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Wednesday, August 10, 2022

O Livro de Reclamações

... ou As Aventuras de Josef K. em Portugal
Bureaucratic Landscape by Curt Frankenstein
Um amigo meu que "está a morar" em Portugal me conta que dia desses sentiu-se dentro d'O Processo, romance de Franz Kafka sobre um cidadão que é detido e acusado por uma autoridade desconhecida sem saber qual o crime e a razão do processo. Conta-me ele que na manhã de uma segunda-feira como outra qualquer, recebeu uma chamada da AT (autoridade Tributária) em relação a uma encomenda (um celular comprado pela internet) confiscada na alfândega! Ao perguntar o motivo da retenção, a funcionária disse:
-- O senhor possui uma dívida com o IRS (imposto de renda).
-- Uma dívida? Do que se trata esta dívida?
-- Não sei dos detalhes, mas uma comunicação foi-lhe enviada.
-- Mas não recebi nada...
-- Isto não é problema meu, senhor. Foi enviado pelo CTT (correios).
-- Mas eu não recebi nada do CTT...
-- Pois isso não é problema meu - o senhor é que vá lá ter com o CTT!
Disse-me ele que ao entrar no Portal das Finanças, em sua página de contribuinte, deparou-se com um aviso em vermelho, citando a tal dívida, mas ainda sem explicação do que se tratava. Apenas "Dívida do IRS". Jurou de pé-junto que não estava lá o aviso na sexta-feira anterior, já que verificava o portal pelo menos 1 vez por semana.

Indignado mas controlado - as aulinhas de yoga têm ajudado, me diz - comenta, com cautela e educação, que tampouco é problema dele. Se as Autoridades Tributárias mandaram uma correspondência para ele, e essa correspondência não chegou, as Autoridades Tributárias é que deveria ir "lá ter com o CTT".

Ela aconselhou que ele fosse à agência das Autoridades Tributárias para se informar melhor, e desligou!

Como bom cidadão, assim o fez. Chegando lá, disposto a pagar, foi muito bem atendido. Um funcionário até explicou do que se tratava a dívida - um erro da esposa no portal. Satisfeito, deu baixa na dívida e tomou conhecimento de que a encomenda seria liberada. Foi para casa feliz!

Dia seguinte, ansioso que estava para receber o celular novo, parecia-lhe que as horas se arrastavam. Deu meio-dia e nada do tal CTT. Ligou. Calhou de atender a mesma funcionária que havia lhe ligado no dia anterior.
-- Bom dia senhora. Ligo para saber da minha encomenda.
-- Sua encomenda foi devolvida para a transportadora e o senhor tem que entrar em contato com eles.
-- ... Mas... estive aí ontem e paguei a dívida! Como é que a encomenda foi devolvida para a transportadora? Qual transportadora?
-- Como o senhor disse que não iria pagar a encomenda teve que voltar, pois não pode ficar aqui.
-- Eu não disse que não iria pagar, tanto que fui até a agência como a senhora me recomendou, e lá esclareci minha dúvida e paguei a dívida.
-- Mas agora já se foi o pacote, tens que falar com a transportadora - arremata a funcionária, já querendo desligar.
É quando, já sonoramente irritado, solta, "Mas isto não é possível! A senhora tem aí o Livro de Reclamações?"

O Livro de Reclamações! Já ouvira falar... parecia uma palavra mágica! Uma senha que desmantelava o mau humor, acabava com a deseducação e aniquilava impaciências!
-- O Livro de Reclamações? Sim... temos... mas está aqui na agência...
-- Pois não tem problema - falou firme. Passo aí hoje mesmo para assiná-lo!
Na verdade ele nem sabia do que se tratava o tal do Livro de Reclamações! Tampouco o que fazer com ele!
-- Ora, meu senhor, nem é para tanto. Deixe-me ver aqui como podemos fazer... O senhor sabe qual é a transportadora? Se DHL ou UPS? Pois nem é preciso, vou já aqui encaminhar um email para ambas, citar o número do pacote e pedir para que o enviem para vossa morada... tenho aqui seu email e já mando-lhe copiado na correspondência... Costumam ser rápidos nesses negócios... Como lhe parece?
Pareceu um milagre!

Mesmo assim, tentou reclamar: "cobrança coerciva de imposto sem notificação prévia", bradou uma vez; "tratamento arbitrário por funcionário", bradou uma segunda vez, mas seu brado deu no vazio. Tudo o que conseguiu foi assinar o tal do Livro das Reclamações. Nele, enumerou:
- Não me foi dado o benefício de ser notificado sobre a dívida;
- Senti-me injustamente coagido a pagar uma dívida desconhecida através do confisco de um bem;
- Apreensão desnecessária e precipitada de um bem (ferramenta de trabalho), já que não havia a necessidade de coerção;
- Faltaram-me com o direito a um serviço de qualidade;
- Faltaram-me com o direito a ser informado de forma clara sobre os meus direitos e deveres tributários;
- Faltaram-me com o direito a ser assistido por profissional legalmente habilitado/a;
- Faltaram-me com o direito a ser informado sobre minha situação tributária;
- Faltaram-me com o direito a ser ouvido antes de qualquer decisão desfavorável;
- Fui caluniado.

O Estado burocrático é isto... um monstro invisível, pensei, com múltiplos tentáculos, com milhares de olhos, clínicos, atentos para a falha humana e para a falta do quadradinho no papelzinho, um resquícios inexplicável do período pré-digital da civilização. Esse Estado supremo e autoritário, um bocado vesgo, cego mesmo, para tantas coisas dO Capital (minha bagagem socialista falando mais alto) mas ao se tratar do cidadão comum, não se pode argumentar ou explicar - apenas obedecer.

Se o livro vai funcionar, isso ele ficou de me contar depois...

Thursday, July 28, 2022

De Embargos e Consumidores



Adam Smith, o grande economista e filósofo escocês, conhecido como pai da Economia e do Capitalismo, em seu livro "A Riqueza das Nações", de 1776, escreveu que as necessidades dos produtores deveriam ser consideradas apenas sob a ótica de atender as necessidades dos consumidores (o sublinhado é meu). Uma filosofia consistente com o conceito de marketing, mas em algum momento da história a ganância falou mais alto, e o mantra passou a ser identificar, antecipar e satisfazer as necessidades e desejos dos clientes.

Hoje em dia as organizações fazem de tudo para antecipar necessidades e desejos de consumidores em potencial, na tentativa de satisfazê-los de forma mais eficaz do que os concorrentes. E fazem isso usando uma das técnicas mais agressivas de todos os tempos, uma ferramenta de comunicação de marketing que emprega a distribuição de mensagens, tanto explícitas como subliminares, geralmente patrocinadas, com a desculpa de promover ou vender um produto, mas o intuito e de apreender a atenção, a vontade, o poder de decisão e quem sabe até a consciência do inadvertido alvo, deste mal universal destew século dos serviços pseudo-gratuitos... o ANÚNCIO!

Anúncios são uma praga, não importa qual! Pode-se argumentar que alguns anúncios são criativos e tal, quase "uma obra de arte" (sic), mas o problema não é só o conteúdo, ou se o anúncio é criativo ou não, nem mesmo importa qual produto está sendo anunciado... o problema é a privacidade. É o momento. Sem mencionar o custo social - anúncios falsos; anúncios direcionados a crianças; anúncios perversivos, que querem fazer você pensar que é o que não é, e etc, etc.

Lembro-me dos velhos tempos do telemarketing, quando costumávamos receber ligações aleatórias sobre produtos diferentes, promoções e várias "oportunidades imperdíveis", geralmente na hora do jantar! Lembro-me de meu pai uma vez, depois de dizer 2 ou 3 vezes que não estava interessado, sugeriu "Olha Fulano, por que você não me dá o número do seu telefone que eu ligo pra você quando você estiver jantando! O que acha?", E desligou o telefone!

Basta disso! Basta de panfletos indesejáveis na caixa de correio! Chega de e-mails desgraciosos, pop-ups invasivos enquanto navegamos pela internet, e o mais chato de todos, os anúncios intrusivos que são inseridos no meio dos vídeos do YouTube, e não apenas no início dos vídeo, o que já é chato pra cacete! Anúncios dos aplicativos de rádio da internet, que se declaram antes de iniciar o streaming da estação escoilhida... BASTA!

Não chegassem os anúncios que temos que engolir nos chamados "intervalos comerciais" - que só ali deviam existir! Anúncios não solicitados são como conselhos não-pedidos: ninguém os quer, ninguém os precisa!!!

Estas campanhas DEVERIAM estar causando efeito justamente oposto ao que almejam, e em vez de criar empatia com consumidores satisfeitos, vão acabar por gerar repulsa em uma legião de consumidores frustrados, que não têm muitas opções de como sair desse oceano de lixo e poluição visual, sonora e mental.

O que nós, consumidores, podemos fazer?

BANIR! BOICOTAR! EMBARGAR! Isso sim, é um embargo! Não o gás da Rússia!!!

Não compre nada de quem lhe meta um anúncio intruso na sua frente! Abaixo os anúncios indesejados e não solicitados! O consumidor tem o poder!

Sim... bem que poderíamos.

Sunday, July 21, 2019

Não me levanto!

Foi em primeiro de Dezembro de 1955 que Rosa Parks disse “não me levanto” para James Blake, o condutor de um ônibus em Montgomery, capital do Alabama, EUA. Naquela época, naquela terra de ninguém, os assentos dianteiros eram reservados a pessoas de pele branca, os do fundo às pessoas de pele escura; nos do meio podiam sentar-se qualquer um, mas se um branco estivesse em pé, tinha preferência sobre o assento.

Perante a surpreendente resposta de Rosa Park, James Blake só pôde dizer “bem, nesse caso terei que levá-la à delegacia”, e Rosa respondeu “pois vamos”!

Em tempos de Bolsonaro, imagino como as Rosas Park andam se virando por aí... Embora o motivo deste post vá além de Bolsonaro.

O Boicote aos Ônibus de Montgomery

O boicote aos ônibus de Montgomery foi um protesto pelos direitos civis durante o qual os afro-americanos se recusaram a andar de ônibus urbanos em Montgomery, no Alabama, para protestar contra os assentos segregados. O boicote ocorreu de 5 de dezembro de 1955, quatro dias após Rosa Parks ter sido presa e multada por se recusar a entregar seu assento de ônibus a um homem branco, até 20 de dezembro de 1956, e foi considerada a primeira manifestação de larga escala dos EUA contra a segregação.

A Suprema Corte americana finalmente ordenou que Montgomery integrasse seu sistema de ônibus, mas muito além dessa vitória, está a mensagem de que o povo tem o poder! Imaginem se os americanos - e apenas os americanos - decidissem não beber Coca-Cola, ou não comer no MacDonalds... por um ano, apenas!

Que mensagem!!!

De volta ao boicote de Montgomery... Um dos líderes, um jovem pastor chamado Martin Luther King Jr., emergiu como um proeminente líder do movimento americano de direitos civis, de 1955 até seu assassinato em 1968.

Mas essa é uma outra história...

Monday, June 11, 2018

Bilderberg


Terminou ontem em Turin, a reunião secreta do grupo secreto da elite mundial, o chamado Grupo Bilderberg.

O grupo se auto-define como uma conferência anual privada estabelecida em 1954 para cerca de 150 especialistas em indústria, finanças, educação e meios de comunicação que fazem parte da elite política e econômica da Europa e da América anglo-saxônica.

Segundo o livro de Daniel Estulin, Os segredos do Clube Bilderberg, de 2006, o grupo é uma "panelinhas sinistras onde os lobistas Bilderberg 'manipulam o público' para instalar um governo mundial que não conhece fronteiras e não é responsável perante ninguém, exceto a si mesmo."

Em relação ao ano passado, o assunto populismo subiu de oitavo para primeiro lugar.

Os assuntos discutidos foram:

  1. Populismo na Europa
  2. O Desafio da Desigualdade
  3. O Futuro do Trabalho
  4. Inteligência Artificial
  5. Os EUA Antes das Eleições de Midterms
  6. Livre-Comércio
  7. Liderança Mundial dos EUA
  8. Rússia
  9. Computação Quântica
  10. Arábia Saudita e Irã
  11. O Mundo da "Pós-Verdade"
  12. Eventos Atuais

Quem foi?
O Comitê Executivo é responsável por eleger uma lista de 120 a 150 convidados entre figuras importantes da política, indústria, finanças, academia e mídia. Dois terços dos convidados são da Europa, e o restante da América do Norte; um terço das pessoas na lista de convidados trabalha na área política e governo.

Veja a lista de participantes aqui.

Wednesday, January 10, 2018

Obediência antecipada

Obedience, by Ann Bakina
As runas são letras características, usadas para escrever nas línguas germânicas da Europa do Norte, principalmente na Escandinávia, ilhas Britânicas e Alemanha (regiões habitadas pelos povos germânicos) do século II. Com o avanço do cristianismo na Europa central a partir do século VI, as runas foram aos poucos sendo substituídas pelo alfabeto latino. As inscrições rúnicas mais antigas datam de cerca do ano de 150.


Aí tem o Heinrich Himmler, que foi um dos homens mais poderosos da Alemanha Nazista, e um dos principais responsáveis pelo Holocausto. Ele tinha um certo fascínio pelo simbolismo rúnico, tanto que as runas aparecem nas insígnias da Schutzstaffel, ou SS, a organização paramilitar liderada por Himmler, representada pelos símbolos rúnicos "ᛋᛋ". Diz a lenda que toda a idealização do extermínio em massa de judeus veio da SS, espontaneamente, sem que tivessem recebido ordens para fazê-lo. Eles acharam que seus superiores queriam algo parecido, e eles demonstraram que era possível!

Essa é a tal da "obediência antecipada"! No primeiro estágio, significa adaptação instintiva, sem reflexão sobre uma situação nova. Mais ou menos o que aconteceu com o povo Alemão em relação às atrocidades contra os Judeus: uns olharam com espanto, outros com curiosidade, mas a maioria aceitou sem questionar!

Dr. Stanley Milgram, um psicólogo social da universidade de Yale, ficou famoso por seu controverso experimento sobre obediência, conduzido nos anos 60, que demonstrou como pessoas comuns e sem traços violentos podiam ser capazes de atos atrozes. Sua maior inspiração era entender como pessoas apareentemente decentes e de bom caráter podiam ter colaborado com os horrores do holocausto. Milgram acreditava que qualquer pessoa, se submetida à pressão da autoridade, tem tendência de simplesmente obedecer. Recentemente assisti ao filme sobre o expimento, Experimenter: 40 voluntários emitindo choques de até 450 volts em desconhecidos, apenas porque foram gentilmente solicitado a faze-lo.

Eugène Ionesco, um dos maiores patafísicos e dramaturgos do teatro do absurdo, presenciou os amigos, aos poucos, se renderem aos absurdos nazistas. No início, diz ele, todos eram veementemente contra, mas aos poucos, mais e mais foram suavizando o discurso: "eu sou contra, mas que, no fundo, eles têm uma certa razão, ha, isso eles têm". Dessa sua experiência, Ionesco deu a luz à sua obra-prima, a peça Rinocerontes, de 1959 (que aliás eu tive o prazer de assistir no teatro TUCA, no final dos anos 90). Lançada também em livro, Rinocerontes é leitura prazerosa, garantida!

Apesar dessa mistura de assuntos, o recado ainda é um só: tenha um sólido sistema moral, siga seus princípios, questione as idéias feitas e as autoridades pela autoridade... Só isso já é um bom começo. Não de ano, mas de vida!

Wednesday, January 03, 2018

A mesma mesmice...

Lendo um artigo do Marcelo Coelho na "Foia" – confesso que fui atraído pelo título: até a mudança faz o elogio da mesmice! – me deparo com uma afirmação no mínimo controversa: "Muita gente ainda acha que homem nasce homem, mulher nasce mulher e ponto final – qualquer mudança nesse programa é invencionice, coisa de quem defende a "ideologia de gênero" e pretende "ensinar o homossexualismo"."

Geralmente acontece com quem escreve sobe vários assuntos... não dá pra estar sempre atualizado em tudo! Acontece comigo também! Vez ou outra posso falar uma besteira sem tamanho! Mas o bom é que ainda assim, não passa de opinião! E não sei se é coincidência, mas no mês passado saiu um estudo sobre genes e sexualidade. O estudo, como tantos outros do passado, reivindica ter finalmente "achado o gene gay".

Imaginem o que uma matéria com o título "Estudo encontra o Gene Gay" é capaz de fazer com as vendas de um jornal? Manda lá pra lua! É claro que se colocarmos todo o sensacionalismo de lado, e formos um pouco além das manchetes – ou seja, ler os artigos – encontraremos afirmações mais sérias e menos sensasionalistas, como o próprio pesquisador enfatizando que assuntos complexos como sexualidade dependem de múltiplos fatores, tanto genéticos como ambientais, e mesmo que genes específicos tenham sido identificados, eles sozinhos têm pouca influência no resultado final. O mesmo já foi concluído em estudos sobre os "genes da inteligência", diz ele.

Ou seja, nada de novo no reino do DNA... Ainda bem, não? Imagine ainda no útero você ser "condenado" a ser burro? Ou a ser "macho"? Acabam com suas opções antes mesmo de você se dar por gente!

Agora, falando de comportamento, Marcelo também fala sobre aquela coisa de vestir irmãos gêmeos com roupas iguais. Confesso nunca ter pensado nisso, mas tendo a concordar que é mais perigoso do que bonitinho, e os pais deveriam se esforçar em diferenciar ao máximo os gêmeos/gêmeas, ao invés de alinhá-los/las na igualdade, afinal, como geralmente acontece, as crianças podem ser parecidas fisicamente, mas as personalidades são diferentes. E ao contrário da onda, agora tem uma nova moda que é mãe se vestir igual à filha! Tem loja vendendo conjunto mãe/filha - roupa igual igualzinha! Desde biquini a vestidinho longo!

Para mim, que não acompanho muito o que vai lá em Pindorama, esse fenômeno é novo, mas aquele das mães que parecem irmãs das filhas, esse já conheço há tempos! Eu chamo de crise da busca do tempo perdido! Está cada vez mais notório, mães nos seus 30+, 40+ se vestindo como adolescentes de 15-17 anos. E o inverso, então? Meninas de 11-15 anos cada vez mais aparentando 18-20, e se vestindo como se tivessem 25?

A princípio pode parecer bom, mulheres de 30+ terem aparência jovem, crianças terem aparência madura... mas por trás disso tem o aspecto psicológico e comportamental, que não pode ser ignorado, e certamente precisa de mais estudos.

Acabar com as diferenças de vestimenta entre quem tem 13 ou 30 anos pode estrapolar para numa ideologia excessivamente igualitária, onde mães e filhas passem a demandar igualdade de poder, direitos e autoridade – que aliás já acontece! E é uma via de duas mãos, onde as mães também querem resgatar os privilégios de uma vida sem compromissos (aversão à responsabilidade de mãe, síndrome do casamento precoce, poucos namorados, sensação de que não aproveitou a vida), e soltar um "não enche, vou sair e voltar tarde, se vira!" para filhos, filhas e maridos! Eu até tenho uma amiga que está (estava?) passando por essa fase... É notável! A filha pequena escessivamente exposta nas mídias sociais, maquiada e com roupinha de mocinha, e ela na crise do tempo perdido!

Eu, particularmente, acho que as mídias sociais (sim, elas novamente!) podem colaborar muito para isso... mas como já disse meu amigo Luther, o Facebook não é o problema!

'braço forte!

Sunday, November 05, 2017

estão jogando com você...

Deu na mídia semana passada (mídia real, de verdade... o bom e velho jornal) que o Facebook - que eu gosto de chamar de Livrocara - atingiu a marca de 2 bilhões de usuários por mês! É muita gente perdendo tempo nesse programinha, não?

Nada de errado com isso, alguém pode dizer... cada um perde seu tempo como quer! Afinal, a recém renovada "missão" do Livrocara é dar às pessoas o poder para construírem comunidades, e juntas tornarem o mundo mais próximo.

Quem engole tal balela?

A primeira pergunta, e bem básica, que vem à mente é Por quê? E para entendermos o Por quê da questão, devemos entender o Para quê e o Para quem!

Tuesday, January 17, 2017

Invasão!


Esses dias no Youtube, ao assistir ao discurso de despedida do Obama, resolvi também recordar o discurso de vitória do Trump. Dois belos discursos, diga-se de passagem, mas o que me surpreendeu mesmo foram as propagandas, essas grandes invasoras de privacidade de hoje em dia!

Nos pouco mais de 60 minutos do Trump, tive vários (ou deveria dizer vááááááriosssss!!) daqueles irritantes momentos em que um anúncio comercial interrompe seu vídeo para lhe falar das mais nova "coisa incrível" que você não pode viver sem! E é claro, fazem isso porque sempre tem gente genuinamente capaz de se perguntar como é que viveu até agora sem aquilo, seja lá o que aquilo seja! Irritante, para dizer pouco, e enquanto esperava os eternos 4 segundos que para voltar ao vídeo, anotava o nome do produto, só para ter certeza de NUNCA comprar da dita marca, por mais que eu genuinamente precise do item!

Enfim, findo o vídeo do Trump, fui ao de Obamam, e para a minha surpresa, foram 50 minutos sem ao menos um dos irritantes anúncios! Achei fantástico! Só me pergunto como... seria falta de interesse dos patrocinadores no Obama, pois agora ele é apenas o EX-presidente, enquanto o Trump é O presidente, ou teria o Obama pago o Youtube para que não houvesse anúncios?

Ora, quem se importa? Perguntariam... pois eu me importo, com os anúncios, os do Youtube e além, que só beneficiam aqueles que anunciam e o meio em que é anunciado. Para o "consumidor" (tem opção?) do anúncio, sobra chatice, aborrecimento e perda de tempo. "Ah, mas quando anunciam algo que preciso, aí é útil", diriam uma daquelas gentes "genuinamente capazes de precisar de qualquer coisa", mas eu ainda acho que não...

O problema está mesmo é no consumismo (xi, papo de socialista/comunista!) e no paradigma do crescimento infinito! Crescer é a palavra de ordem! Crescer, crescer e crescer... mas pra onde?!?

Nos tempos antigos, quando as sociedades tradicionais eram fortemente baseadas na agricultura, os laços familiares eram bem mais marcantes... De repente, esses laços foram substituídos por habilidades individuais, surgindo os técnicos, os grandes empreendedores, que visando grandes lucros e dispostos a correr grandes riscos, dão campo ao surgimento dos grandes bancos, que proporcionam pesados investimentos em infra-estrutura de transportes e comunicação, que ajuda a ampliar o comércio externo, que traz um aumento das taxas de investimentos e poupança, que gera investimentos em novas técnicas agrícolas e industriais, com tecnologia (sempre) de ponta e o surgimento de diversas novas indústrias, a expansão do comércio ao nível internacional...

A economia experimenta grandes mudanças, e aqueles antigos valores se tornam ultrapassados. Praticamente não há carência tecnológica em nenhuma área de produção, e países passam a poder produzir aquilo que acharem necessário. Atingimos, assim, o crescimento auto-sustentado! E uma vez lá, precisamos manter a roda rosdando, e é aí que o consumo de massa entra no jogo!

O inevitável - e considerável - aumento da renda per capita gera o anseio pelo bem-estar social, e finalmente a necessidade das pessoas não pertence mais a elas, mas é sim direcionada pelo marketing das grandes empresas, e suas motivações para o consumo também não partem mais delas, mas de aspirações sociais criadas por aquele mesmo marketing, como sucesso, prestígio ou exclusividade.

Thursday, June 12, 2014

De Abuso e de Direito

ou a balela da liberdade democráticia.

Lembro que Junho de 2013 um grupo de brasileiros resolveu bloquear a O'Connell Street, uma das ruas centrais do centro-norte de Dublin, capital da República da Irlanda. Centenas de pessoas gritavam "Oohh, o Brasil acordou, o Brasil acordou!", e apesar dos cartazes dizendo "Sorry 4 the inconvenience. We're building a new Brazil!", ninguém entendia bem o que a O'Connell Street e as pessoas que a usam tinham a ver como o caos que aquela obstrução causava! Como disse à época, deviam sim segurar cartazes que dissessem "Desculpem-nos por não respeitarmos o seu direito de ir e vir e por fazer protestos contra nosso país corrupto aqui, em suas ruas!".

Saca só, que bonitinho:


Tem até um filme atualmente em cartaz, chamado Junho - O Mês que Abalou o Brasil:

Uma "rebelião" puramente acéfala, como diriam, já que sem partido, discurso, ou bandeiras - foi um marco nos protesto através do caos coletivo, que na verdade representa um grande foda-se à liberdade de ir e vir dos outros (ah, teve os R$0,20 de almento na tarifa dos ônibus)! O filme mostra manifestantes que foram feridos, como a garota que levou um tiro de bomba de efeito moral na cara e foi parar no hospital! Mas também não podemos esquecer o cinegrafista que morreu com um rojão atirado por um manifestante. Ou seja, é um campo de batalha... é isso que queremos para expressar nosso descontentamento com alguma coisa? O que quer que seja: governo, salário... até Copa!

Copa, que no fundo é sobre esporte, e esporte é jogo, e jogo pra que serve? Para o desenvolvimento do ser humano. É jogando, simulando lutas, caçadas e fugas que as crianças se preparam para a vida adulta. E sendo o futebol nada mais que um jogo, é justo termos torcida à favor e torcida contra. Faz parte do processo democrático, não? Mas as TVs, a mídia em geral, através de seus comentaristas e colunistas, e o governo, andam numa campanha louca contra os que estão contra a Copa. Mas por quê? Só porque o Brasil gastou o que não podia com estádios megalômanos e projetos super-faturados e não querem fazer alarde? E não só os nossos políticos levaram a bufunfa, mas a FIFA principalmente!

Pois é, atualmente há leis estaduais que proíbem a venda de bebidas alcoólicas em estádios, e o Estatuto do Torcedor barra a entrada do goró. O governo diz que a Copa é um evento específico e que precisa de regras igualmente específicas. Mas, nesse caso da bebida, a mudança seria sobreposta a eventuais regras contrárias em âmbito municipal ou estadual. Uma alteração e tanto, só para acomodar a Budweiser, uma das maiores patrocinadoras da FIFA...

E o governo, para desviar as atençoes, ajudam - e incitam - o fanatismo, um patriotismo messianismo ao país do futebol, onde o futebol também é religião!

Recentemente assisti ao longa O Velho - A História de Luiz Carlos Prestes, e com saudosismo vi, o que um dia foi, manifestações organizadas e conteudísticas! Uma época em que, sem facebook, twitter ou youtube, pais podiam dar palmadas em suas crianças quando merecessem, criavam-se seres não só inteligentes mas pensadores e com atitudes corretas perante valores básicos de uma sociedade. E estamos falando de comunistas lutando contra militares, estes matando e torturanso, aqueles sonhanbdo com a luta armada como meio à utopia socialista...



E tem gente que se acha no direito de ... no país do futebol!

Wednesday, February 19, 2014

Como você é mal-humorado!!!

Detesto gente mal-humorada! Podem me chamar de intransigente e desconectado - como já fizeram, mas ainda assim considero um ponto-de-vista... agora MAL-HUMORADO?!? Isso não!

E não é só questão de senso de humor não... vai além. Falta de senso de humor é como não entender a piada, se você explicar, capaz do outro até entender... mas quem aí quer explicar piada? Não tem pior coisa do que tentar explicar uma piada. Você mesmo acaba se sentindo ridículo, e o fulano vai acabar soltando um risinho sem graça ao invés da merecida gargalhada.

As pessoas deviam usar um sinalizador de mau-humor. Onde quer que fossem, teriam o sinalizador dependurado no pescoço; uma placa grande o bastante para ser lida, digamos, a 5 metros de distância, onde um lado diria BEM-HUMORADA e o outro MAL-HUMORADA. Tal qual as placas de Aberto / Fechado das lojas. E em letras garrafais, para ajudar, e o bem-humorada em verde e o mal-humorada em vermelho. Seria mais simples, não? Muito melhor do que receber uma patada por um simples bom dia.

Sinaleiros à parte, mau-humor versus bom-humor, todo mundo tem o direito de ficar mal-humorado. Mas SER mal-humorado é diferente... requer esforço e dedicação, acredito. Não deve saer fácil entornar tudo que lhe é dito em algo depreciativo, negativo e mal-humorado! Se fosse eu, por exemplo, tentando ser mal-humorado, acabaria rindo de situações, ou acabaria dizendo algo engraçado sem querer... mas não! Os realmente mal-humorados conseguem manter-se lá, firmes, no lado obscuro do dia quiça da vida!

Ô tristeza...

Sunday, January 19, 2014

Me chamaram de desconectado...


Gerenciamento do tempo hoje em dia é uma dádiva! Eu que o diga! Sem tempo para muita coisa além do trabalho e da família, os poucos momentos que tenho livre são muito valiosos. E não são muitos estes momentos... bem menos do que eu gostaria!

E é fácil saber quanto tempo livre eu tenho. É só reparar a frequência com que posto nos meus blogues! Quase nada! Indo mais além, tem minha produção literária que está quase inexistente; TUDA sempre atrasada, a música, quase que abandonada, coitada... e o negócio dos vinhos, embora a passos lentíssimos, moribundo se arrasta!

E vieram me chamar de desconectado... Vai ver que sou mesmo!

Tem facebook, twitter, instagram, youtube, whatsapp, viber, g+, linkedin, blogger, wordpress, outros ainda têm orkut, tumblr, pintrest, yahoo, bing, mais o celular, o sms, os emails...

Não dá gente... é muita perda de tempo, não?!?

Saturday, December 21, 2013

Outro tesouro

Já disse nesse espaço que tempo era um luxo - e ainda é! Eu, exemplo vivo, que o diga! Blogar, escrever, tocar... atividades que tanto gosto, estão ficando cada vez mais esparsas...

Mas há um outro tesouro, uma outra riqueza, que sempre que acho que tenho a graça de possuir, percebo que algo me falta, pois assim que alguém diz "eu tenho", já é o sinal de sua falta.

Humildade!

Entre tantos tesouros - saúde, tempo, bom-senso, sabedoria, sensibilidade - talvez a humildade seja o mais valioso de todos, e consequentemente o mais difícil de obter-se, devido ao intríseco poder de repulsão que ela possui.

Incrível o poder inverso que a humildade exerce nas pessoas: quanto mais humilde alguém se mostra, se apresenta, mais falta humildade no outro, próximo ou distante. É como se a humildade, não humilde ela mesma, não suportasse a convivência com outra de sua própria espécie, e travam então uma batalha de nervos, onde apenas uma delas acaba vencendo e botando a outra pra correr!

E se você for o azarado da humildade derrotada, só lhe restará rezar, camaradinha, para que um resquício qualquer de bom-senso o desperte da arrogância alucinada na qual você provavelmente estará atolado, a discursar absurdos cheio de propriedades, e com um pouco de sorte, você se retrairá a tempo de salvar um pouco de dignidade...

Rara e cara, desejada e difícil de se obter, e mesmo quando está disponível, acaba-se não tendo! E se de algo me falto, também me alimento, que a pele é a melhor escola - tudo que se sente na pele, sente-se mais; tudo o que se aprende pela pele, nos marca mais!

Thursday, September 19, 2013

Do que realmente importa...

... da totalidade das coisas e dos seres, do total das coisas e dos seres, do que é objeto de todo o discurso, da totalidade das coisas concretas ou abstratas, sem faltar nenhuma, de todos os atributos e qualidades, de todas as pessoas, de todo mundo, do que é importante, do que é essencial, do que realmente conta...
É assim que eu descrevo a TUDA, minha revista eletrônica de poesia, literatura e arte. Mas não é de TUDA de que quero falar... mas do que realmente importa.

Há quem diga que o que importa é o tempo - ah, nada como um bom verão, sol, praia, etc... outros dizem que é a comidinha, os amigos, a família... mas para mim, o que não tem preço mesmo, é você chegar do almoço e encontrar um email como este, distribuído para a empresa toda:

Subject: Money Found

Fellow Burlington Road Residents,

A sum of money was found yesterday afternoon (Wedday, September 18) in the stairwell. If you believe it is yours, please contact Joe Sargent on extension 21224.

Kind Regards,
Michael Kindle
Ô saudades do Brasil...

Wednesday, September 11, 2013

Se eu quisesse falar, eu diria...

... diria que o Cork Jazz Festival que vai acontecer em Outubro aqui na Irlanda - em Cork, é claro - tem muita coisa boa, mas que não classificaria de jazz... pouco importa, eu vou! Vou para o genial Bugge Wesseltoft, que se ficar só no piano confesso que vai me fazer pescar. Vou para o veteraníssimo Billy Cobham, e para não passar o domingo em negro, vou de dobradinha Mingus Big Band / Snarky Puppy. Vamos ver no que dá...

... diria que o os ataques químicos na Síria são repulsivos, e que isto sim justificaria uma intervenção da ONU no país, no combate de crimes contra a humanidade... só que ninguém percebe (será?) que a merda toda está fedendo porque os EUA se acham os moderadores do mundo, e decidiram que a Síria precisa ser democrática, então para derrubar o regime em vigor, decidiram ajudar um bando de guerrilheiros mercenários na missão, e molharam a mão dos caras com armas, e agora que a bandidagem conseguiu o que queria, querem mais que a tal da democracia se foda, e partiram para o que interessa a eles, matança em massa. E qualquer semelhança com a ajuda à Al-Qaeda no combate com os russos nos anos 80, ou a invasão do Iraque para preensão de supostas armas químicas, a intervenção no Egito, na Líbia... pura coincidências!

... diria também que o Brasil, nessa inflação reprimida, vai longe... bem longe do caminho do desenvolvimento sustentado! E cada vez mais longe da consciência do povo - ou é a consciência do povo que anda se afastando... já que aprendeu a comprar à prazo mas ainda não sabe usar a caderneta!

Aff...

Thursday, January 17, 2013

Que mundo é esse, hem?


Cá nas Terras Frias do Norte, que embora não sejam nem tão Norte nem tão frias, tudo é muito mais setentrional do que meridional! Haja frio nessa semana que entra! E para se preparar, melhor mesmo é não ouvir à previsão do tempo!

Previsões à parte, aconteceu o imprevisto: HMV, uma das maiores lojas de CDs e DVDs da Irlanda, está fechando suas portas! E por mais que digam que tal movimento era previsto, vide locadores de DVDs, acho difícil acreditar. Uma questão meramente econômica, é claro, já que na qualidade não dá para comparar um CD com MP3, dá? Mesmo que o bitrate seja de 320! Mas quem aqui está preocupado com qualidade, afinal?!?

E assim vamos, sem questionar a qualidade das coisas, mundo afora, levando nossas vidas ordinárias!

Mudando o assunto mas não o tema - ou vice-versa - vou da indústria da música para a indústria da comida: se alguém ainda duvidava que esses caras não estão nem aí para conosco e nossa saúde, essa é a prova de fogo: acharam carne de cavalo nos hambúrgueres Irlandeses! Também no Reino Unido e na Espanha, embora em menor escala. Níveis de até 29% de carne de cavalo e poucos por centos de carne de porco, num produto onde a embalagem diz "100% Irish Beef!"

No rádio, agora, a discussão é ao redor de que a carne de cavalo, na verdade, é saudável, até mais saudável do que a de vaca, e que em outros países come-se carne de cavalo normalmente, e que o Irlandês deveria deixar o preconceito de lado... Eu até concordo que seja uma coisa cultural, mas não nos esqueçamos que a indústria alimentícia MENTIU a respeito do produto, pelo mero capital: justamente por não ser comercializado como alimento, a carne de cavalo é muito, mas muito mais barata que a de vaca! Pegou? O que mais andariam eles colocando nos alimentos, para salvar algumas moedas? Como disse uma especialista no setor, ela ficou surpresa não de terem achado 29% de carne de cavalo, mas de terem achado 29% de carne!

Assim, não se esqueça, ao pedir seu hambúrguer, se o chapeiro perguntar se você quer ele "à cavalo", pode ser algo diferente do conhecido ovo estalado...

Wednesday, December 12, 2012

121212


... ou
O Poder Místico da Ignorância Humana
ou ainda
A Ética Desvirtuada e a Imbecilidade Capitalista

12/12/12, uma data como outra qualquer... ou pelo menos como foi 11/11/11, 10/10/10, 09/09/09, 08/08/08... etc, etc, etc, e nada, absolutamente nada de importante, ou meramente relevante, aconteceu. Alguém lembra?

MAS, como sempre tem um místico de plantão para associar os números, as datas, os eventos, eis que hoje pela manhã, no programa Morning Ireland, os caras tiveram a pachorra de despender longos 10 minutos (ou foram 15? Ou 5?) numa entrevista com 2 garotas que aniversariam hoje. Veja só que interessante: ambas fazem 12 anos hoje! E daí? Pois é, também me perguntei, mas a apresentadora nem ao menos deixou eu formular a pergunta, e já fez questão de ressaltar que ambas nasceram no dia 12 do mês 12 de 2000, portanto faziam 12 anos no dia 12 do mês 12 do ano 12.

Ah, mas não acabou por aí, não... além disso, elas estudam na mesma escola!!! E, pasmem agora, NA MESMA CLASSE!!!!! "Não é demais?"

Não, não é. Foi o que também pensei...

Se a RTE, a rádio que transmite o Morning Ireland, é bem conhecida por algo, esse algo são os âncoras mal-educados, grosseiros, pretensiosos e petulantes, que raramente deixam o entrevistado terminar seu ponto de vista, interrompendo as respostas com perguntas complementares, causando confusão não só para o entrevistado como para o ouvinte. E por terem seus microfones mais altos do que o dos entrevistados, não sobra chance para os entrevistados terminarem suas colocações, mesmo que insistam em continuar suas respostas por cima da interrupção. Uma coisa realmente horrível de se ouvir, tanto que chega a ser cômico - por isso mesmo eu ouço!

Chegam ao absurdo, estes âncoras, de cortar a entrevista em pontos cruciais para chamarem os comerciais? Ora, se o tempo é tão valiosos assim, como podem colocar 15, 10, ou mesmo 5 minutos dessa baboseira de 12/12/12 no ar?

Não duvide de nada, é o que sempre prego. Nem da estupidez humana, nem da ilógica do capital... tampouco do fim do mundo, já plenamente anunciado para 21/12/12... Percebeste os números? invertidos?!?

Sunday, July 15, 2012

Drogas não esfaqueiam pessoas...


Tem uma RAP que canta que "armas não matam pessoas, rappers matam." Acho meio drástico e localizado, embora atinja o objetivo. Eu, por outro lado, diria que armas não matam pessoas, mas pessoas matam. Nessa mesma linha, o que aconteceu semana passada no concerto aqui no Phoenix Park, poderíamos dizer que "drogas não esfaqueiam pessoas. Pessoas esfaqueiam." Ou como o Irish Independent colocou: Knackers esfaqueiam!

Knackers, para os desavisados, é um termo que o dicionário urbano descreve como uma "subespécie de adolescentes irlandeses". Ao pé da letra é o comerciante de animais velhos ou improdutivos, vivos ou mortos, inteiros ou em pedaços. Pejorativamente associado aos travellers, irlandeses viajantes que vivem em traillers, hoje em dia se refere a todo um espectro de degenerados, uma subclasse de gente, que ficam geralmente vagabundeando em frente a lojas de bebidas e/ou de conveniência, badernando o espaço público e puxando briga aleatoriamente.

Skanger é outro termo para essa raça. No Reino Unido são chamados de Chavs ou Pikeys, e na América de White Trash. Seja qual for o termo, todo mundo sabe quem eles são, mas ninguém cita a palavrinha proibida... "classe".

Em vez disso travam debates sérios sobre o abuso de álcool na sociedade irlandesa, ou a responsabilidade dos agentes de segurança. E novamente aquela idéia simplista de aumentar o preço do álcool para que os jovens não possam comprá-lo, ignorando o fato de que o álcool é muito mais barato na Europa continental, e lá não se vê esses ataques de comportamento anti-social.

É... o irlandês tem uma relação problemática com a bebida, e aqueles promovem eventos com álcool certamente têm a responsabilidade de considerar isso. Mas nada disso responde uma perguntinha crucial: por que alguém iria trazer uma faca para um concerto? Ou ainda, quem traria uma faca para um converto? Knackers trariam. Skangers trariam. Chavs trariam. Scumbags trariam.

O que aconteceu no Phoenix Park acontece quase todas as noites no centro das cidades irlandesas. Não é preciso ser muito esperto para identificar os prováveis ​​suspeitos - embora a polícia continue fingindo que o problema está fora da sua capacidade de ação, e que é tal "mistério" deveria ser desvendado por uma equipe de cientistas sociais... Balela! Não há mistério em esfaquear pessoas! Eles gostam de esfaquear pessoas, mesmo! Lhes dá mais barato que heroína! E é mais barato também! O problema é outro... MEDO é a palavra que não ousa dizer o seu nome!

A polícia teme essa subclasse de baixa escolaridade, que usufruem dos benefícios sociais do governo por tempo quase que permanente, que vivem à margem da criminalidade, que são desassimilados, e que são hostis para com a sociedade em geral. E nós, a sociedade em geral, continuamos pagando nossos impostos cada vez mais altos para manter esses criminosos vivendo nesse estilo de vida disfuncional e anti-social, nos ferindo e nos ameaçando! Não se pode impedir que pessoas sejam esfaqueadas até que se mostre que as conseqüências são tão graves e desagradáveis, que até knackers analfabetos entenderão que não vale a pena o risco!

Assim, a sociedade não demonizaria os knackers pelo que representam, mas pelo que fazem, se fazem, e quando fazem... como todo o resto. Afinal, pelo menos aqui na Irlanda, ser um vagabundo criminoso e desordeiro não é algo inevitável... é muito mais uma escolha.

Wednesday, April 25, 2012

Assalto? Ha, ha, ha...

É isso, banalizou geral!!! Além de fruto de propaganda (explora-se a violência para reforçar a necessidade que se tem de comprar alarmes, rastreadores e outros serviços de prevenção) a violência virou piada! Aliás, piada sempre foi... o problema é que virou piada na mídia, em forma de comercial! O meliante arromba um carro estacionado, sem perceber que no banco de trás está... Byafra(!!!), que começa a cantar, Sonho de Ícaro, para desespero do assaltante, que para o carro e abandona a cena... e isso, nos intervalos do Jornal Nacional!

É... seria engraçado, se não fosse trágico!

Saturday, April 14, 2012

de saúde, gastronomia & respeito


Todo mundo sabe que a chave para uma alimentação saudável é um equilíbrio entre variedade e moderação. Uma variedade de cereais, frutas, vegetais, produtos lácteos e carnes, aves, peixes e outros alimentos protéicos. Abuse de grãos integrais, frutas e verduras. Se não tem o hábito de ingerir esses alimentos, deve pensar seriamente em mudar seus hábitos alimentares, pois são eles que provém grande parte dos nutrientes que precisamos sem serem calóricos. Manter o peso ideal, comer porções moderadas e regulares é a dica, já que os alimentos não são bons ou maus, mas o excesso faz mal.

Ora, nem sempre...

Se fore pelas propagandas que rolam nas TVs brasileiras, a dieta da população masculina é praticamente só fruta! Melancia, Morango, Melão, Jaca, Maçã, Pêra... e um filézinho também! E isso é bombardeado diariamente na TV, no rádio, nos jornais... está nos barzinhos, nas danceterias, nas ruas! Se o seu marido ou namorado não te trata assim, ou se você não se compara/espelha nessas mulheres-frutas, sorte sua, mas no fundo pouco importa, pois a pergunta que a mídia está incutindo no inconsciente das pessoas é: que frute é você? Não espanta a dificuldade da mulher ser respeitada numa sociedade com esse nível de banalização, tanto da mulher como do sexo...

Thursday, April 12, 2012

Que diferença?


Social. E só política econômica não diminui diferença social. Economia à deriva e na maré dos mercados acaba por proporcionar essa especulação sem tamanho, essa alta cambial da moeda, a oferta irreal de crédito, a inflação disfarçada, o juros embutido em tudo, a alta dos preços... pondo tudo na mesma panela e temperando com as boas novas que o governo traz da política internacional - a economia brasileira é uma potência, etc, etc - gera o ensopado da distorcida realidade brasileira. Realidade que tem impacto diferente em cada classe, mas certamente a violência estará presente em todas, de A a E.

Frei Betto certa vez disse que os torturadores da ditadura eram ateus militantes; o apresentador José Luís Datena laborou que "Ateus são pessoas sem limites, por isso matam e cometem atrocidades, pois acham que são seu próprio Deus". Queriam eles passar a idéia de que o mal é monopólio de quem não crê? Creio que sim...

Hoje em dia esse papo não se sustenta mais. Bandido tem tatuagem de Nossa Senhora, veste crucifíxo e ora toda noite! O mal é resultado de um sentimento que cresce proporcionalmente à desigualdade social, agravado pelo descontrole total com o problema das drogas e a cultura da violência imposto pela mídia e a indústria do entretenimento. Para começar! E a falta de regulamentação na economia também ajuda.