Friday, September 25, 2009

are we there yet?


Pois é, o Oxfam Trekking 2009 acontece este fim-de-semana... e eu vou lá , dar o maior apoio aos nossos amigos do "Are We There Yet?". O desafio é percorrer 100km em 30 horas. Parece fácil, não? 3.33km por hora... mas não é bem assim. Não estamos falando de caminhar na esteira, ou num terreno plano. Estamos falando de montanhas, pedras, água, florestas... um verdadeiro mergulho na "wild life"!

E eu vou estar lá também... na equipe de apoio!

Não menos importante que o próprio time, a equipe de apoio tem o papel fundamental de fornecer água, comida, apoio moral e conforto para o time, nas poucas paradas que têm direito ao longo do caminho. Somos responsáveis também por todos os primeiros socorros que forem necessários.

Não é fácil, mas que vai ser divertido, ah isso vai!

De TUDA um pouco...


Na TUDA de Setembro fiz uma tradução de um poeta baiano, Plínio de Aguiar. Já comentei o fato aqui, mas o negócio é que ele mandou a tradução para outra revista eletrônica, e os caras publicaram. A revista é a litbr, e minha tradução está aqui. Confiram!

Thursday, September 24, 2009

You beach!


Na rabiola de um assunto já tratado aqui, falemos de sotaque e do quão difícil é pronunciar certos sons em determinados idiomas. Por mais discordância que o assunto possa causar, creio que todo mundo concorda nesse ponto: há certos sons que simplesmente não conseguimos falar! Isso, é claro, não nos impede de falar um idioma, claro que não. Acabamos simplesmente passando por cima daqueles sons da melhor maneira possível, por pura analogia, uma relação de equivalência com outros sons.

Por exemplo, o "u" francês tem um som bem particular, e para nós, brasileiros, é ensinado como o som da letra "i"emitido com a boca no formato para falar "u". Chegamos perto! O som gutural do "g" holandês - temos que puxá-lo como um "h" expirado, arranhado no fundo da garganta. Chegamos perto, novamente.

No inglês temos vários exemplos - a mistura de "d", "s" e até "f" (sem falar da linguinha entre os dentes) do "th", o pequeno "a" entre as letras "r" e "l", para amaciar e facilitar a pronúncias de palavras como "world" - "wor(a)ld", são técnicas usadas por professores para aproximar o som para algo mais "palpável" a quem aprende.

Vejam a palavra "beach" (praia), por exemplo. As letras "e" e "a" juntas têm um som longo de "i", foneticamente representadas com o símbolo (i:). Já a palavra "bitch" (cadela, prostituta), o "i" representa-se foneticamente pelo símbolo (I). O mesmo do verbo "to do" no passado - "did", o mesmo para "bit" e "rabbit", mas certamente não o mesmo "i" de "time" (ai), essa diferenciação mostra que os "is" têm sons diferentes - um aberto e longo, outro fechado e curto. Tal particularidade pode, por vezes, levar a confusões. Naquela técnica de analogia usada pelos professores para aproximar o som de algo mais palatável ao falante, algum professor (ou método) poderia dizer que aquele "i" de "bitch" e "did" soa fechado, algo entre o "i" e o "e" - eu diria "î", em letras romanas... outras confusões são dizer que o "f" de "of" (preposição "de) tem som de "v". Isso é assim dito para facilmente diferenciar o som do "f" simples, do som do "f" duplo, como em "off" (estar desligado, estar fechado) por exemplo - mas aí as pessoas levam ao pé da letra, e saem dizendo "ov", com som de "v" no final. Outro: "new". Para não falar "níu", ensina-se que o "ew" tem som de "u", e passam a dizer "Nu York".

Às vezes estas "liberdades" fonéticas acabam por criar novos fonemas - ainda mais no inglês, língua muito dada a absorções - e o "nu" incorporou-se no termo "nu-jazz", estilo musical cunhado por músicos nórdicos, pioneiros do "future-jazz e do jazztrônica.

É isso aí!

Wednesday, September 23, 2009

a primeira vez a gente nunca esquece...


Fiz uma tradução de um poeta baiano, Plínio de Aguiar, lá na TUDA de Setembro (confira). O poema me foi enviado por um amigo em comum, Roniwalter Jatobá.

Após a publicação da revista, Plínio - que não conheço pessoalmente - me enviou um email de agradecimento, dizendo ter gostado da tradução e que estava muito feliz em ver um trabalho seu vertido para outro idioma. Fora a primeira vez!

Outras pessoas também elogiaram o trabalho, outras até enviaram sugestões que ajudaram a dar uma interpretação ainda melhor ao poema. São estas coisas que nos fazem bem, e nos dão força para manter-nos na batalha... Aliás, a TUDA anda bem badalada. Dá até vontade de publicar lá, não fosse a decisão prévia de usá-la apenas para exercícios de tradução.

E falando em tradução, outro dia me perguntaram quantas línguas eu falo, e retruquei "properly? Só português! E olha lá!" É claro que conheço outras línguas, arranho espanhol, francês e italiano, estudei japonês e russo, e atualmente tomo aulas de irlandês, mas tudo isso porque gosto de línguas. E por gostar de línguas - ainda mais agora, depois de ler "Just A Phrase I'm Going Through" (É só uma frase que eu estou passando) de David Crystal - se eu me armar de um bom dicionário, um compêndio gramatical e um guia de verbos, vou me meter a traduzir línguas que não falo, sim... pelo simples desafio... vide minhas traduções na TUDA!

Para a próxima edição, estou pensando num letrista catalão, ativista na luta contra a ditadura franquista...

Até lá!

Monday, September 21, 2009

De apontamentos e assentamentos

Quando você sabe que é chegada a hora de se assentar? Depende do que você chama de assentamento, eu diria. Tem aquele assentamento do ser, onde você põe os seus pés no chão e diz "daqui não saio, daqui ninguémj me tira", e aquele outro, temporário, que embora temporário é um assentamento. Eu, que ultimamente "vivo em mudança", nesta sexta-feira me considerei - talvez ainda prematuramente - temporariamente assentado. Me permiti esse estado... e digo, foi bom. Não, não... foi MUITO bom! Tão bom que já comecei a desencaixotar certas coisas... (!)

E por falar em desencaixotar, amigo meu me disse assim, meio on passant, que não há nada que não possamos fazer quando nos determinamos a fazer algo... entenderam? Guardadas as restrições dos terrenos das probabilidades e das possibilidades, traduz o que minha falecida avó - que deus a tenha - dizia, "quem quer faz, quem não quer manda!", ou pede. E para não pedir - muito, que um pouco eu já pedi - e não pagar também, lá fui eu tentar instalar a antena de satélite da TV lá de casa... na verdade, fui regular a antena, já que na instalação física tive a valorosa ajuda daquele mesmo amigo já citado.

Tem um aparelho pra localizar o sinal dos satélites, que custa uma nota. Quem tem, oferece o serviço por meros 60 euros, mas como escolhi ter TV "free to air", quis manter o espírito "free" e me lancei na maratona de tentar regular a antena sozinho. Quase desisti, não fosse um site chamado Satellite Signals, que foi muito útil em fornecer as coordenadas - latitude, longitude, azimuth, elevação, frequência, polarização, etc, etc. É claro que me tomou algumas horas para me habituar com esse linguajar todo, mas o resultado foi positivo: ao fim da tarde, consegui sintonizar os canais que eu queria - e vários que eu não queria também!

É isso que acontece quando se aponta para o lado certo... com muita paciência e a ajuda de uma boa bússola, é claro!

Quanto ao assentar-se no ser... bem, isso pode demorar um pouco ainda, e fica para a próxima viagem!

Friday, September 18, 2009

de transporte público e oportunidadaes...


Pois é, nem só de maravilhas vive a "Terra Do Faz-De-Conta Da Minha Cabeça": aqui também dá ladrão! Dá sim!

Aqui é tão tranquilo andar pelas ruas e nos transportes públicos, que você esquece que natureza humana é predadora e acaba relaxando, baixando a guarda.

Lá vou eu de novo, um tanto sonolento, no Dart (Dublin Area Rapid Transit) para Dun Laoghaire, sentado lendo minha edição da revista Village, até que na parada de Blackrock, quando as pessoas começaram a sair do trem, eu, que estava sentado ao lado da janela, de "rabo de olho" percebo um cara passar, usando um colete reflexivo - bem comum entre ciclistas e trabalhadores do setor de construção. Não olhei para ele, mas ele deu uma paradinha, virou-se, voltou três passos, e depois continuou. Esse movimento me chamou a atenção e olhei para ele, e o que vi foi uma mochila igualzinha à minha. Pego na surpresa, volto o olhar para onde deveria estar minha mochila... e não estava! Saio em disparada atrás do elemento, que calmamente caminhava com a minha moichila nas costas. Abordo o indivíduo e segue-se o diálogo:
- Excuse me... but I think you you mistook my bag!
- Oh, is this your bag? (E já tirou ela do ombro, estendendo-a para mim, com uma puta cara de espantado!)
- Yes, indeed.
- It's a laptop, isn't it? (só depois eu me questionei o por que da pergunta)
- Yes, a thinkpad (e abri a mala pro figura ver meu laptop).
- Oh, fuck... (olhando para o trem partindo, como se procurando algo dentro do vagão, e continuou andando)
A primeira impressão que tive foi de que o figura realmente havia se enganado, mas pensando bem depois, concluí que ele fora movido pela oportunidade... a mochila estava desassistida, num bagageiro de um banco vazio, pois quando a coloquei lá, eu estava em pé ao lado de um banco ocupado, e mais tarde vagou um lugar três poltronas adiante. Não tive dúvidas: sentei e deixei a mochila lá mesmo onde já estava... o cara ao descer em Blackrock viu uma mochila de laptop num bagageiro sem ninguém na poltrona, pensou "Ops... someone left a laptop behind..." e pegou.

Se a oportunidade faz o ladrão, a falta de oportunidade deveria fazer os honestos, não? Eu hein?