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Monday, April 13, 2020

O Novo Consumidor

ou Não jogue seu lixo no meu quintal!

Adam Smith, o grande economista e filósofo escocês, conhecido como pai da Economia e do Capitalismo, em seu livro "A Riqueza das Nações", de 1776, escreveu que as necessidades dos produtores deveriam ser consideradas apenas sob a ótica de atender as necessidades dos consumidores (o sublinhado é meu). Uma filosofia consistente com o conceito de marketing, mas em algum momento da história a ganância falou mais alto, e o mantra passou a ser identificar, antecipar e satisfazer as necessidades e desejos dos clientes.

Hoje em dia as organizações fazem de tudo para antecipar necessidades e desejos de consumidores em potencial, na tentativa de satisfazê-los de forma mais eficaz do que os concorrentes. E fazem isso usando uma das técnicas mais agressivas de todos os tempos, uma ferramenta de comunicação de marketing que emprega a distribuição de mensagens patrocinadas com o intuito de promover ou vender um produto... o ANÚNCIO!

Anúncios são uma praga, não importa qual! Pode-se argumentar que alguns anúncios são criativos e tal, quase "uma obra de arte" (sic), mas o problema não é só o conteúdo, ou se o anúncio é criativo ou não, nem mesmo importa qual produto está sendo anunciado... o problema é a privacidade. É o momento. Sem mencionar o custo social - anúncios falsos; anúncios direcionados a crianças; anúncios persivos que querem fazer você pensar que é o que não é, e etc, etc.

Lembro-me dos velhos tempos do telemarketing, quando costumávamos receber ligações aleatórias sobre produtos diferentes, promoções e várias "oportunidades imperdíveis", geralmente na hora do jantar! Lembro-me de meu pai uma vez, depois de dizer 2 ou 3 vezes que não estava interessado, sugeriu "Olha Fulano, por que você não me dá o número do seu telefone que eu ligo pra você quando você estiver jantando! O que acha?", E desligou o telefone!

Basta disso! Basta de panfletos indesejáveis na caixa de correio! Chega de e-mails indesejados, pop-ups indesejados enquanto navega a internet, e o mais chato de todos, os anúncios indesejados que são inseridos no meio dos vídeos do YouTube, e não apenas no início dos vídeo, o que já é chato pra cacete! Anúncios dos aplicativos de rádio da internet, que se declaram antes de iniciar o streaming da estação escoilhida...

Não bastassem os anúncios que temos que engolir nos chamados "intervalos comerciais" - que só ali deviam existir! Anúncios não solicitados são como conselhos indesejados: ninguém os quer, ninguém precisa!!!

Estas campanhas podem estar causando efeito justamente oposto ao que almejam, e em vez de criar empatia com consumidores satisfeitos, vão acabar por gerar repulsa em uma legião de consumidores frustrados, que não têm muitas opções de como sair desse oceano de lixo e poluição visual, sonora e mental.

O que nós, consumidores, podemos fazer?

BANIR!
BOICOTAR!
EMBARGAR!

Não compre nada que lhe meta um anúncio intruso na sua frente!
Abaixo os anúncios indesejados e não solicitados!
O consumidor tem o poder!

Sim, até que poderíamos ...

Sunday, January 14, 2018

Quase (minha) memória

Morreu dia 5/1/18 aos 91 anos no Rio de Janeiro, o escritor e jornalista Carlos Heitor Cony. Membro da Academia Brasileira de Letras e jornalista militante, sobretudo durante o regime militar, Cony dava expediente regular na Folha de São Paulo, com suas crônicas geniais! Aliás, foram as crônicas de Cony que me incentivaram a escrever crônicas... o estilo, gingado, desembaraçado, quase líquido, me inspiraram muito e influenciaram também.

Cony publicou vários romances também, e um em particular, me pegou... Quase Memória.

Publicado em 1995, Quase Memória narra as histórias do pai de Cony, seu Ernesto, que também era jornalista. Nas palavras de Cony, um sonhador, com uma magnificiência perfeccionista nos simples detalhes da vida!

Foi esse romance me inspirou a tomar depoimentos do meu pai, sobre sua juventude... tenho tudo gravado, esperando tempo ou oportunidade de serem transcritos.

Também inspirou o nome do meu livro de poemas, o "Quase", de 1998 (na internet, fiz uma selecão em Algo de Quase).

Grande figura da literatura, esse Cony! Enquanto isso, eu aqui, pensativo como sempre acontece nesses momentos, só espero ter tempo de transcrever aquele livro e mostrá-lo ao meu pai...

Wednesday, January 10, 2018

Obediência antecipada

Obedience, by Ann Bakina
As runas são letras características, usadas para escrever nas línguas germânicas da Europa do Norte, principalmente na Escandinávia, ilhas Britânicas e Alemanha (regiões habitadas pelos povos germânicos) do século II. Com o avanço do cristianismo na Europa central a partir do século VI, as runas foram aos poucos sendo substituídas pelo alfabeto latino. As inscrições rúnicas mais antigas datam de cerca do ano de 150.


Aí tem o Heinrich Himmler, que foi um dos homens mais poderosos da Alemanha Nazista, e um dos principais responsáveis pelo Holocausto. Ele tinha um certo fascínio pelo simbolismo rúnico, tanto que as runas aparecem nas insígnias da Schutzstaffel, ou SS, a organização paramilitar liderada por Himmler, representada pelos símbolos rúnicos "ᛋᛋ". Diz a lenda que toda a idealização do extermínio em massa de judeus veio da SS, espontaneamente, sem que tivessem recebido ordens para fazê-lo. Eles acharam que seus superiores queriam algo parecido, e eles demonstraram que era possível!

Essa é a tal da "obediência antecipada"! No primeiro estágio, significa adaptação instintiva, sem reflexão sobre uma situação nova. Mais ou menos o que aconteceu com o povo Alemão em relação às atrocidades contra os Judeus: uns olharam com espanto, outros com curiosidade, mas a maioria aceitou sem questionar!

Dr. Stanley Milgram, um psicólogo social da universidade de Yale, ficou famoso por seu controverso experimento sobre obediência, conduzido nos anos 60, que demonstrou como pessoas comuns e sem traços violentos podiam ser capazes de atos atrozes. Sua maior inspiração era entender como pessoas apareentemente decentes e de bom caráter podiam ter colaborado com os horrores do holocausto. Milgram acreditava que qualquer pessoa, se submetida à pressão da autoridade, tem tendência de simplesmente obedecer. Recentemente assisti ao filme sobre o expimento, Experimenter: 40 voluntários emitindo choques de até 450 volts em desconhecidos, apenas porque foram gentilmente solicitado a faze-lo.

Eugène Ionesco, um dos maiores patafísicos e dramaturgos do teatro do absurdo, presenciou os amigos, aos poucos, se renderem aos absurdos nazistas. No início, diz ele, todos eram veementemente contra, mas aos poucos, mais e mais foram suavizando o discurso: "eu sou contra, mas que, no fundo, eles têm uma certa razão, ha, isso eles têm". Dessa sua experiência, Ionesco deu a luz à sua obra-prima, a peça Rinocerontes, de 1959 (que aliás eu tive o prazer de assistir no teatro TUCA, no final dos anos 90). Lançada também em livro, Rinocerontes é leitura prazerosa, garantida!

Apesar dessa mistura de assuntos, o recado ainda é um só: tenha um sólido sistema moral, siga seus princípios, questione as idéias feitas e as autoridades pela autoridade... Só isso já é um bom começo. Não de ano, mas de vida!

Wednesday, January 03, 2018

A mesma mesmice...

Lendo um artigo do Marcelo Coelho na "Foia" – confesso que fui atraído pelo título: até a mudança faz o elogio da mesmice! – me deparo com uma afirmação no mínimo controversa: "Muita gente ainda acha que homem nasce homem, mulher nasce mulher e ponto final – qualquer mudança nesse programa é invencionice, coisa de quem defende a "ideologia de gênero" e pretende "ensinar o homossexualismo"."

Geralmente acontece com quem escreve sobe vários assuntos... não dá pra estar sempre atualizado em tudo! Acontece comigo também! Vez ou outra posso falar uma besteira sem tamanho! Mas o bom é que ainda assim, não passa de opinião! E não sei se é coincidência, mas no mês passado saiu um estudo sobre genes e sexualidade. O estudo, como tantos outros do passado, reivindica ter finalmente "achado o gene gay".

Imaginem o que uma matéria com o título "Estudo encontra o Gene Gay" é capaz de fazer com as vendas de um jornal? Manda lá pra lua! É claro que se colocarmos todo o sensacionalismo de lado, e formos um pouco além das manchetes – ou seja, ler os artigos – encontraremos afirmações mais sérias e menos sensasionalistas, como o próprio pesquisador enfatizando que assuntos complexos como sexualidade dependem de múltiplos fatores, tanto genéticos como ambientais, e mesmo que genes específicos tenham sido identificados, eles sozinhos têm pouca influência no resultado final. O mesmo já foi concluído em estudos sobre os "genes da inteligência", diz ele.

Ou seja, nada de novo no reino do DNA... Ainda bem, não? Imagine ainda no útero você ser "condenado" a ser burro? Ou a ser "macho"? Acabam com suas opções antes mesmo de você se dar por gente!

Agora, falando de comportamento, Marcelo também fala sobre aquela coisa de vestir irmãos gêmeos com roupas iguais. Confesso nunca ter pensado nisso, mas tendo a concordar que é mais perigoso do que bonitinho, e os pais deveriam se esforçar em diferenciar ao máximo os gêmeos/gêmeas, ao invés de alinhá-los/las na igualdade, afinal, como geralmente acontece, as crianças podem ser parecidas fisicamente, mas as personalidades são diferentes. E ao contrário da onda, agora tem uma nova moda que é mãe se vestir igual à filha! Tem loja vendendo conjunto mãe/filha - roupa igual igualzinha! Desde biquini a vestidinho longo!

Para mim, que não acompanho muito o que vai lá em Pindorama, esse fenômeno é novo, mas aquele das mães que parecem irmãs das filhas, esse já conheço há tempos! Eu chamo de crise da busca do tempo perdido! Está cada vez mais notório, mães nos seus 30+, 40+ se vestindo como adolescentes de 15-17 anos. E o inverso, então? Meninas de 11-15 anos cada vez mais aparentando 18-20, e se vestindo como se tivessem 25?

A princípio pode parecer bom, mulheres de 30+ terem aparência jovem, crianças terem aparência madura... mas por trás disso tem o aspecto psicológico e comportamental, que não pode ser ignorado, e certamente precisa de mais estudos.

Acabar com as diferenças de vestimenta entre quem tem 13 ou 30 anos pode estrapolar para numa ideologia excessivamente igualitária, onde mães e filhas passem a demandar igualdade de poder, direitos e autoridade – que aliás já acontece! E é uma via de duas mãos, onde as mães também querem resgatar os privilégios de uma vida sem compromissos (aversão à responsabilidade de mãe, síndrome do casamento precoce, poucos namorados, sensação de que não aproveitou a vida), e soltar um "não enche, vou sair e voltar tarde, se vira!" para filhos, filhas e maridos! Eu até tenho uma amiga que está (estava?) passando por essa fase... É notável! A filha pequena escessivamente exposta nas mídias sociais, maquiada e com roupinha de mocinha, e ela na crise do tempo perdido!

Eu, particularmente, acho que as mídias sociais (sim, elas novamente!) podem colaborar muito para isso... mas como já disse meu amigo Luther, o Facebook não é o problema!

'braço forte!

Saturday, December 23, 2017

colhões, é preciso!


Ter colhões nada mais é do que ter coragem. Expressão sexista, é verdade, pois mulheres não tem colhões. E como lá na Terrinha de Portugália tudo é mais civilizado, eles dizem que és "um homem de tomates!", o que soa bem menos chulo e sexista. Mas para as mulheres, dizem que és "uma mulher de cona funda"! Vai entender...

Falo de colhões, tomates e conas porque sempre que tenho uma idéia literária que não é propriamente desenvolvida, geralmente devido à falta de tempo, acabo me pergurtando quando é que vou tomar vergonha na cara (ou ter colhões!) e me dedicar à literatura em tempo integral! Trocar a comodidade e a segurança da féria mensal pela incerteza da literatura? É... precisa de muito colhão para viver de literatura, e muito mais para morrer de literatura! Assim, por enquanto vou passando...



Mas é natal afinal, e novamente. Ainda bem! Significa que sobrevivi mais um ano! Ao mesmo tempo, começa tudo de novo, o mesmo ovo, do mesmo cu sujo da mesma galinha de ouro... o tal Consumismo, aquele Senhor das Terras Distantes, refinadíssimo, que nos encara com seus olhos de fornalha, seus brincos de tortura e seus colares de acorrentes, que nesta época do ano se veste de papai noel, e sobrevoa o abismo vertiginoso do consumo despropositado.

Sunday, April 09, 2017

uma tarde em barcelona

uma pausa Catalã


Antes de embarcar ao Brasil fiz uma pausa Catalã: dois dias de tranquilidade e espairecimento antes de enfrentar "o tranco"!

Escrevo este post ouvindo moça feia com Vinícius Cantuária. Não podia ser mais oportuno: eu queria te emprestar meus olhos, pra você se olhar e rir". Alguém pode dizer que não se aplica a Barcelona, uma das beldades européias, mas quando olhado de perto, tem os mesmos problemas que qualquer grande cidade (européia - deixemos Brasil e o resto do terceiro mundo de fora por enquanto!).

Segundo os princípios do meu "novo eu" (que ninguém conhece, além de Teresa), onde o belo é inato e por isso contido em tudo, "se não encontrar beleza, olhe novamente". Fácil curtir Barcelona tomando uma cava na beira da praia, ou tapaeando enquanto se ouve a um concerto de música barroca ao ar livre em plena praça. Eu diria que difícil é ignorar os inúmeros pedintes e toda a sorte de habilidades exercidas a céu aberto, a todos os passantes - que não pediram por isso. São malabaristas, músicos, artistas plásticos, escultores, atores, mímicos, etc, etc e etc.

A quem surpreende? A ninguém! E este é o problema! É como o caso do brasileiro entrevistado na rua, logo após um atentado a bomba em Londres. Ele passando, perguntaram: Você está assustado com o que aconteceu? Resposta: Estou abismado, mas não assustado... eu sou do Rio de Janeiro!

Tomara que o Rio de Janeiro não chegue aqui...

Saturday, November 07, 2015

do ócio e da lida


*

Ela parou de fazer o sinal da cruz ao passar por igrejas. Eu nunca fiz. Sempre fiz o sinal da cruz em decolagem de avião. Ela também parou com isso. Não acredito nessa simbologia… o meu sinal da cruz em decolagens é pura superstição, mas ela… Embora ela também tenha seu ceticismo – sempre discutimos “religião” – essa mudança repentina, de certa maneira, me preocupa. Às vezes me pergunto se essa falta de sinais da cruz seria um sinal… retoricamente.

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Ah, férias! Sempre esperadas… e uma vez lá, deve-se tomar certas precauções para que não pareçam demasiadas! Eu sempre digo que é preciso se habituar ao ócio. Outros podem pensar ser fácil, o ócio… ledo engano! No ócio, o silêncio pode ser ensurdecedor, e a inação, exaustiva… e a mente é o seu maior inimigo: “Mente vazia, morada do diabo”, dizia minha avó, naquela sabedoria que não se aprende em escolas.

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A amizade é uma coisa valiosa. É bom ter amigos, mas muito melhor é sentir-se amigo de alguém. E como construímos as amizades é muito, mas muito importante. É o que determina o rumo, a duração e a intensidade das amizades. Há amizades construídas no oportunismo – as piores. Outras são construídas na conveniência – chamo-as de resgatantes. As melhores são as construídas com base em semelhanças e diferenças. Sorte de quem tem um amigo. Eu acho que tenho alguns – sortudo. Também conquistei desamigos ao longo dos tempos, seja pelo meu verbo-peixeira, seja pela minha indiferença (perdoa-me Nicanor!).

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No ofício de escritor constantemente cai-se numa armadilha: ócio versus inspiração… são coisas que dificilmente caminham lado a lado, e geralmente quando uma se sobressai, acaba por anular a outra. Invariavelmente.

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Ela frequentemente fala Dela. Não de si… Dela. Hoje mesmo, passado tantos anos do ocorrido, ela mencionou a falta que Ela lhe faz. Não é saudade, é falta mesmo… que nesse caso é pior. A mim também Ela faz falta, embora ela diga que é diferente… e acredito mesmo que seja. Com esta dor não posso ajudar, mas estou sempre ao seu lado. Creio que acabo ajudando, um pouco… E falo de hoje por pura conveniência do momento que escrevo, pois não passa dia ou dois em que ela não comenta sobre Ela… e creio que isso nunca mudará.

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Há sempre algo de podre nalgum reino, nalgum lugar. E disso foge-se. Não covardemente, mas bravamente. Hoje, numa praia sardenha, tive vontade de ficar só. Por um instante apenas, tive vontade de me ajuntar ao tempo, que embora saibamos ser inexorável, sempre, naquele instante resolvera parar: ah… como quis participar daquele vácuo, raro, e aglomerar-me em meio aos momentos encavalados daquele instante, e esquecer-me, na duração de uma unidade qualquer que pudesse medir o tempo em sua ausência… mas logo sou confortado por um abraço, doce, sincero, seguido de um comentário inocente, quase infantil, sobre a beleza estonteante da paisagem perante nossos olhos, um beijo roubado… “Vamos?” Fomos.

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Nicanor é meu paradigma de mágoas na vida. Ele e Eugênio, o melhor amigo. Tanto mágoas causadas – sem intenção – como mágoas sofridas – pura escolha. Ela diz que preciso mudar. Eu digo que mudo constantemente… Talvez ela não enxergue minhas mudanças, assim como todo mundo! Duro é decidir se isso é ruim para mim – não estou mudando – ou se é ruim para mim – ela é como todos os outros. “Ser ou não ser, eis a questão”. Sem achar a resposta, acabo não pensando muito nisso… Lembro de um grande amigo, Dario (outro padadigma), que levou a questão às últimas consequências! Todos pensaram ser suicídio, mas eu tive acesso ao diário de Dario… e digo: daria um conto! Perplexidades e inquietações de pequenez e grandiosidade… Escrevesse eu mais como Eugênio, Nicanor e Dario, daria um pessoinha...

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Dario era um grande amigo. Também escritor, e dos bons, na minha opinião. Diferentemente de Wandesilvo, um conhecido que escrevia contos policiais e acabou dando-se mal ao relatar um suposto assalto a banco, que por azar era o plano de alguém. Dario não… Dario falava da alma, profunda e densa… e com intensidade! Havia intensidade em cada palavra que Dario punha no papel, fosse poesia, fosse conto, fosse ensaio… Versátil! Isso é o que Dario era. Mas não durou Dario, que nunca se dedicara seriamente à literatura – engenheiro de tráfego? Ora Dario, faça-me o favor! Eu seria capaz de dar um cavalo para ler o que Dario escreveria hoje. Um conto! Um conto! Um cavalo por um conto de Dario!

&

Não há receita para a vida. E se houvesse, ou seria puro interesse, ou seria puro veneno. A humanidade morreu na primeira transação monetária, muito antes da invenção do dinheiro! Chega uma fase em que você se conscientiza de que só lhe resta fazer o melhor que puder, seja lá o que for. Você deve dar o melhor de si nessa tarefa, e é isso… Sorte sua se ninguém depende de você, ou essa responsabilidade se exponencia. Prover, reportar, exercer, apresentar… são verbos com os quais vamos nos acostumando, ao longo da vida. A cabeça erguida ou abaixada é que varia… Assim como o tanto de dignidade que se queira dar a essa existência.

Repense
Isso,
Pois…

+

Monday, September 07, 2015

Os outros brasileiros


Ao termos notícia de brasileiros barrados na Europa, o sentimento tende à indignação e discriminação. Quase nunca questionamos se tais brasileiros mereceram o veto. Juízo de valores à parte, as autoridades estrangeiras estão cada vez mais alertas sobre o já famoso - e famigerado - "jeittinho brasileiro"! Em se tratando de ditos populares, depois que o cachorro mordido por cobra tem medo de linguiça, você, que não é cobra, acaba ficando indignado. E com razão!

Na ocasião do jogo amistoso de futebol entre Brasil e Irlanda, aqui em Dublin, um amigo trabalhou como guia turístico para um grupo de mais ou menos 40 brasileiros. Contratado à partir do Brasil, ele buscou o grupo no aeroporto, fez passeios pela cidade, levou-os do hotel para o jogo e, no dia seguinte, quando deveria fazer o translado do grupo para o aeroporto, foi avisado que não seria necessário, pois o grupo não voltaria ao Brasil. Espantado, perguntou o motivo, e disseram que ficariam para morar - ilegalmente - no país! Quando a imigração descobrir, provavelmente não vai sair à caça dessa gente, mas que a notícia vai se espalhar na comunidade européia, isso vai...

É assim que muitos pagam por poucos.

Independentemente de serem legais ou ilegais, na lógica perversa da vantagem, muitos são - ou se tornam - verdadeiros bandidos. Veja essa comunidade no Orkut, intitulada "Tópicos do Mal", onde o fundador dá "dicas de sobrevivência" na Irlanda, acompanhado por outros entusiastas, que se divertem aplicando golpes de duvidosa moral, e crimes de estelionato. São coisinhas como não pagar o transporte público, dar nome e endereço falsos em hospitais, abrir várias contas bancárias antes de voltar para o Brasil e deixá-las negativa, dar calote na última conta do cartão de crédito, beber cerveja na conta dos irlandeses, e outras "espertezas" bem apropriadas para o famoso estereótipo do "jeitinho brasileiro de levar vantagem em tudo (certo?)".

O pior é a impotência dos que são discriminalizados simplesmente por serem brasileiros e serem confundidos com essa gente. Assim, as pessoas de bem (diferentemente daquelas do mal), nós, os outros brasileiros, além de nos sentimos envergonhados, devemos combater esse tipo de atitude e pensamento, tornando-o público, na esperança de refrear tais comportamentos.

Cada uma, né?!?

Thursday, June 11, 2015

... é de espírito a pobreza!

Há 11 anos venho ao Brasil anualmente. Até duas vezes ao ano, em anos de gordas vacas! No começo, sentia uma euforia danada pela viagem. Não apenas por rever família e amigos, mas pelo "retorno" ao país, mesmo que por curto tempo - geralmente passava as férias toda, 30 maravilhosos dias!

Pois esse sentimento do retorno foi-se esvaindo de mim, logo no segundo ano. Aos poucos, é verdade, como se o desgosto que tentava em mim se intalar encontrasse uma resistência saudosa, de algo que a memória buscava, mas os olhos não mais encontravam.

Rever a família e os amigos sempre foi prazeroso, mas confesso que uma sensação de que passava muito tempo no Brasil começou a se agigantar, e por fim, estabeleceu-se em mim, e estipulou que 2 semanas era, ao mesmo tempo, período mínimo para valer o fuso e o custo, e período máximo para aguentar a pobreza...

E é de espírito essa pobreza!

Sempre fui apaixonado por São Paulo. E ainda sou! Só que agora é ela lá e eu aqui! Dirão que só vejo defeitos... talvez! Mas é difícil manter, por muito tempo, a beleza só na memória, enquanto a realidade se escancara à sua frente. E não precisa de muito para vivenciar as coisas, pois se você não sofreu um transtorno hoje, devido a uma manifestação qualquer na Av. Paulista, terá outra amanhã, ou depois. Em outra avenida, até. Greve nos transportes públicos. Semáforo queimado. Se não faltou energia em sua casa este mês, no seguinte, certamente, faltará. Entra-ano, sai-ano e os mesmos problemas se repetem, eternos e sem solução: choveu, dá enchente! E assim como tem enchente, tem seca também. Na mesma cidade! Em São Paulo falta água, falta luz, a telefonia é péssima e cara, a TV a cabo falha regularmente, e a internet acompanha a qualidade dos outros serviços, constantemente. Sem falar na falta de respeito no trânsito, no trem, no metrô e no ônibus... é um deus-nos-acuda, um cada-um-por-si que dá pena de ver as pessoas neste nível de humor e energia. A poluição é absurda. Ruas, rios, terrenos baldios, lixões a céu aberto. Falando em ruas, não mencionei os buracos - algumas crateras - nas vias públicas! E os motoboys? Um capítulo à parte!

O desrespeito generalizado às regras - veja que não falei leis, senão tería que falar de criminalidade, violência, etc, etc. Falo de regras. O desrespeito a pequenas regras de convívio, as pequenas transgressões de moralidades do cotidiano. Tal atitude faz do brasileiro um ser peculiar, dotado de uma capacidade impressionante de cometer o que se chama de erro fundamental de atribuição e avaliação, sem provavelmente saber do que se trata!

Por exemplo, ele é capaz de chamar a influência que uma pessoa exerce sobre outras por dois nomes diferentes, dependendo do ponto de vista. Se fala de um político que contratou um parente para um cargo de confiança, chama de nepotismo. Mas se ele é o parente contratado, chama de "networking".

E quando ele, cidadão, consegue um encaixe na fila do hospital através de um amigo que trabalha no setor de agendamentos, não considera uma corruptela, mas se acha um cidadão de sorte, e nunca pensará naqueles que foram passados para trás. É o famoso espírito da vantagem sobre o próximo, não importando muito quem o próximo seja.

E assim vai-se vivendo, dia após dia, alimentando essa roda-viva, onde começa a surgir motes como "já que todos fazem, eu também vou fazer"; "se eu não fizer, outro faz"; "não adianta eu ser se ninguém é" (quanto a ser honesto).

Uma miséria incomensurável!

Tuesday, May 05, 2015

chegando...

The Lynchian World ~ David Lynch
partir é bom, revigoriza
mas chegar... reconforta.

quem chega chega a um fim
começado com uma partida
na ida também chega-se mas voltando...
a volta importa: chega-se. e quando
chega-se, quer-se a paz dos que chegam
e reencontrar essa paz, abandonada pelo caminho
pode ser mais importante do que a própria chegada
mas apenas possível na própria chegada - não antes.

como josé américo de almeida dizia:
"ninguém se perde na volta". mal sabia
que está no caminho o perigo da perdição.

chega-se.
e urgentemente banha-se
de corpo e d'alma.

Wednesday, February 19, 2014

Como você é mal-humorado!!!

Detesto gente mal-humorada! Podem me chamar de intransigente e desconectado - como já fizeram, mas ainda assim considero um ponto-de-vista... agora MAL-HUMORADO?!? Isso não!

E não é só questão de senso de humor não... vai além. Falta de senso de humor é como não entender a piada, se você explicar, capaz do outro até entender... mas quem aí quer explicar piada? Não tem pior coisa do que tentar explicar uma piada. Você mesmo acaba se sentindo ridículo, e o fulano vai acabar soltando um risinho sem graça ao invés da merecida gargalhada.

As pessoas deviam usar um sinalizador de mau-humor. Onde quer que fossem, teriam o sinalizador dependurado no pescoço; uma placa grande o bastante para ser lida, digamos, a 5 metros de distância, onde um lado diria BEM-HUMORADA e o outro MAL-HUMORADA. Tal qual as placas de Aberto / Fechado das lojas. E em letras garrafais, para ajudar, e o bem-humorada em verde e o mal-humorada em vermelho. Seria mais simples, não? Muito melhor do que receber uma patada por um simples bom dia.

Sinaleiros à parte, mau-humor versus bom-humor, todo mundo tem o direito de ficar mal-humorado. Mas SER mal-humorado é diferente... requer esforço e dedicação, acredito. Não deve saer fácil entornar tudo que lhe é dito em algo depreciativo, negativo e mal-humorado! Se fosse eu, por exemplo, tentando ser mal-humorado, acabaria rindo de situações, ou acabaria dizendo algo engraçado sem querer... mas não! Os realmente mal-humorados conseguem manter-se lá, firmes, no lado obscuro do dia quiça da vida!

Ô tristeza...

Tuesday, January 21, 2014

Me chamaram de intransigente...

Intransigent, by Derrick Higgins
Me chamaram de intransigente... Justo eu!!!

Intransigente, adjetivo de 2 gêneros para aqueles que não transigem - para os que não toleram. Também usado para descrever quem é austero e rígido, e por vezes inflexível.

E já que transigir foi citado, cabe dizer que é verbo transitivo e intransitivo, portanto transigimos algo ou a algo, sempre por meios de concessões recíprocas, que é o jeito de se contemporizar, conciliar, condescender e ceder.

E intolerante, também adjetivo de 2 gêneros dos que não toleram e não manifestam indulgência, contrários aos princípios da liberdade, que não aceitam ou compreendem diferenças de opinião ou de conduta, sectários.

Isso dito, retoricamente me pergunto: onde me encaixo?

Sunday, January 19, 2014

Me chamaram de desconectado...


Gerenciamento do tempo hoje em dia é uma dádiva! Eu que o diga! Sem tempo para muita coisa além do trabalho e da família, os poucos momentos que tenho livre são muito valiosos. E não são muitos estes momentos... bem menos do que eu gostaria!

E é fácil saber quanto tempo livre eu tenho. É só reparar a frequência com que posto nos meus blogues! Quase nada! Indo mais além, tem minha produção literária que está quase inexistente; TUDA sempre atrasada, a música, quase que abandonada, coitada... e o negócio dos vinhos, embora a passos lentíssimos, moribundo se arrasta!

E vieram me chamar de desconectado... Vai ver que sou mesmo!

Tem facebook, twitter, instagram, youtube, whatsapp, viber, g+, linkedin, blogger, wordpress, outros ainda têm orkut, tumblr, pintrest, yahoo, bing, mais o celular, o sms, os emails...

Não dá gente... é muita perda de tempo, não?!?

Saturday, January 18, 2014

deus das pequenas coisas

... ou a arte de se surpreender sempre

Surprise ~ Leonard Filgate
Sem querer me referenciar ao livro de Arundhati Roy, é realmente impressionante como pequenas coisas afetam o comportamento das pessoas e suas vidas! Hoje, quando voltava da caça (entenda-se trabalho, que é a caça moderna), vinha pensando com meus botões, em coisas da vida, como a idade chegando, os pequenos prazeres que valem a pena, as incontáveis coisas que não valem a pena, o mundão ainda por descobrir... e inevitavelmente me veio a imagem da Teresa, num país qualquer em que viajamos, observando uma paisagem e me pedindo para tirar uma foto... Sorri. Andando na rua, sozinho, sorri, ri mesmo, de uma alegria imensurável, pela imagem que me ocorrera, e por saber que a poucos passos estaria em casa, e ela estaria lá...

Eu por exemplo, tenho amigos de todas as categorias: solteiros, casados, separados. Dentre os solteiros há os aventureiros que navegam e pescam em quaisquer águas, e há os que querem achar um porto para seu barquinho. Dentre os casados há os que cuidam bem do seu jardim, há os acham a flor do vizinho mais cheirosa do que a dele, e há os que pulam a cerca em busca da flor alheia. Os separados geralmente navegam entre estas situações...

Tenho certeza que alguns amigos ficariam surpresos, ou mesmo com aquela pontinha de inveja. E essas coisas ainda me surpreendem, e eu me pergunto: como posso, na minha sensibilidade poética e musical, não ser assaltado por tais sentimentos com mais frequência? Culpo o trabalho, o dia-a-dia, e as pequenas coisas consumidoras de tempo - jogos eletrônicos, mídias sociais e TV. Nestas últimas nem me atenho... uma tvzinha de quando em vez e só.

O que eu quero mesmo é ter a disposição dos meus trinta anos quando estiver nos 60... será que é pedir demais?

Thursday, December 26, 2013

Nos velhos tempos...


Entre os vários rituais pagãos que acabaram fazendo parte do Natal, um deles, queimar o tronco de Yule (do nórdico antigo Jōl, hoje em inglês moderno, sinônimo de natal, época natalina), simbolizava a continuidade da sorte ao longo do ano. Os druídas costumavam mantê-lo aceso por 12 dias durante o solstício de inverno (por volta de 22 de Dezembro), e parte do tronco era guardado para a chama inicial que iria acender o tronco do ano seguinte. Os vikings esculpiam runas (inscrições antigas) nas toras e pediam aos deuses para afastarem o indesejado; geralmente a má sorte e a desonra, grandes valores da época.

Ninguém crê muito na sorte hoje em dia. E honra, nesta floresta de pedra da modernidade, muita gente nem sabe o que é, ou distorceu o sentido... e aquele princípio de conduta pessoal fundamentado na ética, honestidade, dignindade e coragem, entre outros, hoje são considerados virtuosidades! Aquele conjunto de normas, princípios e padrões sociais, amplamente aceitos e mantidos por indivíduos, para o bem de uma sociedade, que se bem me lembro dos valores que mamãe e papai me ensinaram, a honra já estava lá... mas parece que não mais.


Mizaru Kikazaru Iwazaru

Os Três Macacos Sábios é uma lenda japonesa. Eles são uma máxima pictórica que encarna o princípio proverbial "não veja nenhum mal, não ouça nenhum mal, não fale mal", mas no mundo ocidental, a frase é muitas vezes erroneamente usada para se referir àqueles que dão as costas para problemas.

Se uma coisa só fizéssemos, que fosse o que representam os três macacos sábios, aqui muito melhor representados...

Thursday, September 19, 2013

Do que realmente importa...

... da totalidade das coisas e dos seres, do total das coisas e dos seres, do que é objeto de todo o discurso, da totalidade das coisas concretas ou abstratas, sem faltar nenhuma, de todos os atributos e qualidades, de todas as pessoas, de todo mundo, do que é importante, do que é essencial, do que realmente conta...
É assim que eu descrevo a TUDA, minha revista eletrônica de poesia, literatura e arte. Mas não é de TUDA de que quero falar... mas do que realmente importa.

Há quem diga que o que importa é o tempo - ah, nada como um bom verão, sol, praia, etc... outros dizem que é a comidinha, os amigos, a família... mas para mim, o que não tem preço mesmo, é você chegar do almoço e encontrar um email como este, distribuído para a empresa toda:

Subject: Money Found

Fellow Burlington Road Residents,

A sum of money was found yesterday afternoon (Wedday, September 18) in the stairwell. If you believe it is yours, please contact Joe Sargent on extension 21224.

Kind Regards,
Michael Kindle
Ô saudades do Brasil...

Wednesday, September 11, 2013

Se eu quisesse falar, eu diria...

... diria que o Cork Jazz Festival que vai acontecer em Outubro aqui na Irlanda - em Cork, é claro - tem muita coisa boa, mas que não classificaria de jazz... pouco importa, eu vou! Vou para o genial Bugge Wesseltoft, que se ficar só no piano confesso que vai me fazer pescar. Vou para o veteraníssimo Billy Cobham, e para não passar o domingo em negro, vou de dobradinha Mingus Big Band / Snarky Puppy. Vamos ver no que dá...

... diria que o os ataques químicos na Síria são repulsivos, e que isto sim justificaria uma intervenção da ONU no país, no combate de crimes contra a humanidade... só que ninguém percebe (será?) que a merda toda está fedendo porque os EUA se acham os moderadores do mundo, e decidiram que a Síria precisa ser democrática, então para derrubar o regime em vigor, decidiram ajudar um bando de guerrilheiros mercenários na missão, e molharam a mão dos caras com armas, e agora que a bandidagem conseguiu o que queria, querem mais que a tal da democracia se foda, e partiram para o que interessa a eles, matança em massa. E qualquer semelhança com a ajuda à Al-Qaeda no combate com os russos nos anos 80, ou a invasão do Iraque para preensão de supostas armas químicas, a intervenção no Egito, na Líbia... pura coincidências!

... diria também que o Brasil, nessa inflação reprimida, vai longe... bem longe do caminho do desenvolvimento sustentado! E cada vez mais longe da consciência do povo - ou é a consciência do povo que anda se afastando... já que aprendeu a comprar à prazo mas ainda não sabe usar a caderneta!

Aff...

Saturday, April 27, 2013

De novo o tempo

Ultimamente o tempo tem sido um tema muito frequente nos meus posts (que andam cada vez mais raros) e nas minhas (não menos raras) divagações. E por quê, me pergunto retoricamente, tem o tempo me tomado tanto tempo no pensamento?

Primeiro por que é um tema amplo, que acaba involvendo outras áreas de reflexão, mas no plano do óbvio ululante, seria pela invariância do tempo, e sua implacabilidade. Também por sermos nós, na nossa condição humana, fadados ao plano cartesiano espaço x tempo - inevitavelmente. E o tempo, invariável, passa, e embora passem também nossas escolhas de vida, estas tendem a deixar consequências.

E tem a idade, é claro... não a idade da cabeça, que essa depende só de cada indivíduo, mas a cronológica mesmo, que é aquela em que não há nada possamos fazer para parar ou tapear, e só o que se pode fazer mesmo é dar-lhe um pouco de qualidade, e com muita sorte, talvez proporcionar um final digno... no fundo é isso que queremos: sair dessa (vida) com dignidade, na hora que for a certa, porém que seja o mais tarde possível, e mantendo uma certa qualidade do que nos restar dela.

E as escolhas? Bem, ao longo dessa jornada, certas ou erradas, temos que viver com elas, e procurar, enfim, tirar proveito dos pequenos momentos, valiossíssimos, que embora tendamos a não valorizá-los na sua plenitude, se pudermos identificá-los quando acontecem, já é uma dádiva!

E acho que é por isso que o tempo anda me ocupando tanto: creio que aprendi - a duras penas - a identificar os pequenos momentos, as frações de vida que acabam por justificar o todo... e, cada vez mais, isso vem me confortando, e mostrando que, no final, podemos colher um bom punhado de momentos capazes de justificar uma vida toda, e fazer valer a pena...

Já disse aqui que tenho fé na cosmogonia das coisas. Creio que tive meu tempo de redenção... das minhas ausências (ou das ausências que criei para mim), da palavra rude que disse num momento de exaltação, ou simplesmente para agradecer, embora ache que não tenha verbalizado a frase "eu te amo mãe" o bastante... e talvez devido à minha juventude, inexperiência e tolice, não tenha me manifestado apropriadamente, para que entendessem todo o meu amor e toda a minha gratidão a ela.

Mas como já disse, peço desculpas... se me ausento, se me omito, se me escondo... sou apenas um tolo e imperfeito filho, tentando sobreviver à minha maneira (provavelmente errada), e ainda aprendendo sobre os reais valores dessa vida...

Por isso, procuro aliviar minha alma, meu espírito... minha mãe sabe de tudo, já o sabia em vida e agora além!

Católico, Budista, Espírita ou Agnóstico - cosmológico - o mecanismo das águas manterá o moinho em movimento...

Tuesday, February 12, 2013

Sopão


Lembro de minha mãe fazendo o sopão - sabe o que é o sopão, né? Ou você é como o Slobodan Matarazzo, que não sabe o que é pobre, nem o que é sopão - e mesmo assim não gosta de nenhum dos dois! Eu, particularmente, soltaria o seu Slobodan lá na Baixada Fluminense, ou no Capão Redondo, tardinha da noite, pra ele ter um pouco de contato com a realidade do país onde vive... Não quer saber de pobre? Vai morar na Suiça!

Bem, esnobismo e ignorância à parte, sopão é aquele resto de tudo, tudo junto, numas de economizar e aproveitar o que sobrou! Minha mãe - que Deus a tenha - juntava coisas do almoço, da janta, do almoço de novo e da janta de novo... e ficava bom "pra dedéu!"

E como o sopão que vai tudo, este post também vai um pouco de tudo: tem o papa que renunciou, alegando não ter mais forças... políticas para enfrentar a pressão no quesito da pedofilia dos padres - na Irlanda, particularmente, virou um escândalo tal que até o Taoiseach (primeiro ministro) Irlandês, Enda Kenny, atacou a igreja! E para aqueles que assistiram Deliver Us from Evil - excelente documentário sobre Oliver O'Grady, um padre católico irlandês que atuava nos Estados Unidos, que foi sistematicamente transferido de uma paróquias para outra durante a década de 1970, numa tentativa por parte da Igreja Católica para cobrir o estupro de dezenas de crianças - nada disso é novidade, já que o filme mostra o atual Papa, na época Arcebispo, encobrindo os crimes de estupros de O'Grady.

Surprise! Surprise!

E a carne de cavalo? Absurdo, não? Mas o problema nunca foi o cavalo em si, e sim a documentação do cavalo... é, passaporte, vacina, exame médico, etc, etc. De novo, coisas do capital... já que o cavalo "documentado", que é vendido para consumo humano em praticamente toda a Europa, custa em torno de €600, enquanto o "sem papel", vendido para virar ração de animais, custa menos de €100! E o nosso famoso bife à cavalo, como é que fica? Nada mais "politicamente incorreto", como diria o Macaco Simão - "o meu eu quero sem ovo, por favor!"

É isso o sopão... um monte de coisa na mesma panela! E eu, que só postei porque me cobraram e me fizeram acreditar que "alguém lá fora" lê o meu blog, para "engrossar o caldo" colocaria um pouco de proteína... talvez testículos de carneiro, se me permitem... temperados com sal e alecrim, fritos no azeite!

Wednesday, December 12, 2012

121212


... ou
O Poder Místico da Ignorância Humana
ou ainda
A Ética Desvirtuada e a Imbecilidade Capitalista

12/12/12, uma data como outra qualquer... ou pelo menos como foi 11/11/11, 10/10/10, 09/09/09, 08/08/08... etc, etc, etc, e nada, absolutamente nada de importante, ou meramente relevante, aconteceu. Alguém lembra?

MAS, como sempre tem um místico de plantão para associar os números, as datas, os eventos, eis que hoje pela manhã, no programa Morning Ireland, os caras tiveram a pachorra de despender longos 10 minutos (ou foram 15? Ou 5?) numa entrevista com 2 garotas que aniversariam hoje. Veja só que interessante: ambas fazem 12 anos hoje! E daí? Pois é, também me perguntei, mas a apresentadora nem ao menos deixou eu formular a pergunta, e já fez questão de ressaltar que ambas nasceram no dia 12 do mês 12 de 2000, portanto faziam 12 anos no dia 12 do mês 12 do ano 12.

Ah, mas não acabou por aí, não... além disso, elas estudam na mesma escola!!! E, pasmem agora, NA MESMA CLASSE!!!!! "Não é demais?"

Não, não é. Foi o que também pensei...

Se a RTE, a rádio que transmite o Morning Ireland, é bem conhecida por algo, esse algo são os âncoras mal-educados, grosseiros, pretensiosos e petulantes, que raramente deixam o entrevistado terminar seu ponto de vista, interrompendo as respostas com perguntas complementares, causando confusão não só para o entrevistado como para o ouvinte. E por terem seus microfones mais altos do que o dos entrevistados, não sobra chance para os entrevistados terminarem suas colocações, mesmo que insistam em continuar suas respostas por cima da interrupção. Uma coisa realmente horrível de se ouvir, tanto que chega a ser cômico - por isso mesmo eu ouço!

Chegam ao absurdo, estes âncoras, de cortar a entrevista em pontos cruciais para chamarem os comerciais? Ora, se o tempo é tão valiosos assim, como podem colocar 15, 10, ou mesmo 5 minutos dessa baboseira de 12/12/12 no ar?

Não duvide de nada, é o que sempre prego. Nem da estupidez humana, nem da ilógica do capital... tampouco do fim do mundo, já plenamente anunciado para 21/12/12... Percebeste os números? invertidos?!?