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Monday, February 06, 2012

Já está chegando a hora...

(...)
Só me resta agora dizer adeus
E depois o meu caminho seguir
O meu coração aqui vou deixar
Não ligue se acaso eu chorar
mas agora adeus

[Roberto Carlos, in Despedida]

Em meio a planos de disponibilizar 10 bilhões de dólares em ações, o gigante das redes sociais recebeu fortes críticas ao seu controverso "Timeline"... e o senhor Zuquini, aka Mark Zuckerberg, já está ganhando a fama de o mais novo anticristo do mundo cibernético! Seria a hora de um suicídio coletivo à lá Jim Jones?!?

Não é que eu não goste de redes sociais, não... só porque elas expõem sua privacidade e te distrai de prazeres simples, como ler um livro e conversar (!) com pessoas? Não... E o tédio de iniciar uma sessão no Facebook e se deparar com futilidades como "Fulano está ouvindo Funk da Lacraia no Youtube Player para Facebook", ou ainda "Fulana & Ciclano curtiram a foto de Beltrano catando coquinho", sem esquecer dos clássicos posts tipo "Indo almoçar...", acompanhado do inseparável "... voltando do almoço!" 30 ou 40 minutos depois!

Não é por isso não... é só porque elas não são sociais, e não servem para "socializar"! Servem para uma montão de coisas, mas não para socializar! Afinal, esse negócio de "social" só veio mesmo como o Facebook, né? Tudo em um lugar só, e tal... mas sendo menos social, eu pergunto o que há de errado com o twitter e o MSN para mensagens rápidas e chats, o LinkedIn para contatos profissionais, Blogger ou Wordpress para blogar e fofocar sua vida, Skype para falar com amigos e familiares, Fotolog, Flickr ou Picassa para compartilhar fotos... sem falar no bom (e já velho, nessa altura) email!

Seguindo minha auto-eliminação do Orkut - meu orkuticídio - sinto que "Já está chegando a hora de ir, Venho aqui me despedir e dizer...

Tuesday, January 10, 2012

Não que eu ande meio desligado, mas...

... citar mais é de Marx.

Ando meio desligado
Eu nem sinto meus pés no chão
Olho e não vejo nada
Eu só penso se você me quer

Os Mutantes
Miserável não têm pátria. É um despatriado por natureza! Politicamente correto chamá-los despossuídos. Diferentes palavras para descrever a mesma categoria de oprimidos. O que Marx chamou de operário, hoje expande-se para qualquer trabalhador. Excluídos os grandes empresários, pois os pequenos empresários também são presas fáceis no jogo dos poderosos.

E quem são os poderosos? Não os governos! O papel do governo do Estado moderno é apenas o de um comitê para gerir os negócios comuns desse poder! Em 1985, na Alemanha, aconteceu um encontro onde participaram os grandes líderes e os grandes empresários mundiais. Lá eles traçaram o destino do mundo, no qual apenas 20% da população seria necessário... e quando alguém perguntou "E quanto ao resto?" responderam "Do resto cuidem os governos e as ONGs. É para isso que eles servem!" O fim do mundo não deveria ser novidade para ninguém, e nós estamos chegando lá! Vide a cagada que os bancos fizeram e a merda que eles causaram no mundo todo! E os Governos dos Estados Modernos devolve o dinheiro que ps filhosdaputa queimaram e cobram a conta do mais novo-miserável!

Recessão? Crise? Balela, camaradinha; não há tempos difíceis para o capital. Os ricos estão pilhando e chafurdando – eles só querem ter a certeza de que você não vai meter o dedo no bolo deles! Se o miserável do mundo moderno está matando um leão por dia, ou deixando de almoçar para poder jantar com a família em casa, a culpa não é de ninguém mais senão do capital. Quanto menos você comer, beber, comprar livros, ir ao teatro, quanto menos pensar, amar, teorizar, cantar, sofrer, praticar esporte etc, mais economizará e mais crescerá o teu capital. Cocê «SERÁ» menos, mas «TERÁ» mais! E todas as suas paixões serão tragadas pela cobiça... O mesmo capital que fez muitos emergirem para uma vida de luxo e riqueza, fez outros sucumbirem na fossa da miséria, da humilhação - não há milagres: se alguém tem muito é porque muitos têm pouco! E os homens desenvolveram um interesse nú e crú pelo vil metal!

Como disse o sociologo francês Alain Tourraine: "Substitua 'burguesia' por 'globalização' e eis o mundo atual descrito por Marx."

Aí vem o Olavo de Carvalho defender a Ditabranda? Ah...

Chupadoras de Maçanetas


No Japão, chupar maçaneta é - ou era - uma expressão do tipo das nossas "vai catar coquinho" e "vai plantar batata". Da mesma maneira, você mandava o indivíduo ou a indivídua chupar maçaneta. Por mais ridículo que possa parecer, alguma espertinha resolveu levar ao pé-da-letra a expressão de desabafo e pronto, estava criado o mais novo fetiche (esquisito) japonês: as chupadoras de maçanetas!

Se é coisa nova não sei; há quem diga que remonta dos tempos dos samurais! Só sei que tem um monte de neguinho se fantasiando de porta! E você sabe o que vai parar na maçaneta, nô?

Monday, January 09, 2012

Educação não! Imposto sim!

O governo Irlandês - Não... de novo ele? Sim, ele mesmo! - soltou outra pérola da boa administração: resolveu aumentar o preço das bebidas alcoólicas baratas! E a primeira pergunta que me vem á cachola é: baratas pra quem? Com os impostos que pagamos, mais o aumento do VAT (value added tax) de 21 para 23 percento, o aumento compulsório de €0,25 nos cigarros, aumento de 15-25% nos meios de transportes (mas a qualidade continua a mesma), aumento da gasolina, a mordida da USC (Universal Social Charge), que cobra entre 4% e 7% do seu bolso... e por aí vai!

Diz o governo que é para frear o consumo exagerado de adolescentes e pessoas que têem problema com álcool... quer dizer, aquela cidra forte e barata que o trabalhador de baixa renda costumava comprar para afogar suas mágoas ou amplificar a alegria, vai custar o dobro. A vodka baratinha vai ganhar €4 extras, e não haverá mais vinho a menos de €4.40! Tudo porque o governo acha que a maneira de diminuir o problema com alcólatras é tirando-lhes o álcool ao invés de oferecer-lhes ajuda.

Esperamos que esse dinheiro extra arrecadado seja ao menos vertido para a educação na prevenção do alcoolismo e no tratamento de quem quer se curar!

Sunday, January 08, 2012

Vai mijar no teu quintal!

Os protestos ocorridos em Dezembro passado na Praça Tahrir voltaram, novamente, a atenção para o "problema" do Oriente Médio. A foto acima circulou na mídia mundo afora e causou indignação unânime em vários países e em diferentes classes... todos do Ocidente, vale lembrar.

E ressalto o ocidente porque meu ponto é justamente este: a ingenuidade do ocidente em, primeiro, achar que seria tarefa fácil mudar culturas seculares sem ao menos entendê-las, e depois, a pretensão de achar-se o detentor do que supostamente seria melhor para tais culturas!

Entender o Oriente Médio, sua cultura e sua religião é fundamental para qualquer país ou indivídiuo ousar, apenas ousar, julgá-los, ou estaríamos incorrendo na intolerância e no totalitarismo, sentimentos já bem conhecidos pela humanidade em experiências passadas, como nazismo, facismo, comunismo, socialismo... e mesmo o capitalismo selvagem que pratica-se hoje em dia no chamado "mundo livre", porque não? Ou alguém ainda se ilude que há democracia na decisão dos governos europeus de ajudarem os gananciosos bancos, e depois cobrarem a fatura nos impostos dos cidadões? Ah, certamente... estão todos felicíssimos em pagar mais impostos para ajudar os banqueiros, coitadinhos, a limparem a cagada que fizeram!

Assim, camaradinha, esse bafafá todo no Oriente Médio é devido, basicamente, à intromissão dos governos ocidentais em áreas onde eles não entendem o que está em jogo. Não entendem culturalmentre, religiosamente, politicamente, economicamente, humanamente, e tantas outras mentes que estão longe de entender, pois não jogam as cartas daquela "democracia" e daquela "liberdade" que eles fizeram muita gente acreditar, primeiro, que existe, e depois que é a melhor do mundo.

Enquanto eles não forem plantar batata, catar coquinho, ou chupar maçaneta, o Oriente Médio não terá paz, seja esta paz um modelo ocidental, oriental, ou interplanetário - nem deus ou alá sabem!

Monday, January 02, 2012

A vida começa amanhã...

É isso aí camaradinha... a importância do amanhã é tamanha que posso dizer que será o primeiro dia do resto da minha vida! E seria poético, até, se fosse uma frase original, mas não é... ela já foi dita anteriormente inúmeras vezes - Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida!

Embora seja geralmente atribuída a Charles Dederich, fundador de um grupo de reabilitação de drogas na Santa mônica dos anos 60 chamado Synanon, há quem diga que a frase já fazia parte de uma "sabedoria de rua" dos anos 60, e que Dederich apenas usou-a em sua clínica como lema inspiracional, mais ou menos como o famoso "só por hoje" das clínicas brasileiras.

Polêmicas à parte, amanhã será o primeiro dia do resto da minha vida, já que hoje, 02/01/12 (que no sistema americano poderia ser escrito 12/1/2, ou 1212), é feriado bancário aqui na Terra Verde do Eire, e AMANHÃ sim, começo vida nova! Vou perder peso, me exercitar mais, comer melhor, beber menos, parar de roer unhas, poupar dinheiro, aprender algo novo, ser mais organizado, ser menos ranzinza, gerir melhor o tempo, desenvolver a virtude cívica, fazer trabalho voluntário, doar a instituições de caridade, etc, etc, etc...

E como sempre, muito LUXO pra você!

Tuesday, December 27, 2011

Jeremia não escrevia

Jeremia não escrevia. Jeremia pouco lia e nada escrevia. Isso durante onze meses e 3 semanas do ano. Sabe-se lá o que acontecia com Jeremia que em épocas natalinas, mais precisamente na semana que antecedia o natal, se dava a escrever, compulsivamente! Embora possa parecer bom, para Jeremia era um tormento! Jeremia escrevia pra por pra fora... por pra fora todo aquele sentimento que, de repente, brotava em seu peito, e que ele chamava de ‘sentimento anti-natalino’, que nada mais era do que o oposto do sentimento natalino, do espírito de natal.

Quando criança, Jeremia perguntara ao pai porque não se chamava Jeremias, e o pai respondeu “Pruque tu é um só”.

Assim era o natal de Jeremia: onde as pessoas sentiam amor, Jeremia sentia ódio, onde as pessoas sentiam compaixão, Jeremia sentia desdém, onde as pessoas sentiam solidariedade, Jeremia sentia indiferença. Mas quem conhecia Jeremia sabia que ele era uma pessoa boa. Por onze mêses e três semanas do ano, Jeremia era um exemplo de amigo, colega, vizinho, mas quando chegava a semana que antecedia o natal, Jeremia se transformava... ficava desesperançado, amargo, frio, indiferente, e enquanto as pessoas se confraternizavam, Jeremia se isolava; se isolava e escrevia... compulsivamente escrevia Jeremia.

De pequeno Jeremia não entendia muito as coisas. Um dia perguntou pra mãe se o seu Manuel da padaria havia lhe batido. A mãe estranhou e disse que não, por quê? Jeremia disse que depois que seu Manuel chegou e entrou no quarto com mãe, mãe não parou de gritar. Naquele dia Jeremia aprendeu que voltar da escola mais cedo devido a uma dor de barriga significava uma surra danada.

Escreve Jeremia, Jeremia escreve. Toda aquela amargura, tristeza, desesperança... tudo vai na escrita de Jeremia, que não vê a hora disso tudo acabar. Jeremia escreve sobre a ganância das pessoas e sua conduta moral, do caráter, da falsidade...
(...)
Mas se são de solidariedade os tempos, de compaixão e amor ao próximo, por que não pregamos essas coisas? Por que ainda viramos as costas para um pedinte, para depois sentirmos pena? Se não adianta dar esmolas, esmolar também não vai fazê-lo nem mais nem menos miserável, ele mesmo sabe disso, na própria pele, mas pode salvar o dia – seja para um prato de comida ou para um trago de pinga... quem irá julgar?!? Porque o que incomoda é a presença... ah, se pudéssemos simplesmente eliminá-los! Sim, a eliminação é possível, mas não como faz a polícia de certos estados, e sim de maneira humana! E sua arma, camarada, é a consciência – igualmente toda a força e toda a fraqueza do homem. Por isso, enquanto estiver se empaturrando de perú e cerveja, não precisa pensar que tem gente remexendo o lixo e morrendo de fome, não... seria muita hipocrisia, e de hipocrisia a humanidade já está cheia. Quando estiver enchendo o rabo de perú, desejando saúde, paz, prosperidade e harmonia para os seus, não precisa nem se esforçar muito... realmente senti-los, e carregá-los ano afora – eu sei, é difícil...
Nos textos, Jeremia, que nunca escrevia, de repente punha pra fora essas coisas... essas coisas de pai e mãe que não lembra direito, pois a maior parte da vida passou com os avós, depois que o pai se matou. Jeremia não sabe dos irmãos – cada um ficou com um parente, que tudo junto era muita despesa. Jeremia desejava que o natal passasse logo, mas a coisa vinha mudando ano após ano! Jeremia percebia que quando escrevia, punha pra fora sentimentos alheios aos outros, mas também percebia que, fora da época natalina quando não escrevia, sentia sentimentos igualmente não compartilhados... e concientizou-se Jeremia que isso era mais penoso do que escrever. Assim Jeremia deixou de querer que o natal não chegasse, para desejar que o natal não acabasse. Se ele pudesse, escreveria sem parar, escreveria sobre toda essa hipocrisia que alimenta as pessoas e o próprio ciclo da vida.

Estranha figura era Jonatã, o pai de Jeremia. Não chorava, não sorria. De nada reclamava, e por ninguém sentia. Diziam que ficara assim por causa da mulher infiel. Não teve coragem de largar ela e os filhos Jacira, Jeremia, Jildete, Joel, Juvenal e Agripina. Agripina era filha bastarda, e mais bastarda ficou quando a mãe morreu dando a luz a ela, que culpa não tinha, mas na cabeça de Jonatã, a mulher morrera dando a luz a uma filha bastarda.

Embora Jeremia não tenha conseguido conspirar com o universo e fazer com que o tempo não passasse, conseguiu um trato melhor: conseguiu manter aquela amargura, aquele desprezo, aquele ceticismo, pelo resto do ano, e agora só escreve... enlouquecido de escrever, Jeremia ficou conhecido como o louco que escrevia... quisera Jeremia que o que escrevia mudasse o que toda gente sentia, mas Jeremia sabia que não passava de utopia... e escrevia Jeremia, escrevia, e escrevia...

Friday, December 23, 2011

A Privatização do Natal

Foi-se o tempo em que Papai Noel recebia – e lia – todas as cartas pessoalmente! Esse tempo, camaradinha, já era, não existe mais! Deixou de ser verdade quando a esperaça do mundo foi trocada por um punhado de tostões numa operação esconsa qualquer, entre duas partes gananciosas o bastante para não considerarem as consequências alheias. Hoje em dia, Papai Noel não passa de uma marca, empossada por uma mega-empresa multi-planetária. E o bom velhinho, coitado… só não morreu porque é imortal – talvez essa sua grande sina; gerente de projeto da fábrica de brinquedos no polo norte (com filiais na China e na Índia), vive estressado, parecendo um zumbi, vai contra suas crenças, nega tudo o que anteriormente pregou... uma lástima! Hoje em dia, são tantas cartas, emails, Facebook, Twitter, Bebo, Google+, Orkut... que tudo é sistematicamente escaneado e interpretado por processos eletrônico! São milhões e milhões de pedidos que a produção da fábrica vem causando um desastre ecológico irreparável na calota polar!

Mas não é tudo... os Elfos também não são mais os mesmos. Nada restou das doces e alegres criaturas que conheciamos. Com o aumento da carga de trabalho em quantidades maltusianas, os pobres elfos não davam mais conta do recado, e tiveram que ser multiplicados através de técnicas rudimentares de clonagem, que por não estarem plenamente desenvolvidas acabaram por criar verdadeiras aberrações da natureza! Logo que nascem são submetidos ao trabalho, e quando atingem a pré-adolescência e começam a ter consciência da condição abominável em que se encontram, muitos deles simplesmente abandonam seus postos de trabalho e saem a vagar sem rumo pelas terras geladas do polo. Com sorte, morrem de frio, mas geralmente são devorados pelas renas assassínas – sim, as renas também sofreram os malefícios do meio; por serem consideradas obsoletas, foram trocadas por jatos supersônicos; abandonadas e sem terem como sobreviver, acabaram se tornando perigossísimos carnívoros predadores.

Pode ser difícil de acreditar que a situação tenha chegado a esse ponto, mas é a pura verdade! Informação recebida de fonte de confiança, diretamente infiltrada nos esquemas maléficos da Papai Noel Inc. – embora omitam o “Inc.” de toda divulgação oficial e apresentem-se apenas como Papai Noel.

Essa é a verdade, camaradinha... e a melhor coisa que você faz é plantar a consciência e o bom exemplo nas suas crianças; filhos e filhas, sobrinhos e sobrinhas, afilhados e afilhadas, netos e netas, e toda outra criança que você puder, porque se não mudarmos a coisa lá no comecinho, a tendência é de não mudarmos nunca!

Então nesse natal, não vá às compras! Não compre por impulso! Não consuma pela época do ano! Tenha uma pausa consciente e refletiva, e tente passar essa consciência para os seus. Se todos fizerem, a gente chega... se não lá, pelo menos perto!

Tenha um Natal feliz...