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Tuesday, September 20, 2011

de deuses e economia

Grécia, terra dos deuses e dos prazeres terrenos, lugar onde o homem ousou se nivelar com os deuses, e dialogar à sua altura. Deuses e mortais habitavam o mesmo plano, nos primeiros dias do mundo... Está tudo lá, na Metamorfoses de Ovídio, divididos em dois grupos temáticos: contos de amor, e contos de punição. Assim era com os deuses: amor ou ódio.

O mais importante dos deuses da Grécia antiga era Zeus, o rei dos deuses, que era casado com sua irmã Hera. Os outros deuses que compunham os 12 deuses do Olímpico eram Demeter, Hades, Ares, Poseidon, Atena, Dionísio, Apolo, Ártemis, Afrodite, Hefesto e Hermes. Além deles, os gregos também tinham outras crenças místicas, como as ninfas, os semi-deuses, e outras criaturas mágicas.

Mágicas à parte, nem mágica ajuda quando se trata da situação econômica grega - ou européia, em geral. Eu, que vou para uma semana em terras aquéias - ou helênicas -, sei que entro lá com euros no bolso, mas não sei se saio com euros ou drachmas... tampouco sei se precisarei fazer câmbio para punts ao entrar na Irlanda!


Zeus me livre!!!

Thursday, February 11, 2010

presente de grego


Como já disse Hemingway, o Ernest: o sol nasce para todos, não é mesmo? Nem tanto. Que sol é este que seleciona seus agraciados?

A vida na Zona do Euro sempre foi tida como boa... Mentira. Ela não é boa, ela é MUITO boa. Mas MUITO, MUITO boa mesmo. Principalmente se comparada aos padrões brasileiros! E olha que nem precisamos ir para o campo econômico não, é só educação, saúde e principalmente SEGURANÇA!

Pairando sobre praias econômicas, a coisa pode mudar um pouco. O padrão de vida na Zona do Euro é alto, o poder aquisitivo é forte. Assim, a putaria econômica se alastra, pois o ambiente é propício - pessoas querendo consumir! "Consuma! Consuma! Satisfaça seus mais devassos desejos!" E tudo isso com respaldo de governos bunda-moles que abrem suas pernas para o mercado - o capital de empresários irresponsáveis, aqueles que só conseguem ver cifrões em seus bolsos e dão um grande FODA-SE para a população.

E na Grécia não foi diferente. Quando esses irresponsáveis não conseguem arrumar a cagada que aprontam, os trouxas dos governantes têm que ajudá-los, "em nome do mercado"...

Enquanto essa putaria não acabar, camaradinha, a gente só vai ganhar presente de grego... um atrás do outro!

Tuesday, October 27, 2009

José Paulo Paes

Na preparação para a próxima TUDA, pretenciosamente vou publicar uma (talvez duas) traduções minhas, do grego para o português. E já que é do grego que quero traduzir - aproveitando uma estadia em Atenas, e conseqüentemente uma aproximação cultural - nada mais justo do que saber de outros aventureiros, como José Paulo Paes.

A princípio, queria traduzir algo inédito em português, mas após uma rápida pesquisa, vi que Paes já publicou vários volumes de poesia grega, incluindo Giorgos Seferis e Constantino Cavafy, os dois poetas da qual eu selecionara os poemas.

Isso não torna a tarefa menos árdua, mas sim menos compensatória, já que não seria uma exclusividade mais, como aconteceu com outros poemas traduzidos em TUDA; do basco, do irlandês, do lituano, do romeno, do russo, do turco, do polonês...


E é claro, ao pesquisar sobre José Paulo Paes, acabei por me deparar com alguma produção livremente publicada na internet, que queria dividir...
Canção do Exílio

Um dia segui viagem
sem olhar sobre o meu ombro.
Não vi terras de passagem
Não vi glórias nem escombros.
Guardei no fundo da mala
um raminho de alecrim.
Apaguei a luz da sala
que ainda brilhava por mim.
Fechei a porta da rua
a chave joguei ao mar.
Andei tanto nesta rua
que já não sei mais voltar.

Sunday, October 18, 2009

impressões helênicas II


Vou dizer uma coisa... eu não tenho nada a ver com restaurante, mas criticar é uma coisa que eu sei fazer bem...

Lá fui eu tomar o meu desjejum. Já que me neguei a pagar €20 no hotel, dá-lhe caminhada atrás de algo razoável. E quando digo razoável, não é só pelo preço, mas pelo tratamento. Todo mundo sabe que restaurante - assim como bar, loja, café, sorveteria, lanchonete, banheiro público - em centros turísticos estão muito mais para armadilhas interativas do que ao que se propõem por seus títulos. Sendo assim, parei num café que me pareceu razoavelmente agradável e bem freqüentado, do ladinho da Acrópolis, com mesinhas na calçada, decoração bem suave... mas já que é pra criticar, comecemos pela mesa bamba - odeio mesa bamba que você tem que colocar um guardanapo dobrado debaixo de uma das pernas em busca de estabilidade. Fiquei quase dez minutos olhando pra moça do caixa, que me lançava olhares esporádicos de enfado, até que resolvi levantar e pedir-lhe o menu.

Meus planos de breakfast foram por água abaixo ao notar que só serviam o desjejum até o meio-dia (num domingo, em pleno centro turístico?), pois já passava da uma da tarde. Pedi um misto-quente e uma xícara dupla de café grego. O café chegou em 5 minutos - morno - e o misto-quente em 20. E com o pão "mal-passado".

Mas a minha redenção não estava longe... Louco por outro café, resolvi não dar este prazer à casa e pedi a conta... €7. Saquei uma de 50 e o garçon, com cara de saco-cheio, perguntou se eu não tinha uma nota menor, e logo se distraiu com um colega que lhe gritava algo. Disse-lhe que não e ele preparou o troco meio a contra-gosto, jogos €43 na mesa e saiu, sem pegar a nota de 50.

Recolhi o dinheiro, guardei o troco e deixei a nota de 50 na mesa, terminei de ler um artigo no jornal e chamei o garçon novamente, que com uma cara de "o que ele quer agora?" se aproximou... ao notar a nota (!) de 50 na minha mão, sua expressão mudou para "que cagada eu fiz!". Dei-lhe a nota, um tapinha no ombro e disse - "I've saved your day, uh?, no que ele respondeu "ευχαριστώ πολύ κύριος" (muito obrigado senhor).

Tuesday, February 10, 2009

vantagens de ser aqueu

Dentre as várias vantagens que se deve ter em ser grego - devem ser tantas, mas tantas que eu não conseguiria cobrir neste post... então vamos ficar com duas.

Uma, indubitavelmente, é que... eles entendem grego! Até as criancinhas! E falam também! Não é incrível? A outra, menos óbvia, é a indústria pirata. Diferentemente do Brasil, não alimenta e nem é alimentada pelo crime organizado, mas acaba por dar emprego aos imigrantes ilegais, geralmente da Nigéria e do Quênia. OK, nada de nobre até agora... mas o fato é que os gregos se solidarizam tanto com a causa dos imigrantes, que criticam a ação da polícia quando estes agem contra o comércio que eles praticam. Aí, por solidariedade, consomem os produtos! CDs, DVDs e bolsas da Louis Viton, D&G entre outras. Imitações da mais pura qualidade, garantem.

Quanto às bolsas não posso dizer muito, mas quanto aos CDs e DVDs, um fenômeno interessante se observa: a indústria "legal", incapaz de combater a proliferação dos piratas e, entre os jovens, os "downloads" estilo BitTorrent, tem que reduzir os preços aos níveis do piratas! Compra-se CDs novos a €5, €6. DVDs novos a €10, €12! Não-lançamentos podem ser encontrados a €1! Não paga nem a embalagem!

Comprei uma edição de Carmem de Bizet composta de 4 CDs, com a ópera e mais outras peças flamencas, num livro 25cm x 25cm de luxo, capa dura e totalmente ilustrado, por €9,90! Outros 4 lançamentos de DJs Ingleses por €1 cada!

Pois é... parece que os gregos souberam tirar vantagem da pirataria...

Sunday, February 08, 2009

aqueus & frígios


Algumas coisinhas sobre os gregos que só se descobre depois de vir à Grécia:
  1. o idioma grego nem é tão difícil assim;
  2. o churrasco grego da Grécia é tão nojento quanto o do centro de São Paulo;
  3. os gregos não quebram pratos em restaurantes.
Pois é, eu também fiquei chocado! Todas aquelas piadas sobre o idioma - falo tudo menos grego - podem ir por água abaixo... uma vez vencida a barreira do alfabeto, o resto é fichinha! Vais achar inclusive muitas palavras parecidas com o português! Ou melhor, ao contrário, já que o português é que vem do grego... Quanto ao churrasco grego, se você é daqueles que nunca teve a coragem de pedir um churrasco grego naquelas barraquinhas do centro de São Paulo por puro nojo (que injustiça, né?), pode tirar o cavalinho da chuva... na Grécia é a mesma merda! E finalmente - nesta o meu mundo quase caiu! - os gregos não quebram pratos em restaurantes... aliás, eles ficam chocados quando vão a restaurantes gregos no exterior e presenciam tal barbaridade... Mas a pior de todas ainda está por vir... a Guerra de Tróia pode nunca ter acontecido! Tudo pode não passar de uma viagem de Homero, que deve ter fumado uns quando escreveu seus poemas épicos "Ilíada" e "Odisséia". Segundo sua versão, a guerra se deu quando os aqueus atacaram Tróia (que ficava na Frígia), para recuperar Helena, raptada por Páris. Meu camaradinha... em tempos de boatos cibernéticos, estes acabam sendo mais fortes que a própria verdade - e esta dói. Mas a Guerra de Tróia, sendo mito ou fato, um legado deixou, desde o fim da Idade do Bronze no Mediterrâneo, quando supostamente aconteceu: Difícil mesmo é agradar aqueus e frígios!