Tuesday, January 01, 2008

Bolívar-Forte ou um Puro Bolívar?

Depois do HCT - "Hugo Chaves Time", é a vez do BsF - Bolívar Forte, a nova moeda venezuelana, que terá 3 zeros cortados da sua antecessora. As duas moedas circularão paralelamente no mercado venezuelano durante pelo menos seis meses, a partir de hoje.

Hugo Chávez anunciou a reforma monetária no dia 15 de fevereiro, como parte das medidas para combater a inflação, que chegou a 17% em 2006.

Desde o começo deste mês, é obrigatória a dupla expressão de preços em Bs. e Bs.F. em todo o país, com o objetivo de familiarizar os venezuelanos com a conversão.


Alguém aí lembrou de alguma coisa? Algo como em julho/94, quando Itamar Franco e FHC criaram o Real, e antes que a moeda entrasse em circulação, passou a vigorar uma unidade de conta, não de troca, chamada URV - Unidade Real de Valor? E que tinha variação diária? E se você se lembrar bem, quando o Real entrou em vigor, uma URV valia 2750 cruzeiros reais... No meu bolso e talvez no seu, porque por aí, onde as pessoas podiam ajustar seus preços à vontade, a coisa foi no 1 a 1 mesmo... Por exemplo, a prestação do meu apartamento da Caixa Econômica Federal (coisa de pobre, né?) foi ajustada em 1000 por 1: ou seja, se eu pagava, digamos, CR$825.000,00 (Oitocentos e vinte e cinco mil Cruzeiros Reais), a prestação deveria ser convertida a R$300,00 (825.000 ÷ 2.750), mas não... chutaram para R$825,00! Arrumaram uma porção de desculpas para explicar o inexplicável, e só consegui baixar para R$400,00 via ação judicial.

É por essas e outras que não gosto de planos... muito menos econômicos. E em se tratando de Bolívares, prefiro mesmo os puros... não venezuelanos, mas cubanos!

Sunday, December 30, 2007

pra piorar o que já não ia bem..

A morte de Benazir Bhutto no dia 27 de dezembro de 2007 durante um atentado suicida, vem para piorar o que já não ia bem: o balanço do ano de 2007. Não há muito de bom para ser lembrado, e certamente isso contribui para marcar 2007 como um ano ruim para o mundo: o Senhor Jorge Caminhador Arbusto (Mr. George Walker Bush todo, ele mesmo, é algo ruim, o verdadeiro Senhor da Guerra: Guerra do Petróleo, Guerra Contra o Terror, Guerra Contra o Meio-Ambiente), o Aquecimento Global (e algumas pessoas e organizações querendo dizer que Aquecimento Global é balela), a crise bancária mundial, o fortalecimento da direita facista na Europa, a exacerbação do consumismo a cada ano e cada vez mais...

Vladimir Putin está usando o petróleo como arma política, assim como Bush e Chávez. A própria China, que vem se mostrando uma verdadeira potência mundial - o poder dominante não só economicamente, mas também andam mexendo seus músculos militarmente - prevê que em 2020 os chineses consumirão o equivalente a toda a atual produção de petróleo do mundo. Numa estimativa apenas razoável, dá pra se dizer que a ávida raça humana em breve, muito breve, precisará de um segundo planeta para habitar. Isto porque as pessoas querem consumir e pronto! Alguém aí consegue imaginar que chineses ou indianos concordariam em parar seu desenvolvimento? E o Brasil a respeito da Amazônia? A que custo desenvolvimentista parar com o desmatamento? Haveria uma "compensação" para este retardamento desenvolmentista? Seria justo cobrar algo para não destruir o que resta dos recursos naturais do planeta, como já destruíram os países desenvolvidos?

Complexo não? Mas para simplificar um pouco a coisa, cabe a pergunta: reparaste se alguns de teus familiares, amigos ou vizinhos propuseram uma reavaliação de seu consumismo notório? É da natureza humana que pessoas só tomem este tipo de atitude em casos de extrema necessidade - e o que seria extremo? Usar máscaras de oxigênio para poder respirar? A ciência ter que encontrar uma alternativa para a água potável? Não poder mais se expor durante o dia aos raios solares? Estará tudo isso muito distante dos nossos dias? Ou será isso apenas um problema para nosso bisnetos - problema deles, então!?!? Sem falar na última das catástrofes possíveis - e que daria um final muito mais trápildo a tudo isso: A Guerra Nuclear.

"Não, não a guerra nuclear! Aí você já está sendo pessimista, derrotista", dirão uns. "A ameaça nuclear acabou junto com a guerra fria". Infelizmente não é bem assim... apocalíptico sim, eu sou, mas a história do poder geopolítico mostra que a Guerra-Fria não terminou devido a um tratado de paz, mas sim por um mecanismo chamado MAD - Mutual Assured Destruction (Destruição Mútua Garantida). Em poucas palavras, EUA e (na época) URSS não poderiam disparar suas armas nucleares sem se destruírem a sí mesmos. Ou seja, nada muito nobre, apenas auto-preservação.

Ontem mesmo discutía com amigos sobre a Teoria do Caos: Tudo está conectado. Seja a produção de carne no Brasil que tenta entrar na Europa, seja as enchentes na Ásia, a seca na África, o mercado de ações ao redor do mundo... E como disse James Downey no Irish Independent, que "... o silêncio permanente de uma brava mulher transformou um ano ruim num ano verdadeiramente terrível." Benazir Bhutto era a atual Presidente do Partido do Povo Paquistanês (PPP, Pakistan Peoples Party), um partido de centro-esquerda afiliado à Internacional Socialista. Bhutto foi a primeira mulher eleita para liderar um Estado muçulmano, tendo sido duas vezes Primeira Ministra do Paquistão. Seu assassinato tem uma abrangência muito maior do que possa parecer. A importância geopolítica do Paquistão é colossal, e se desintegrada, o choque será sentido em todo o mundo, seja pela ameaça de suas (possíveis) armas nucleares, seja pelos fundamentalismo islâmico que o país abriga.

Como já dizia o poeta: "Paz na Terra aos homens de má-vontade, pois os de boa-vontade já estão cheios dela!"

Com sorte, 2008 será um pouco melhor.

Friday, December 21, 2007

Um Conto de Natal

Já passava das 10 da manhã quando ele chegou no escritório. Não sentia-se vigiado por isso, tampouco pressionado de maneira alguma. Sentia-se, como há tempos não se sentia, aliviado! Talvez o resultado dos 90 minutos de academia logo pela manhã, talvez o resultado do bom trabalho que vem fazendo ultimamente e que vem lhe rendendo elogios de clientes, parceiros e associados, ou talvez apenas o Espírito Natalino...

- Não! Não o espírito natalino - pensou. Esta seria a última coisa à qual ele atribuiria seu bem-estar. Não acreditava nestas coisas. Perdera muito cedo a inbocência do natal, e isto havia lhe deixado um azedume no espírito. Aconteceu quando tinha 5 anos, num dos jantares de natal que seus pais costumavam oferecer para a família. Ao recipitar-se para a cozinha, constatou que o Papai-Noel que há pouco distribuíra presentes e gargalhadas, não passava do seu obeso tio, que agora estava sentado à mesa de jantar com a barba ao colo, comendo e bebendo compulsivamente. E o embaraço dele ao tentar recolocar a barba, a boca cheia de comida, babando o vinho, e seus pais querendo afastá-lo da cozinha... depois daquele ano, nunca mais houve Papai Noel, nem renas nem duendes... o natal deixara de ser aquele algo mágico e passara a ser apenas mais uma noite com um jantar caprichado, falsas mensagens de paz e esperança e algumas porcarias trocadas entre as pessoas.

Era um dia tranqüilo, uma sexta-feira tranqüila, clara, fria e ensolarada. Não havia muitas requisições, mais nenhuma exposição agendada para este ano, praticamente não havia nada para ele fazer. E como só decidira se feriar nesta semana, pegou a oportunidade para dedicar algum tempo ao lazer remunerado... Avisou aos colegas que iria ao banco. Desceu as escadas, acenou ao porteiro, de maneira que fosse visto saindo do escritório. entrou no carro e deu uma volta no estacionamento, parando o carro atrás de uma moita. Vestiu sua roupa de motoqueiro (ele nunca tivera moto), sua balaclava, armou-se do seu pé-de-cabra e dirigiu-se até a porta dos fundos do depósito.

Ele conhecia os seguranças. Sabia que se revesavam durante o almoço, e também sabia que Pedro estaria cobrindo a carga horária de João, que tirara a sexta-feira de folga, por conta própria. Pedro comeria um lanche na guarita mesmo. Ele sabia que Pedro teria que ir comprar o lanche na cantina, e para isso se ausentaria por não mais do que 4 minutos... A hora era agora.

Forçou a porta com o pé-de-cabra com o cuidado de não arrebentar a fechadura, de maneira que pudesse fechar novamente por dentro. Aproximou-se dos quadros. Embora pressionado pelo tempo, escolheu-os cuidadosamente: "O Lavrador de Café", obra de 1939 de Cândido Portinari, e "O Retrato de Suzanne Bloch", um Pablo Picasso de 1904. Retirou os quadros da moldura com um pequeno mas bem afiado estilete, pois com a moldura não seria possível sair pela porta da frente. O Picasso media 65x54 centímetros e o Portinari 100x81 centímetros.

Três minutos após sua entrada, saia tranqüilamente pela porta da frente do depósito. Sabia que, a não ser pelo vigia, ali não era caminhos de ninguém. Um minuto foi o suficiente para chegar ao carro sem ser visto. Do carro pode ver o vigia voltando com seu lanche na mão. Colocou os quadros no porta-malas, tirou a roupa de motoqueiro e a balaclava, entrou no carro e voltou para o estacionamento. Estacionou calmamente, subiu ao escritório e, ao ser encarado com cara de espanto pelos colegas, disse:

- Esqueci meu cartão! Abre a gaveta, pega o cartão e sai novamente, avisa que não voltará mais hoje, e deseja a todos um ÓTIMO NATAL e um ANO NOVO CHEIO DE PAZ E PROSPERIDADE!

No caminho de casa parou no Shopping Centre para comprar uma barba postiça, o último adereço que lhe faltava: seria o papai-noel para os sobrinhos naquele natal...

xmas & nuyear

Dizem que sou louco / por subir no pé de coco
pra pegar o coco / descer com o coco
do pé do coco / e abrir o coco
pra saber se o coco / é oco.
( anônimo, em 'Pequeno Livro dos Despautérios e das Causas Perdidas do Povo do Norte-Leste Brasileiro’, 1757,)

é só iço que ouuerã :

emcoantu aijmda algo d nos meesmos nos falta,

é como averija de seer: nõ podemos dijzer que

ouro o prata nõ teemnhä nenhuüm' ijmportãcia

) ë seer, por seer, com seer ( neesta modernaijdade :

emtam dijguo falhame señr, que valhote, amen

- agora y na ora d mijnha ora . . .


Y neeste novu anno que sy açerca,

que a terra sejanos leve mas nosas oras lomgas . . .

que a gamnãçija nõ ademtre muijto em nossos corações

poijs huü pouco só - y asy só -

casy nõ se apercebe,

- neë tampoco se pod' ijmpedjr.


Y que a paz faça morada na memte dos homeës de maas uontades,

porque os de booas uontades ja a tem!



o<[¦¬]==
oh, oh, oh
& felizannonovodenovo &
> 2oo7, 2oismileoit8 <
asyno eduardo miranda
deste porto seguro d' jlha d' Eire,
oje, sestª feira, vjgesº prjmerº dija d dezº-segº mez deeste Anno-Domijnij d MMVII .

Wednesday, December 19, 2007

tá cada vez mais down no high society

Executivos da RTÉ estão sendo questionados pelo parlamento Irlandês sobre as fontes utilizadas no controverso documentário "High Society" (Alta Sociedade) sobre o uso de cocaína. O programa foi baseado no livro de mesmo nome, de Justine Delaney-Wilson, que alega ter entrevistado um político, um piloto de avião e uma enfermeira e todos disseram ser usuários habituais de cocaína.

O problema foi mexer com os políticos - um Ministro! O programa afirma que um Ministro do Parlamento admitiu usar cocaína regularmente, fato que deixou os membros do parlamento embaraçados e emputecidos, que agora querem dar nomes aos bois - quem é "O" Ministro? Quem é ou são as fontes?

O pessoal da RTÉ apenas diz que "todos atestam a veracidade do programa. Não há razão para não fazê-lo", mas o que a ministrada quer ver é ação: nomes. Eles querem nomes, seja o do ministro, seja o da suposta fonte da jornalista. Parece-me justo. Sigilo profissional aqui não se aplica: quem mata a cobra tem que mostrar o pau! Ou a jornalista diz logo quem é o cheirador ou se redime. A RTÉ já se comprometeu a não fazer mais programas "fortemente baseados em fontes ou contribuições anônimas".

Pergunta-se a Esopo qual é a melhor das coisas e Esopo mostra sua língua, dizendo: «é a língua a melhor das coisas». E perguntam-lhe em seguida qual é a pior das coisas. E ele mostra de novo a língua dizendo: «é a língua».

Esse parece ser um problema da imprensa em todo o mundo: muitas vezes apenas fazem acusações ou insinuações levianas mascaradas de notícias, com um bom grau de sensacionalismo para garantir a venda do produto, e assim os supostos furos chegam ao grande público sem que as fontes ou a simples veracidade das informações sejam checadas - não há tempo para isso. É o vil metal novamente, infelizmente.

Isso sem falar de quando a mídia se auto-classifica como um deus todo-poderoso, que usa seu poder de penetração sob a carapuça da liberdade de expressão, e muitas vezes pratica a parcialidade - dizer mentiras afirmando apenas meia-verdades.

Seria bom ver algo ao fim deste episóldio: cabeças rolando. Ou a do cheirador ou a da fonte da jornalista.