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Sunday, January 14, 2018

Quase (minha) memória

Morreu dia 5/1/18 aos 91 anos no Rio de Janeiro, o escritor e jornalista Carlos Heitor Cony. Membro da Academia Brasileira de Letras e jornalista militante, sobretudo durante o regime militar, Cony dava expediente regular na Folha de São Paulo, com suas crônicas geniais! Aliás, foram as crônicas de Cony que me incentivaram a escrever crônicas... o estilo, gingado, desembaraçado, quase líquido, me inspiraram muito e influenciaram também.

Cony publicou vários romances também, e um em particular, me pegou... Quase Memória.

Publicado em 1995, Quase Memória narra as histórias do pai de Cony, seu Ernesto, que também era jornalista. Nas palavras de Cony, um sonhador, com uma magnificiência perfeccionista nos simples detalhes da vida!

Foi esse romance me inspirou a tomar depoimentos do meu pai, sobre sua juventude... tenho tudo gravado, esperando tempo ou oportunidade de serem transcritos.

Também inspirou o nome do meu livro de poemas, o "Quase", de 1998 (na internet, fiz uma selecão em Algo de Quase).

Grande figura da literatura, esse Cony! Enquanto isso, eu aqui, pensativo como sempre acontece nesses momentos, só espero ter tempo de transcrever aquele livro e mostrá-lo ao meu pai...

Thursday, November 17, 2011

Morrer de escrever


Sempre que tenho uma idéia não desenvolvida me questiono quando irei tomar vergonha na cara e me dedicar à literatura em tempo integral... nem tanto vergonha na cara, e sim colhões!

Como trocar a comodidade e segurança da féria mensal pela incerteza da literatura? Sim, precisa de muito colhão para viver de literatura, mas muito mais colhões ainda para morrer de literatura!

Por enquanto eu passo...

Sunday, October 09, 2011

O Exercício da Tradução


Na TUDA eu exercito duas de minhas paixões, línguas e poesia - aliás, justo dizer que minha paixão por línguas veio através da paixão pela poesia. Era uma impressão de me dava, e ainda me dá, ao ler poemas traduzidos de outros idiomas, que eu poderia fazer diferente... não melhor ou pior - o que só se descobre depois da empreitada - mas diferente.

Essa sensação me levou aos exercícios de tradução, ainda muito cedo, nos meus vinte e poucos anos, e inglês e espanhol eram as línguas-fonte na época. Tais exercícios foram despertando em mim um prazer em decifrar - não é isso a tradução? E decifrando fui me acercando cada ve mais das chamadas "soluções poéticas" para os textos, fugindo da rigidez do sentido literal para valorizar características poéticas (rima, métrica, ritmo) e culturais (contexto social, cultural e antropológico adaptados à língua-alvo).

Tal exercício acabou por despertar em mim a curiosidade por outras línguas. Além do inglês e do espanhol, o francês e o italiano rapidamente passaram a fazer parte do meu repoertório, e mais tardiamente - e arduamente - o japonês (que consequentemente me trouxe o chinês) e o russo (que me proporcionou o contato com as línguas do alfabeto cirílico, como o bielorrusso e o ucraniano).

Com a minha mudança para a Europa meu horizonte se expandiu ainda mais! Aqui passei a ter contato direto com diversas línguas e culturas, e passei a entender melhor as fronteiras linguísticas e culturais - ou a falta delas - entre línguas próximas, de países vizinhos ou no próprio país; os diversos idiomas do reino da Espanha, os diferentes tipos de italiano falados Itália adentro, as particularidades do português e suas sub-línguas anciãs, os diversos dialetos alemães, o francês crioulo, o contato com outras línguas indo-européias de base cirílica, como o búlgaro, o sérvio, o mongol, o uzbeque e o checheno, etc, etc, etc...

Aí me perguntam:
-- ... mas você fala Polonês?
-- Não, respondo.
-- Você fala Basco?
-- Nem em sonho...
Aí, com aquele ar de desconfiança, disparam:
-- Então como você pode traduzir do Polonês, do Basco, e dessas tantas outras línguas que você não fala?
-- Simples... basta ter em mãos as ferramentas do meu famoso Kit básico para traduzir poesia de uma língua que você não fala ou não domina (língua-fonte) para uma língua que você domina (língua-alvo) !
Confira:
    Essenciais:
  • Um bom dicionário língua-fonte - língua-fonte
  • Um bom dicionário língua-fonte - língua-alvo
  • Um bom dicionário de verbos da língua-fonte
  • Um compêndio gramatical da língua-fonte
  • Desejáveis:
  • Conhecimento social e cultural do país, da época e do autor
  • Alguém que fale a língua-fonte para trocar idéias
Munido disso tudo, camaradinha, basta muita paciência e adoração por quebra-cabeças e decifração de códigos... e voilá!

Manda lá pro TUDA que eu publico!!!

Minhas traduções no TUDA:
http://tuda-papeleletronico.blogspot.com/search/label/EMtrad

Friday, October 07, 2011

Deu lá, no blog da Atelie...


Em entrevista ao Blog da Ateliê, o tradutor, músico e poeta falou da relação de “amor e ódio” entre Joyce e Dublin. Eduardo Miranda chegou à final do Concurso de Tradução Bloomsday 2011 e publicou sua tradução na revista eletrônica TUDA.

Como foi seu primeiro “encontro” com a obra de James Joyce?
Joyce me chegou primeiro através de Ulisses, ainda muito jovem – praticamente ilegível para mim na época. Depois fui cronologicamente retrocedendo: Retrato do Artista Quando Jovem, Dublinenses, e depois a poesia… mas foi em Dublin que tive a oportunidade de me envolver mais com a literatura e a cultura irlandesa – inclusive com a língua irlandesa – e consequentemente com James Joyce. Foi aqui em Dublin, durante a comemoração dos 100 anos de Ulisses,  que pude percorrer o caminho que Leopold Bloom percorreu, no mesmo passo que o livro.
Fale um pouco sobre a obra e vida de James Joyce, segundo a sua experiência.
Na verdade foi depois da minha mudança para Dublin por motivos de trabalho que vim a me interessar mais pela obra de Joyce – e tudo em Joyce é Dublin! E entender essa relação de amor e ódio foi um desafio… Joyce deixou claro em vida que não gostava de Dublin. Stephen Joyce, neto e curador da obra de Joyce, faz questão de afirmar que seu avô não gostava da cidade. Tampouco ele simpatiza com Dublin, e desaprova toda tentativa de citar a obra do avô, seja para turismo, nomeação de monumentos, ou mesmo comemorações. O único lugar onde é permitido citar a obra de Joyce é no James Joyce Centre, durante as comemorações do Bloomsday, festival que acontece todo dia 16 de Junho e que comemora as aventuras de Bloom.
Como é traduzir James Joyce?
Primeiramente acho que todos os que se submeteram ao desafio de traduzir o Finnegans Wake – e não só os finalistas – já são heróis pela própria ousadia. Para mim foi uma tarefa trabalhosa, tanto que consumiu quase todas as minhas horas livres de uma semana inteira! Mas ao mesmo tempo foi excitante e divertida… uma aventura e tanto! E o fato de morar em Dublin e de ter um certo conhecimento da língua irlandesa – mesmo que parco –  fez com que eu me sentisse, de certa maneira, mais próximo dos contextos joyceanos, e acho que acabou ajudando um pouco a transposicão multi-dimensionais do texto… além, é claro, de um pouco de intuição e muita poesia!
Fale um pouco de você e do seu trabalho.
Não sei se posso chamar de trabalho, no sentido convencional da palavra. É mais como um hobby, só que levado muito à sério… extremamente! Mas o tempo é que não ajuda muito. Como tenho o meu trabalho na área de Tecnologia da Informação, acabo dedicando apenas o tempo que sobra às outras atividades. Trabalho e família vêm primeiro e, às vezes, o que sobra não é muito. Tento ser constante na TUDA, uma e-zine de poesia, literatura e arte que publico mensalmente, já há 3 anos. É lá que publico minhas traduções. Minhas poesias, meus contos e outros textos podem ser acessados à partir de um “portal” que mantenho, o edotm.info. Já na música, tenho um projeto experimental e multi-instrumental, à distância, chamado The Virtual EM3, e uma banda real, o Wellfish. Conforme o tempo permite, vou “trabalhando”….
Eduardo Miranda

Confira no blog da Ateliê: http://blog.atelie.com.br/2011/09/eduardo-miranda-respira-james-joyce-em-dublin/

Thursday, June 16, 2011

Diaflor

Finnegans Wake, by Paulo Rocker
correnterrio, depois de Adão e Eva, do corredor da costa até a barriga da baía, uma cômòdus vicus estrada de extremavoltas nos conduz de volta ao Hacanga Castelo e Entornos
Este é o primeiro parágrafo da minha tradução dos 5 primeiros parágrafos do Capítulo I de Finnegans Wake de James Joyce.

Para quem não sabe, Finnegans Wake, ou Fubeca Desperta, na minha tradução, é o último romance de Joyce, publicado em 1939. É considerado um marco do romance moderno e experimental, por conter elisões e palavras composta em inglês e outras línguas, buscando uma multiplicidade de significados. Sua tradução para qualquer língua é complicadíssima, e qualquer tentativa é uma ousadia, desde o primeiro parágrafo do romance.

Ainda para quem não sabe, o Bloomsday é uma data comemorativa em homenagem ao livro Ulisses, de James Joyce, que relata a odisséia do personagem Leopold Bloom durante 16 horas do dia 16 de junho de 1904. É bem comemorada na Irlanda e modestamente em alguns países, inclusive o Brasil. É a única data fictícia comemorada no mundo, por amantes de literatura.

Minha tradução dos dois primeiros parágrafos do Capítulo I de Fubeca Desperta é finalista do Concurso de Tradução Bloomsday da Ateliê Editorial. Vote em mim aqui!!!

A tradução dos 5 primeiros parágrafos do Fubeca Desperta estará na TUDA de Julho.

Haveam todalls um muibomui Bloomsday!

Thursday, February 10, 2011

Conto novo no pedaço...

Tantos anos na profissão e eu ainda me apanhava de surpresa, emocionado com certos casos. Esse rapaz, por exemplo, vítima de um AVC. Novo ainda, em coma induzido já há sete dias, todo entubado… não sei o que havia nele que me despertava uma tristeza imensa. Talvez por aparentar mais ou menos a minha idade, ou por se parecer com alguém que eu conhecia, embora não me lembrasse quem.

Leia mais...

Friday, June 18, 2010

foi-se Saramago, Saramago foi-se

Pois não é que foi-se Saramago? Saramago foi-se! E melhor do que falar besteira é calar... Dizer que "O Mundo ficou mais burro e cego hoje", é de um lugar-comum que faria o próprio Saramago revirar -se no caixão, estivesse ele já acomodado!

Comunista de carteirinha - aliás, carteirinha não tinha... queimou-a em protesto à esquerda burra - dizia ser um comunista hormonal, e dizia possuir um hormônio que o obrigava, mesmo que não quisesse, a ser comunista. É o senso do humano, que Saramago sempre colocou em seus livros - todos!

Saramago me cativou no início dos anos 90,  com o romance O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de 1991. Depois deste, vieram praticamente todos os outros... li quase tudo de Saramago, e além do Evangelho, os que mais me cativaram foram os romances Levantado do Chão, Memorial do Convento, História do Cerco de Lisboa, O Ano da Morte de Ricardo Reis e os contos de Objecto Quase. A poesia dele também conheci, mas não me encantou muito na época... Eis uma boa oportunidade para relê-la (já caiu este circunflexo?)!

Ateu que era, fico imaginando onde andará Saramago...

Tuesday, May 18, 2010

O Brinquedo Novo do Filho do Rei

Não me levem a mal não... e nem pensem que isto é uma alusão ao socialismo ou ao comunismo, mas tenho cá uma pergunta que não quer calar... O que este Capitalismo de Mercado fez, ou anda fazendo, de bom para as pessoas? E quando digo pessoas, digo a grande maioria delas, não só os oportunistas e especuladores que fazem dinheiro fácil no prostíbulo financeiro, nem daqueles mais afortunados que tiveram dinheiro ou crédito para estabilizarem meios de produção ou de serviço e prosperaram através de seu trabalho - e de o de muitos outros, provavelmente, que se foram explorados ou não, é só uma questão da consciência de cada empregador, já que não há uma regulamentação eficiente contra a exploração do mercado.

Tenho certeza de que não sou o primeiro a levantar tal questão, e também sei que não serei o agraciado com a resposta que quero ouvir... mas não deixa de ser um exercício à reflexão!

Na mesma linha, na ocasião da virada de século, escrevi um poema que pretensamente conta a saga capitalista através dos séculos...

Postei o poema aqui no meu Plog...

Friday, March 12, 2010

assassino, eu?

Pois é... quem me conhece sabe que não sou, mas falo a respeito...

É que vai sair a antologia Assassinos S/A, e eu estou nessa!

Antecipo... o meu conto é esse aqui:

O Antipanegírico


Bem que eu tentei dar profundidade a isto tudo… em vão. Tentei ser bom, correto, e ao menos isso penso que consegui, mas agora me questiono se realmente valeu a pena todo este esforço. Ser bom requer esforço. Ao menos tentar ser bom exigiu de mim muito empenho.

Não vou aborrecê-los com pormenores da minha infância, pois realmente não valem à pena – se é que uma pena tem algum valor. Dela posso dizer que foi como qualquer outra infância normal, ou seja, não fui abusado, tampouco espancado. Recebi uma educação religiosa baseada na inexpressiva doutrina católica – o que resultou em agnosticismo –, freqüentei a escola normalmente e razoavelmente e tive paqueras que não deram em nada. Fumei cigarros, fumei maconha, tomei porres homéricos, tive alucinações coletivas e duradouras. Tudo em nome de mim.

Começou, digamos, quando me tornei gente. E isso só se dá muito tarde na vida, pois sempre temos uma impressão errada deste estado: primeiro pelos 14 anos, depois ao redor dos 18, novamente aos 24, 25, e depois aos 30. Apenas quando chegamos aos 40 começamos a entender o que é a vida, e só depois dos 50 é que podemos falar dela com propriedade. Então percebemos que já estamos muito perto do fim, uns mais, outros menos. É preciso começar a morrer para viver. Só aí passei a ser gente. E daí pra frente, as coisas só pioraram, e todos os meus sonhos de não-gente foram por água abaixo, pouco a pouco. Trabalhava para o sustento, sufocava minhas vontades submetendo-me a vontades que não as minhas, privava-me de horas preciosas, as quais nunca dei importância. Constitui uma família, pois me foi imposto que assim tinha que ser. Traí minha esposa, não por falta de amor a ela tampouco por amor a amante, mas por pura convenção. Separei-me, deixei filhos para trás, casei-me de novo, cuidei de filhos que não eram meus, não os amei como deveria, nem amei minha segunda esposa como pensei que amaria, e acabei traindo-a também, desta vez não por convenção, mas por um vazio que sempre carreguei comigo e não se resume em amor, desamor, nem sexo. Fiz outros filhos, oficiais e clandestinos, que acabei não dando a atenção devida, ou talvez sim, e levei a vida.

É verdade que, no meio disso tudo, tentei dar certa graça ao tempo que passava, fazendo coisas que pareciam mais nobres apenas por não serem impostas, cobradas ou esperadas, como tocar numa banda de jazz, escrever alguns contos, um ou dois romances e umas tantas poesias, além de me engajar em projetos sociais que nunca deram certo e me infiltrar na política – de esquerda, é claro – para demonstrar que estava tentando mudar alguma coisa do sistema que me oprimia. Mas tudo foi em vão.

No quesito tentativa não tenho do que reclamar, pois tentei bastante. No quesito sucesso, sou só fracassos. Por mais que eu tenha tentado dar profundidade à minha existência, acabava me propagando apenas em periferias, abrangências limítrofes, muito aquém donde queria chegar.

O que mais posso dizer sem levá-los ao aborrecimento? O porquê disso tudo? Claro... o porquê.

Dias antes, enquanto fazia compras no supermercado, um carro com quatro pessoas se aproximou de mim e estas pessoas me encararam demoradamente. Achei estranho, encarei-os de volta, mas eles não se intimidaram. Eu me intimidei. Isto me fez lembrar de algo que ouvi na rádio, dias antes, sobre um jovem que foi morto a tiros numa casa nas redondezas, e a polícia concluiu que havia sido um engano, pois a vítima não tinha antecedentes criminais.

Não falo polonês, embora possa identificar a língua. E aquelas pessoas se dirigiram a mim em polonês. Disso eu tenho certeza! Outra certeza que tenho é de que eles se enganaram. Foi um engano! Perguntaram em polonês, gritaram em polonês, apontaram-me uma arma polonesa, e dispararam tiros poloneses.

Certamente mataram o cara errado.

Monday, January 11, 2010

é TUDA de bom


Acabei de receber um email do meu amigo JG, o autor do ex-líbris da TUDA, com o ex-líbris da Livraria Martins Editora - que na verdade serviu de inspiração.

Veja toda a simbologia heráldica do ex-líbris lá no site do JG...

Para quem não sabe, ex-líbris é uma vinheta desenhada ou gravada que os bibliófilos colam nos livros - ou revistas, artigos - da qual consta o nome ou símbolo da sua divisa, e que serve para indicar posse.

Sunday, November 15, 2009

Deu no The times... John Cheever


Li no "The Times" hoje a crítica de um livro sobre John Cheever chamado A Life e achei super-interessante. Diz o artigo que em 1979, três anos antes da morte de John Cheever, uma pesquisa constatou que ele estava em terceiro lugar (atrás de Saul Bellow e John Updike) entre escritores americanos vivos, cujo trabalho era esperado para "resistir e ser lido por gerações futuras". Essa fama, no entanto, não durou. Se tal pesquisa fposse conduzida hoje em dia, consta na biografia, provavelmente ele não apareceria na lista dos 20 mais lidos. Isso me intrigou... como um autor tão badalado num momento pode ter caído no esquecimento?

Bem, adianto que não comprei a biografia - não sou dado a biografias - mas comprei The Stories of John Cheever, livro que lhe deu o prêmio Pulitzer de 1978, e que ainda hoje é uma das melhores coletâneas de contos dos Estados Unidos.

Vamos ver se me animo em traduzir algo para alguma TUDA...

Tuesday, October 27, 2009

José Paulo Paes

Na preparação para a próxima TUDA, pretenciosamente vou publicar uma (talvez duas) traduções minhas, do grego para o português. E já que é do grego que quero traduzir - aproveitando uma estadia em Atenas, e conseqüentemente uma aproximação cultural - nada mais justo do que saber de outros aventureiros, como José Paulo Paes.

A princípio, queria traduzir algo inédito em português, mas após uma rápida pesquisa, vi que Paes já publicou vários volumes de poesia grega, incluindo Giorgos Seferis e Constantino Cavafy, os dois poetas da qual eu selecionara os poemas.

Isso não torna a tarefa menos árdua, mas sim menos compensatória, já que não seria uma exclusividade mais, como aconteceu com outros poemas traduzidos em TUDA; do basco, do irlandês, do lituano, do romeno, do russo, do turco, do polonês...


E é claro, ao pesquisar sobre José Paulo Paes, acabei por me deparar com alguma produção livremente publicada na internet, que queria dividir...
Canção do Exílio

Um dia segui viagem
sem olhar sobre o meu ombro.
Não vi terras de passagem
Não vi glórias nem escombros.
Guardei no fundo da mala
um raminho de alecrim.
Apaguei a luz da sala
que ainda brilhava por mim.
Fechei a porta da rua
a chave joguei ao mar.
Andei tanto nesta rua
que já não sei mais voltar.

Friday, September 25, 2009

are we there yet?


Pois é, o Oxfam Trekking 2009 acontece este fim-de-semana... e eu vou lá , dar o maior apoio aos nossos amigos do "Are We There Yet?". O desafio é percorrer 100km em 30 horas. Parece fácil, não? 3.33km por hora... mas não é bem assim. Não estamos falando de caminhar na esteira, ou num terreno plano. Estamos falando de montanhas, pedras, água, florestas... um verdadeiro mergulho na "wild life"!

E eu vou estar lá também... na equipe de apoio!

Não menos importante que o próprio time, a equipe de apoio tem o papel fundamental de fornecer água, comida, apoio moral e conforto para o time, nas poucas paradas que têm direito ao longo do caminho. Somos responsáveis também por todos os primeiros socorros que forem necessários.

Não é fácil, mas que vai ser divertido, ah isso vai!

De TUDA um pouco...


Na TUDA de Setembro fiz uma tradução de um poeta baiano, Plínio de Aguiar. Já comentei o fato aqui, mas o negócio é que ele mandou a tradução para outra revista eletrônica, e os caras publicaram. A revista é a litbr, e minha tradução está aqui. Confiram!

Wednesday, September 23, 2009

a primeira vez a gente nunca esquece...


Fiz uma tradução de um poeta baiano, Plínio de Aguiar, lá na TUDA de Setembro (confira). O poema me foi enviado por um amigo em comum, Roniwalter Jatobá.

Após a publicação da revista, Plínio - que não conheço pessoalmente - me enviou um email de agradecimento, dizendo ter gostado da tradução e que estava muito feliz em ver um trabalho seu vertido para outro idioma. Fora a primeira vez!

Outras pessoas também elogiaram o trabalho, outras até enviaram sugestões que ajudaram a dar uma interpretação ainda melhor ao poema. São estas coisas que nos fazem bem, e nos dão força para manter-nos na batalha... Aliás, a TUDA anda bem badalada. Dá até vontade de publicar lá, não fosse a decisão prévia de usá-la apenas para exercícios de tradução.

E falando em tradução, outro dia me perguntaram quantas línguas eu falo, e retruquei "properly? Só português! E olha lá!" É claro que conheço outras línguas, arranho espanhol, francês e italiano, estudei japonês e russo, e atualmente tomo aulas de irlandês, mas tudo isso porque gosto de línguas. E por gostar de línguas - ainda mais agora, depois de ler "Just A Phrase I'm Going Through" (É só uma frase que eu estou passando) de David Crystal - se eu me armar de um bom dicionário, um compêndio gramatical e um guia de verbos, vou me meter a traduzir línguas que não falo, sim... pelo simples desafio... vide minhas traduções na TUDA!

Para a próxima edição, estou pensando num letrista catalão, ativista na luta contra a ditadura franquista...

Até lá!

Friday, July 03, 2009

Flarf

"Flarf" é um termo bastante controverso na comunidade poética contemporânea, e tem-se revelado difícil de estabelecer uma definição correta para ele. "Googling" na net, achei três sentidos principais que abrangem a maior parte dos contextos em que o termo geralmente é utilizado:

1) "Flarf" foi usado pela primeira vez em referência aos poemas produzidos por um grupo de escritores chamado "Flarflist Collective". Foi cunhado por Gary Sullivan no final de 2000, ao enviar deliberadamente alguns poemas ruins para um suposto concurso da Poetry.com (um esquema de marketing para fisgar escritores), e assim "testar" os padrões de excelência do site, por pura travessura.

2) "Qualquer-nota". Define a poesia que faz uso de mecanismos de busca na internet - acredite!

3) "Flarf" também se refere a qualquer produção intencionalmente ruim ou leviana: "O que são estes rabiscos?" "Nada, apenas algo que eu 'flarfei' durante a minha hora de almoço." "O que o cara disse?" "Não sei. Para mim soou como flarf." É claro que isso só funciona em, inglês, tal como o termo "google", que já virou um verbo.

Flarf Poetry

O que me chamou mais a atenção - e por isso postei esse artigo - foram os poemas "On Demand” escritos à partir de resultados de pesquisas na redinha... Os temas procurados acabam virando títulos dos poemas. Check this out:

Three Poems on Demand
by Jordan Davis

turtles generate poems

No wonder they move so slowly—
Somebody in there is
Trying to write.


PICTURES OF BUGS BUNNY DRESSED LIKE A THUG

What drove me to draw this picture
Of Bugs Bunny dressed like a thug?

Plural. Pictures. Not once did I sketch
The buff tattooed torso of Thug Bugs

But many times, over several days.
He looks mean, doesn’t he? When O when

Will this election be over
So I can blow off life again

Without inadvertently producing objects
Of great and mysterious-to-me beauty.


POEM FOR A SIXTH WEDDING

You know a lot better than I do
What you’re doing

Tuesday, June 30, 2009

Palavras, Palavrinhas e Palavronas

Recebi de um amigo um email entitulado "Palavrões também são importante"... engraçadinho, até. Basicamente explora tabuísmo, ou seja, palavras ou locuções consideradas chulas na maioria dos contextos, e geralmente referem-se ao metabolismo (cagar, mijar, merda), aos órgãos e funções sexuais (caralho, pica, buceta, foder etc.), e também incluem disfemismos, como puta, veado, puta que pariu, nem fodendo etc.

Nada de errado com isso. Quem a nao usa um palavrao ou outro de vez em quando, justamente para "enfatizar" ou dar uma característica mais "visual" ao contexto? Claro! A diferença é falar ou escrever. Falar é mais comum, na informalidade, mas para escrever precisa ser bem específico.

Detalhes... mas o que queria comentar, na verdade, é que mais uma vez a internet se presta a divulgar texto de autores menores como autoria de maiores: esse em questão, foi-me dado como de Luis Fernando Veríssimo, mas também já pertenceu a Milôr Fernandes...

Agora, parece que é de um tal de Pedro Ivo, blogueiro de uma zine super famosinha na rede, mas mesmo essa informação é difícil de checar. E se é difícil de checar na internet, camaradinha... quem vai acreditar?

Monday, June 22, 2009

TUDA mesmo...

A TUDA está com tudo mesmo. Tem gente de gabarito falando dela! E ela, orgulhosa, anda toda radiante, quase batendo os 2000 acessos. E seja por isso ou por aquilo, tem gente mandando coisas "pelo ladrão" - assim vou ter que trtansformar a TUDA em quinzenal! Eu hein? Dá um trabalhão... Mas não reclamo não, aliás, Aclamo. Mas ando precisando de ajuda sim, não nego...

Alguém aí se candidataria pra desenvolver um site baseado em Content Manager - o Drupal, por exemplo?

Falaram de TUDA aqui, ó...

http://doidivana.wordpress.com/2009/06/19/roniwalter-jatoba/


Thursday, June 18, 2009

6eis poetas poloneses


Desde que traduzi dois poemas do polonês Konstanty Ildefons Galczynski na TUDA de Maio, parece que coisas da Polônia passaram a "bater em minha porta"! Além do vizinho polonês, colegas de trabalho poloneses. O contato inesperado com o professor Jacob Pinheiro Goldberg, um intelectual filho de poloneses que estará na TUDA de Junho (e que aliás fala o idioma e, modéstia às favas, elogiou minha "transcriação"), e agora este lançamento de poetas poloneses...

O que fazer senão atender ao chamado e prestigiar?

Konstanty Ildefons Galczynski (23/01/1905 - 6/12/1953) - poeta polonês nascido em Varsóvia, mudou-se para Moscou ainda muito jovem, retornando para cursar Estudos Clássicos e Língua Inglesa na Universidade de Varsóvia. Estreou em 1923 como membro do grupo de poetas Kwadryga. Durante a invasão da Polônia passou a maior parte da guerra como prisioneiro de guerra, retornando à Polónia, em 1946. Muitos dos seus poemas pós-guerra são amplamente ignorados por serem considerados suporte ao regime comunista.

Tuesday, June 16, 2009

today, today - is the Bloomsday!

"A primeira vez a gente nunca esquece!" Foi justamente para celebrar um Bloomsday que desembarquei na Irlanda pela primeira vez. O ano era 2003, e aquele Bloomsday me impressionou: desde o café dfa manhã - o chamado full irish bloomsday breakfast, uma das maneiras mais tradicionais de celebrar o Bloomsday, com muita lingüiça, ovo, batata, feijão doce, chouriço e Guinness - até os recitais e o "Caminho de Bloom", uma caminhada que explora os bastidores da saga de Bloom, conforme ele atravessa a cidade em busca de algo para comer.

Para os desavisados: o Bloomsday é considerado a única data fictícia comemorada no mundo. Comemora o dia em que se passa toda a ação do romance Ulisses de James Joyce, e acredita-se também que 16 de Junho de 1904 foi o dia em que Joyce saiu pela primeira vez com aquela que viria a ser sua esposa, Nora Barnacle, . O dia é chamado Bloomsday - ou O Dia de Bloom - em homenagem à personagem central Leopold Bloom. O romance segue a vida e os pensamentos de Bloom e de outras personagens reais e fictícias desde 8 da manhã de 16 de Junho de 1904 até as primeiras horas da manhã seguinte.

Conta a história que uma das primeiras celebrações do Bloomsday foi um almoço organizado por Sylvia Beach, editora de Ulisses, em Junho de 1929 na França. O primeiro Bloomsday comemorado na Irlanda foi em 1954, marcando o cinquentenário da aventura. Na ocasião, os escritores Patrick Kavanagh e Flann O'Brien visitaram locais do romance, como a Martello Tower em Sandycove, o pub Davy Byrne's, e o número 7 da Eccles Street, onde "viveram" Leopold e Molly Bloom. Tudo regado a muita leitura de Ulisses e - claro! - muita bebida!

Hoje o Bloomsday é comemorado em vários países com leituras e performances joyceanas. Em Dublin, o James Joyce Centre coordena as comemorações, onde entusiastas se vestem em trajes eduardianos e se reunem durante o dia nos locais onde ocorrem episódios de Ulisses. Eu, que nunca participei de um Bloomsday que não fosse na Irlanda, gostei mesmo do Bloomsday de 2004, o do centrenário. Me foi especialmente marcante, por ter sido o primeiro como morador de Dublin...

O Bloomsday realmente vale a pena!

Monday, June 15, 2009

Falando em Rampa...


É sabido que a vida e a obra de Rampa foi/é um intrigante mistério. Nascido a 8 de Abril de 1910 como Cyril Henry Hoskin, em Plympton, St. Maurice, Devonshire, Inglaterra. Seu pai era Joseph Henry Hoskin, um encanador. Sua mãe era Eva Hoskin. Cyril tinha uma irmã Dorothy Winifred Hoskin. Em 13 de Agosto 1940, casou com Sarah Anne Pattinson, uma enfermeira em um hospital Richmond. Viviam perto de Weybridge por alguns meses, depois foram para o sul de Londres, onde ele passou a trabalhar como fotógrafo criminalista. Suas atividades entre 1950 e 1954 são um pouco vagas.

Em 1954 ele morou em Bayswater, Londres, e passou a se auto-intitular Dr. Carl Kuan Suo. Mudou-se para Dublin, de onde escreveu seus livros mais famosos, como O Terceiro Olho, de 1956. Seu primeiro livro. Rampa escreveu vinte e um livros de 1940 até antes de sua morte em 1981. Mas o pior da história é que dizem que ele nunca saiu do circuito UK-Irlanda, o que desmentiria muitas de suas aventuras e experiências narradas em seus livros...