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Wednesday, August 10, 2022

O Livro de Reclamações

... ou As Aventuras de Josef K. em Portugal
Bureaucratic Landscape by Curt Frankenstein
Um amigo meu que "está a morar" em Portugal me conta que dia desses sentiu-se dentro d'O Processo, romance de Franz Kafka sobre um cidadão que é detido e acusado por uma autoridade desconhecida sem saber qual o crime e a razão do processo. Conta-me ele que na manhã de uma segunda-feira como outra qualquer, recebeu uma chamada da AT (autoridade Tributária) em relação a uma encomenda (um celular comprado pela internet) confiscada na alfândega! Ao perguntar o motivo da retenção, a funcionária disse:
-- O senhor possui uma dívida com o IRS (imposto de renda).
-- Uma dívida? Do que se trata esta dívida?
-- Não sei dos detalhes, mas uma comunicação foi-lhe enviada.
-- Mas não recebi nada...
-- Isto não é problema meu, senhor. Foi enviado pelo CTT (correios).
-- Mas eu não recebi nada do CTT...
-- Pois isso não é problema meu - o senhor é que vá lá ter com o CTT!
Disse-me ele que ao entrar no Portal das Finanças, em sua página de contribuinte, deparou-se com um aviso em vermelho, citando a tal dívida, mas ainda sem explicação do que se tratava. Apenas "Dívida do IRS". Jurou de pé-junto que não estava lá o aviso na sexta-feira anterior, já que verificava o portal pelo menos 1 vez por semana.

Indignado mas controlado - as aulinhas de yoga têm ajudado, me diz - comenta, com cautela e educação, que tampouco é problema dele. Se as Autoridades Tributárias mandaram uma correspondência para ele, e essa correspondência não chegou, as Autoridades Tributárias é que deveria ir "lá ter com o CTT".

Ela aconselhou que ele fosse à agência das Autoridades Tributárias para se informar melhor, e desligou!

Como bom cidadão, assim o fez. Chegando lá, disposto a pagar, foi muito bem atendido. Um funcionário até explicou do que se tratava a dívida - um erro da esposa no portal. Satisfeito, deu baixa na dívida e tomou conhecimento de que a encomenda seria liberada. Foi para casa feliz!

Dia seguinte, ansioso que estava para receber o celular novo, parecia-lhe que as horas se arrastavam. Deu meio-dia e nada do tal CTT. Ligou. Calhou de atender a mesma funcionária que havia lhe ligado no dia anterior.
-- Bom dia senhora. Ligo para saber da minha encomenda.
-- Sua encomenda foi devolvida para a transportadora e o senhor tem que entrar em contato com eles.
-- ... Mas... estive aí ontem e paguei a dívida! Como é que a encomenda foi devolvida para a transportadora? Qual transportadora?
-- Como o senhor disse que não iria pagar a encomenda teve que voltar, pois não pode ficar aqui.
-- Eu não disse que não iria pagar, tanto que fui até a agência como a senhora me recomendou, e lá esclareci minha dúvida e paguei a dívida.
-- Mas agora já se foi o pacote, tens que falar com a transportadora - arremata a funcionária, já querendo desligar.
É quando, já sonoramente irritado, solta, "Mas isto não é possível! A senhora tem aí o Livro de Reclamações?"

O Livro de Reclamações! Já ouvira falar... parecia uma palavra mágica! Uma senha que desmantelava o mau humor, acabava com a deseducação e aniquilava impaciências!
-- O Livro de Reclamações? Sim... temos... mas está aqui na agência...
-- Pois não tem problema - falou firme. Passo aí hoje mesmo para assiná-lo!
Na verdade ele nem sabia do que se tratava o tal do Livro de Reclamações! Tampouco o que fazer com ele!
-- Ora, meu senhor, nem é para tanto. Deixe-me ver aqui como podemos fazer... O senhor sabe qual é a transportadora? Se DHL ou UPS? Pois nem é preciso, vou já aqui encaminhar um email para ambas, citar o número do pacote e pedir para que o enviem para vossa morada... tenho aqui seu email e já mando-lhe copiado na correspondência... Costumam ser rápidos nesses negócios... Como lhe parece?
Pareceu um milagre!

Mesmo assim, tentou reclamar: "cobrança coerciva de imposto sem notificação prévia", bradou uma vez; "tratamento arbitrário por funcionário", bradou uma segunda vez, mas seu brado deu no vazio. Tudo o que conseguiu foi assinar o tal do Livro das Reclamações. Nele, enumerou:
- Não me foi dado o benefício de ser notificado sobre a dívida;
- Senti-me injustamente coagido a pagar uma dívida desconhecida através do confisco de um bem;
- Apreensão desnecessária e precipitada de um bem (ferramenta de trabalho), já que não havia a necessidade de coerção;
- Faltaram-me com o direito a um serviço de qualidade;
- Faltaram-me com o direito a ser informado de forma clara sobre os meus direitos e deveres tributários;
- Faltaram-me com o direito a ser assistido por profissional legalmente habilitado/a;
- Faltaram-me com o direito a ser informado sobre minha situação tributária;
- Faltaram-me com o direito a ser ouvido antes de qualquer decisão desfavorável;
- Fui caluniado.

O Estado burocrático é isto... um monstro invisível, pensei, com múltiplos tentáculos, com milhares de olhos, clínicos, atentos para a falha humana e para a falta do quadradinho no papelzinho, um resquícios inexplicável do período pré-digital da civilização. Esse Estado supremo e autoritário, um bocado vesgo, cego mesmo, para tantas coisas dO Capital (minha bagagem socialista falando mais alto) mas ao se tratar do cidadão comum, não se pode argumentar ou explicar - apenas obedecer.

Se o livro vai funcionar, isso ele ficou de me contar depois...

Thursday, July 28, 2022

De Embargos e Consumidores



Adam Smith, o grande economista e filósofo escocês, conhecido como pai da Economia e do Capitalismo, em seu livro "A Riqueza das Nações", de 1776, escreveu que as necessidades dos produtores deveriam ser consideradas apenas sob a ótica de atender as necessidades dos consumidores (o sublinhado é meu). Uma filosofia consistente com o conceito de marketing, mas em algum momento da história a ganância falou mais alto, e o mantra passou a ser identificar, antecipar e satisfazer as necessidades e desejos dos clientes.

Hoje em dia as organizações fazem de tudo para antecipar necessidades e desejos de consumidores em potencial, na tentativa de satisfazê-los de forma mais eficaz do que os concorrentes. E fazem isso usando uma das técnicas mais agressivas de todos os tempos, uma ferramenta de comunicação de marketing que emprega a distribuição de mensagens, tanto explícitas como subliminares, geralmente patrocinadas, com a desculpa de promover ou vender um produto, mas o intuito e de apreender a atenção, a vontade, o poder de decisão e quem sabe até a consciência do inadvertido alvo, deste mal universal destew século dos serviços pseudo-gratuitos... o ANÚNCIO!

Anúncios são uma praga, não importa qual! Pode-se argumentar que alguns anúncios são criativos e tal, quase "uma obra de arte" (sic), mas o problema não é só o conteúdo, ou se o anúncio é criativo ou não, nem mesmo importa qual produto está sendo anunciado... o problema é a privacidade. É o momento. Sem mencionar o custo social - anúncios falsos; anúncios direcionados a crianças; anúncios perversivos, que querem fazer você pensar que é o que não é, e etc, etc.

Lembro-me dos velhos tempos do telemarketing, quando costumávamos receber ligações aleatórias sobre produtos diferentes, promoções e várias "oportunidades imperdíveis", geralmente na hora do jantar! Lembro-me de meu pai uma vez, depois de dizer 2 ou 3 vezes que não estava interessado, sugeriu "Olha Fulano, por que você não me dá o número do seu telefone que eu ligo pra você quando você estiver jantando! O que acha?", E desligou o telefone!

Basta disso! Basta de panfletos indesejáveis na caixa de correio! Chega de e-mails desgraciosos, pop-ups invasivos enquanto navegamos pela internet, e o mais chato de todos, os anúncios intrusivos que são inseridos no meio dos vídeos do YouTube, e não apenas no início dos vídeo, o que já é chato pra cacete! Anúncios dos aplicativos de rádio da internet, que se declaram antes de iniciar o streaming da estação escoilhida... BASTA!

Não chegassem os anúncios que temos que engolir nos chamados "intervalos comerciais" - que só ali deviam existir! Anúncios não solicitados são como conselhos não-pedidos: ninguém os quer, ninguém os precisa!!!

Estas campanhas DEVERIAM estar causando efeito justamente oposto ao que almejam, e em vez de criar empatia com consumidores satisfeitos, vão acabar por gerar repulsa em uma legião de consumidores frustrados, que não têm muitas opções de como sair desse oceano de lixo e poluição visual, sonora e mental.

O que nós, consumidores, podemos fazer?

BANIR! BOICOTAR! EMBARGAR! Isso sim, é um embargo! Não o gás da Rússia!!!

Não compre nada de quem lhe meta um anúncio intruso na sua frente! Abaixo os anúncios indesejados e não solicitados! O consumidor tem o poder!

Sim... bem que poderíamos.

Sunday, May 23, 2021

Comida: Ciência da Felicidade?

ou Como Enganar-se Sem Culpa!


Pois é verdade: tem um cara chamado Dr. Psicólogo Fulano de Tal que está lançando um livro interessantíssimo - segundo ele mesmo - chamado The Science of Happiness... E ele se atreve a dizer que a COMIDA é o fator central de nossas vidas - portando, conclue, da felicidade!

Quê?!?

Mas a coisa continua com o entrevistador perguntando, ou melhor, implorando por afirmação, se é "OK" se matar de comer açucar e carbohidratos... "sabe, né, de vez em quando..." E o Dr. responde que... "Claro! É absolutamente normal (!!!), principalmente quando estamos no meio de uma pandemia!!!

Bem, para não dizer que não falei das flores, ele bem que disse uma ou duas coisas que se aproveite: que é importante comer pensando no intestino e que vegetarianismo não é saudável!

Monday, April 13, 2020

O Novo Consumidor

ou Não jogue seu lixo no meu quintal!

Adam Smith, o grande economista e filósofo escocês, conhecido como pai da Economia e do Capitalismo, em seu livro "A Riqueza das Nações", de 1776, escreveu que as necessidades dos produtores deveriam ser consideradas apenas sob a ótica de atender as necessidades dos consumidores (o sublinhado é meu). Uma filosofia consistente com o conceito de marketing, mas em algum momento da história a ganância falou mais alto, e o mantra passou a ser identificar, antecipar e satisfazer as necessidades e desejos dos clientes.

Hoje em dia as organizações fazem de tudo para antecipar necessidades e desejos de consumidores em potencial, na tentativa de satisfazê-los de forma mais eficaz do que os concorrentes. E fazem isso usando uma das técnicas mais agressivas de todos os tempos, uma ferramenta de comunicação de marketing que emprega a distribuição de mensagens patrocinadas com o intuito de promover ou vender um produto... o ANÚNCIO!

Anúncios são uma praga, não importa qual! Pode-se argumentar que alguns anúncios são criativos e tal, quase "uma obra de arte" (sic), mas o problema não é só o conteúdo, ou se o anúncio é criativo ou não, nem mesmo importa qual produto está sendo anunciado... o problema é a privacidade. É o momento. Sem mencionar o custo social - anúncios falsos; anúncios direcionados a crianças; anúncios persivos que querem fazer você pensar que é o que não é, e etc, etc.

Lembro-me dos velhos tempos do telemarketing, quando costumávamos receber ligações aleatórias sobre produtos diferentes, promoções e várias "oportunidades imperdíveis", geralmente na hora do jantar! Lembro-me de meu pai uma vez, depois de dizer 2 ou 3 vezes que não estava interessado, sugeriu "Olha Fulano, por que você não me dá o número do seu telefone que eu ligo pra você quando você estiver jantando! O que acha?", E desligou o telefone!

Basta disso! Basta de panfletos indesejáveis na caixa de correio! Chega de e-mails indesejados, pop-ups indesejados enquanto navega a internet, e o mais chato de todos, os anúncios indesejados que são inseridos no meio dos vídeos do YouTube, e não apenas no início dos vídeo, o que já é chato pra cacete! Anúncios dos aplicativos de rádio da internet, que se declaram antes de iniciar o streaming da estação escoilhida...

Não bastassem os anúncios que temos que engolir nos chamados "intervalos comerciais" - que só ali deviam existir! Anúncios não solicitados são como conselhos indesejados: ninguém os quer, ninguém precisa!!!

Estas campanhas podem estar causando efeito justamente oposto ao que almejam, e em vez de criar empatia com consumidores satisfeitos, vão acabar por gerar repulsa em uma legião de consumidores frustrados, que não têm muitas opções de como sair desse oceano de lixo e poluição visual, sonora e mental.

O que nós, consumidores, podemos fazer?

BANIR!
BOICOTAR!
EMBARGAR!

Não compre nada que lhe meta um anúncio intruso na sua frente!
Abaixo os anúncios indesejados e não solicitados!
O consumidor tem o poder!

Sim, até que poderíamos ...

Sunday, April 05, 2020

Puxando o plugue...


Você se atreveria a dar uma pausa nesta vida caótica e louca em que vivemos? Desligar o celular, o computador, a eletricidade e tudo o mais que seja do "mundo moderno" do qual somos tão dependentes e começar tudo de novo? Em termos totalmente diferentes?

Ouso dizer que praticamente ninguém o faria.

Os acontecimentos recentes estão nos oferecendo uma oportunidade única de reflexão. A realidade é que não puxamos o plugue. Em vez disso, fomos forçados a uma situação que todos queremos ver terminada o mais rápido possível. Como não temos garantia de nada, vamos apenas levando, mas deveríamos ao menos examinar a vida que todos nós tomamos como garantida.

Podemos não dar as costas totalmente para a Internet e outros confortos e mudar para uma casinha de sapê no meio do nada e viver à luz de lampião e fogão a lenha - para nossas mentes viciadas seria impossível viver uma vida sem dinheiro - mas se considerarmos o impacto que estamos tendo no planeta, seria uma grande motivação! Desconectado da modernidade, esfregando gravetos para acender o fogão, vivendo da natureza, caçando e pescando. Um retrato bucólico e reflexivo, livre de discursos doutrinários ou sentimentos de culpa.

Wednesday, January 10, 2018

Obediência antecipada

Obedience, by Ann Bakina
As runas são letras características, usadas para escrever nas línguas germânicas da Europa do Norte, principalmente na Escandinávia, ilhas Britânicas e Alemanha (regiões habitadas pelos povos germânicos) do século II. Com o avanço do cristianismo na Europa central a partir do século VI, as runas foram aos poucos sendo substituídas pelo alfabeto latino. As inscrições rúnicas mais antigas datam de cerca do ano de 150.


Aí tem o Heinrich Himmler, que foi um dos homens mais poderosos da Alemanha Nazista, e um dos principais responsáveis pelo Holocausto. Ele tinha um certo fascínio pelo simbolismo rúnico, tanto que as runas aparecem nas insígnias da Schutzstaffel, ou SS, a organização paramilitar liderada por Himmler, representada pelos símbolos rúnicos "ᛋᛋ". Diz a lenda que toda a idealização do extermínio em massa de judeus veio da SS, espontaneamente, sem que tivessem recebido ordens para fazê-lo. Eles acharam que seus superiores queriam algo parecido, e eles demonstraram que era possível!

Essa é a tal da "obediência antecipada"! No primeiro estágio, significa adaptação instintiva, sem reflexão sobre uma situação nova. Mais ou menos o que aconteceu com o povo Alemão em relação às atrocidades contra os Judeus: uns olharam com espanto, outros com curiosidade, mas a maioria aceitou sem questionar!

Dr. Stanley Milgram, um psicólogo social da universidade de Yale, ficou famoso por seu controverso experimento sobre obediência, conduzido nos anos 60, que demonstrou como pessoas comuns e sem traços violentos podiam ser capazes de atos atrozes. Sua maior inspiração era entender como pessoas apareentemente decentes e de bom caráter podiam ter colaborado com os horrores do holocausto. Milgram acreditava que qualquer pessoa, se submetida à pressão da autoridade, tem tendência de simplesmente obedecer. Recentemente assisti ao filme sobre o expimento, Experimenter: 40 voluntários emitindo choques de até 450 volts em desconhecidos, apenas porque foram gentilmente solicitado a faze-lo.

Eugène Ionesco, um dos maiores patafísicos e dramaturgos do teatro do absurdo, presenciou os amigos, aos poucos, se renderem aos absurdos nazistas. No início, diz ele, todos eram veementemente contra, mas aos poucos, mais e mais foram suavizando o discurso: "eu sou contra, mas que, no fundo, eles têm uma certa razão, ha, isso eles têm". Dessa sua experiência, Ionesco deu a luz à sua obra-prima, a peça Rinocerontes, de 1959 (que aliás eu tive o prazer de assistir no teatro TUCA, no final dos anos 90). Lançada também em livro, Rinocerontes é leitura prazerosa, garantida!

Apesar dessa mistura de assuntos, o recado ainda é um só: tenha um sólido sistema moral, siga seus princípios, questione as idéias feitas e as autoridades pela autoridade... Só isso já é um bom começo. Não de ano, mas de vida!

Wednesday, January 03, 2018

A mesma mesmice...

Lendo um artigo do Marcelo Coelho na "Foia" – confesso que fui atraído pelo título: até a mudança faz o elogio da mesmice! – me deparo com uma afirmação no mínimo controversa: "Muita gente ainda acha que homem nasce homem, mulher nasce mulher e ponto final – qualquer mudança nesse programa é invencionice, coisa de quem defende a "ideologia de gênero" e pretende "ensinar o homossexualismo"."

Geralmente acontece com quem escreve sobe vários assuntos... não dá pra estar sempre atualizado em tudo! Acontece comigo também! Vez ou outra posso falar uma besteira sem tamanho! Mas o bom é que ainda assim, não passa de opinião! E não sei se é coincidência, mas no mês passado saiu um estudo sobre genes e sexualidade. O estudo, como tantos outros do passado, reivindica ter finalmente "achado o gene gay".

Imaginem o que uma matéria com o título "Estudo encontra o Gene Gay" é capaz de fazer com as vendas de um jornal? Manda lá pra lua! É claro que se colocarmos todo o sensacionalismo de lado, e formos um pouco além das manchetes – ou seja, ler os artigos – encontraremos afirmações mais sérias e menos sensasionalistas, como o próprio pesquisador enfatizando que assuntos complexos como sexualidade dependem de múltiplos fatores, tanto genéticos como ambientais, e mesmo que genes específicos tenham sido identificados, eles sozinhos têm pouca influência no resultado final. O mesmo já foi concluído em estudos sobre os "genes da inteligência", diz ele.

Ou seja, nada de novo no reino do DNA... Ainda bem, não? Imagine ainda no útero você ser "condenado" a ser burro? Ou a ser "macho"? Acabam com suas opções antes mesmo de você se dar por gente!

Agora, falando de comportamento, Marcelo também fala sobre aquela coisa de vestir irmãos gêmeos com roupas iguais. Confesso nunca ter pensado nisso, mas tendo a concordar que é mais perigoso do que bonitinho, e os pais deveriam se esforçar em diferenciar ao máximo os gêmeos/gêmeas, ao invés de alinhá-los/las na igualdade, afinal, como geralmente acontece, as crianças podem ser parecidas fisicamente, mas as personalidades são diferentes. E ao contrário da onda, agora tem uma nova moda que é mãe se vestir igual à filha! Tem loja vendendo conjunto mãe/filha - roupa igual igualzinha! Desde biquini a vestidinho longo!

Para mim, que não acompanho muito o que vai lá em Pindorama, esse fenômeno é novo, mas aquele das mães que parecem irmãs das filhas, esse já conheço há tempos! Eu chamo de crise da busca do tempo perdido! Está cada vez mais notório, mães nos seus 30+, 40+ se vestindo como adolescentes de 15-17 anos. E o inverso, então? Meninas de 11-15 anos cada vez mais aparentando 18-20, e se vestindo como se tivessem 25?

A princípio pode parecer bom, mulheres de 30+ terem aparência jovem, crianças terem aparência madura... mas por trás disso tem o aspecto psicológico e comportamental, que não pode ser ignorado, e certamente precisa de mais estudos.

Acabar com as diferenças de vestimenta entre quem tem 13 ou 30 anos pode estrapolar para numa ideologia excessivamente igualitária, onde mães e filhas passem a demandar igualdade de poder, direitos e autoridade – que aliás já acontece! E é uma via de duas mãos, onde as mães também querem resgatar os privilégios de uma vida sem compromissos (aversão à responsabilidade de mãe, síndrome do casamento precoce, poucos namorados, sensação de que não aproveitou a vida), e soltar um "não enche, vou sair e voltar tarde, se vira!" para filhos, filhas e maridos! Eu até tenho uma amiga que está (estava?) passando por essa fase... É notável! A filha pequena escessivamente exposta nas mídias sociais, maquiada e com roupinha de mocinha, e ela na crise do tempo perdido!

Eu, particularmente, acho que as mídias sociais (sim, elas novamente!) podem colaborar muito para isso... mas como já disse meu amigo Luther, o Facebook não é o problema!

'braço forte!

Saturday, December 23, 2017

colhões, é preciso!


Ter colhões nada mais é do que ter coragem. Expressão sexista, é verdade, pois mulheres não tem colhões. E como lá na Terrinha de Portugália tudo é mais civilizado, eles dizem que és "um homem de tomates!", o que soa bem menos chulo e sexista. Mas para as mulheres, dizem que és "uma mulher de cona funda"! Vai entender...

Falo de colhões, tomates e conas porque sempre que tenho uma idéia literária que não é propriamente desenvolvida, geralmente devido à falta de tempo, acabo me pergurtando quando é que vou tomar vergonha na cara (ou ter colhões!) e me dedicar à literatura em tempo integral! Trocar a comodidade e a segurança da féria mensal pela incerteza da literatura? É... precisa de muito colhão para viver de literatura, e muito mais para morrer de literatura! Assim, por enquanto vou passando...



Mas é natal afinal, e novamente. Ainda bem! Significa que sobrevivi mais um ano! Ao mesmo tempo, começa tudo de novo, o mesmo ovo, do mesmo cu sujo da mesma galinha de ouro... o tal Consumismo, aquele Senhor das Terras Distantes, refinadíssimo, que nos encara com seus olhos de fornalha, seus brincos de tortura e seus colares de acorrentes, que nesta época do ano se veste de papai noel, e sobrevoa o abismo vertiginoso do consumo despropositado.

Sunday, November 05, 2017

estão jogando com você...

Deu na mídia semana passada (mídia real, de verdade... o bom e velho jornal) que o Facebook - que eu gosto de chamar de Livrocara - atingiu a marca de 2 bilhões de usuários por mês! É muita gente perdendo tempo nesse programinha, não?

Nada de errado com isso, alguém pode dizer... cada um perde seu tempo como quer! Afinal, a recém renovada "missão" do Livrocara é dar às pessoas o poder para construírem comunidades, e juntas tornarem o mundo mais próximo.

Quem engole tal balela?

A primeira pergunta, e bem básica, que vem à mente é Por quê? E para entendermos o Por quê da questão, devemos entender o Para quê e o Para quem!

Tuesday, April 11, 2017

o brasil de ver

o brasil de viver

Ilustração: William Medeiros
Pessoas do bem: já piso terras pindorâmicas!
Pessoas do mal: me perdi, ainda não cheguei!

Vir ao Brasil é sempre uma aventura que começa antes mesmo de chegar: neguinho furando fila, com malas super-cheias barganhando uns quilinhos a mais, pulando de um acento ao outro querendo garantir três acentos vazios para dormir, gritando dentro do avião, desrespeitando o sinal de apertar os cintos, levantando antes do avião parar, se amontoando para coletar as malas na área sinalizada para ficar livre... E quando chega é a saudades do calor pegajoso, do trânsito sufocante, dos motoristas irracionais, do ar irrespirável, da super-população nos meios de transporte, das notícias populistas, da sensação de insegurança que paira no ar... A invasão de espaço, de privacidade e de dignidade. Desrespeito não só ao próximo, mas também ao anterior e ao atual! É tanta malandragem, é o jeitinho brasileiro, o carma do homem cordial, a maldição da lei de Gerson; é tanta hiprocrisia, cara de pau e corrupção de valores - monetário e principalmente morais! O crescimento da cultura do "vigilante" (salve Charles Bronson!), onde cada vez mais cidadãos, que já se sentiam juízes absolutos da situação nacional, estadual e municipal, agora, mais preocupante, também o são das ruas, onde a máxima malufiana "bandido bom é bandido morto" é usada como grito de guerra! Aí, quando os trê pilares da democracia - legislativo, executivo e judiciário - se concentram numa só pessoa ou grupo de pessoas, cabendo a elas decidirem, julgarem e executarem, aí a merda já não fede mais camaradinha, pois você já a engoliu! Mas tem futebol (cartolado) na TV, cerveja (com milho transgênico) na geladeira e carne (adulterada) no freezer, e uma pá de séries legais pra assistir/baixar: Prision Break, Walking Dead, Game of Thrones, Empire, Pretty Little Liars, The Blacklist... Nomes no mínimo sugestivos!
- Tá dando a delação premiada da Odebrecht na TV...
- Ah... Vocês vão querer pizza de quê?

Tuesday, January 17, 2017

Invasão!


Esses dias no Youtube, ao assistir ao discurso de despedida do Obama, resolvi também recordar o discurso de vitória do Trump. Dois belos discursos, diga-se de passagem, mas o que me surpreendeu mesmo foram as propagandas, essas grandes invasoras de privacidade de hoje em dia!

Nos pouco mais de 60 minutos do Trump, tive vários (ou deveria dizer vááááááriosssss!!) daqueles irritantes momentos em que um anúncio comercial interrompe seu vídeo para lhe falar das mais nova "coisa incrível" que você não pode viver sem! E é claro, fazem isso porque sempre tem gente genuinamente capaz de se perguntar como é que viveu até agora sem aquilo, seja lá o que aquilo seja! Irritante, para dizer pouco, e enquanto esperava os eternos 4 segundos que para voltar ao vídeo, anotava o nome do produto, só para ter certeza de NUNCA comprar da dita marca, por mais que eu genuinamente precise do item!

Enfim, findo o vídeo do Trump, fui ao de Obamam, e para a minha surpresa, foram 50 minutos sem ao menos um dos irritantes anúncios! Achei fantástico! Só me pergunto como... seria falta de interesse dos patrocinadores no Obama, pois agora ele é apenas o EX-presidente, enquanto o Trump é O presidente, ou teria o Obama pago o Youtube para que não houvesse anúncios?

Ora, quem se importa? Perguntariam... pois eu me importo, com os anúncios, os do Youtube e além, que só beneficiam aqueles que anunciam e o meio em que é anunciado. Para o "consumidor" (tem opção?) do anúncio, sobra chatice, aborrecimento e perda de tempo. "Ah, mas quando anunciam algo que preciso, aí é útil", diriam uma daquelas gentes "genuinamente capazes de precisar de qualquer coisa", mas eu ainda acho que não...

O problema está mesmo é no consumismo (xi, papo de socialista/comunista!) e no paradigma do crescimento infinito! Crescer é a palavra de ordem! Crescer, crescer e crescer... mas pra onde?!?

Nos tempos antigos, quando as sociedades tradicionais eram fortemente baseadas na agricultura, os laços familiares eram bem mais marcantes... De repente, esses laços foram substituídos por habilidades individuais, surgindo os técnicos, os grandes empreendedores, que visando grandes lucros e dispostos a correr grandes riscos, dão campo ao surgimento dos grandes bancos, que proporcionam pesados investimentos em infra-estrutura de transportes e comunicação, que ajuda a ampliar o comércio externo, que traz um aumento das taxas de investimentos e poupança, que gera investimentos em novas técnicas agrícolas e industriais, com tecnologia (sempre) de ponta e o surgimento de diversas novas indústrias, a expansão do comércio ao nível internacional...

A economia experimenta grandes mudanças, e aqueles antigos valores se tornam ultrapassados. Praticamente não há carência tecnológica em nenhuma área de produção, e países passam a poder produzir aquilo que acharem necessário. Atingimos, assim, o crescimento auto-sustentado! E uma vez lá, precisamos manter a roda rosdando, e é aí que o consumo de massa entra no jogo!

O inevitável - e considerável - aumento da renda per capita gera o anseio pelo bem-estar social, e finalmente a necessidade das pessoas não pertence mais a elas, mas é sim direcionada pelo marketing das grandes empresas, e suas motivações para o consumo também não partem mais delas, mas de aspirações sociais criadas por aquele mesmo marketing, como sucesso, prestígio ou exclusividade.

Friday, December 23, 2016

Ho... Ho.. Ho.

Papai Noel velho batuta, rejeita os miseráveis. Eu quero matá-lo, aquele porco capitalista. Presenteia os ricos. Cospe nos pobres! Mas um dia vamos sequestrá-lo e vamos matá-lo. Porque aqui não existe natal.
Garotos Podres, in “Papai Noel Velho Batuta” (1985).

Na verdade a música se chamava Papai Noel Filho da Puta, mas a censura não permitiu...

Um pouco menos do que Mao, mas desde de muito também sou indiferente ao natal. Acho que foi depois de ver o amigo do meu tio, que se vestia de papai noel na noite de natal, comendo gulosamente na mesa de jantar, ao entrar lá de surpresa... Vê-lo tentar por a barba durante uma garfada de macarrão e perú matou meus sonhos natalinos... de alguma forma.

Também padeço de uma indignação com o consumismo desenfreado e o aspecto econômico da data, sem falar das decorações de mal-gosto, dos compromissos que nos impomos, das mesmas músicas tocando em todo lugar... É a época do ano caracterizada pelos excessos justificados. O comércio entupido, os consumidores se acotovelando pelo último exemplar de uma besteira qualquer, a comilança - mesa natalina é uma exceção à regra, pois a glutonia é permitida uma vez por ano!

"Azia? Epocler!"

(...)
E um grande mar de emoção ouvia-se dentro de mim...
Sou nada...
Sou uma ficção...
Que ando eu a querer de mim ou de tudo neste mundo?
(...)
"Se eu não tivesse a caridade..."
Meu Deus, e eu que não tenho a caridade!

É, seu Álvaro de Campos, se não fosse o Joãozinho querendo escrever cartinha pro Papai Noel (Inc.), sei não... E quando ele descobrir que Papai Noel não passa de uma marca empossada por uma mega-empresa multi-planetária, e que a fábrica de brinquedos não é mais no polo norte, mas foi relocada para China e Índia por motivos financeiros? Que decepção...

A melhor coisa que se pode fazer é plantar a consciência e o bom exemplo nas crianças: filhos e filhas, sobrinhos e sobrinhas, afilhados e afilhadas, netos e netas, e toda outra criança que você puder, porque mudando a coisa lá no comecinho, a tendência é de não mudar nunca! Então nesse natal, tenha uma pausa consciente e refletiva, e tente passar essa consciência para os seus. Se todos fizerem, a gente chega... se não lá, pelo menos perto!

<8¬]=
Ho... Ho.. Ho.

Monday, September 07, 2015

Os outros brasileiros


Ao termos notícia de brasileiros barrados na Europa, o sentimento tende à indignação e discriminação. Quase nunca questionamos se tais brasileiros mereceram o veto. Juízo de valores à parte, as autoridades estrangeiras estão cada vez mais alertas sobre o já famoso - e famigerado - "jeittinho brasileiro"! Em se tratando de ditos populares, depois que o cachorro mordido por cobra tem medo de linguiça, você, que não é cobra, acaba ficando indignado. E com razão!

Na ocasião do jogo amistoso de futebol entre Brasil e Irlanda, aqui em Dublin, um amigo trabalhou como guia turístico para um grupo de mais ou menos 40 brasileiros. Contratado à partir do Brasil, ele buscou o grupo no aeroporto, fez passeios pela cidade, levou-os do hotel para o jogo e, no dia seguinte, quando deveria fazer o translado do grupo para o aeroporto, foi avisado que não seria necessário, pois o grupo não voltaria ao Brasil. Espantado, perguntou o motivo, e disseram que ficariam para morar - ilegalmente - no país! Quando a imigração descobrir, provavelmente não vai sair à caça dessa gente, mas que a notícia vai se espalhar na comunidade européia, isso vai...

É assim que muitos pagam por poucos.

Independentemente de serem legais ou ilegais, na lógica perversa da vantagem, muitos são - ou se tornam - verdadeiros bandidos. Veja essa comunidade no Orkut, intitulada "Tópicos do Mal", onde o fundador dá "dicas de sobrevivência" na Irlanda, acompanhado por outros entusiastas, que se divertem aplicando golpes de duvidosa moral, e crimes de estelionato. São coisinhas como não pagar o transporte público, dar nome e endereço falsos em hospitais, abrir várias contas bancárias antes de voltar para o Brasil e deixá-las negativa, dar calote na última conta do cartão de crédito, beber cerveja na conta dos irlandeses, e outras "espertezas" bem apropriadas para o famoso estereótipo do "jeitinho brasileiro de levar vantagem em tudo (certo?)".

O pior é a impotência dos que são discriminalizados simplesmente por serem brasileiros e serem confundidos com essa gente. Assim, as pessoas de bem (diferentemente daquelas do mal), nós, os outros brasileiros, além de nos sentimos envergonhados, devemos combater esse tipo de atitude e pensamento, tornando-o público, na esperança de refrear tais comportamentos.

Cada uma, né?!?

Thursday, June 11, 2015

... é de espírito a pobreza!

Há 11 anos venho ao Brasil anualmente. Até duas vezes ao ano, em anos de gordas vacas! No começo, sentia uma euforia danada pela viagem. Não apenas por rever família e amigos, mas pelo "retorno" ao país, mesmo que por curto tempo - geralmente passava as férias toda, 30 maravilhosos dias!

Pois esse sentimento do retorno foi-se esvaindo de mim, logo no segundo ano. Aos poucos, é verdade, como se o desgosto que tentava em mim se intalar encontrasse uma resistência saudosa, de algo que a memória buscava, mas os olhos não mais encontravam.

Rever a família e os amigos sempre foi prazeroso, mas confesso que uma sensação de que passava muito tempo no Brasil começou a se agigantar, e por fim, estabeleceu-se em mim, e estipulou que 2 semanas era, ao mesmo tempo, período mínimo para valer o fuso e o custo, e período máximo para aguentar a pobreza...

E é de espírito essa pobreza!

Sempre fui apaixonado por São Paulo. E ainda sou! Só que agora é ela lá e eu aqui! Dirão que só vejo defeitos... talvez! Mas é difícil manter, por muito tempo, a beleza só na memória, enquanto a realidade se escancara à sua frente. E não precisa de muito para vivenciar as coisas, pois se você não sofreu um transtorno hoje, devido a uma manifestação qualquer na Av. Paulista, terá outra amanhã, ou depois. Em outra avenida, até. Greve nos transportes públicos. Semáforo queimado. Se não faltou energia em sua casa este mês, no seguinte, certamente, faltará. Entra-ano, sai-ano e os mesmos problemas se repetem, eternos e sem solução: choveu, dá enchente! E assim como tem enchente, tem seca também. Na mesma cidade! Em São Paulo falta água, falta luz, a telefonia é péssima e cara, a TV a cabo falha regularmente, e a internet acompanha a qualidade dos outros serviços, constantemente. Sem falar na falta de respeito no trânsito, no trem, no metrô e no ônibus... é um deus-nos-acuda, um cada-um-por-si que dá pena de ver as pessoas neste nível de humor e energia. A poluição é absurda. Ruas, rios, terrenos baldios, lixões a céu aberto. Falando em ruas, não mencionei os buracos - algumas crateras - nas vias públicas! E os motoboys? Um capítulo à parte!

O desrespeito generalizado às regras - veja que não falei leis, senão tería que falar de criminalidade, violência, etc, etc. Falo de regras. O desrespeito a pequenas regras de convívio, as pequenas transgressões de moralidades do cotidiano. Tal atitude faz do brasileiro um ser peculiar, dotado de uma capacidade impressionante de cometer o que se chama de erro fundamental de atribuição e avaliação, sem provavelmente saber do que se trata!

Por exemplo, ele é capaz de chamar a influência que uma pessoa exerce sobre outras por dois nomes diferentes, dependendo do ponto de vista. Se fala de um político que contratou um parente para um cargo de confiança, chama de nepotismo. Mas se ele é o parente contratado, chama de "networking".

E quando ele, cidadão, consegue um encaixe na fila do hospital através de um amigo que trabalha no setor de agendamentos, não considera uma corruptela, mas se acha um cidadão de sorte, e nunca pensará naqueles que foram passados para trás. É o famoso espírito da vantagem sobre o próximo, não importando muito quem o próximo seja.

E assim vai-se vivendo, dia após dia, alimentando essa roda-viva, onde começa a surgir motes como "já que todos fazem, eu também vou fazer"; "se eu não fizer, outro faz"; "não adianta eu ser se ninguém é" (quanto a ser honesto).

Uma miséria incomensurável!

Tuesday, May 05, 2015

chegando...

The Lynchian World ~ David Lynch
partir é bom, revigoriza
mas chegar... reconforta.

quem chega chega a um fim
começado com uma partida
na ida também chega-se mas voltando...
a volta importa: chega-se. e quando
chega-se, quer-se a paz dos que chegam
e reencontrar essa paz, abandonada pelo caminho
pode ser mais importante do que a própria chegada
mas apenas possível na própria chegada - não antes.

como josé américo de almeida dizia:
"ninguém se perde na volta". mal sabia
que está no caminho o perigo da perdição.

chega-se.
e urgentemente banha-se
de corpo e d'alma.

Saturday, May 02, 2015

lei-seca


A última vez que estive em Paris foi no final de semana do jogo de rugby entre França e Escócia. Gosto de dizer que fui a Paris no final de semana do jogo de rugby entre França e Escócia justamente para NÃO ir ao jogo de rugby entre França e Escócia! Uma piada pessoal que provavelmente não tem a mínima graça para ninguém além de mim mesmo.

Quando lá estive, estive mesmo para espairecer as idéias, depois de tomar conhecimento da "sábia decisão" do ministro da saúde e TD (Teachta Dála) Leo Varadkar de estipular preço mínimo para bebidas alcoólicas, na expectativa de diminuir o alcoolismo no país!!! Só mesmo indo para a França, atrás de vinho bom a preço justo!

Não bastasse a extorssiva "taxa do vinho" Irlandesa que adiciona €3,19 a cada garrafa de vinho que entra no país (€4,03 para vinhos fortificados e €5,56 para espumantes), Leozinho vem com essa pérola: aumentar o preço para que uma certa classe de pessoas (geralmente baderneiros, maloqueiros e desempregados que vivem da ajuda do governo) não tenha acesso a bebida!

Que tal educar o povo e oferecer tratamento à dependência química? Pode não eliminar o problema mas ajuda! Tem sempre um ou outro querendo sair dessa vida. Mas o governo decidiu pelo populismo de impacto: impor restrição. É a mesma coisa que proibir a bebida! Com vinho a €9 a garrafa, lata de cerveja a €2,20, certas pessoas estarão literalmente proibidas de beber... ou pior ainda, como certamente não vão se curar de seus vícios no dia seguinte, vão deixar de comer, ou de comprar o leite da criança para poderem sustentar o vício. Vão procurar alternativas, como por exemplo pequenos roubos e furtos.

Tem que mandar o Leozinho lá para o Brasil! Assim ele pode ver de perto a merda que esse programa pode dar!

Wednesday, July 09, 2014

A Pátria sem Chuteiras



Foi uma pena ver aquela garotada toda perdida em campo... garotos de vinte e poucos anos, com cara de choro, de desespero... Oh dó! Deu dó mesmo, mas logo lembrei de quanto eles ganham e a dó passou... Poderia ter dado lugar à raiva, mas não... raiva não. Deu lugar à indignação! Esse tanto de dinheiro pra quê? Eles produzem o quê? Entretenimento? É... deveria ser só isso mesmo... E juntando com os gastos da Copa, a corrupção da FIFA e a miséria brasileira, vira uma gororoba de sentimentos que, penerando, sobra o alívio!

Os alemães não imaginam, nem de perto, o favor que fizeram ao Brasil - digo Brasil como nação, e não o Brasil do torcedor, essa subclasse da violência e do fanatismo! No outro extremo, temos o torcedor Irlandês, que vai assistir a um jogo amistoso Brasil vs. Irlanda e, sentado, aplaude as jogadas! Pode parecer aborrecedor, mas me parece uma questão de educação.

Mas eu dizia do favor que os alemães fizeram ao Brasil, pois finalmente, e tomara que permanentemente, vamos perder essa áurea danosa de país do futebol, e quem sabe, passar a nos concentrar em coisas mais importantes.

Agora, para fechar a Copa das Copas com chave de ouro, só falta mesmo a Argentina ser campeã!

Wednesday, February 19, 2014

Como você é mal-humorado!!!

Detesto gente mal-humorada! Podem me chamar de intransigente e desconectado - como já fizeram, mas ainda assim considero um ponto-de-vista... agora MAL-HUMORADO?!? Isso não!

E não é só questão de senso de humor não... vai além. Falta de senso de humor é como não entender a piada, se você explicar, capaz do outro até entender... mas quem aí quer explicar piada? Não tem pior coisa do que tentar explicar uma piada. Você mesmo acaba se sentindo ridículo, e o fulano vai acabar soltando um risinho sem graça ao invés da merecida gargalhada.

As pessoas deviam usar um sinalizador de mau-humor. Onde quer que fossem, teriam o sinalizador dependurado no pescoço; uma placa grande o bastante para ser lida, digamos, a 5 metros de distância, onde um lado diria BEM-HUMORADA e o outro MAL-HUMORADA. Tal qual as placas de Aberto / Fechado das lojas. E em letras garrafais, para ajudar, e o bem-humorada em verde e o mal-humorada em vermelho. Seria mais simples, não? Muito melhor do que receber uma patada por um simples bom dia.

Sinaleiros à parte, mau-humor versus bom-humor, todo mundo tem o direito de ficar mal-humorado. Mas SER mal-humorado é diferente... requer esforço e dedicação, acredito. Não deve saer fácil entornar tudo que lhe é dito em algo depreciativo, negativo e mal-humorado! Se fosse eu, por exemplo, tentando ser mal-humorado, acabaria rindo de situações, ou acabaria dizendo algo engraçado sem querer... mas não! Os realmente mal-humorados conseguem manter-se lá, firmes, no lado obscuro do dia quiça da vida!

Ô tristeza...

Tuesday, January 21, 2014

Me chamaram de intransigente...

Intransigent, by Derrick Higgins
Me chamaram de intransigente... Justo eu!!!

Intransigente, adjetivo de 2 gêneros para aqueles que não transigem - para os que não toleram. Também usado para descrever quem é austero e rígido, e por vezes inflexível.

E já que transigir foi citado, cabe dizer que é verbo transitivo e intransitivo, portanto transigimos algo ou a algo, sempre por meios de concessões recíprocas, que é o jeito de se contemporizar, conciliar, condescender e ceder.

E intolerante, também adjetivo de 2 gêneros dos que não toleram e não manifestam indulgência, contrários aos princípios da liberdade, que não aceitam ou compreendem diferenças de opinião ou de conduta, sectários.

Isso dito, retoricamente me pergunto: onde me encaixo?

Sunday, January 19, 2014

Me chamaram de desconectado...


Gerenciamento do tempo hoje em dia é uma dádiva! Eu que o diga! Sem tempo para muita coisa além do trabalho e da família, os poucos momentos que tenho livre são muito valiosos. E não são muitos estes momentos... bem menos do que eu gostaria!

E é fácil saber quanto tempo livre eu tenho. É só reparar a frequência com que posto nos meus blogues! Quase nada! Indo mais além, tem minha produção literária que está quase inexistente; TUDA sempre atrasada, a música, quase que abandonada, coitada... e o negócio dos vinhos, embora a passos lentíssimos, moribundo se arrasta!

E vieram me chamar de desconectado... Vai ver que sou mesmo!

Tem facebook, twitter, instagram, youtube, whatsapp, viber, g+, linkedin, blogger, wordpress, outros ainda têm orkut, tumblr, pintrest, yahoo, bing, mais o celular, o sms, os emails...

Não dá gente... é muita perda de tempo, não?!?