Wednesday, April 25, 2012

Assalto? Ha, ha, ha...

É isso, banalizou geral!!! Além de fruto de propaganda (explora-se a violência para reforçar a necessidade que se tem de comprar alarmes, rastreadores e outros serviços de prevenção) a violência virou piada! Aliás, piada sempre foi... o problema é que virou piada na mídia, em forma de comercial! O meliante arromba um carro estacionado, sem perceber que no banco de trás está... Byafra(!!!), que começa a cantar, Sonho de Ícaro, para desespero do assaltante, que para o carro e abandona a cena... e isso, nos intervalos do Jornal Nacional!

É... seria engraçado, se não fosse trágico!

Saturday, April 14, 2012

de saúde, gastronomia & respeito


Todo mundo sabe que a chave para uma alimentação saudável é um equilíbrio entre variedade e moderação. Uma variedade de cereais, frutas, vegetais, produtos lácteos e carnes, aves, peixes e outros alimentos protéicos. Abuse de grãos integrais, frutas e verduras. Se não tem o hábito de ingerir esses alimentos, deve pensar seriamente em mudar seus hábitos alimentares, pois são eles que provém grande parte dos nutrientes que precisamos sem serem calóricos. Manter o peso ideal, comer porções moderadas e regulares é a dica, já que os alimentos não são bons ou maus, mas o excesso faz mal.

Ora, nem sempre...

Se fore pelas propagandas que rolam nas TVs brasileiras, a dieta da população masculina é praticamente só fruta! Melancia, Morango, Melão, Jaca, Maçã, Pêra... e um filézinho também! E isso é bombardeado diariamente na TV, no rádio, nos jornais... está nos barzinhos, nas danceterias, nas ruas! Se o seu marido ou namorado não te trata assim, ou se você não se compara/espelha nessas mulheres-frutas, sorte sua, mas no fundo pouco importa, pois a pergunta que a mídia está incutindo no inconsciente das pessoas é: que frute é você? Não espanta a dificuldade da mulher ser respeitada numa sociedade com esse nível de banalização, tanto da mulher como do sexo...

Friday, April 13, 2012

Eterna Sexta-Feira 13


Se você é supersticioso, esse ano será uma barra! Aliás, já começou: 3 sextas-feiras 13, em Janeiro, Abril (hoje!) e Julho. É a tal da friggatriskaidekaphobia (Frigga, deusa nórdica que também significa Sexta-feira, e triskaidekaphobia, medo do número 13), ou paraskavedekatriaphobia, uma concatenação das palavras gregas paraskeví (Παρασκευή, que significa "sexta-feira"), e dekatreís (δεκατρείς, que significa "13") ligado à palavra phobia (φοβία, de phobos, φόβος, que significa "medo").

Alguns países elegeram outros dias para o dia do azar. Na Itália, é a Sexta-feira 17. Em alguns países de língua hispânica e na Grécia, a Terça-feira 13 é o dia de má sorte. Isso, claro, além da Sexta-feira 13, globalmente imposta e divulgada pelo Tio Sam, através do sucesso hollywoodiano do mesmo nome, onde Jason faz a festa com a rapaziada e, numa triste paródia que lembra a politicagem banditícia Pindorâmica, nunca morre, e sempre acaba voltando no próximo episódio da série!

No Brasil, país "praticamente" desenvolvido, a fobia é muuuito mais sofisticada: ela não se atém a dias, nem da semana nem do mês; a fobia é diária mesmo! Fobia de bandido, fobia de polícia, fobia de político, e a pior de todas, a fobia do próximo, que você não sabe se é bandido, polícia ou político... Haja nóia pra tanta fobia!

"Nah, você se acostuma..."! Pois é, eu prefiro me acostumar ao frio irlandês!

Thursday, April 12, 2012

Que diferença?


Social. E só política econômica não diminui diferença social. Economia à deriva e na maré dos mercados acaba por proporcionar essa especulação sem tamanho, essa alta cambial da moeda, a oferta irreal de crédito, a inflação disfarçada, o juros embutido em tudo, a alta dos preços... pondo tudo na mesma panela e temperando com as boas novas que o governo traz da política internacional - a economia brasileira é uma potência, etc, etc - gera o ensopado da distorcida realidade brasileira. Realidade que tem impacto diferente em cada classe, mas certamente a violência estará presente em todas, de A a E.

Frei Betto certa vez disse que os torturadores da ditadura eram ateus militantes; o apresentador José Luís Datena laborou que "Ateus são pessoas sem limites, por isso matam e cometem atrocidades, pois acham que são seu próprio Deus". Queriam eles passar a idéia de que o mal é monopólio de quem não crê? Creio que sim...

Hoje em dia esse papo não se sustenta mais. Bandido tem tatuagem de Nossa Senhora, veste crucifíxo e ora toda noite! O mal é resultado de um sentimento que cresce proporcionalmente à desigualdade social, agravado pelo descontrole total com o problema das drogas e a cultura da violência imposto pela mídia e a indústria do entretenimento. Para começar! E a falta de regulamentação na economia também ajuda.

Tuesday, April 10, 2012

Um país de emergentes

El Purgatório de los avaros de Jennifer Strange

O Brasil está na onda! É o que dizem os jornais e os rádios, a TV e consequentemente todo mundo. E fora os próprios brasileiros que agora batem no peito ao falar do país, no mais fiel estilo José Sarney e seus Fiscais, ninguém mais aguenta ouvir as ladainhas de que o Brasil é um país de Primeiro Mundo.

Ora, se for para seguir a Teoria dos Mundos, o Brasil coloca-se na categoria de Terceiro mesmo. Segundo essa classificação, as nações desenvolvidas são o Primeiro Mundo. As nações do antigo bloco socialista o Segundo Mundo, e as demais nações o Terceiro, o que deixa Brasil e Cazaquistão, por exemplo, no mesmo saco, o que é uma tremenda injustiça para o Cazaquistão, que sustenta a posição número 68 no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), enquanto o Brasil está num miserável 84o lugar, atrás ainda de Romênia, Bahamas, Montenegro, Panamá, Sérvia, Kuwait, Líbia, Costa Rica, Albânia, Líbano, Venezuela, Jamaica, Peru, Santa Lúcia e Equador, para citar poucos.

Depois da queda do Muro de Berlin e do fim da Guerra Fria, a classificação passou a ser a de países desenvolvidos e países subdesenvolvidos. Com o tempo, uma terceira categoria se espremeu estre as duas: os emergentes! São os países em transição de subdesenvolvido para desenvolvido. Tecnicamente, são países que possuem um padrão de vida entre baixo e médio, uma base industrial em desenvolvimento e um IDH variando entre médio e elevado. Esse é o Brasil: um país emergente.

Eu, menos ufanista que a maioria, diria que o Brasil está no limbo, numa espécie de purgatório dantesco, um espaço intermediário entre o Paraíso e o Inferno, neste caso, entre o subdesenvolvimento e o desenvolvimento, onde as pessoas têm crédito mas não têm dinheiro, têm dinheiro mas não têm educação, têm educação mas não têm compaixão, têm compaixão mas não têm segurança, têm segurança mas não têm liberdade, têm liberdade mas não têm prazer. Um ciclo vicioso que parece não ter fim - e certamente não terminará com medidas paliativas que não enderecem a enorme diferença social e a educação.

Aproveitando o espírito pascalino, outra grande deturpação da realidade, alucinação mesmo, que o brasileiro sofre é a do estereótipo do povo amigável e acolhedor... Experiemente dirigir na hora do rush nas ruas de São Paulo - ou em qualquer outra cidade grande - e venha me dizer da solidariedade no trânsito; vá de metro, trem ou ônibus, e sinta a amabilidade das pessoas... e a cordialidade então? Está à flor da pele!

Reservado àqueles que se arrependeram em vida de seus pecados e estão em processo de expiação, a idéia do purgatório é a de oferecer uma segunda chance para que se reveja tudo o que fizemos de errado. A violência que alimenta o ser-humano, a falta de humildade, cordialidade, solidariedade e educação, os baixos instintos, como o ciúme, a cobiça e a inveja. Esperemos que o povo emergente saiba aproveitar tal oportunidade.

Sunday, April 08, 2012

Chegando


Cheguei mesmo... tarde mas cheguei! Tarde porque ficaram duas malas em Dublin. Tarde porque passei pela polícia federal e abriram minhas outras malas. Tard porque a desconfiança no ser humano é nata. Tarde porque o trânsito de São Paulo é uma merda. Mas cheguei. E sempre que volto a Pindorama, me pergunto como serei. Como serão meus sentimentos em relação à cidade, se como sempre, quando ando pelas marginais e não me acho, os lugares de criança que só sobraram foscas lembranças, e os lugares de memória mais crítica, que viraram história, as amizades...

Talvez eu tenha mais história espalhada por aí, numa praça parisiense, num parque espanhol, numa viela italiana, ou num boteco português. Quem sabe até em Londres, ou em Dublin, nos calabouços dos castelos, ou no meu local pub, na esquina de casa...