Wednesday, February 04, 2009

quem tem medo do lobo-mau?

Protestos mudo afora denunciam a chegada da chamada crise de confiança em que os bancos se meteram, e conseqüentemente, aos poucos, todos os outros setores, engolidos como num buraco negro.

Nos EUA a brigada chama-se "Buy American", num apelo para que o mercado de trabalho contrate americanos ao invés de estrangeiros. No Reino Unido, a mesma coisa; protesto contra a contratação de trabalhadores estrangeiros por salários inferiores. Na França, o governo reitera o já famoso protecionismo francês, criando verbas que favorecem empresas francesas em detrimento das estrangeiras. Enquanto isso a Espanha, no exemplo mais "humanitário" entre todos, oferece uma quantia em dinheiro aos imigrantes que retornarem a seus países.

Como sempre, a corda sempre arrebenta no lado mais fraco. Se os governos vão nacionalizar os bancos - com o dinheiro do contribuinte - que o façam da maneira menos suja possível, ou seja, que garantam que haverá recompensa ao cidadão quando este papelão acabar. Que nós, os donos do dinheiro público que vai ajudar a limpar a merda que os banqueiros cagaram na cabeça de todo mundo, sejamos lembrados também na bonança, e não só na borrasca da irresponsabilidade capitalista.

Na Europa, é o neo-nacionalismo ultra-direitista e ultra-cristão que precisa ser combatido com unhas e dentes, com mais veemência e repugnância que a própria crise; é ele quem sempre está à espreita, esperando uma brecha para por a culpa nos estrangeiros, nos não-católicos, ou em qualquer outro grupo que não se alinhe com sua lógica facista, alimentando uma ira despropositada e sem controle.

Fechar as fábricas para a mão-de-obra estrangeira não vai fazê-las não procurar por maiores lucros; senão puderem contratar mão-de-obra barata em Lincolnshire certamente se mudarão para onde a mão-de-obra barata está, seja Polônia, Letônia, Bulgária ou no raio-que-o-parta! Nada vai mudar a lógica capitalista a não ser a regulamentação do mercado... não se pode esperar que o lobo-mau não coma a chapeuzinho-vermelho apenas pedindo a ele, né?

Como o capital e sua inescrupulosa ética (que eu chamo de putaria) vieram para ficar - como há muito já apontara Weber em sua "A Ética Protestante e o Espírito Capitalista" - o jeito é se adaptar. Já se anda apregoando uma releitura de Keynes, o grande economista inglês que ja em século retrasado alertou que o Estado precisa cuidar do bem-estar social dos seus cidadãos e regulamentar o mercado para que não opere interesses duvidosos em detrimento do bem comum e social.

Que as luzes keynesianas ilumines estes becos escuros da economia desregulamentada; não tanto ao ponto de ofuscar a vista com o peso do maquinário estatal, nem tão pouco que nem chegue a disperdsar a promiscuidade econômica deste bordel a céu aberto que é o chamado mercado-livre.

Desde os tempos mais antigos, quando ainda se trocava pedra por pau e pau por pedra, a coisa já era assim... não há magia: se uns têem muito é porque outros têem de menos.


E viva a revolução!

1 comment:

cricricri_ said...

I don´t understand a single word of portuguese but i love the first picture! haha