Wednesday, June 10, 2009

De Deus e dos Dados


Deus não joga dados com o universo, disse Einstein... querendo expressar que na sua opinião a Natureza não opera através de leis estatísticas, tal como proposto na Teoria Quântica. Por ser uma frase de sentido figurado, acaba por dar margem a outras interpretações - a "fé" de Einstein em Deus, ou ainda sobre "destinos" pré-estabelecidos. Eu, cá com os meus botões (que não são de Napoleão), me contento com a explicação quântica.

Aí tem aquela mulher italiana que deveria estar à bordo do vôo 447 da Air France, mas perdeu a hora e chegou atrasada no aeroporto para o embarque... deu nos noticiários, ficou famosa, uma pensionista que foi passar férias no Brasil junto com o marido... morreu em um acidente de carro na Áustria. A "sorte" durou pouco, e acabou por desencadear um fator ainda mais intrigante.

Einstein nunca aceitou a teoria da mecânica quântica, e sempre tentou refutar sua causalidade. Afirmar que "... conhecendo exatamente o presente podemos prever o futuro", assume a premissa de que se pode conhecer o presente em todos os seus detalhes, o que é uma inverdade. O determinismo nos leva a crer que a natureza ocorre independentemente do observador - já a mecânica quântica considera a interação observador-objeto observado como uma realidade fundamental e inquestionável: será que a natureza ocorre por si só ou depende da maneira com o qual interagimos com ela?

Tuesday, June 09, 2009

o que as mulheres fazem

Multitarefa. É só falarmos em multitarefa e alguém já diz: "Não é o que as mulheres são?". Bem, resumindo o resumo do resumo, a grosso modo, multitarefa é um conceito que começou a ser introduzido na computação lá pela década de 60 (se não me engano), como uma tentativa de fazer dos computadores algo ligeiramente menos ordináiro... e na década de 90 algum espertinho resolveu aplicar o conceito também aos seres humanos.

E não sei por que, quando se fala em multitarefa, sempre vem um (geralmente uma) e diz "isso é o que as mulheres são". E o que antes era piada vira irritação, fácil, fácil, pois tal frase de impacto passa a ser parte da "sabedoria popular" - aquele tal de "inconsciente coletivo" junguiano - como verdade absoluta! E se você ousar dizer algo diferente, não importa quão coerente seja, mostrará ao mundo que simplesmente tem aversão ao progresso, e possivelmente bate na esposa.

Mas como todos sabemos que, no caso dos computadores, uma CPU só pode fazer uma coisa por vez (se você estiver usando Windows Vista num PC, nem isso!). O conceito é bem simples, uma questão de prioridade: executa-se um pouquinho por vez de várias coisas, mas ainda assim uma por vez. E com os humanos não poderia ser diferente. Podemos fazer várias coisas, mas nunca ao mesmo tempo... E aí, camaradinha, percebemos o verdadeiro nome do que se chama multitarefa, que não passa de um nome propagandístico, é simplesmente "não-dar-a-devida-atenção-para-a-sua-tarefa".

Não é o que as mulheres fazem? Na verdade, nos dias de hoje, é o que todos nós fazemos. E o pior é que fazemos isso compulsivamente e com orgulho; um vício que rotulamos de habilidade. O pirralho do seu sobrinho "não consegue" jogar um jogo no computador sem estar com a TV ligada, papeando no MSN com no mínimo três coleguinhas, lendo emails, assistindo a um vídeo no YouTube e atualizando o orkut... ah, e claro, desobedecendo a mãe que lhe pede para vir jantar, fazer a lição ou ir dormir... Ele é o futuro!

Então vamos lá, rumo ao futuro - o dentista que perfura seu dente com uma mão enquanto manda mensagem via celular para a esposa, combinando o jantar; controladores de vôo com um radar numa tela e o YouTube na outra, lado a lado. Professores - além dos alunos - dando suas aulas com seus MP3 players nos ouvidos. Todas as coisas serão ainda mais superficiais do que já são, tudo será ainda mais pequenininho, rapidinho, tal como os "twitters", os mini-blogs alimentadores de voyeurs); tudo não passará de uma versão do que um dia foram de verdade. E o resultado, como sempre, sãos as famosas perda-de-tempo, erros demais e falta de atenção, frustração e uma imensa sensação de estar perdendo tempo, e não ter tempo suficiente para fazer nada!

Provavelmente, num futuro não muito longe, mesmo quando tivermos relações sexuais, o nosso pensamento vai estar, em parte, nos últimos acontecimentos do nosso programa favorito de TV, num naqueles três livros que você está lendo, ou simplesmente vai querer dar um fast-forward nisso tudo e partir para a próxima sensação...

Aí alguém diz: "Mas peraí... não é isso que as mulheres fazem?"

Monday, June 08, 2009

salvo pelo gongo!

Já que falei dos cães e dos gatos, por que não falar dos sinos?

Na Idade Média - novamente - na Inglaterra morria-se muita gente devido a doenças e pragas. Pessoas morriam aos montes, e não se tinha muito tempo nem disposição para certificar-se de que estivessem mesmo mortas. Sendo um país relativamente pequeno, também não tinham lá muito espaço para enterrar todos os seus mortos, daí que os caixões eram abertos e os ossos retirados e encaminhados ao ossário, assim o túmulo podia ser reutilizado para outros cadáveres.

Conta a lenda que por vezes, ao abrir os caixões, davam-se com arranhões em suas tampas, pelo lado de dentro. Longe de ficarem aterrorizados - lembre-se, na Idade Média tudo acontecia! - concluiram que aquele morto, na verdade, fora enterrado vivo, e vieram com a idéia de amarrar uma tira no pulso do suposto presunto ao fechar os caixão. A tal tira passava por um buraco no caixão, vinha até a superfície e ficava amarrada a um sino. Após o enterro, designavam um infeliz pra ficar de plantão ao lado do túmulo durante alguns dias. Se o indivíduo "acordasse", o movimento de seu braço faria o sino tocar, e ele seria - literalmente! - "saved by the bell", ou "salvo pelo gongo", expressão usada até hoje, com menos dramaticidade, talvez...

Sunday, June 07, 2009

It's raining cats and dogs!

A terminologia Medium Tempus foi cunhada no século XIV por Petrarca para designar o período intermediário entre a Antigüidade e o futuro que estava à porta, a Renascença. Como todos sabem, as coisas eram precárias nesta época... principalmente em questão de higiene e moradia...

Sobre a expressão do título, reza a lenda que, como na Idade Média os telhados das casas não tinham forro, as madeiras que os sustentavam eram o melhor lugar para os animais - geralmente cães, gatos e outros de pequeno porte, como ratos e besouros - se aquecerem. Mas quando chovia e a água começava a entrar em forma de goteiras, os animais pulavam para o chão, em busca de abrigo.

Acredita-se que assim surgiu a expressão "it's raining cats and dogs" - "está chovendo gatos e cachorros", que ganhou em português a tradução "está chovendo canivetes", ou mais lusitana, "está chovendo a cântaros"!

Pode?

Saturday, June 06, 2009

O Dia "D"


Hoje comemora-se os 65 anos que os Aliados desembarcaram na Normandia, no que foi o início do fim da Segunda Guerra Mundial. Mas o que poucos sabem é que por pouco tudo não deu com os burros n'água, como diriam os patrícios portugueses.

Diz a lenda que a invasão estava programada para o dia 5. O tempo estava favorável nos primeiros dias de Junho, mas vinha piorando, até que desaguou uma chuva torrencial que forçou Eisenhower a mudar os planos e adiar o desembarque em pelo menos um dia.

Nas primeiras horas do dia 5, "chovia gatos e cachorros", como dizem os ingleses, e já se pensava em adiar o plano todo para a próxima combinação de maré baixa e lua cheia - fatores essenciais para a empreitada - no dia 19 de Junho.

Contrariando todos os outros adivinhadores dos humores do tempo, o capitão J. M. Stagg fez o que seria a mais importante previsão do tempo de toda a história: disse ele que a tempestade iria amenizar durante o dia, e o dia seguinte seria satisfatório para o desembarque... e assim o foi.

Se Eisenhower tivesse adiado o plano para o dia 19, seria uma tragédia, pois naquele dia se deu uma das piores tempestades daquele ano, o que tornaria o desembarque impossível, e Hitler poderia ter deslocado ao menos algumas de suas tropas para o leste, ou mesmo usar o fracasso da investida para persuadir Stalin de que os capitalistas eram uma ameaça oa regime soviético, e uma aliança Nazi-Socialista seria a melhor solução.

Já pensou? Uma Europa Nazo-Comunista?

fonte: What If?