Saturday, August 05, 2017

Um Mero Detalhe

ou Dinheiro? Pra quê dinheiro?


Engraçadinhos de plantão logo arrumaram uma piada para a nota de cem reais, dizendo que o peixe é para lembrar que dinheiro que é bom, nada!

Piadas à parte, o Epinephelus Marginatus, também conhecido como Mero (na Terrinha) ou Garoupa (em Pindorama), são hermafroditas sequenciais do tipo protogínico, ou seja, nascem fêmeas, e num certo ponto do seu desenvolvimento sofrem uma inversão sexual, tornando-se machos.

Um mero detalhe, não?



Esta semana, Neymar foi produto da maior transação monetária já feita no futebol - 222 milhões de euros! E o Neymar vai ganhar meros €575.000,00 (quinhentos e setenta e cinco mil euros) POR SEMANA! Líquido!

Perguntado se a quantia não era obscena, o Arsène Wenger disse que hoje em dia já não se olha mais para números de maneira absoluta, pois os salários de certos jogadores deixou de fazer parte da vida normal há muito! Está fora do contexto de qualquer sociedade...

Eu diria até que está fora do contexto humano! €575.000,00 por semana! E neguinho passando fome, morando na rua...

Por mais que tentem justificar, não dá: alguma coisa está muito errada neste mundo...

Tuesday, April 11, 2017

o brasil de ver

o brasil de viver

Ilustração: William Medeiros
Pessoas do bem: já piso terras pindorâmicas!
Pessoas do mal: me perdi, ainda não cheguei!

Vir ao Brasil é sempre uma aventura que começa antes mesmo de chegar: neguinho furando fila, com malas super-cheias barganhando uns quilinhos a mais, pulando de um acento ao outro querendo garantir três acentos vazios para dormir, gritando dentro do avião, desrespeitando o sinal de apertar os cintos, levantando antes do avião parar, se amontoando para coletar as malas na área sinalizada para ficar livre... E quando chega é a saudades do calor pegajoso, do trânsito sufocante, dos motoristas irracionais, do ar irrespirável, da super-população nos meios de transporte, das notícias populistas, da sensação de insegurança que paira no ar... A invasão de espaço, de privacidade e de dignidade. Desrespeito não só ao próximo, mas também ao anterior e ao atual! É tanta malandragem, é o jeitinho brasileiro, o carma do homem cordial, a maldição da lei de Gerson; é tanta hiprocrisia, cara de pau e corrupção de valores - monetário e principalmente morais! O crescimento da cultura do "vigilante" (salve Charles Bronson!), onde cada vez mais cidadãos, que já se sentiam juízes absolutos da situação nacional, estadual e municipal, agora, mais preocupante, também o são das ruas, onde a máxima malufiana "bandido bom é bandido morto" é usada como grito de guerra! Aí, quando os trê pilares da democracia - legislativo, executivo e judiciário - se concentram numa só pessoa ou grupo de pessoas, cabenso a elas decidirem, julgarem e executarem, aí a merda já não fede mais camaradinha, pois você já a engoliu! Mas tem futebol (cartolado) na TV, cerveja (com milho transgênico) na geladeira e carne (adulterada) no freezer, e uma pá de séries legais pra assistir/baixar: Prision Break, Walking Dead, Game of Thrones, Vikings, Empire, Pretty Little Liars, The Blacklist... Nomes no mínimo sugestivos!
- Tá dando a delação premiada da Odebrecht na TV...
- Ah... Vocês vão querer pizza de quê?

Sunday, April 09, 2017

uma tarde em barcelona

uma pausa Catalã


Antes de embarcar ao Brasil fiz uma pausa Catalã: dois dias de tranquilidade e espairecimento antes de enfrentar "o tranco"!

Escrevo este post ouvindo moça feia com Vinícius Cantuária. Não podia ser mais oportuno: eu queria te emprestar meus olhos, pra você se olhar e rir". Alguém pode dizer que não se aplica a Barcelona, uma das beldades européias, mas quando olhado de perto, tem os mesmos problemas que qualquer grande cidade (européia - deixemos Brasil e o resto do terceiro mundo de fora por enquanto!).

Segundo os princípios do meu "novo eu" (que ninguém conhece, além de Teresa), onde o belo é inato e por isso contido em tudo, "se não encontrar beleza, olhe novamente". Fácil curtir Barcelona tomando uma cava na beira da praia, ou tapaeando enquanto se ouve a um concerto de música barroca ao ar livre em plena praça. Eu diria que difícil é ignorar os inúmeros pedintes e toda a sorte de habilidades exercidas a céu aberto, a todos os passantes - que não pediram por isso. São malabaristas, músicos, artistas plásticos, escultores, atores, mímicos, etc, etc e etc.

A quem surpreende? A ninguém! E este é o problema! É como o caso do brasileiro entrevistado na rua, logo após um atentado a bomba em Londres. Ele passando, perguntaram: Você está assustado com o que aconteceu? Resposta: Estou abismado, mas não assustado... eu sou do Rio de Janeiro!

Tomara que o Rio de Janeiro não chegue aqui...

Tuesday, January 17, 2017

Invasão!


Esses dias no Youtube, ao assistir ao discurso de despedida do Obama, resolvi também recordar o discurso de vitória do Trump. Dois belos discursos, diga-se de passagem, mas o que me surpreendeu mesmo foram as propagandas, essas grandes invasoras de privacidade de hoje em dia!

Nos pouco mais de 60 minutos do Trump, tive vários (ou deveria dizer vááááááriosssss!!) daqueles irritantes momentos em que um anúncio comercial interrompe seu vídeo para lhe falar das mais nova "coisa incrível" que você não pode viver sem! E é claro, fazem isso porque sempre tem gente genuinamente capaz de se perguntar como é que viveu até agora sem aquilo, seja lá o que aquilo seja! Irritante, para dizer pouco, e enquanto esperava os eternos 4 segundos que para voltar ao vídeo, anotava o nome do produto, só para ter certeza de NUNCA comprar da dita marca, por mais que eu genuinamente precise do item!

Enfim, findo o vídeo do Trump, fui ao de Obamam, e para a minha surpresa, foram 50 minutos sem ao menos um dos irritantes anúncios! Achei fantástico! Só me pergunto como... seria falta de interesse dos patrocinadores no Obama, pois agora ele é apenas o EX-presidente, enquanto o Trump é O presidente, ou teria o Obama pago o Youtube para que não houvesse anúncios?

Ora, quem se importa? Perguntariam... pois eu me importo, com os anúncios, os do Youtube e além, que só beneficiam aqueles que anunciam e o meio em que é anunciado. Para o "consumidor" (tem opção?) do anúncio, sobra chatice, aborrecimento e perda de tempo. "Ah, mas quando anunciam algo que preciso, aí é útil", diriam uma daquelas gentes "genuinamente capazes de precisar de qualquer coisa", mas eu ainda acho que não...

O problema está mesmo é no consumismo (xi, papo de socialista/comunista!) e no paradigma do crescimento infinito! Crescer é a palavra de ordem! Crescer, crescer e crescer... mas pra onde?!?

Nos tempos antigos, quando as sociedades tradicionais eram fortemente baseadas na agricultura, os laços familiares eram bem mais marcantes... De repente, esses laços foram substituídos por habilidades individuais, surgindo os técnicos, os grandes empreendedores, que visando grandes lucros e dispostos a correr grandes riscos, dão campo ao surgimento dos grandes bancos, que proporcionam pesados investimentos em infra-estrutura de transportes e comunicação, que ajuda a ampliar o comércio externo, que traz um aumento das taxas de investimentos e poupança, que gera investimentos em novas técnicas agrícolas e industriais, com tecnologia (sempre) de ponta e o surgimento de diversas novas indústrias, a expansão do comércio ao nível internacional...

A economia experimenta grandes mudanças, e aqueles antigos valores se tornam ultrapassados. Praticamente não há carência tecnológica em nenhuma área de produção, e países passam a poder produzir aquilo que acharem necessário. Atingimos, assim, o crescimento auto-sustentado! E uma vez lá, precisamos manter a roda rosdando, e é aí que o consumo de massa entra no jogo!

O inevitável - e considerável - aumento da renda per capita gera o anseio pelo bem-estar social, e finalmente a necessidade das pessoas não pertence mais a elas, mas é sim direcionada pelo marketing das grandes empresas, e suas motivações para o consumo também não partem mais delas, mas de aspirações sociais criadas por aquele mesmo marketing, como sucesso, prestígio ou exclusividade.

Saturday, December 31, 2016

Ai. Ai. Ai-ai...

ou "tá chegando a hora"

Yangliuqing New Year's Painting
Wilson Simonal disse que quem parte, leva a saudade de alguém que fica chorando de dor. Figuradamente falando, a saudade deveria sim ficar com a pessoa que ficou, e não ir com a pessoa que partiu. Enfim, dizia que "quem parte, leva saudade de alguém que fica chorando de dor". E continuava dizendo que "por isso não quero lembrar quando partiu meu grande amor".

Já na versão original Mexicana, Cielito Lindo, diziam que da Serra Morena desciam um par de olhinhos negros de contrabando... Esse primeiro verso, adaptado pelo compositor Quirino Mendoza ao encaixar o verso à sua própria melodia, tinha outras melodias e outras variações de letras, muito menos românticas do que a versão que acabou se tornando um símbolo do México, especialmente em comunidades de expatriados. Foi Arturo Ortega Morán nos alertou que que no início do Século XVII, bandidos armados se refugiaram nas montanhas da Serra Morena, um dos principais sistemas de cordilheira da Espanha que se estende por 450 quilômetros de leste a oeste em todo o sul da Península Ibérica, e que as pessoas temiam por suas vidas quando tinham que viajar pela região. "Seu rosto é a Serra Morena, seus olhos são ladrões que lá vivem."

Isso me lembra do que olhos românticos são capazes de fazer com realidades cruas: transformá-las...

Onde macro-mudanças - mudanças políticas, econômicas, tecnológicas e sociais que estão ocorrendo no mundo - geram micro-transformações cada vez mais aparentes - em cada um de nós - o auto-policiamento se torna vital, e os olhos românticos têm que trabalhar dobrado, pois lançar aquele olhar crítico e negativo sobre o mundo não vai ajudar muito, e corremos o risco de logo sermos mais um pedaço de chumbo, rígido e frio!

Veja, olhos românticos: o capitalismo selvagem dos banqueiros e suas consequências sociais e econômicas, a solidariedade cada vez mais em baixa, o ódio e a intolerância cada vez mais em alta, tanto que até "pessoas esclarecidas" estão "justificando" o ódio e a intolerância - vide a crise dos refugiados.

Veja também o Trumpismo americano, o Brexitismo britânico, o terrorismo fanático disfarçado de islã, o imperialismo israelense disfarçado de auto-defesa, o ISIS e a Síria, a Rússia querendo um pedaço do bolo geopolítico que os americanos não querem dividir, as falácias no projeto Europeu, a ganância dos abastados e suas particulares corridas-do-ouro, verdadeiros tiros-no-pé, mas eles são tolos demais para verem...

E a formação do "sujeito contemporâneo", com todas transformações subjetivas da atualidade mais a experiência midiática da multiplicidade do eu, onde a co-existência de "múltiplos eus" afiança a impunidade intelectual e a irresponsabilidade das palavras... é o transtorno da múltipla personalidade implantado, instalado no outro, distribuído nas mídias sociais: afinal, quem tem muitos nicks acaba sendo anônimo.

Sim, os olhos românticos têm muito, mas muito trabalho pela frente, com sua capacidade de transformar realidades cruas em viabilidades, possibilidades, esperanças...

Era isso. Agora, pra não acabar como o José (... a festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? Você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? E agora, José? Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, José! José, para onde?), já vou indo...

Ai. Ai. Ai-ai... a hora já chegou e o dia já raiou: tem que ser agora!

^2016>
>2017+

Friday, December 23, 2016

Ho... Ho.. Ho.

Papai Noel velho batuta, rejeita os miseráveis. Eu quero matá-lo, aquele porco capitalista. Presenteia os ricos. Cospe nos pobres! Mas um dia vamos sequestrá-lo e vamos matá-lo. Porque aqui não existe natal.
Garotos Podres, in “Papai Noel Velho Batuta” (1985).

Na verdade a música se chamava Papai Noel Filho da Puta, mas a censura não permitiu...

Um pouco menos do que Mao, mas desde de muito também sou indiferente ao natal. Acho que foi depois de ver o amigo do meu tio, que se vestia de papai noel na noite de natal, comendo gulosamente na mesa de jantar, ao entrar lá de surpresa... Vê-lo tentar por a barba durante uma garfada de macarrão e perú matou meus sonhos natalinos... de alguma forma.

Também padeço de uma indignação com o consumismo desenfreado e o aspecto econômico da data, sem falar das decorações de mal-gosto, dos compromissos que nos impomos, das mesmas músicas tocando em todo lugar... É a época do ano caracterizada pelos excessos justificados. O comércio entupido, os consumidores se acotovelando pelo último exemplar de uma besteira qualquer, a comilança - mesa natalina é uma exceção à regra, pois a glutonia é permitida uma vez por ano!

"Azia? Epocler!"

(...)
E um grande mar de emoção ouvia-se dentro de mim...
Sou nada...
Sou uma ficção...
Que ando eu a querer de mim ou de tudo neste mundo?
(...)
"Se eu não tivesse a caridade..."
Meu Deus, e eu que não tenho a caridade!

É, seu Álvaro de Campos, se não fosse o Joãozinho querendo escrever cartinha pro Papai Noel (Inc.), sei não... E quando ele descobrir que Papai Noel não passa de uma marca empossada por uma mega-empresa multi-planetária, e que a fábrica de brinquedos não é mais no polo norte, mas foi relocada para China e Índia por motivos financeiros? Que decepção...

A melhor coisa que se pode fazer é plantar a consciência e o bom exemplo nas crianças: filhos e filhas, sobrinhos e sobrinhas, afilhados e afilhadas, netos e netas, e toda outra criança que você puder, porque mudando a coisa lá no comecinho, a tendência é de não mudar nunca! Então nesse natal, tenha uma pausa consciente e refletiva, e tente passar essa consciência para os seus. Se todos fizerem, a gente chega... se não lá, pelo menos perto!

<8¬]=
Ho... Ho.. Ho.

Sunday, September 25, 2016

Quão justa é a vida?

... ou "Eu Também Quero um Pedaço do Bolo!"


Justo, aqui, e muito mais subjetivo do que objetivo, e como a própria Justiça, sujeito a interpretação! Afinal, o que é justo? Alguém pode considerar justa uma ação que outro vê como injusta. Experiências pessoais, pré-conceitos, educação e até mesmo interesse - tudo pode influenciar nosso julgamento, tornando-nos virtualmente incapazes de atingir a plena equidade. Agora, sabendo que 17% da população mundial consome a maior parte dos recursos do mundo (cerca de 80%), deixando quase 5 bilhões de pessoas a viver com os 20% restantes, a mim não importa sob quais lentes queiram interpretar tais dados: que é injusto, é!

Num mundo onde a divisão entre os ricos e os pobres cresce a cada ano, onde 20% da população (cerca de 1,2 bilhão de pessoas) vive com menos de US$1 por dia, e outro outro 30% (1,8 bilhão) vive com menos de US$2 por dia. Isso soa injusto. O acúmulo crescente de riqueza e poder, onde os 500 mais ricos do mundo acumulam 1,9 trilhões de dólares, que é mais do que a soma da renda dos 170 países mais pobres do mundo. Isso também soa muito injusto!

Tá tudo aqui, ó... pode conferir!

No contexto do capitalismo, o dinheiro manda, ponto final! A governos cabe o papel de regulamentar a fim de proteger os excluídos do Clube dos Ricos. Implícito a essa obrigação está todo o resto: prover educação, saúde e moradia. Tais coisas são tão básicas que deveriam estar além do lucro, mas acabam por oferecer mais oportunidades aos ricos de crescer sua riqueza.

Pois bem, a vida não é justa, então... E essa realidade transborda por todos os lados, manchando também os negócios, distorcendo os princípios do comércio justo, e reforçando o carma de que os mais pobres têm pouca oportunidade de quebrar o ciclo de pobreza, e tende a continuar por gerações, ao menos que o capital respeite os princípios básicos da não-exploração.

Vide o recente caso da Apple na Irlanda. A Apple pagou meros 0,005% de taxas sobre seu lucro! Como se não fosse suficiente a Irlanda estar entre as menores taxas corporativas do mundo, 12,5%, a Apple ainda arrumou um jeitinho de sonegar algo em torno de 13 bilhões de euros! Se legal ou ilegal não é importante se levarmos a discussão para o lado da ética num mundo como o descrito acima. Se as leis irlandesas tinham brechas que permitiram a Apple fazer tais manobra de evasão fiscal, efetivamente evadir o dinheiro, embora "legal" não foi "justo". Difícil entender como alguém pode não ver por esse prisma...

Mas a cegueira humana não tem limites. Veja no Brasil, a hipocrisia do "chega de corrupção" do brasileiro que fura fila, não devolve troco a mais, mente e engana para se dar bem perante o próximo. Na Irlanda, a insanidade dos preços dos aluguéis está levando as pessoas a cobrarem absurdos por moradias que não valem dois terços, por vezes metade do preço, sem se darem conta de que além de contribuírem para o problema dos sem-tetos, pois mais e mais pessoas se vêem incapazes de pagar aluguél, estão também contribuindo para o aumento do custo de vida, que eventualmente vai atingí-los também.

E o governo, disfuncional como nunca, segue seu rumo, no seu mundinho de privilégios corporativistas...