Wednesday, September 11, 2013

Se eu quisesse falar, eu diria...

... diria que o Cork Jazz Festival que vai acontecer em Outubro aqui na Irlanda - em Cork, é claro - tem muita coisa boa, mas que não classificaria de jazz... pouco importa, eu vou! Vou para o genial Bugge Wesseltoft, que se ficar só no piano confesso que vai me fazer pescar. Vou para o veteraníssimo Billy Cobham, e para não passar o domingo em negro, vou de dobradinha Mingus Big Band / Snarky Puppy. Vamos ver no que dá...

... diria que o os ataques químicos na Síria são repulsivos, e que isto sim justificaria uma intervenção da ONU no país, no combate de crimes contra a humanidade... só que ninguém percebe (será?) que a merda toda está fedendo porque os EUA se acham os moderadores do mundo, e decidiram que a Síria precisa ser democrática, então para derrubar o regime em vigor, decidiram ajudar um bando de guerrilheiros mercenários na missão, e molharam a mão dos caras com armas, e agora que a bandidagem conseguiu o que queria, querem mais que a tal da democracia se foda, e partiram para o que interessa a eles, matança em massa. E qualquer semelhança com a ajuda à Al-Qaeda no combate com os russos nos anos 80, ou a invasão do Iraque para preensão de supostas armas químicas, a intervenção no Egito, na Líbia... pura coincidências!

... diria também que o Brasil, nessa inflação reprimida, vai longe... bem longe do caminho do desenvolvimento sustentado! E cada vez mais longe da consciência do povo - ou é a consciência do povo que anda se afastando... já que aprendeu a comprar à prazo mas ainda não sabe usar a caderneta!

Aff...

Saturday, August 31, 2013

Do Digital, do Analógico e do Envelhecimento

Será que ainda há essa discussão? Provavelmente não: já ficou bem claro que a "qualidade sentimental" dos analógicos é muito mais profunda e tocante. Ao menos tratando-se de música!

E não é que eu queira (re)tomar esta discussão, não. É só que, na minha corriqueira manhã de sábado, lendo os jornais, ouvindo música, etc, dei-me a ouvir ao Trespass, o segundo álbum de estúdio do Genesis, gravado e lançado em 1970. Este foi o único álbum do Gênesis com o baterista John Mayhew, o último com o guitarrista Anthony Phillips, e o primeiro com Phil Collins.

Enfim, ouvindo ao Trespass, no meu "antiguíssimo" (em 2004 era super-moderno e potente) Sony Vaio Portable Music Player de 40GB de HD, ao começar a primeira músic, Looking for Someone, confesso que senti falta do "crack" que costumava ouvir quando tocava o velho Long-Play na velha vitrola:
"(crack) Looking for someo(crack)ne, (... crack... crack...)
I guess I'm do(crack)ing that... (crack)"
Esclarecendo duas coisinhas: primeiro, não, eu não prefiro ouvir o "crack" no meio da música, mesmo que só no comecinho... é só o "charme" do vinyl, entende?!? Segundo, o Sony Vaio Portable Music Player que tenho não é o meu player diário, não! É só uma fase "revival" que estou passando. Eu, como todos os "normais" (!!!), ouço música no celular...

Ok, ok... é mentira! Na verdade só uso o celular de vez em quando. Eu ainda tenho CDs, mais de 1000, por incrível que pareça - e nem vou falar dos LPs... mais de 200! Agora, no Youtube não!!!

Incrível o processo de envelhecimento e seu poder de fazer você se decepcionar com as pessoas, não? Eu atribuo isso não ao que pejorativamente chamam de enrabujecimento do indivíduo, o que acaba sendo cômodo e apropriado - velho rabujento! Eu atribuo, sim, à noção do tempo. E se você tiver sorte, essa noção não será sobre um tempo perdido, mas sim de um tempo que ainda está por vir, e fatalmente, sobre o tempo que não virá! Isso, inevitavelmente, te leva a desconsiderar coisas não tão importantes. Naturalmente, e cada vez mais.

Cada vez entendo mais minha mãe e seus discos de 78 rotações... que Deus a tenha!

Saturday, June 22, 2013

Um Grande Carnaval...

... ou O Solstício de Verão!


Pois bem, se o primeiro dia oficial do verão no Hemisfério de cima não me fizesse blogar de novo, o que faria? As manifestações no Brasil, que mais parecem um carnaval antecipado, no sentido do oba-oba? Nãããooo!! As manifestações dos brasileiros aqui em Dublin, que tiveram o trabalho de pintar uma faixa com os dizeres "desculpem-nos o transtorno, mas estamos lutando por um país melhor!"? Nãããooooo!!!

Afinal, sobre o quê mesmo estão protestando?

Bonitinho os brasileiros aqui em Dublin, né? Mas acho que a faixa deveria dizer "Desculpem-nos pela inconveniência de fazer esta bagunça em suas ruas, devido a um problema histórico que não só nosso governo, mas todo nosso povo tem, de corrupção! Somos todos corruptos, desde os políticos que mal administram o país, estados e cidades, até o nosso famoso "jeitinho brasileiro" que nada mais é do que outro tipo de corrupção. Desculpem-nos por ousarmos trazer problemas lá do nosso país até aqui, em suas ruas, para que todos vocês, que nada têm a ver com isso, possam ver e, quem sabe, sentir pena da gente... pois é só isso mesmo que vamos conseguir, a compaixão dos países desenvolvidos, educados, que não conseguem ao menos conceber como alguém pode morrer de fome, ou ser morto por causa de um celular!

Palhaçada à parte, quem são os responsáveis pela violência afinal? Fácil: a polícia! Ou porque bateu em arruaceiro, ou porque não bateu em arruaceiro e eles quebraram tudo que encontraram pela frente! Mas e as tais "lideranças" dos manifestantes? Por que será que é tão difícil identificá-las? Porque defendem seu próprio interesse, sua própria agenda, que é a agenda da baderna, da arruaça, da instabilidade - do contra. Não há interesse em melhorar nada nessa gente, instigadores da desordem. Irresponsáveis, sabem muito bem que manifestações de massa como estas, inevitavelmente trazem consequências como estas - vandalismo, saque, violência gratuita! Tem muita gente que já nem sabe mais o que está fazendo nas ruas, mas continua lá, lutando por...

Queimaram a bandeira americana... para quê, exatamente? Qual a relação com as tarifas dos ônibus, ou com o dinheiro público gasto nos preparativos da Copa do Mundo, ou com a corrupção dos nossos políticos? Exatamente? Ou com qualquer outra coisa!!! Quer atacar os americanos? Não coma MacDonald nem tome Coca-Cola!

É assim que se protesta, com a cabeça! Quer ser realmente efetivo? Ataque os poderosos. Onde está o poder? Ao lado do dinheiro! Como ofender aos endinheirados? Boicotando! Tudo o que foi gasto nessa Copa tem um único objetivo: fazer dinheiro! Passagens de avião, passagens do transporte público para os estádios, estacionamento, ingressos para os jogos, bebidas e guloseimas nos estádios e imediações, santinhos, lembrancinhas, cobertura na mídia, jornal, revista, TV, rádio... tudo!

Vamos protestar? Boicotemos a Copa! Que nenhum brasileiro - nem precisa ser daqueles que batem no peito e dizem eu-sou-bra-si-lei-ro, aos soquinhos - que nenhum brasileiro vá a um único jogo da Copa! Que não se ligue as TVs nem os rádios para nenhum jogo desta Copa! Que não se compre nenhum jornal ou revista que mencione uma só matéria sobre esta Copa! Que não se comente sobre esta Copa! Que não se aceite as migalhas dos feriados decretados em dias de jogos do Brasil, que não se comemore, que todos trabalhem, pra valer, durante esta Copa! E que depois desta Copa ninguém, jamais, frequente os estádios feitos ou reformados para esta Copa!

Seria capaz, o brasileiro, patriota, que bate no peito, que veste a camisa (e a bandeira, que na verdade é um desrespeito!), que faz passeata na Paulista porque aparece na TV e causa o caos necessário para virar notícia, já que "é pra mostrar pro governo que o povo tá descontente!" E está mesmo! Os milhares na passeata, e os outros milhares, atolados no caos que eles causaram! Seria capaz, este brasileiro, de não "viver" a Copa em seu próprio país? Creio que não. Se a Copa das Confederações já é o bastante para tirar uma grande parte deles da rua, imagine a Copa do Mundo! Ao contrário, irão todos, quem tem dinheiro para pagar os ingressos abusivos, e quem não tem também, comprarão em 12 vezes, mas pagarão o olho da cara no ingresso, antecipado (já comprado, inclusive!) ou na mão do cambista - outra "profissão honrosa que temos! Pagarão caro para assistirem os jogos nos mesmos estádios que foram construídos com o dinheiro público - segundo a mídia, que serve tanto ao céu quanto ao inferno!

Quanto aos protestos, claro, vamos protestar sim, mas por favor, que seja ou antes ou depois do jogo! Afinal, ninguém é de ferro, né? Agora dá licença que daqui a pouco vai começar Brasil e Itália...

Saturday, April 27, 2013

De novo o tempo

Ultimamente o tempo tem sido um tema muito frequente nos meus posts (que andam cada vez mais raros) e nas minhas (não menos raras) divagações. E por quê, me pergunto retoricamente, tem o tempo me tomado tanto tempo no pensamento?

Primeiro por que é um tema amplo, que acaba involvendo outras áreas de reflexão, mas no plano do óbvio ululante, seria pela invariância do tempo, e sua implacabilidade. Também por sermos nós, na nossa condição humana, fadados ao plano cartesiano espaço x tempo - inevitavelmente. E o tempo, invariável, passa, e embora passem também nossas escolhas de vida, estas tendem a deixar consequências.

E tem a idade, é claro... não a idade da cabeça, que essa depende só de cada indivíduo, mas a cronológica mesmo, que é aquela em que não há nada possamos fazer para parar ou tapear, e só o que se pode fazer mesmo é dar-lhe um pouco de qualidade, e com muita sorte, talvez proporcionar um final digno... no fundo é isso que queremos: sair dessa (vida) com dignidade, na hora que for a certa, porém que seja o mais tarde possível, e mantendo uma certa qualidade do que nos restar dela.

E as escolhas? Bem, ao longo dessa jornada, certas ou erradas, temos que viver com elas, e procurar, enfim, tirar proveito dos pequenos momentos, valiossíssimos, que embora tendamos a não valorizá-los na sua plenitude, se pudermos identificá-los quando acontecem, já é uma dádiva!

E acho que é por isso que o tempo anda me ocupando tanto: creio que aprendi - a duras penas - a identificar os pequenos momentos, as frações de vida que acabam por justificar o todo... e, cada vez mais, isso vem me confortando, e mostrando que, no final, podemos colher um bom punhado de momentos capazes de justificar uma vida toda, e fazer valer a pena...

Já disse aqui que tenho fé na cosmogonia das coisas. Creio que tive meu tempo de redenção... das minhas ausências (ou das ausências que criei para mim), da palavra rude que disse num momento de exaltação, ou simplesmente para agradecer, embora ache que não tenha verbalizado a frase "eu te amo mãe" o bastante... e talvez devido à minha juventude, inexperiência e tolice, não tenha me manifestado apropriadamente, para que entendessem todo o meu amor e toda a minha gratidão a ela.

Mas como já disse, peço desculpas... se me ausento, se me omito, se me escondo... sou apenas um tolo e imperfeito filho, tentando sobreviver à minha maneira (provavelmente errada), e ainda aprendendo sobre os reais valores dessa vida...

Por isso, procuro aliviar minha alma, meu espírito... minha mãe sabe de tudo, já o sabia em vida e agora além!

Católico, Budista, Espírita ou Agnóstico - cosmológico - o mecanismo das águas manterá o moinho em movimento...

Friday, February 22, 2013

22022013

As time goes by, MK Photography

Edu, Edu... lá vem você, com esse brilho nos olhos, querer dizer
que o tempo passa, o tempo voa, mas que a vida continua num boa?
Bem podia ser, não fossem os planos daqueles do andar acima,
sempre por cima de tudo: da carne seca, se dinheiro e poder é a sorte,
do destino alheio, se trata-se de decidir sobre a vida e a morte - e aí...
aí meu camaradinha, é onde poucos podem entender as vontades Daquele,
que com D maiúsculo Determina Destinos, trazendo uns e levando outros.
Não fosse isso seria mais um, daqueles dias, denovo & again,
que ainda parece ser importante pra você & + meia-dúzia, nadalém,
e embora houvéssemos perdas, ainda estás aqui, cá estás de novo,
a mesma farinha do mesmo saco, a mesma gema do mesmo ovo!
a contar anos-círios, sem se dar conta da rima pobre,
muito menos dos anos-círios passados & apagados, e o que era nobre
agora não faz diferença, que desde nascença já é bastão passado,
- é tudo cabeça - costumavas dizer, diferente de tudo,
só mais uma vez, para sempre só mais uma vez,
solitário-nauta, arauto do que buscas, interminavelmente,
na mesma desafreada caçada aos futuros hontems & passados ojes
sem todos os apegos - saudadetoda, nenhumamágoa, nada-apaga, toda-via,
- a mesma saudade que nos mata dia após dia -
se as mais altas colunas da ordem e da desordem conspiram contra o tempo,
e sabes que ainda terás que barganhar outras barganhas de vida e morte,
e nessa hora, nem os aléms dos tudos que te possam oferecer serão suficiente...

e se permitido fosse auto-plágio, diria que e quando tua hora chegar
que estejas rodeado... rodeado de ti, aquele tú-mesmo e mais todos os outros tús
que te incorporam de vez em vez, e assim amalgamar-te onipresentemente,
no sentido etéreo-futurista de uma fuga de Bach...
Ah... se possível fosse sobreviver-me,
talvez vendesse essa barganha...

parabéns pra você!

assyno eduardo miranda,
d este porto seguro da jlha do Eire,
oje, sexª-fejra, vjgesºsegº dia do segº mez d este anno de MMXIII