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Wednesday, September 11, 2013

Se eu quisesse falar, eu diria...

... diria que o Cork Jazz Festival que vai acontecer em Outubro aqui na Irlanda - em Cork, é claro - tem muita coisa boa, mas que não classificaria de jazz... pouco importa, eu vou! Vou para o genial Bugge Wesseltoft, que se ficar só no piano confesso que vai me fazer pescar. Vou para o veteraníssimo Billy Cobham, e para não passar o domingo em negro, vou de dobradinha Mingus Big Band / Snarky Puppy. Vamos ver no que dá...

... diria que o os ataques químicos na Síria são repulsivos, e que isto sim justificaria uma intervenção da ONU no país, no combate de crimes contra a humanidade... só que ninguém percebe (será?) que a merda toda está fedendo porque os EUA se acham os moderadores do mundo, e decidiram que a Síria precisa ser democrática, então para derrubar o regime em vigor, decidiram ajudar um bando de guerrilheiros mercenários na missão, e molharam a mão dos caras com armas, e agora que a bandidagem conseguiu o que queria, querem mais que a tal da democracia se foda, e partiram para o que interessa a eles, matança em massa. E qualquer semelhança com a ajuda à Al-Qaeda no combate com os russos nos anos 80, ou a invasão do Iraque para preensão de supostas armas químicas, a intervenção no Egito, na Líbia... pura coincidências!

... diria também que o Brasil, nessa inflação reprimida, vai longe... bem longe do caminho do desenvolvimento sustentado! E cada vez mais longe da consciência do povo - ou é a consciência do povo que anda se afastando... já que aprendeu a comprar à prazo mas ainda não sabe usar a caderneta!

Aff...

Thursday, September 09, 2010

de caminhadas, ongs & fome


Pois é, caminhamos 100 quilômetros. Cem quilômetros em 26 horas e 57 minutos. Para tanto, arrecadamos mais de 3.000 euros em nome da Oxfam, na esperança que ela use o dinheiro para uma boa causa... mas e daí?

Um amigo me inquiriu: Edú, se não houvesse o evento, a caminhada, você teria a iniciativa de sair arrecadando dinheiro? E daria esse dinheiro para uma ONG? Quantas e quantas ONGs já não se provaram deletérias? Seja por pilantragem ou mesmo por pequenos desvios ou interesses pessoais de seus dirigentes?

Um problema... a caridade é algo bem inerente da cultura irlandesa e britânica. As pessoas doam. Se dão naturlamente. No Brasil, isso não ocorre. As pessoas fogem de doações, viram as costas mesmo. Não as culpo. Desconfiadas justamente pelo histórico de corrupção que as ONGs carregam, chegam até a ignorar o pedido, mesmo vindo de um amigo.

Não acredito em ONGs. Aliás, não acredito em aglomerações, de nenhum tipo. Mais de uma pessoa envolvida em qualquer coisa e já existe a possibilidade dos jogos de interesse... e se levantarem uma bandeira então, a mim já virou fanatismo. E a Oxfam é isso, um aglomerado de pessoas atrás de uma marca, defendendo um suposto ideal em meio - suponho - a jogos de interesse. Mas entrei nessa pelo desafio pessoal, puramente.

Esse meu amigo achou uma maneira de ajudar as pessoas. Formou uma fisioterapeuta que era menina de rua. Proporcionou estudos a um faxineiro que se tornou engenheiro eletrônico. Assim como meus pais, que formaram advogada a filha da empregada. Todos acharam sua maneira de ajudar... eu ainda procuro a minha, embora o principal, na minha opinião, seja o desapego ao vil metal, que como tudo nesse mundo tem seu lado bom e o seu lado mal. E isso eu acho que já consegui há algum tempo. Dinheiro não me impressiona mais, e espero poder ter o suficiente para viver simplesmente. Cada vez mais simples, essa é a minha luta...

Uma elocubração sobre a fome - Se temos fome é porque estamos vivos e com saúde. Seria certo acabar com ela? Mas a fome pode deixar sequelas irreversíveis num organismo. Vide o recém libertado prisioneiro político de Cuba, Ariel Sigler. Eu mesmo nunca passei fome por mais de algumas horas, sabendo que o alimento logo chegaria. Estender essa agonia por dias, semanas ou meses, sem a menor perspectiva de quando acontecerá a próxima refeição, seja lá o que seja isso, deve ser horrível. Por isso apoio, por mais demagogo que seja, o programa Fome Zero do governo. Fome é a primeira coisa que deveria ser extinta do mundo, e qualquer iniciativa nesse sentido é válida, mesmo que alguns filhos-da-puta se aproveitem da situação. E filhos-da-puta aproveitadores sempre existirão, com ou sem Fome Zero, com ou sem Bolsa Família. Aqueles que se benificiam de tais programas, por outro lado, podem ter suas vidas mudadas de maneira significativa, enquanto os filhos-da-puta aproveitadores só terão mais dinheiro em suas contas já gordas. Um dinheiro que em meio a tanto que já têm nem fará diferença. É na consciência e na cosmologia... é lá que eles acertarão suas contas.

E falando em caminhada, eu ainda estou de molho - pés para o alto, antibiótico em pílulas e pomada nas bolhas estouradas, esperando que as canelas e os pés desinchem completamente - já estão bem melhores de como estavam no domingo à tarde! Volto a trabalhar Segunda-feira... e a treinar para o próximo Trailtrekker no mês que vem!

Monday, April 19, 2010

A caminhada de sábado

Devagar e sempre... esse é o segredo!

Comecei com 8km (Ashtown-Dublin), depois 12km (Mulhuddart-Ashtown), 14km (Bray-Greystones-Bray + Bray Head), 16km (Howth-Dublin), 25km (Howth Head + Howth-Dublin), e agora, 30km, de Greystones até Sandymount... Uma bela caminhada, com subidas, descidas, trilhas irregulares, trilhas planas... um pouco de tudo.

A caminhada me serviu para experimentar um tênis-bota, próprio para terrenos mais irregulares. Realmente, quando andamos pelos penhascos de Greystones-Bray ele fez a diferença. Ao voltar para terreno plano calcei o tênis para caminhada, muito mais leve e confortável, mas as pedras da costa de Bray não estavam nos planos... pedras grandes e irregulares, forçaram muito - e desnecessariamente - os tornozelos e os joelhos.

Teríamos andado mais, não fosse praia de pedras entre Bray e Dún Laoghaire.
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no mei do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
Grande Drummond... E semana que vem tem mais!

Tuesday, June 16, 2009

today, today - is the Bloomsday!

"A primeira vez a gente nunca esquece!" Foi justamente para celebrar um Bloomsday que desembarquei na Irlanda pela primeira vez. O ano era 2003, e aquele Bloomsday me impressionou: desde o café dfa manhã - o chamado full irish bloomsday breakfast, uma das maneiras mais tradicionais de celebrar o Bloomsday, com muita lingüiça, ovo, batata, feijão doce, chouriço e Guinness - até os recitais e o "Caminho de Bloom", uma caminhada que explora os bastidores da saga de Bloom, conforme ele atravessa a cidade em busca de algo para comer.

Para os desavisados: o Bloomsday é considerado a única data fictícia comemorada no mundo. Comemora o dia em que se passa toda a ação do romance Ulisses de James Joyce, e acredita-se também que 16 de Junho de 1904 foi o dia em que Joyce saiu pela primeira vez com aquela que viria a ser sua esposa, Nora Barnacle, . O dia é chamado Bloomsday - ou O Dia de Bloom - em homenagem à personagem central Leopold Bloom. O romance segue a vida e os pensamentos de Bloom e de outras personagens reais e fictícias desde 8 da manhã de 16 de Junho de 1904 até as primeiras horas da manhã seguinte.

Conta a história que uma das primeiras celebrações do Bloomsday foi um almoço organizado por Sylvia Beach, editora de Ulisses, em Junho de 1929 na França. O primeiro Bloomsday comemorado na Irlanda foi em 1954, marcando o cinquentenário da aventura. Na ocasião, os escritores Patrick Kavanagh e Flann O'Brien visitaram locais do romance, como a Martello Tower em Sandycove, o pub Davy Byrne's, e o número 7 da Eccles Street, onde "viveram" Leopold e Molly Bloom. Tudo regado a muita leitura de Ulisses e - claro! - muita bebida!

Hoje o Bloomsday é comemorado em vários países com leituras e performances joyceanas. Em Dublin, o James Joyce Centre coordena as comemorações, onde entusiastas se vestem em trajes eduardianos e se reunem durante o dia nos locais onde ocorrem episódios de Ulisses. Eu, que nunca participei de um Bloomsday que não fosse na Irlanda, gostei mesmo do Bloomsday de 2004, o do centrenário. Me foi especialmente marcante, por ter sido o primeiro como morador de Dublin...

O Bloomsday realmente vale a pena!

Sunday, March 15, 2009

golfing in Ireland...


Ontem tive a minha primeira experiência no golfe. Depois do ski, que foi fantástico, o golfe é simplesmente espetacular!

Esqueça tudo o que você já ouviu falar sobre o golfe: que é esporte de rico/fresco, que não exige esforço, ou que é chato; o golfe não é nada disso... se é caro no Brasil, é porque o fazem caro: aqui não tem ninguém pra carregar teus tacos, e o carrinho não está incluso no preço do campo... pagamos a bagatela de 6,50eu pelo campo e 2,50eu pelo aluguel dos tacos! Uma mixaria, convenhamos! No Brasil, costuma-se ter todo um ritual "mordômico" que não é o padrão europeu; é claro que há clubes em que só jogam sócios, em que os preços são muito mais desfavoráveis, e a etiqueta muito mais rígida, mas isso, aqui, não é pré-requisito: pode-se muito bem jogar um golfezinho discontraído, por uns meros 15 euros (lemrando que uma coca-cola custa 1 euro).

Até que não dei vexame: 18 buracos, que demandam uma média de 3 tacadas por buraco pra profissionais, o que daria 54 tacadas, fiz em 113. Pouco mais da metade, sendo que fiz um buraco em 2 tadacadas, 2 em 3, alguns em 4, mas vááários em 7, 8, 9 ou 10!

Valeu! Pela experiência, pela amizade (Marcelo Melo, Marcelo Pererira e Tatiano Freitas... aquele abraço!), e pelo social: estarei eu mais "irish" que antes?!?

Ansioso pela próxima...

Friday, November 21, 2008

Jazz-me!

Sob o título "Scene Norway", o London Jazz Festival deste ano trouxe gente da pesada. E nós estávamos lá! Fomos para ver Marie Boine e Bugge Wesseltoft, mas acabamos nos surpreendendo com outras coisas tambem. A noite abriu-se com a dupla "Terje Isungset & Karl Seglem". O saxofonista e o percursionista noruegueses sabem o que estão fazendo, misturando como ninguem trechos folclóricos com ambiente e jazz. De tirar o fôlego! Marie Boine veio em seguida com sua nova banda - muito boa por sinal. Destaque para a precisão do baterista e a sutileza do guitarrista. E ela, claro, Marie Boine esbanjando sua voz, cantando exclusivamente em Sami.

Na sala dois assistimos ao tecladista Bugge Wesseltoft & Convidados. Primeiro Bugge começou sua apresentação solo ao piano, destilando-se em samplers e sequencers, numa aula de improvisação e composição "on-demand"! Em seguida, o baterista - em solo - tentou fazer o mesmo, menos impressionante mas ainda criativo, mas quando a trompista - também em solo - partiu para sua seqüência de samplerização, deixou a desejar., e acabou vaiada...

Não se faz jazz pela fama, pelas as jóias ou pelas mulheres. Isso é coisa de RaP, Hip-Hop, Pagodeiro... Muito menos se espera fama e dinheiro quando se sai da trilha do convencional, seja em qualquer estilo! Vair um músico não é educado, tampouco justo ou honesto. Traz o sentido do desprezo, e ao invés de demonstrar que você não gostou, sugere que você pode fazer melhor. E mesmo que possa, não vaie, pois poderia ser você lá no palco... Não gostou? Não aplauda. Umas poucas palmas espaçadas já é embaraçoso o suficiente para qualquer artista, não há necessidade das vaias.

Este fim de semana vamos para ver Chick Corea & John McLaughlin juntos, mais Kenny Garrett, Christian McBride e Vinnie Colaiuta. O Grand Finale do festival! O super grupo de Corea e McLaughlin - ambos parte do Bitches Brew Band, de Miles Davis antes de suas experiências com fusion em suas próprias bandas (Return To Forever e The Mahavishnu Orchestra). Já tive o prazer de ver McLaughlin este ano cá em Dublin, mas algo me diz que esta apresentação vai dar o que falar...

Tuesday, June 03, 2008

Um Acontecimento Social


Segunda-feira passada, dia 02/06/2008, comemorou-se o "niver" da princesinha Maria Luiza Novak das Neves (é assim mesmo?), na casa dos papais Júnior e Adriane, que não cabiam em sí, de tanto contentamento! O acontecimento, que deu-se em 9 Riverwood Greens, D15, Dublin, soube, foi um su-ces-so! Soube porque me contaram, mas do pouco que participei pude notar que o evento daria o que falar. Com a presença de ilustres - todos vocês! - o ensejo badalou a redondeza até altas horas do "June Bank Holiday". Pena que tive que deixar a festa mais cedo, devido a um compromisso em Madrid!

Embora não tenmha participado plenamente, como padrinho deixei minha colaboração em forma de poemas. Os que atenderam ao evento devem te-los visto por lá...

an Meitheamh
00. June. The month of the flowers.
Just before the northern Midsummer.
A little princess opened her heart to ours
and let her light shines over & over.

na Lúnasa
02. August. The month most sacred
a grin to life for now and while
an unique time to be prepared
to the brightness of a smile

Deireadh Fómhair
04. October. As leaves fall from trees
she stretches out all her little body
Even I barely can make a cup of tea
Little princess is the one most dilly

na Nollag
06. December. Last month of the year
While Santa Claus don't knock our door
With his sledge and the reindeers
She moves along the ground on all fours

na Feabhra
08. February. The shortest of all ones
as the strength of my biting and grinding.
but a hard bonelike structures in my jaws
starts to help me out with my chewing.

an tAibreán
10. April. The open season all around
the opening of trees and flowers
just before the summer she found
how to use her feet to step the ground

an Meitheamh
12. Is June again. In the 19th day
before The Midsummer, a cycle completes
the first of many we'd like to portray
and for years and years to repeat.

Happy Birthday to you, Malu!
Lá Breithe Sona, Malu!
PARABÉNS PARA VOCÊ, MALU!

Saturday, July 14, 2007

A Riviera Genovesa & o nu-jazz italiano

Depois da pizza com mussarela de búfala da Fratelli La Bufala de ontem, hoje tive que me contentar com a pizza do chinês aqui ao lado. Nada mal, na verdade. Eles até falam italiano... melhor do que eu!

Hoje saí cedinho para Gênova, e de lá para uma das praias da redondesa. Bogliasco, no Golfo Paradiso, a Riviera Genovesa. Prainhas onde o pessoal vai tomar um sol, praticar o topless (ops!), surfar... estas coisas! Eu, para não aderir ao topless e nem me aventurar numa prancha, fiquei tomando uma cervejinha na sombra mesmo, e lendo os jornais...

Na volta, parei para um concerto na praça do Duomo. Quem tocava era o jovem-revelação italiano, que está de volta à Itália depois de um sucesso surpreendente nos EUA - ele lotou e esgotou as sessões do Blue Note de Nova Iorque! Giovanni Allevi é seu nome, que faz uma mistura de nu-jazz com nu-clássico além de pitadas dodecafônicas de Schoenberg! Valeu a pena... inclusive a pizza chinesa!