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Sunday, January 08, 2012

Vai mijar no teu quintal!

Os protestos ocorridos em Dezembro passado na Praça Tahrir voltaram, novamente, a atenção para o "problema" do Oriente Médio. A foto acima circulou na mídia mundo afora e causou indignação unânime em vários países e em diferentes classes... todos do Ocidente, vale lembrar.

E ressalto o ocidente porque meu ponto é justamente este: a ingenuidade do ocidente em, primeiro, achar que seria tarefa fácil mudar culturas seculares sem ao menos entendê-las, e depois, a pretensão de achar-se o detentor do que supostamente seria melhor para tais culturas!

Entender o Oriente Médio, sua cultura e sua religião é fundamental para qualquer país ou indivídiuo ousar, apenas ousar, julgá-los, ou estaríamos incorrendo na intolerância e no totalitarismo, sentimentos já bem conhecidos pela humanidade em experiências passadas, como nazismo, facismo, comunismo, socialismo... e mesmo o capitalismo selvagem que pratica-se hoje em dia no chamado "mundo livre", porque não? Ou alguém ainda se ilude que há democracia na decisão dos governos europeus de ajudarem os gananciosos bancos, e depois cobrarem a fatura nos impostos dos cidadões? Ah, certamente... estão todos felicíssimos em pagar mais impostos para ajudar os banqueiros, coitadinhos, a limparem a cagada que fizeram!

Assim, camaradinha, esse bafafá todo no Oriente Médio é devido, basicamente, à intromissão dos governos ocidentais em áreas onde eles não entendem o que está em jogo. Não entendem culturalmentre, religiosamente, politicamente, economicamente, humanamente, e tantas outras mentes que estão longe de entender, pois não jogam as cartas daquela "democracia" e daquela "liberdade" que eles fizeram muita gente acreditar, primeiro, que existe, e depois que é a melhor do mundo.

Enquanto eles não forem plantar batata, catar coquinho, ou chupar maçaneta, o Oriente Médio não terá paz, seja esta paz um modelo ocidental, oriental, ou interplanetário - nem deus ou alá sabem!

Thursday, December 22, 2011

O Reino Desunido

Fica cada vez mais claro que o provincianismo da soberania absoluta inglesa vai de encontro - ou seja, confronta-se - com a Europa moderna. Os inglêses do Século XXI já não sabem mais "o que" eles são. Se antes, ser inglês parecia ser a mesma coisa que ser britânico, começa a ficar cada vez mais claro que não é. Mas a grande crise é que os inglêses parecem não ter uma noção de clara de "inglesidade" separada da noção de "britanidade"! Eles não sabem lidar com múltiplas identidades, e se não aprenderem rápido, a crise da Inglaterra com a Europa continental só tende a piorar.

Os escoceses e galeses sabem quem são. Há séculos eles carregam duas identidades - a sua própria e a britânica. E parecem não se incomodar com uma terceira identidade - a europeia. Eles se sentem em casa numa Europa de múltiplas identidades! Juntamente com os catalães, os bascos, os flamengos, os valões, os corsos, os sardos e mesmo os bretões, os escoceses e os galeses estão desenvolvendo um desejo de emergir como um estado soberano!

Manter o Reino Unido unido nos próximos anos é o grande desafio. Na pior das hipóteses (pior para quem?), o mais provável é o desmembramento do Reino Unido, com a Inglaterra ficando de fora da União Européia e a Escócia e o País de Gales permanecendo na união.

P.S.: Ontem - 21/12/2011 - foi o dia mais curto do ano! É... inclusive saí mais cedo de casa, só para curtir melhoro dia!

Sunday, September 11, 2011

110911


Dez anos do famigerado 911 - "nine-eleven" (devido ao modo como os americanos notam datas, mês-dia-ano) - o covardehorrendoterrível atentado de 11 de Setembro de 2001. Na ocasião, bem me lembro, estava no datacentre do Citibank, e por volta do meio-dia, 1 da tarde, recebemos a notícia. Fomos todos na sala de operações acompanhar as imagens, quase inacreditáveis, pela telinha. Fomos mandados para casa naquele dia, pois o Citibank, como todas as outras empresas americanas mundo afora, cerraram suas portas com medo de atentados... seria o primeiro sinal de vitória do terrorismo sobre o mundo-livre!

Tanto se falou na época, tão explorado foi o tema que parece que nada mais precisa ser falado. A mudança dos paradigmas, a divisão do mundo, o fim da liberdade... especulações não faltaram, umas reais, outras sensacionalistas, como tudo na imprensa. Na época eu não tinha um blog - uma tecnologia que ainda gatinhava - mas lembro das discussões acirradas sobre o assunto... inclusive um conhecido, ex-amigo, poeta, acreditou ter escrito o poema definitivo sobre o 911. Desnecessário dizer que apenas ele e talvez a namoradinha da época acharam o poema genial. Coisa de publicitário...

Rancores à parte, falar sobre o 911 no 110911 pareceu-me, à princípio, mero oportunismo. Ainda mais considerando-se todo o alvoroço americano - e de certa forma europeu - em torno da data: "aberturta" do Marco Zero e visita do presidente Obama e do ex-presidente "Dábliu" Bush, debates da situação Árabe-Americana, ampla cobertura da mídia escrita, falada e olhada... just too much!

Porém (dizem os puristas ser errado começar um parágrafo com porém, mas depois de Paulinho da Viola, é liberdade poética), convém lembrar as pequenas coisas, como bem lembrou Conor O'Clery, correspondente internacional do Irish Times que morava em Manhattan na época. Eu já conhecia Manhattan e as Torres Gêmeas de minha primeira visita a Nova Iorque em 1995. Revisitei-as em 1998 e 1999, para depois visitar o que restou delas em 2002, ocasião em que fazia um treinamento em Nova Iorque, pertinho do Marco Zero... e estar lá sem as torres foi no mínimo estranho. Além do óbvio - o horror do ato e suas consequências - as tais da pequenas coisas que as pessoas que conviveram na área sentiram, a imensa área de conveniência que era embaixo das Torres Gêmeas, as inúmeras bancas de jornais, os cafés, desde Starbucks até lojinhas administradas por famílias, com bagels fresquinhos todas as manhãs, aquele cafezinho caseiro, sem falar nos barbeiros, cabelereiros, chaveiros, engraxates, mercadinhos, pequenos restaurantes... um pedaço de história para cada frequentador diário daquele World Trade Center... e eu apenas convivi algumas semanas em esparsas visitas!

Assim, camaradinha, nesse 110911, ao invés de consumir toda essa super-produção que a mídia vai te empurrar goela abaixo, na TV, no rádio e nos jornais, tente se lembrar das pequenas coisas... aquelas aparentemente irrelevantes, ou inexpressivas, ou mesmo insignificantes, que no fundo fazem a diferença, simplesmente por te lembrarem que você está vivo para observá-las!

Wednesday, March 23, 2011

there will be blood

Muito tem se discutido sobre a questão da Líbia, e alguns comentários começam a tomar o rumo do bom-senso e da coerência: Deixem a Líbia pra lá!

A insistência dos EUA em empurrar sua (pseudo) democracia goela abaixo de países de culturas diversas vai acabar contribuindo para uma merda ainda mais fedida. Já nem se consegue mais identificar se é pura arrogância imperialista ou se é simples ganância mesmo - o medo de ficar sem seu barrilzinho de petróleo, devido à instabilidade nesses países que controlam grande parte do óleo do planeta. Qualquer estudioso de assuntos do oriente, sério e independente, dirá que ao cair Gafafi, a coisa toda desaba. O país todo vira uma bomba, pronto para ser detonado. É inerente da cultura - dizem até estar no Corão!

Assim que alguém assumir o poder, outros dez farão fila para derrubá-lo. Quem está no poder, o mantém pela força. Da mesma maneira um novo governo só se estabelece pela força. Não há nada parecido com democracia nestes países, é um conceito que não existe! Para impor a democracia para esses povos seria preciso apagar seu passado e reescrever os últimos 5000 anos de sua história! Talvez mais! Assim chegariam perto de entender o que é democracia, e poderiam até, quem sabe, aceitá-la.

Se Qaddafi está certo? Se ele é um ditador cruel e tirano ou se é um líder carismático? Não importa muito... ele vai fazer de tudo para manter o poder - inclusive matar civis e extinguir etnias contrárias a seu regime, tal qual fazia Saddam Hussein, que embora tenha sido deposto e assassinado, o Iraque continua a mesma merda, um vulcão prestes a entrar em erupção. É só os ianques estadosunidenses sairem da moita...

Qaddafi pode não ser um santo, ou mesmo ser o próprio demo em pessoa, mas apostar que quem quer que venha assumir o poder numa eventual queda do regime não vá fazer o mesmo ou pior, é inocente demais... ou "americano" demais.

Sunday, February 06, 2011

Essa direita...


Algumas coisas andam acontecendo no mundo, como sempre... por mais que se tente ficar  alienado das coisas, numa posição confortável, desligado dos acontecimentos, tentando assim importar-se apenas com aquilo que realmente te atinge quando te atingir, há coisas que não há como não serem ouvidas. O Egito, por exemplo... uma baita mudança se anuncia, que não se pode simplesmente não-olhar naquela direção. E a pergunta que se impõe é: seria essa rebelião uma rebelião laica ou um complô islâmico contra o ocidente?

Os europeus andam meio que "em cima do muro" na questão egípcia. Ora, se os europeus aplaudiram a queda do Muro de Berlin e comemoram a vitória da democracia no Leste europeu, porque desconfiariam da sociedade civil árabe? Seria por ser uma cultura totalmente diferente da ocidental, ou seria pelo fato de que, como em todo grupo, partido, governo, ou mera aglomeração humana, sempre há os que se apegam com unhas e dentes à suas causas, mas também há os que simplesmente aproveitam os holofotes para outros interesses?

A Europa é um grande bloco, com objetivos muito além de simples conflitos governamentais, ou incertezas quanto a regimes políticos. Não cabe a ela decidir o que é melhor para o Egito. Europa não são os Estados Unidos. Os EUA sim, metem seu grande nariz no negócio dos outros quando não são chamados. À Europa cabe apoiar e acolher, meramente, quando o povo - através de representação legítima - souber o que quer.

Pois bem, por incrível que pareça, há quem ache a questão egípcia não passa de uma luta organizada contra o ocidente - sendo, nesse contexto, ocidente definido como a representação branco-católica-americana. E claro, essa idéia absurda só pode ter se originado numa cabeça branca-cristã americana - categoria em que não me encaixo... não que ser branco ou cristão seja algo ruim. Aqui, é só uma infelicidade!

Da mesma maneira que há gentes que dizem-se saudosos da ditadura militar brasileira (O quê?!?!? - Sim, é verdade!!! - Não... - Sim... - Não acredito que... - Pois acredite, camaradinha, tem gente doida para ter os milicos de volta no poder! - Mas e todas aquelas torturas, cassações, assassinatos, coerções... - Pois é, mesmo assim... - Mas como?!?!? - Pois é...) há gente que sente falta de regimes ditadores em vários outros lugares do mundo! Inclusive o Egito! É a mesma inversão de valores que a moralidade bushiana sempre impôs mundo afora, abonada pelos ultra-direitistas americanos, que acham que liberdade se limita ao direito de não assistir aos comerciais entre a primeira e a segunda edição do jornal das 8...

Opinar todo mundo opina. Principalmente a direita americana, que na falta do que fazer se empenha em achar um suposto documento de Obama, onde conste o nome do hospital, do médico, do anestesista e das enfermeiras que fizeram seu parto, alegando que se não tiverem tal papel em mãos, significaria que Obama não seria americano, e portanto um presidente ilegítimo! Ora, ora... eu diria que se Obama não for americano, sorte dele... e do povo americano!

Se eu fosse me classificar, simploriamente, em direita ou esquerda, me diria esquerda... mas acredito ser imparcial o bastante para discernir o bom e o ruim das duas doutrinas. Sempre acho prazeroso ouvir ao extremista direitista facista chauvinista Olavo de Carvalho, em seu programa True Outspeak. Não por ser chauvinista, mas por ser inteligente e de direita. Embora seja, infelizmente, reacionário.

Semana passada Olavo soltou uma pérola, daquelas do calibre de Gilberto Dimenstein - o meu perolista-mor. Disse Olavo, no contexto de homossexuais reclamarem da discriminação quanto à sua opção sexual, que "Os homossexuais estão com a faca e o queijo na mão!"
O que será que Olavo quis dizer com isso?

Ele continua questionando se alguém conhece um religioso que tenha espancado algum homessexual. Provavelmete não! Todos sabemos que a religião é castradora, e um religioso de verdade é temeroso de qualquer pecado, pois significa condenação! Assim, não é a moral que lhe conduz, mas a religião. Se amanhã, estupro deixar de ser pecado, ele poderá praticar... sem a mínima culpa!

Se são ou não são católicos os que recentemente espancaram homessexuais na Avenida Paulista, não importa. O que importa é que a intolerância ainda habita a sociedade, e deve ser combatida. Seja educando a tolerância nas escolas, seja exigindo que os pais eduquem seus filhos a serem tolerantes com o que é diverso. E dizer que educar a tolerância é incitar a homossexualidade é tão baixo como imbecil. Tolerância significa a boa disposição de aceitar opiniões opostas às suas. Mas parece que a única tolerância da direita, em geral, é a "Tolerância Zero", onde um suposto rigor crítico e absoluto não aceita o mínimo desvio.

Eu diria que os homossexuais têm o queijo na mão. A faca está na mão de outros.

Tuesday, June 01, 2010

Terrorismo e Paranóia

Parece que Israel perdeu a noção de Estado... Quase como seu (grande) irmão, os EUA, antes da era Obama - Obama vai ser o cara que vai "socializar" os estadosunidenses! Os EUA precisam se junta à comunidade internacional e questionar, ao menos, a autonomia de Israel como país; abater navios de ajuda humanitária em águas internacionais não soa bem para quem quer se afirmar como país...

Saturday, June 06, 2009

O Dia "D"


Hoje comemora-se os 65 anos que os Aliados desembarcaram na Normandia, no que foi o início do fim da Segunda Guerra Mundial. Mas o que poucos sabem é que por pouco tudo não deu com os burros n'água, como diriam os patrícios portugueses.

Diz a lenda que a invasão estava programada para o dia 5. O tempo estava favorável nos primeiros dias de Junho, mas vinha piorando, até que desaguou uma chuva torrencial que forçou Eisenhower a mudar os planos e adiar o desembarque em pelo menos um dia.

Nas primeiras horas do dia 5, "chovia gatos e cachorros", como dizem os ingleses, e já se pensava em adiar o plano todo para a próxima combinação de maré baixa e lua cheia - fatores essenciais para a empreitada - no dia 19 de Junho.

Contrariando todos os outros adivinhadores dos humores do tempo, o capitão J. M. Stagg fez o que seria a mais importante previsão do tempo de toda a história: disse ele que a tempestade iria amenizar durante o dia, e o dia seguinte seria satisfatório para o desembarque... e assim o foi.

Se Eisenhower tivesse adiado o plano para o dia 19, seria uma tragédia, pois naquele dia se deu uma das piores tempestades daquele ano, o que tornaria o desembarque impossível, e Hitler poderia ter deslocado ao menos algumas de suas tropas para o leste, ou mesmo usar o fracasso da investida para persuadir Stalin de que os capitalistas eram uma ameaça oa regime soviético, e uma aliança Nazi-Socialista seria a melhor solução.

Já pensou? Uma Europa Nazo-Comunista?

fonte: What If?

Monday, June 01, 2009

Cadê o meu cachê!

Aquele pesadelo orweliano de "1984" já é mais que realidade. No livro "1984" de George Orwel, o controle e a opressão ao indivíduo é praticada pelo Estado. Hoje em dia, é praticada por indivíduos. O Big Brother exercia controle sobre os cidadãos rastreando-os com câmeras e telas. Isso acontece agora com cada vez mais frequência, mas na vida real não é obra de um tirano autoritário, mas os "Little Brothers" - "Sorria, você está sendo filmado"!

Jerome Dobson, presidente da Sociedade Geográfica Americana, criou o termo "geoescravidão" para dizer que o controle sobre a vida de indivíduos está acontecendo "no varejo", e não mais "no atacado" - provavelmente devido ao barateamento dos GPS (lembra?). Qualquer um disposto a pagar alguns dinheiros por mês pode rastrear uma pessoa 24 horas por dia. Isso certamente trará profundas mudanças sociais - nas relações entre pais e filhos, maridos e esposas, patrões e empregados... mas lá vamos nós, novamente, culpar a tecnologia pela nossa incapacidade de identificar limites!

Há um caso para ilustrar isso: Martha Stewart, apresentadora de TV que cometeu irregularidades em negociações de sua empresa e foi colocada sob prisão domiciliar. Como? Ela tinha de usar uma tornozeleira eletrônica com rastreador. O juíz determinou a "pena de encarceramento" - como se fosse uma cela - o uso de um rastreador. Pode não ser uma "prisão", mas tampouco é liberdade.

Creio que foi em "Trust" que Francis Fukuyama defendeu a ideia de que Orwel disseminou um medo errado em "1984", defendendo que a tecnologia da informação, juntamente com a internet e os celulares, trouxe liberdade para os indivíduos, não opressão. Polêmico, Fukuyama acredita que a humanidade - ou a América - precisa de um antídoto para o que ele chama de "crescente cultura de formas extremas de individualismo", que segundo ele pode trazer "conseqüências terríveis" para a saúde econômica das nações...

O grande problema é que essa forma de vigilância é muito mais aceita do que a anterior - vide George Bush e sua política de cercear liberdades individuais em pról da segurança coletiva. É a maior ameaça já experimentada pelos humanos às suas liberdades individuais. Pessoas honestas em atividades honestas sendo observadas e controladas.

O maior problema, ao meu ver, é a complacência voluntária à falta de liberdade e de individualiudade. É o sentido derivado-expandido - e inverso - dessa vigilância. Muito além das comunidades virtuais (Orkuts, Facebooks, LinkedIn, etc), há os "tweets", verdadeiros alimentadores de bisbilhoteiros, auto-denominadas "redes sociais" estilo microblog, que permitem usuários enviarem atualizações pessoais e lerem a dos de outros, através da própria Web ou por SMS. Pessoas chegam ao absurdo de atualizarem seus tweets a cada minuto...

Thursday, March 05, 2009

rumo à moeda-única

Conjecturemos hipoteticamente que o presidente Lula, conhecido por ser ou ter sido de esquerda, resolva, numa recaída marxista, leninista, stalinista ou trotskista, distribuir dinheiro à população para que ela consuma mais, gaste mesmo, e assim aqueça a frígida economia brasileira, que começa a dar sinais de dependência da bagunça que vem acontecendo no mundo!

Pois é, isso é o que o governo japonês está fazendo: distribuindo dinheiro para a população. É, deu na BBC Brasil! Por isso aproveito para conjecturar nosso hipotético quadro; só que sendo Lula brasileiro da gema, ex-torneiro mecânico, sofrido na vida e devidamente vacinado contra malandragem, diferentemente dos japoneses, ao invés de dinheiro, lançaria os vale-consumo - nome aplaudidíssimo, aliás, pelo povo nos discursos da anunciação. O que nem todos sabem é quanto Duda Mendonça embolsou para chegar a tão genial analogia!

Bem, lançado o tal do vale-consumo, o próximo passo seria só esperar o povo consumir, e logo, já que o vale tem prazo de expiração. Mas não é bem isso que acontece... A economia se aquece, sim, mas de outra maneira: a população, calejada de acreditar em elixires milagrosos vendidos por alquimistas caseiros em cima de charretes mambembes, resolve, ao invés de gastar o vale-consumo, recorrer ao "mercado-branco" - alusão ao antigamente chamado "mercado-negro", banido por ser considerado racismo - e vender os vales por algo em torno de 70% do seu valor de estampa. Isso rapidamente agitou a economia informal, criando os famosos "valeiros", camelôs especializados em compra e venda de vales-consumo. Vendo que o prazo de expiração dos vales se aproxima, os comerciantes, que deveriam ser os principais favorecidos no esquema, subsidiam um forte esquema de propaganda onde declaram que não respeitarão o prazo de validade estampado nos vales-consumo, e que a população pode utilizá-los quando bem entenderem. Tal pronunciamento causa uma alta no "câmbio" do vale-consumo, onde os felizardos possuintes conseguem permutar os vales por até 25% a mais do valor de estampa. Preocupado com a volta da Inflação, aquela senhora refinadíssima, de brincos e colares de brilhantes em sua silhueta delicada, anéis de ouro em seus dedos longos e audazes, bem conhecida dos brasileiros, o presidente Lula autoriza a Casa Da Moeda a imprimir mais vales-consumo, desta vez devidamente não-expiráveis e em diversos valores. Silvio Santos, tido como um "expert" em transformar papel-comum em papel-moeda, é convidado para ocupar o Ministério da Economia e do Messianismo Pidorâmico, e o Brasil exporta a tecnologia para o mundo todo.

Está criada a "moeda única".

Thursday, May 15, 2008

da junção e da disjunção

Quando comento com pessoas sobre artigo que lí certa vez no periódico espanhol El País sobre a união de Portugal e Espanha num único país, as pessoas me olham desconfiadas e comentam algo sem-graça, com caras de piedade... "Não estou louco não!!!" Ou ao menos não estou louco sozinho... José Saramago já anda, há anos, distribuindo profecias sobre a absorção de Portugal pela Espanha.

Enquanto isso, no reino do hamburguer, Jorginho Arbusto tenta impressionar antes de chegar a hora de sair pela porta dos fundos... Diz querer novo acordo de paz com palestinos, mas para tanto visita Israel no "aniversário" de 60 anos do Estado israelense! Ô bichino burro, hem?

O Estado de Israel é uma república democrática parlamentar fundada em 14 de Maio de 1948, e ontem fez 60 anos. Boa oportunidade para lembrarmos que a repressão israelense é uma das formas mais perversas de "apartheid". Cerca de 700 mil pessoas deixaram suas casa e vilas em 1948, fugindo da violência das milícias judaicas que conquistavam terras para a formação de Israel. Eles se tornaram "refugiados", e segundo determinou a ONU, seus descendentes também.

Se acusar este massacre é ser anti-semita, não entendo mais nada! Aliás, O Estado de Israel deveria ser em algum lugar nos Estados Unidos, não?