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Thursday, December 22, 2011

O Reino Desunido

Fica cada vez mais claro que o provincianismo da soberania absoluta inglesa vai de encontro - ou seja, confronta-se - com a Europa moderna. Os inglêses do Século XXI já não sabem mais "o que" eles são. Se antes, ser inglês parecia ser a mesma coisa que ser britânico, começa a ficar cada vez mais claro que não é. Mas a grande crise é que os inglêses parecem não ter uma noção de clara de "inglesidade" separada da noção de "britanidade"! Eles não sabem lidar com múltiplas identidades, e se não aprenderem rápido, a crise da Inglaterra com a Europa continental só tende a piorar.

Os escoceses e galeses sabem quem são. Há séculos eles carregam duas identidades - a sua própria e a britânica. E parecem não se incomodar com uma terceira identidade - a europeia. Eles se sentem em casa numa Europa de múltiplas identidades! Juntamente com os catalães, os bascos, os flamengos, os valões, os corsos, os sardos e mesmo os bretões, os escoceses e os galeses estão desenvolvendo um desejo de emergir como um estado soberano!

Manter o Reino Unido unido nos próximos anos é o grande desafio. Na pior das hipóteses (pior para quem?), o mais provável é o desmembramento do Reino Unido, com a Inglaterra ficando de fora da União Européia e a Escócia e o País de Gales permanecendo na união.

P.S.: Ontem - 21/12/2011 - foi o dia mais curto do ano! É... inclusive saí mais cedo de casa, só para curtir melhoro dia!

Monday, December 12, 2011

E por falar nisso...

Se você está pensando em me dar um presente de natal, fique à vontade... com tanto que não me dê um iPad! Depois de ensinarem chipanzés a jogarem video-games, agora cientistas vão ensiná-los a usar um computador com touch-screen! Imaginem a confusão no trem e no metrô: como saber quem é quem?

Seria esse o primeiro sinal da profecia hollywoodiana do planeta dos macacos?

* * *

Sir Cameron de Avalon, conhecido pelas suas funções de primeiro ministro do Reino Unido - ao menos é o que se pensava - andou enfiando os pés pelas mãos. Numa manobra para agradar seus amiguinhos do partido, ao ter negado o pedido de concessões fiscais ao sistema financeiro londrino (justo a quem?), simplesmente pôs sua bola debaixo do braço e disse não brincar mais! Merkel e Sarkozy nem ligaram muito para a criança, pelo que parece...

Cameronzinho ainda tem tempo de voltar atrás e seguir o conselho do Sarkozy: "Cameron, você precisa levar as coisas a sério!"

* * *

Tem um amigo meu que acredita que o universo está sendo modelado... como um modelo de banco de dados. E assim que esta modelagem acabar, tudo no universo, absolutamente tudo, pode ser previsto.

Cá com os meus botões, me pego a pensar... tendo o universo já mais de 15 bilhões de anos, imagino eu que a modelagem deva durar mais ou menos o mesmo tempo... e só pra piorar as coisas, o negócio é dinâmico e muda o tempo (?) todo, se é que podemos associar um eixo temporal ao universo... ainda mais agora que descobriram o Kepler 22-b, o pessoal da modelagem vai precisar começar de novo...

Tuesday, September 20, 2011

de deuses e economia

Grécia, terra dos deuses e dos prazeres terrenos, lugar onde o homem ousou se nivelar com os deuses, e dialogar à sua altura. Deuses e mortais habitavam o mesmo plano, nos primeiros dias do mundo... Está tudo lá, na Metamorfoses de Ovídio, divididos em dois grupos temáticos: contos de amor, e contos de punição. Assim era com os deuses: amor ou ódio.

O mais importante dos deuses da Grécia antiga era Zeus, o rei dos deuses, que era casado com sua irmã Hera. Os outros deuses que compunham os 12 deuses do Olímpico eram Demeter, Hades, Ares, Poseidon, Atena, Dionísio, Apolo, Ártemis, Afrodite, Hefesto e Hermes. Além deles, os gregos também tinham outras crenças místicas, como as ninfas, os semi-deuses, e outras criaturas mágicas.

Mágicas à parte, nem mágica ajuda quando se trata da situação econômica grega - ou européia, em geral. Eu, que vou para uma semana em terras aquéias - ou helênicas -, sei que entro lá com euros no bolso, mas não sei se saio com euros ou drachmas... tampouco sei se precisarei fazer câmbio para punts ao entrar na Irlanda!


Zeus me livre!!!

Sunday, February 06, 2011

Essa direita...


Algumas coisas andam acontecendo no mundo, como sempre... por mais que se tente ficar  alienado das coisas, numa posição confortável, desligado dos acontecimentos, tentando assim importar-se apenas com aquilo que realmente te atinge quando te atingir, há coisas que não há como não serem ouvidas. O Egito, por exemplo... uma baita mudança se anuncia, que não se pode simplesmente não-olhar naquela direção. E a pergunta que se impõe é: seria essa rebelião uma rebelião laica ou um complô islâmico contra o ocidente?

Os europeus andam meio que "em cima do muro" na questão egípcia. Ora, se os europeus aplaudiram a queda do Muro de Berlin e comemoram a vitória da democracia no Leste europeu, porque desconfiariam da sociedade civil árabe? Seria por ser uma cultura totalmente diferente da ocidental, ou seria pelo fato de que, como em todo grupo, partido, governo, ou mera aglomeração humana, sempre há os que se apegam com unhas e dentes à suas causas, mas também há os que simplesmente aproveitam os holofotes para outros interesses?

A Europa é um grande bloco, com objetivos muito além de simples conflitos governamentais, ou incertezas quanto a regimes políticos. Não cabe a ela decidir o que é melhor para o Egito. Europa não são os Estados Unidos. Os EUA sim, metem seu grande nariz no negócio dos outros quando não são chamados. À Europa cabe apoiar e acolher, meramente, quando o povo - através de representação legítima - souber o que quer.

Pois bem, por incrível que pareça, há quem ache a questão egípcia não passa de uma luta organizada contra o ocidente - sendo, nesse contexto, ocidente definido como a representação branco-católica-americana. E claro, essa idéia absurda só pode ter se originado numa cabeça branca-cristã americana - categoria em que não me encaixo... não que ser branco ou cristão seja algo ruim. Aqui, é só uma infelicidade!

Da mesma maneira que há gentes que dizem-se saudosos da ditadura militar brasileira (O quê?!?!? - Sim, é verdade!!! - Não... - Sim... - Não acredito que... - Pois acredite, camaradinha, tem gente doida para ter os milicos de volta no poder! - Mas e todas aquelas torturas, cassações, assassinatos, coerções... - Pois é, mesmo assim... - Mas como?!?!? - Pois é...) há gente que sente falta de regimes ditadores em vários outros lugares do mundo! Inclusive o Egito! É a mesma inversão de valores que a moralidade bushiana sempre impôs mundo afora, abonada pelos ultra-direitistas americanos, que acham que liberdade se limita ao direito de não assistir aos comerciais entre a primeira e a segunda edição do jornal das 8...

Opinar todo mundo opina. Principalmente a direita americana, que na falta do que fazer se empenha em achar um suposto documento de Obama, onde conste o nome do hospital, do médico, do anestesista e das enfermeiras que fizeram seu parto, alegando que se não tiverem tal papel em mãos, significaria que Obama não seria americano, e portanto um presidente ilegítimo! Ora, ora... eu diria que se Obama não for americano, sorte dele... e do povo americano!

Se eu fosse me classificar, simploriamente, em direita ou esquerda, me diria esquerda... mas acredito ser imparcial o bastante para discernir o bom e o ruim das duas doutrinas. Sempre acho prazeroso ouvir ao extremista direitista facista chauvinista Olavo de Carvalho, em seu programa True Outspeak. Não por ser chauvinista, mas por ser inteligente e de direita. Embora seja, infelizmente, reacionário.

Semana passada Olavo soltou uma pérola, daquelas do calibre de Gilberto Dimenstein - o meu perolista-mor. Disse Olavo, no contexto de homossexuais reclamarem da discriminação quanto à sua opção sexual, que "Os homossexuais estão com a faca e o queijo na mão!"
O que será que Olavo quis dizer com isso?

Ele continua questionando se alguém conhece um religioso que tenha espancado algum homessexual. Provavelmete não! Todos sabemos que a religião é castradora, e um religioso de verdade é temeroso de qualquer pecado, pois significa condenação! Assim, não é a moral que lhe conduz, mas a religião. Se amanhã, estupro deixar de ser pecado, ele poderá praticar... sem a mínima culpa!

Se são ou não são católicos os que recentemente espancaram homessexuais na Avenida Paulista, não importa. O que importa é que a intolerância ainda habita a sociedade, e deve ser combatida. Seja educando a tolerância nas escolas, seja exigindo que os pais eduquem seus filhos a serem tolerantes com o que é diverso. E dizer que educar a tolerância é incitar a homossexualidade é tão baixo como imbecil. Tolerância significa a boa disposição de aceitar opiniões opostas às suas. Mas parece que a única tolerância da direita, em geral, é a "Tolerância Zero", onde um suposto rigor crítico e absoluto não aceita o mínimo desvio.

Eu diria que os homossexuais têm o queijo na mão. A faca está na mão de outros.

Thursday, December 23, 2010

A coisa tá branca...

 

Pior do que preta, a coisa branca incomoda muito mais... pelo menos lá na Europa! Estradas interditadas, aeroportos fechados, transporte público parado... um caos!

E daí? Diria você... Pois daí que para mim, que preciso pousar no velho continente, a coisa branca está me incomodando... ou melhor, me impedindo de viajar! Com previsão de embarcar sexta-feira 24/12, chego na terra do "grande benson" dia 25/12 - é, ceia de natal plastificada no avião! E como é de praxe... dia de natal, NADA funciona na Europa! Só poderei embarcar para a "ilha do verde do nada" no dia seguinte, 26/12...

É, estou aqui ainda! A lona do circo caiu, e eu não consigo achar a saída!!!

Thursday, October 07, 2010

tiriricando


A eleição de Tiririca sensibilizou a opinião internacional. Aqui na Europa, principalmente. Imaginem todos aqueles jargões maravilhosos: "Vote no Titririca, pior do que está não fica", "Quero ser deputadô, porque eu quero ajudar os mais necessitados inclusive minha família", "Se vocês não votarem em mim, eu vou móóórrer", "Você sabe o que faz um deputado federal? Eu também não sei, vote em mi que te conto depois". Tudo traduzido para o inglês, francês, espanhol, italiano, alemão... e até para o português! É, nosso patrícios levaram os vídeos para os mais altos escalões linguísticos e etimológicos, tentando descobrir que complexos pensamentos poderiam ter por trás de tais palavras, pois estavam certos de estarem perdendo algo!

E eu digo - perderam nada não! Só aquela vez, lá nos idos de 1500, quando perderam o rumo tentando chegar à Índia... aí deu no que deu!

Tuesday, September 07, 2010

Conseguimos!

Debaixo de muita chuva, terminamos nossa caminhada pela Oxfam Ireland Trailtrekker 2010 - 100Km em até 36 horas. Aqui nessa foto, já havíamos passado da metade do trajeto, as bolhas já estavam espalhadas pelos pés, a canela já estava inchada... Eu particularmente já estava naquela fase de suportar a dor, apenas.

Fizemos muito bem. Em 26 horas e 57 minutos, ficamos em vigésimo-terceiro na classificação geral, entre todos os 108 grupos, e em décimo-quinto entre os times que terminaram completos - com todos os 4 membros. Certamente nossos 5 meses de treinamento com cerca de 500 km acumulados valeram a pena!

Antes de começarmos, cheguei a duvidar se conseguiria terminar. Depois de 1/3 do trajeto, tive a certeza de que chegaria ao final...

Com a ajuda fundamental da equipe de apoio - Anna, Teresa, Julie. Bianca e Owen - tivemos um final de semana que dificilmente esqueceremos...

Resultados finais aqui...

Thursday, July 29, 2010

Olé!

Por ocasião da decisão da Catalúnia de proibir as touradas, Jaborzinho despirocou de vez! Depois de se declarar árduo defensor das touradas, insinuou que a medida não passava de retaliação por parte do governo catalão, que por não conseguir a independência quer, sempre que pode, pisar no calo dos espanhóis.

Ainda no seu delírio, Jaborzinho jogou Creta na Península Ibérica, e tentou justificar sua tara bovina chamando as touradas de A Grande Arte, comparando-as com o teatro grego, insinuando que João Cabal de Melo Neto e Picasso seriam toureiros da pintura e da literatura...

Em sua lógica tresloucada, Jaborzinho sugere que só carnívoros podem gostar de tourada, e quem não gosta deveria ser vegetariano! É...  E para fechar com chave de ouro, disse que sempre que assiste às touradas torce fervorosamente para os touros!!! Ora, se Jaborzinho é tão fã de touradas, deveria saber que só há uma maneira do touro ganhar: matando o toureiro. Supondo que ele consiga matar o toureiro antes que as dezenas de toureiros-assistentes invadam a arena, o "troféu" do touro, ao final, será a própria morte, pois como dizem, um touro que mata um toureiro não pode viver - e correr assim o risco de "gostar" de matar. Ora... eu, cá com os meus botões, diria que os touros não fazem muita questão deste tipo de suporte. Tampouco os toureiros...

Jabor, Jabor... até quando, hem?

Monday, January 18, 2010

os sub-servientes


Tem uma propaganda da Cel-lep em que um rapaz discursa, em bom português, sobre os bons números da empresa no ano, sobre a produtividade, os investimentos, ou outras coisinhas - querendo dar a idéia de que ele é uma pessoa muito bem articulada. De repende, um outro interrompe e diz "Ah... excuse me, could you say it again in English?"

O rapaz gagueja, e muito sem graça, sem jeito e sem inglês, ameaça um "Well, the company..." e aí uma outra garota - supostamente mais desinibida - toma as dores e tenta, num inglês mais que macarrônico, expressar algumas palavras. O narrador do comercial passa a falar por cima algo como "se você quer falar inglês no mesmo nível de sua capacidade profissional, venha para o Cel-lep...".

Ao final, o fulano que pediu para que o assunto fosse repetido em inglês, interrompe, mui bruscamente, com um "That's enough! Thank you!" lá do alto da sua estadosunidade, como se ele estivesse se sentindo ofendido com o ocorrido.

Infelizmente, esse sentimento de subserviência ainda impera na sociedade tupiniquim - que se deve falar inglês. Sem dúvida, falar inglês - ou outro idioma de penetração - abre portas no seu horizonte, seja pessoal ou profissional, mas isso se aplica não só para brasileiros, e sim para todo mundo - inglês falando espanhol, francês falando italiano, português falando alemão...

Mas aí me vem este comercial que te impõe a arrogância do monolíngue inglês exigindo que alguém fale a língua dele? Nem em comercial de escola de línguas! Ainda mais de estadosunidenses!! Como aquela piadinha antiga já dizia: quem fala 4 línguas é poliglota, 3 é trilíngue, 2 é bilíngue, e uma é americano...

Por isso camaradinha, para não soar tão arrogante como nossos vizinhos estadosunidenses, ao viajar para qualquer país, lembre-se:
  • não espere que falem sua língua - nem em Portugal!
  • se não for um país de língua inglesa, não espere que falem inglês
  • é sempre elegante saber algumas palavras na lígua local, tais como bom dia, boa tarde, boa noite, até logo, por favor e obrigado (se quiser se aprofundar, tente "uma cerveja por favor" e "mais uma cerveja por favor")
Boa viagem!

Wednesday, September 30, 2009

Hoje é dia de tratado


Bem ou mal tratado, Lisboa está em pauta. Começa hoje a votação para ratificar (ou não) o Tratado de Lisboa na Repblica da Irlanda. As ilhas do condado de Donegal (Dún na nGall, em irlandes)

Por falar em Donegal, aprendi esses dias uma coisa que nem nativo sabe: Dún na nGall, Donegal em em irlandes, que significa "forte dos estrangeiros", diferentemente do que "todo mundo" pensava, não se pronuncia Dun-nû-nal (o "n" antes do "G" anula o som do "G"), pois "nal", em irlandês, significa "cego", o que mudaria o sentido para "forte dos cegos". Para evitar tal engano, criou-se uma saída, forçando o som do "g", não em "nGall", mas em "na"... algo como "Dún-nung-nal".

Essa é uma das coisinhas que tornam a língua "interessante"...

Friday, July 31, 2009

De viagens...


Eu adoro viajar. Literalmente, e de qualquer maneira: ônibus, trem, avião, navio, e até carro (quando eu não estou dirijgindo). Cada meio de transporte me trás certas lembranças, e uma certa nostalgia até. Ônibus, por exemplo, me lembra a juventude, sem dinheiro, e de viagens baratas, as mais baratas possíveis. No outro extremo, os aviões me lembram duas coisas: primeiro negócios - viajo muito a trabalho - e depois lazer, os "weekend breaks" europeus, mas a principal lembrança é o Brasil, já que 11 horas de vôo não é algo fácil de esquecer. E os trems - os meus preferidos - me trazem a imagem da aventura que realmente busco nas viagens... uma poltrona confortável numa cabine vazia, uma garrafa de vinho e um bom livro, jazz nos fones de ouvido e uma maravilhosa paisagem na janela - o eurotúnel londrino, os vales normandos, as trilhas montanhosas de Luxemburgo, as margens do rio Reno em Renânia-Palatinado, os alpes suíços...

Como já disse John Donne, poeta inglês do século XVI, em seu famoso texto "Meditações XVII", "Nenhum homem é uma ilha, sozinho em sí mesmo..." Bem, eu estou numa ilha, e acabo por me obrigando a explorá-la, também. O que é muito interessante: o Oeste, a verdadeira Irlanda da língua gaélica; o Sul e suas vilas de pescadores, o norte e seus conflitos patrióticos, e mesmo Dublin, em sua jornada de tolerância e diversidade...

E já que é sexta-feira, camaradinha, eu te digo: viaje, viaje bastante e sempre... e quanto mais lúcido melhor!

Thursday, July 16, 2009

Um milhão de olhos


É o preço da segurança... Estão querendo implantar micro-câmeras de segurança (sic) nas auto-estradas brasileiras. Pequenos big-brothers para te vigiarem... e tem gente dizendo que é o preço a pagar pela segurança... alguém aí lembrou do Bush ou foi só eu?

Jorginho Caminhador Arbusto, também conhecido como George Walker Bush, tinha exatamente o mesmo discurso: o preço da segurança é a liberdade. Se dava ao direito de, para supostamente proteger sua gente, bisbilhotar malas, caixas postais, emails, e até lares dos (pobres!) cidadãos americanos...

Monday, July 06, 2009

na contra mão...

Na contramão dos fatos, a Irlanda parece viver um outro mundo. Com um dos piores índices de desemprego e recessão dos últimos 30 anos - pior ainda do que os famigerados anos 80 - e o pior da Europa (lembremos que a Islândia não faz parte da UE), ela, na voz imperial do Taoiseach Brian Cowen, resolver adotar medidas justamente contrárias a todos os outros países do bloco. Onde eles acabam com certos impostos, a Irlanda cria novos (Imposto de manutenção de aeroportos, um novo imposto para proprietários, uma nova e mais cara variante do imposto do lixo); onde os outros países diminuem suas Taxas de Valor Agregado (o famoso VAT - Value Added Tax), o brilhante Brian aumenta - foi de 21% para 21.5%; Onde os outros, e por aí vai... Por isso, alguns empresários de setores afetados se manifestam, o que é saudável. Só temos que discernir interesse setorial de melhorias econômicas.

O VAT deveria ser reduzido em 10% - Concordo! O da Irlanda é um dos mais alto da Europa, e está bam acima de UK, daí a evasão do consumo para o norte.

O Partido Verde destruiu o mercado de automóveis com tantas restrições populistas - Será? Ou serão os empresários que querem que construam-se mais e mais estradas, que o combustível seja subsidiado, e que o imposto do carro diminua para aumentar o consumo, que na verdade seria um caos!

A Assistência Social provida pelo Estado arruinou a competitividade da Irlanda - Hum... alhos & bugalhos na mesma salada; Assistência Social mantêm índice de criminalidade baixo. Mendigo aqui usa Nike (que não é roubado), fuma do próprio cigarro (OK, eles pedem um ou outro de vez em quando...), e alugam DVD na locadora local! Mendigar é opção, e no caso aqui, um trabalho - ficar o dia todo sentado na rua, com cara de coitado, pedindo por trocados.

Brian Cowen é inútil, mas não tão ruim como Bertie Ahern, o Taoiseach anterior - Concordo plenamente. Bertie vai acabar por ser lembrado como o homem que afundou a Irlanda...

Uma trégua de 12 meses nos impostos para a compra de imóveis aqueceria o mercado novamente - Duvido, pois o mercado está inflado justamente porque construiram-se mais casas do que a demanda de pessoas para morar nelas... a trégua só benificiaria os uqe já compraram e não estão podendo arcar com suas dívidas.

Um ponto que eu desconhecia, porém, é que todos os funcionários públicos trabalham apenas 32 horas semanais... e além disso têm horários flexíveis e "abono-doença" de dez dias... Numa semana em que o país viu o equilíbrio do Tesouro se deteriorar ainda mais, e a taxa de desemprego passar de 11,9%, o que poderia nos consolar?

Os franceses, é claro!

Thursday, June 18, 2009

6eis poetas poloneses


Desde que traduzi dois poemas do polonês Konstanty Ildefons Galczynski na TUDA de Maio, parece que coisas da Polônia passaram a "bater em minha porta"! Além do vizinho polonês, colegas de trabalho poloneses. O contato inesperado com o professor Jacob Pinheiro Goldberg, um intelectual filho de poloneses que estará na TUDA de Junho (e que aliás fala o idioma e, modéstia às favas, elogiou minha "transcriação"), e agora este lançamento de poetas poloneses...

O que fazer senão atender ao chamado e prestigiar?

Konstanty Ildefons Galczynski (23/01/1905 - 6/12/1953) - poeta polonês nascido em Varsóvia, mudou-se para Moscou ainda muito jovem, retornando para cursar Estudos Clássicos e Língua Inglesa na Universidade de Varsóvia. Estreou em 1923 como membro do grupo de poetas Kwadryga. Durante a invasão da Polônia passou a maior parte da guerra como prisioneiro de guerra, retornando à Polónia, em 1946. Muitos dos seus poemas pós-guerra são amplamente ignorados por serem considerados suporte ao regime comunista.

Saturday, June 06, 2009

O Dia "D"


Hoje comemora-se os 65 anos que os Aliados desembarcaram na Normandia, no que foi o início do fim da Segunda Guerra Mundial. Mas o que poucos sabem é que por pouco tudo não deu com os burros n'água, como diriam os patrícios portugueses.

Diz a lenda que a invasão estava programada para o dia 5. O tempo estava favorável nos primeiros dias de Junho, mas vinha piorando, até que desaguou uma chuva torrencial que forçou Eisenhower a mudar os planos e adiar o desembarque em pelo menos um dia.

Nas primeiras horas do dia 5, "chovia gatos e cachorros", como dizem os ingleses, e já se pensava em adiar o plano todo para a próxima combinação de maré baixa e lua cheia - fatores essenciais para a empreitada - no dia 19 de Junho.

Contrariando todos os outros adivinhadores dos humores do tempo, o capitão J. M. Stagg fez o que seria a mais importante previsão do tempo de toda a história: disse ele que a tempestade iria amenizar durante o dia, e o dia seguinte seria satisfatório para o desembarque... e assim o foi.

Se Eisenhower tivesse adiado o plano para o dia 19, seria uma tragédia, pois naquele dia se deu uma das piores tempestades daquele ano, o que tornaria o desembarque impossível, e Hitler poderia ter deslocado ao menos algumas de suas tropas para o leste, ou mesmo usar o fracasso da investida para persuadir Stalin de que os capitalistas eram uma ameaça oa regime soviético, e uma aliança Nazi-Socialista seria a melhor solução.

Já pensou? Uma Europa Nazo-Comunista?

fonte: What If?

Monday, June 01, 2009

Cadê o meu cachê!

Aquele pesadelo orweliano de "1984" já é mais que realidade. No livro "1984" de George Orwel, o controle e a opressão ao indivíduo é praticada pelo Estado. Hoje em dia, é praticada por indivíduos. O Big Brother exercia controle sobre os cidadãos rastreando-os com câmeras e telas. Isso acontece agora com cada vez mais frequência, mas na vida real não é obra de um tirano autoritário, mas os "Little Brothers" - "Sorria, você está sendo filmado"!

Jerome Dobson, presidente da Sociedade Geográfica Americana, criou o termo "geoescravidão" para dizer que o controle sobre a vida de indivíduos está acontecendo "no varejo", e não mais "no atacado" - provavelmente devido ao barateamento dos GPS (lembra?). Qualquer um disposto a pagar alguns dinheiros por mês pode rastrear uma pessoa 24 horas por dia. Isso certamente trará profundas mudanças sociais - nas relações entre pais e filhos, maridos e esposas, patrões e empregados... mas lá vamos nós, novamente, culpar a tecnologia pela nossa incapacidade de identificar limites!

Há um caso para ilustrar isso: Martha Stewart, apresentadora de TV que cometeu irregularidades em negociações de sua empresa e foi colocada sob prisão domiciliar. Como? Ela tinha de usar uma tornozeleira eletrônica com rastreador. O juíz determinou a "pena de encarceramento" - como se fosse uma cela - o uso de um rastreador. Pode não ser uma "prisão", mas tampouco é liberdade.

Creio que foi em "Trust" que Francis Fukuyama defendeu a ideia de que Orwel disseminou um medo errado em "1984", defendendo que a tecnologia da informação, juntamente com a internet e os celulares, trouxe liberdade para os indivíduos, não opressão. Polêmico, Fukuyama acredita que a humanidade - ou a América - precisa de um antídoto para o que ele chama de "crescente cultura de formas extremas de individualismo", que segundo ele pode trazer "conseqüências terríveis" para a saúde econômica das nações...

O grande problema é que essa forma de vigilância é muito mais aceita do que a anterior - vide George Bush e sua política de cercear liberdades individuais em pról da segurança coletiva. É a maior ameaça já experimentada pelos humanos às suas liberdades individuais. Pessoas honestas em atividades honestas sendo observadas e controladas.

O maior problema, ao meu ver, é a complacência voluntária à falta de liberdade e de individualiudade. É o sentido derivado-expandido - e inverso - dessa vigilância. Muito além das comunidades virtuais (Orkuts, Facebooks, LinkedIn, etc), há os "tweets", verdadeiros alimentadores de bisbilhoteiros, auto-denominadas "redes sociais" estilo microblog, que permitem usuários enviarem atualizações pessoais e lerem a dos de outros, através da própria Web ou por SMS. Pessoas chegam ao absurdo de atualizarem seus tweets a cada minuto...

Saturday, May 02, 2009

Não atirem! Eles são amigos...

Finalmente a gripe suína deu o ar da graça também na Irlanda - o pessoal já estava se sentindo preterido, discriminado e tal, e já se preparava para uma iminente protesto pró-gripe suína na Irlanda! Por bem tal manifestação não foi necessária, e os preços das passagens aéreas Dublin-Cidade do México (vôo direto, criado em caráter de emergência, com medo que o vírus se perdesse numa conexão qualquer!) finalmente voltou aos patamares normais, sem a especulação oportunista dos fazedores de dinheiro fácil...

Agora, como a ministra da saúde Mary Harney já declarou "NO PANIC!!! NO PANIC!!!" todo mundo está beeeem mais traqüilo. Como cantaria Jorge Benjor, se cá morasse,
Os porquinhos estão chegando,
Estão cegando os porquinhos...

Eles são discretos
E silenciosos
Moram bem longe dos homens
Escolhem com carinho
A hora e o tempo
certo de atacarem...

São pacientes, assíduos
E perseverantes
Executam
Segundo as regras herméticas
Desde o contágio, a infecção,
O abatimento e a pandemia...

Trazem consigo, vírus
Congestionamento
das vias respiratórias
Dores de cabeça
Dores de garganta e febre
Para as pessoas
De temperamento sórdido
De temperamento sórdido
De temperamento sórdido
Afinal, são todos parentes, não?!?

Tuesday, April 28, 2009

Uma boa notícia, enfim...


A dificuldade em se chegar a um acordo entre os representantes da Eurocâmara e os Governos da UE na noite passada, na rodada final de negociaciações, sugere que, depois de cinco anos de debates, seja abandonada definitivamente a controvertida proposta que queria estabelecer a jornada máxima de trabalho em 65 horas semanais...

Do lado de cima da Europa, torcemos para que a já famosa jornada de 35 horas semanais dos franceses seja uma realidade em todo o bloco - certamente geraria mais emprego, e deixaria as pessoas mais felizes! Ganharíamos menos, é claro, mas sempre haveria aquela possibilidade das horas extras para os interessados, que afinal, se fizerem jornada dupla chegarão às 70 horas semanais...

Wednesday, March 18, 2009

it's a beautiful day indeed...


Um belo final de semana, na verdade... muito sol - frio, é claro - e muito céu azul. Inusitado, no entanto, pois num mesmo final de semana arrisquei-me não só no golfe mas também no tênis!

Foi o dia do São Patrício (Saint Patrick, ou melhor, Naomh Phádraig, em irlandês), não fomos à parada - ultimamente ela perdeu a graça, e anda resultanto em badernas isoladas - mas a mensagem foi recebida: Naomh Phádraig voltou a andar entre os vivos por alguns momentos e, ao ir embora, levou com ele as serpentes. Não aquelas do passado, tidas como divindades na cultura druída, mas estas dos nossos tempos, das nossas desavenças.

No seu caminho de volta, segundo consta dos Livros dos Colóquios dos Anciões (Acallam na Senórach), Patrício deparou-se com dois guerreiros, Caílte Mac Rónáin e Oisín, sobreviventes da eterna batalha entre O Bem e O Mal. Os guerreiros juntaram-se a Patrício, e contaram-lhe suas histórias...

Sunday, March 15, 2009

golfing in Ireland...


Ontem tive a minha primeira experiência no golfe. Depois do ski, que foi fantástico, o golfe é simplesmente espetacular!

Esqueça tudo o que você já ouviu falar sobre o golfe: que é esporte de rico/fresco, que não exige esforço, ou que é chato; o golfe não é nada disso... se é caro no Brasil, é porque o fazem caro: aqui não tem ninguém pra carregar teus tacos, e o carrinho não está incluso no preço do campo... pagamos a bagatela de 6,50eu pelo campo e 2,50eu pelo aluguel dos tacos! Uma mixaria, convenhamos! No Brasil, costuma-se ter todo um ritual "mordômico" que não é o padrão europeu; é claro que há clubes em que só jogam sócios, em que os preços são muito mais desfavoráveis, e a etiqueta muito mais rígida, mas isso, aqui, não é pré-requisito: pode-se muito bem jogar um golfezinho discontraído, por uns meros 15 euros (lemrando que uma coca-cola custa 1 euro).

Até que não dei vexame: 18 buracos, que demandam uma média de 3 tacadas por buraco pra profissionais, o que daria 54 tacadas, fiz em 113. Pouco mais da metade, sendo que fiz um buraco em 2 tadacadas, 2 em 3, alguns em 4, mas vááários em 7, 8, 9 ou 10!

Valeu! Pela experiência, pela amizade (Marcelo Melo, Marcelo Pererira e Tatiano Freitas... aquele abraço!), e pelo social: estarei eu mais "irish" que antes?!?

Ansioso pela próxima...