Monday, May 14, 2007

pedras, pedrinhas & pedronas

Dois momentos distintos: a visita do papa Bento ao Brasil e as eleições na República da Irlanda. Qual a possível relação entre os dois? Uma palavra: ESCRÚPULO.
De origem latina na palavra scrupus, que significa pedra, era usada como medida de peso, e seu diminutivo scrupulus, ou pedrinha, as subdivisões desse peso. O caso é que muitos comerciantes preferiam calcular o peso da mercadoria de acordo com a cara do freguês, e geralmente, roubavam no preço, ainda que só em vacas magras - nas pedrinhas. Com o tempo, escrúpulo deixou de ser uma medida física e tornou-se sinônimo de consciência dotada de sentido moral.

Escrúpulo não pode depender da cara. É algo que ou se tem ou não se tem, certo? Assim como dinheiro é dinheiro, não importando se do Zé da Esquina ou do Taoiseach (primeiro ministro na Irlanda), e precisa ser declarado. Humildemente eu também diria que abusar sexualmente de crianças é crime, não importa se o abusador é padre ou não. E digo humildemente porque parece que nem todo mundo concorda com isso! Diria ainda que pior é encobrir esses abuso, como fez e faz a igreja católica.

Infelizmente concluímos que as pedrinhas sacras têm outro peso e outra medida.

Friday, May 04, 2007

PCC Technology

Deu no Irish Times:

Ex-garda to head inquiry into prison phone call
A retired Garda superintendent is to lead an investigation into how a prisoner in a high security jail was able to ring RTÉ's Liveline using a mobile phone.

Imaginem a conversa:
Apresentador: Oi Fulano, tudo bem?
Fulano: Tudo.
Apresentador: Está ligando de onde?
Fulano: Da minha cela, no presídio Tal...
A polícia local de Dublin ficou encafifada ao descobrir que um preso, de dentro de um presídio de segurança máxima, conseguiu ligar para o RTÈ Liveline, um programa de TV, quarta-feira passada. É o segundo incidente involvendo a mídia - o outro foi para uma rádio. Diz-se já ser mais de 600 celulares nas prisões irlandesas...

É a Tecnologia PCC, diretamente do Brasil para a Irlanda!

Tuesday, May 01, 2007

escrever pra quê?

essa eu ouvi na rádio daqui:
"O que faz você pensar que queremos ler o seu blog?"
Essa é boa. E eu tenho uma boa resposta pra quem faz este tipo de pergunta:
"Quem disse que eu quero que você leia o meu blog?"
É a mesma pergunta estúpida que se faz a um escritor: "O que faz você pensar que queremos ler o seu livro?" Ora, acho muita pretensão desse alguém achar que seja ele assim tão importante para achar que o escritor faça questão da sua leitura. Não quer ler, simplesmente não compre-o! E no caso dos blogs, não leia-os.

Pois é, a máxima de que quem escreve quer ser lido não é de todo verdade. É claro que há os narcisistas. E não há nada de errado nisso! A parábola de Narciso tem sido uma grande fonte de inspiração para os artistas há pelo menos dois mil anos, começando com o poeta romano Ovídeo, no livro III de suas Metamorfoses. Em séculos mais recentes, outros poetas como John Keats, pintores como Caravaggio (dono da ilustração acima), Nicolas Poussin, Turner, Salvador Dalí, e Waterhouse. É claro que há casos em que o "artista" se transforma no próprio Narciso - dizem isso do Ulisses Tavares, mas eu duvido...

Bem, eu mesmo me rendi à facilidade dos blogs em 2004, por puro exercício de escrita, organização e textualização de idéias, nada mais. Passar a divulgar o endereço para certas pessoas - geralmente um rol restrito de amigos - não significa que quero que leiam, simplesmente porque não espero retorno; simples assim. Mas não me levem a mal, hem? É claro que retornos são bem-vindos...

Por isso me pergunto:
"Será que tem alguém que pensa que eu quero que leiam meu blog?"
Se tem, só quero lhe dizer uma coisa, meu camaradinha... você acertou!

Friday, April 27, 2007

rapidinhas...

Parece que é uma tendência mundial mesmo: certas notícia envolvendo somas de dinheiro são divulgadas em "moeda estrangeira". Se trata-se de, por exemplo, uma usina a ser construída, que utiliza materia-prima européia, será dito que a usina custará tantos milhões de euros. Igualmente na Europa, se utiliza-se ou envolve-se algo de algum país que não usa o euro, dir-se-á que o projeto custará não-sei-quantos mil dólares, libras esterlinas, ienes outra moeda qualquer. Será preguiça de fazer o câmbio? Será uma preocupação em manter o montante sempre atualizado, devido a flutuação do mercado? Ou será simplesmente porque soa bem citar em moeda estrangeira?

* * *

Aqui também tem "distribuidor de propaganda não-desejada" em semáforos. Com uma pequena diferença: não jogam a propaganda pelo seu vidro nem perguntam se você quer a propaganda; passam mostrando-a, e quem quiser pede por ela.

Ah... e eles ganham €7,80 por hora!


Tá bom pro cê?

Wednesday, April 25, 2007

-: de pretextos & contextos :-

Ouvi na rádio hoje:

Um cidadão cumpridor de seus deveres e conhecedor de seus direitos andava pelas ruas do centro de São Paulo, a caminho do banco pagar seu DARF, quando, em meio a tantos camelôs, um lhe chamou a atenção: vendia DVDs "piratas", e para mostrar a "qualidade" do seu "produto", exibia trechos da respectiva mídia numa enorme TV com tela de LCD. A tela da TV era de pelo menos 32 polegadas.

Tomado pela curiosidade - e perplexidade - em saber de onde vinha a energia para a TV, o citado cidadão seguiu o fio até uma espécie de "bateria", atrás de um poste, que por sua vez estava ligada "via gato" à rede de energia da Eletropaulo. O cidadão constatou que a tal bateria alimentava não só a TV do referido camelô, mas também os inúmeros outros aparelhos, desde toca-CDs, usados para testar os CDs à venda (piratas, é claro), até bancadas de teste de batedeiras, rádios, e liquidificadores, entre outros eletrodomésticos.

Constatando o esfusiante estado de alegria e descontração de todos à sua volta, o cidadão olha indignado para o seu DARF e pensa alto: preciso sair da formalidade.

O comentarista da rádio, em conformidade com a onda do politicamente correto de hoje em dia, prontamente entrou no ar dizendo que "pagar impostos também é um ato de cidadania, e que não devemos esmorecer perante tais acontecimentos", ou acabaremos em plena barbárie, numa "terra-de-ninguém".

Muito bem, pensei, tentando me lembrar da última vez em que estive no Brasil e não me senti numa "terra-de-ninguém".

Por outro lado & outras bandas, saía eu de uma Tesco Store perto de casa, após ter pago minha compra em dinheiro, no caixa de auto-atendimento. Já no carro, com o motor ligado, levei um baita susto ao ouvir alguém bater do meu vidro:
- knock, knock, knock... - era uma atendente da loja, ofegante devido a corrida. Abri a janela.
- May I help you?, eu disse. Ela simplesmente estendeu uma nota de 20 euros que eu esquecera na bandeja de trocos do caixa.
- Thank you very much!
- You're welcome.
Pensei em voz alta: "Wow... what a hell am I doing here?"