeno corte na parte inferior da língua dos pacientes. Professores chineses de inglês são totalmente contra a prática, dizendo que é pura perda de tempo e dinheiro.

Estudos recentes mostram que a janela para aquisição de línguas se fecha aos sete anos de idade. Depois disso, tudo se torna mais difícil e cansativo. Você já será um falante estrangeiro do idioma. Você não irá aprender da mesma forma que você aprende sua língua materna. Irá precisar de toda uma artificialidade para aprender, como decorar regras e palavras. É por isso que um adulto estuda muito e, quando chega lá fora, muitas vezes, não consegue entender um nativo da língua.

Crianças que aprendem uma língua com menos de sete anos de idade irão falar sem sotaque. A partir dos três anos de idade, os lingüistas consideram uma criança que aprende outra língua como se fosse um nativo. Aos sete anos, as crianças já são consideradas como falantes estrangeiras, ou seja, elas irão carregar o sotaque de sua língua materna para sempre, em qualquer outra língua que falarem.

Monday, August 17, 2009

Vocabulario portuguez

Para quem gosta de línguas - no sentido lingüístico da palavra - eis uma boa dica: está disponível no site da USP o "Vocabulario portuguez & latino: aulico, anatomico, architectonico ... ". O nome é grafado assim mesmo, e com reticências!

Originalmente, os 8 volumes que compõem o dicionário foram publicados ao longo de 9 anos. Os volumes I e II em 1712, III e IV em 1713, volume V em 1716, volumes VI e VII em 1720 e o volume VIII em 1721. Aos 8 volumes juntaram-se outros dois de suplementos publicados entre 1727 e 1728, contendo mais de cinco mil vocábulos que não constavam nos volumes anteriores.

Referência completa: BLUTEAU, Raphael. Vocabulario portuguez & latino: aulico, anatomico, architectonico ... Coimbra: Collegio das Artes da Companhia de Jesu, 1712 - 1728. 8 v.