Thursday, July 12, 2007

da tolerância e da função dos prazeres

Fosse a tolerância apenas uma tendência de admitir nos outros algumas maneiras de pensar e de agir diferentes das nossas, mais leve seria o sofrer e o aturar.
"Libri Iucunditas quod Mundane Res"
(Livro dos Prazeres e das Coisas Mundanas)
Falando em tendências, aprendemos que as pessoas tendem a procurar atalhos (ah, como é bom aprender!). E nesta ânsia de encurtar tudo, nem sempre cuidam-se de todos os detalhes (ora... detalhes!) que na hora ou não parecem importantes, ou são importantes mas não tão importantes assim para serem considerados, ou ainda - e geralmente - são muito importante mas iriam tomar um tempo danado, e por isso são deixados de lado, na esperança de que ninguém se dê conta deles. Ora pois... como diria Eremildo, O Idiota, se é para encurtar, deixemos logo de fazer. Não julguemos Eremildo, que só queria entender por que se faz mal feito com a intensão de encurtar, se depois precisa-se emendar a cagada, o que toma mais tempo ainda... coisas de idiotas, eu diria... E assim foi!

Haja tolerância, companheiro Eremildo!!!

E além de tudo isso, há o prazer... falando em abreviar a vida e prazeres à parte, se quizermos durar, prazeres em excesso podem atrapalhar... principalmente os "mundanos".

Por isso nada de chocolates, sorvetes, comidas deliciosamente gordurosas, bebidas alcoólicas, cigarros de todos os tipos e outras coisinhas mais que podem nos trazer "um certo" prazer....

Mas o que é a vida sem prazeres? Dirão uns... Ora, se formos nos lançar a tudo que teoricamente - ou melhor, praticamente - é bom, colheríamos conseqüências terríveis. Pos isso mesmo somos animais racionais, e assim, ponderamos as coisas, baseado em parâmetros sociais, éticos, estéticos, culturais e etc. É por isso que, mesmo sendo "uma delícia" fumar um cigarrinho, opto em não fumar. Uma decisão da consciência "racional" sobre o prazer "irracional".

E disso aprendemos que todos os prazeres requerem esta distinção. Principalmente os da carne...

poucas e boas

CNN = Al-Jazira

Aqui na Itália costumo fazer, pela manhã, meu "jogging" na academia do hotel (chique, né?). E às vezes me canso da sôfrega língua italiana dos noticiários (não pensei que fosse tão difícil) e prefiro apenas deixar fluir facilmente o bom e velho inglês, que apesar de não ser uma BBC (ou uma RTÈ, façamos justiça aos irlandeses), ainda assim é uma CNN.

O problema é que, aproximadamente 80% das notícias - tirando esportes e previsão do tempo - são sobre a guerra do Iraque. A CNN está mais para Al-Jazira do que a própria CNN árabe!

Here he comes: More Moore

Michael Moore esta com um novo documentário: Sicko, que fala sobre o sistema de saúde americano. E desta vez ele comprou uma boa briga, pois o lobby da saúde já mandou seus capangas para "desmascararem" Moore... como? Ora, questionando seus dados: Onde ele diz, por exemplo, que o sistema de saúde de Cuba cobra apenas US$25 por pessoa, o lobby ataca dizendo que "Isto e uma inverdade. Você (Michael Moore) não pode sair por aí dizendo mentiras! O sistema de saúde cubano cobra US$29 por pessoa, e não US$25."

Como podem ver, é realmente MUITO relevante a informação...

Basicamente eles se pegam em dados não muito precisos. Moore se defende dizendo que se baseou em estatísticas - por si só uma ciência inexata - e que alguns por centos à mais ou à menos não mudam os fatos: Os EUA deveriam ter um sistema de saúde "far better" do que têm hoje, pelo preço que cobram.

Esperemos o documentário, que já é polêmico mesmo antes do lançamento.

Wednesday, July 11, 2007

das diversas maneiras de aliviar a alma

Pedro: Por que não posso seguir-te agora? Por ti darei a minha vida. Respondeu Jesus: Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: Não cantará o galo até que me tenhas negado três vezes.
João, 13:37-38.

Tem o homem o dom do arrependimento. O que nem sempre tem é a nobreza de assumir o erro e arrepender-se, ora porque o erro é deveras humilhante, ora porque simplesmente a humildade não lhe bate à porta. Segundo consta do "Livro da Formação e Das Causas Naturaes", datado de 449 a.C., tal virtude foi dada ao homem justamente para permitir-lhe, vez ou outra, desviar-se de sua reta conduta - desde que o torto não dê com a direiteza de outros - regra fundamental e que nem sempre é respeitada.

Peguemos dois exemplos bíblicos de homens que erraram e se arrependeram: Judas e Pedro.

Segundo a "Bíblia", Judas traiu Cristo por algumas moedas, e no seu arrependimento, escolheu como alívio para a sua alma a própria morte. Já Pedro, que negou o nome de Cristo por três vezes por medo de ter o mesmo fim que seu mestre, para aliviar sua alma resolveu pregar a palavra de Cristo algumas dezenas de anos depois do ocorrido, quando as coisas já estavam devidamente calmas e a pregação não pudesse oferecer perigo à sua tão cobiçada vida terrena.

O erro de Judas foi sem dúvida mais "abrangente" do que o de Pedro, mas o arrependimento de Pedro de longe foi mais conseqüente. Judas só interferiu na direitura do próprio Cristo, enquanto Pedro criou mais um divisor no mundo. A abrangência das coisas que contou de memória - provavelmente aumentadas pelos anos de arrependimento da negação do nome daquele em que acreditou, viu morrer e não teve a coragem de se juntar.

Sendo assim - que me perdoem a palavra! - o beijo de Judas me parece mais doce do que parecia, e ajuda a aliviar a heresia da palavra dos homens...

Monday, July 09, 2007

de homens & sentimentos

Andamos a aprender algumas lições sobre homens e mulheres:
  • De que todos são vaidosos, sem excessão. A diferença é que enquanto alguns, como os gregos, são vaidosos por dentro - ou seja, com os miolos - outros, como os romanos, são vaidosos por fora - quer dizer, com o rosto e os cabelos;

  • Que mesmo sendo pequenos, os homens sempre se acharão grandes ao encontrarem alguém menor;

  • Que a nossa coragem é tão somente nossos medos com uma espada na mão;

  • Que mesmo sendo o vinho o sangue de cristo, ainda assim ele exalta as línguas e atiçam-nas para fora das bocas, muito mais do que deviam;

  • E sendo o vinho o sangue de cristo, conclui-se que a cachaça é o mijo do diabo, e constata-se que também tem o poder de manipular as línguas, fazendo-as saltar pra fora das bocas e vez ou outra procurar morada em bocas outras;

  • E que se misturarmos o sangue de cristo com o mijo do diabo, percebemos que a espada que está na mão dos nossos medos se torna muito maior;

  • Que o mal não é só o que sai da boca do homem, mas o que entra também;

  • Sendo o futuro não mais que uma miragem e o presente mais rápido que um relâmpago, acha-se que se tem o poder de mexer as contas para frente e para trás, e assim desfazer as besteiras feitas sob o efeito das experimentações descritas acima, e que agora pertencem ao universo do passado: não é bem assim que o mecanismo dos tempos e dos espaços funciona - infelizmente;
Sendo o mundo redondo e não aquela meia-bola flutuante no oceano, tampouco aquele disco plano sustentado nas costas de tartarugas ou elefantes, uma certeza que temos é que dará voltas. E na passagem dele por nossas bandas novamente, poderemos pegar de novo o trem da história pra ver onde é que isso tudo vai dar...

De volta ao Terra Papagalli - um belíssimo livro!

Thursday, July 05, 2007

de cavalos, viajantes e testículos

Considerada uma gíria Irlandesa, a palavra knacker, literalmente, é o comerciante de animais velhos ou improdutivos, vivos ou mortos. Animais que morrem de doença ou velhice, ou que são muito velhos para trabalhar. A expressão knackered significa cansado, exausto, acabado (gíria), ou ainda que se está pronto para o knacker’s yard (lugar onde animais velhos ou inválidos são abatidos e viram ração para outros animais). Depois do surto da "Doença da Vaca Louca" dos anos 80, o termo knacker’s yard foi definido como 'qualquer área usada em conexão com a prática de abater, esfolar ou cortar animais cuja carne não se destina ao consumo humano.'

De volta aos knackers, a palavra é derivada do Irlandês antigo "an each", pronuncia-se a nack, e significa cavalo. Dela derivou-se a palavra para negociante de cavalos "an eachoir", pronuncia-se a nack-ower e que anglicizada ficou knacker. Muitas vezes o termo é usado para designar os irlandeses viajantes, tidos como "itinerantes" ou "nômades" por viverem acampados em traillers, mas o termo tem conotação pejorativa. Por vezes também é usado para descrever uma pessoa do campo, um caipira ou pessoa sem cultura, mas também de forma pejorativa e derrogatória.

E embora na região da Australásia - Austrália e Nova Zelândia - e na Inglaterra, knacker é uma gíria para testículos, para os alemães, não passa de mais uma salsicha...