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Monday, February 14, 2011

Valentin e o Amor Cortês

Hoje é dia de São Valentim, padroeiro do amor "cortês", que é essa noção de amor que conhecemos hoje, envolvendo não só sexo, mas principalmente um bem-querer espiritual.

O conceito de amor cortês surgiu na Idade Média, mas sua história varia de historiador para historiador. Uns dizem que foi uma reação "humanista" para a posição puritana da Igreja Católica, exaltando a feminilidade como uma força enobrecedora, em contraste com o rígido chauvinismo da época. A igreja chegou a condená-lo no início do século XIII, classificando-o como herético.

Há outra linha de historiadores que dizem que o amor cortês era ligado ao esforço da Igreja para civilizar os bruto códigos feudais germânicos do final do século XI, além de ser uma alternativa mais romântica aos casamentos arranjados da época, meros contratos de bens e dotes.

Seja um seja outro, uma coisa é certa: casamento naquela época nada tinha a ver com amor!

Feliz Dia de São Valentim!

Tuesday, May 18, 2010

O Brinquedo Novo do Filho do Rei

Não me levem a mal não... e nem pensem que isto é uma alusão ao socialismo ou ao comunismo, mas tenho cá uma pergunta que não quer calar... O que este Capitalismo de Mercado fez, ou anda fazendo, de bom para as pessoas? E quando digo pessoas, digo a grande maioria delas, não só os oportunistas e especuladores que fazem dinheiro fácil no prostíbulo financeiro, nem daqueles mais afortunados que tiveram dinheiro ou crédito para estabilizarem meios de produção ou de serviço e prosperaram através de seu trabalho - e de o de muitos outros, provavelmente, que se foram explorados ou não, é só uma questão da consciência de cada empregador, já que não há uma regulamentação eficiente contra a exploração do mercado.

Tenho certeza de que não sou o primeiro a levantar tal questão, e também sei que não serei o agraciado com a resposta que quero ouvir... mas não deixa de ser um exercício à reflexão!

Na mesma linha, na ocasião da virada de século, escrevi um poema que pretensamente conta a saga capitalista através dos séculos...

Postei o poema aqui no meu Plog...

Monday, June 08, 2009

salvo pelo gongo!

Já que falei dos cães e dos gatos, por que não falar dos sinos?

Na Idade Média - novamente - na Inglaterra morria-se muita gente devido a doenças e pragas. Pessoas morriam aos montes, e não se tinha muito tempo nem disposição para certificar-se de que estivessem mesmo mortas. Sendo um país relativamente pequeno, também não tinham lá muito espaço para enterrar todos os seus mortos, daí que os caixões eram abertos e os ossos retirados e encaminhados ao ossário, assim o túmulo podia ser reutilizado para outros cadáveres.

Conta a lenda que por vezes, ao abrir os caixões, davam-se com arranhões em suas tampas, pelo lado de dentro. Longe de ficarem aterrorizados - lembre-se, na Idade Média tudo acontecia! - concluiram que aquele morto, na verdade, fora enterrado vivo, e vieram com a idéia de amarrar uma tira no pulso do suposto presunto ao fechar os caixão. A tal tira passava por um buraco no caixão, vinha até a superfície e ficava amarrada a um sino. Após o enterro, designavam um infeliz pra ficar de plantão ao lado do túmulo durante alguns dias. Se o indivíduo "acordasse", o movimento de seu braço faria o sino tocar, e ele seria - literalmente! - "saved by the bell", ou "salvo pelo gongo", expressão usada até hoje, com menos dramaticidade, talvez...

Sunday, June 07, 2009

It's raining cats and dogs!

A terminologia Medium Tempus foi cunhada no século XIV por Petrarca para designar o período intermediário entre a Antigüidade e o futuro que estava à porta, a Renascença. Como todos sabem, as coisas eram precárias nesta época... principalmente em questão de higiene e moradia...

Sobre a expressão do título, reza a lenda que, como na Idade Média os telhados das casas não tinham forro, as madeiras que os sustentavam eram o melhor lugar para os animais - geralmente cães, gatos e outros de pequeno porte, como ratos e besouros - se aquecerem. Mas quando chovia e a água começava a entrar em forma de goteiras, os animais pulavam para o chão, em busca de abrigo.

Acredita-se que assim surgiu a expressão "it's raining cats and dogs" - "está chovendo gatos e cachorros", que ganhou em português a tradução "está chovendo canivetes", ou mais lusitana, "está chovendo a cântaros"!

Pode?

Saturday, June 06, 2009

O Dia "D"


Hoje comemora-se os 65 anos que os Aliados desembarcaram na Normandia, no que foi o início do fim da Segunda Guerra Mundial. Mas o que poucos sabem é que por pouco tudo não deu com os burros n'água, como diriam os patrícios portugueses.

Diz a lenda que a invasão estava programada para o dia 5. O tempo estava favorável nos primeiros dias de Junho, mas vinha piorando, até que desaguou uma chuva torrencial que forçou Eisenhower a mudar os planos e adiar o desembarque em pelo menos um dia.

Nas primeiras horas do dia 5, "chovia gatos e cachorros", como dizem os ingleses, e já se pensava em adiar o plano todo para a próxima combinação de maré baixa e lua cheia - fatores essenciais para a empreitada - no dia 19 de Junho.

Contrariando todos os outros adivinhadores dos humores do tempo, o capitão J. M. Stagg fez o que seria a mais importante previsão do tempo de toda a história: disse ele que a tempestade iria amenizar durante o dia, e o dia seguinte seria satisfatório para o desembarque... e assim o foi.

Se Eisenhower tivesse adiado o plano para o dia 19, seria uma tragédia, pois naquele dia se deu uma das piores tempestades daquele ano, o que tornaria o desembarque impossível, e Hitler poderia ter deslocado ao menos algumas de suas tropas para o leste, ou mesmo usar o fracasso da investida para persuadir Stalin de que os capitalistas eram uma ameaça oa regime soviético, e uma aliança Nazi-Socialista seria a melhor solução.

Já pensou? Uma Europa Nazo-Comunista?

fonte: What If?

Friday, May 01, 2009

100 dias de solidão

Obama é todo alegria - e nem era para ser diferente: amado e popular, o primeiro presidente negro norte-americano é um marco ele mesmo: negro, elegante, simpático, articulado, educado - o mesmo o que representou, guardadas as proporções, Celso Pitta ao assumir a prefeitura de São Paulo em 1997. Pitta também representava para o movimento negro brasileiro, um marco; o primeiro negro num cargo executivo de importância e representatividade, também simpático, elegante, refinado, inteligente, educado... só tinha um defeito (e que a negritude não queria enxergar): era cria do Maluf, um dos maiores bandidos da política brasileira. E foi justamente isso que determinou o seu legado, como tristemente constatamos em pouco tempo de administração. Aliás - um parênteses - foi decretada a prisão do ex-prefeito de SP Celso Pitta em primeiro de Abril (e não é mentira não!). Pitta deve mais de R$ 155 mil em pensão alimentícia à ex-mulher Nicéa Camargo (leia).

Mas tratemos de assuntos mais nobres: os 100 anos do Obama. Que nem é sobre o que quero tratar - muito popular este tema. Os 100 dias de solidão do título são de Bush... onde andou Jorginho Caminhador Arbusto nestes 100 primeiros dias de sucesso de Obama? Sucesso por estar, justamente, fazendo e dizendo exatamente o oposto do que o Senhor Arbusto fazia e dizia?

De volta ao Rancho...

Nos seus históricos 100 primeiros dias de esquecimento, Jorginho Caminhador Arbusto tem transgredido as fronteiras de atividades tipo faça-você-mesmo (muito comum nos EUA e na Europa - compra-se um manual e pronto: você pode até construir um puxadinho no fundo do quintal!), passou a praticar mountain bike e tem se encontrado com amigos e grupos de interesse para audiências informais após o jantar.

Daqui há algumas centenas de anos, quando historiadores e pesquisadores se depararem com este período da história, verão que Jorginho Caminhador Arbusto exerceu funções de ex-presidente como nenhum outro jamais fez ou fará: Bushinho esteve incansavelmente engajado na árdua tarefa de resolver os mais sérios problemas mundiais, dentre os mais dramáticos e complexos estão a instalação de um novo sistema de irrigação para seu gramado, determinar novas fronteiras no fundo sua garagem e cuidar pessoalmente da pavimentação de novas ciclovias rancho afora.

Estes são os tipos de trabalhos ao qual Jorginho deveria ter se atentado... desde os primórdios do ano 2000!

Wednesday, March 18, 2009

it's a beautiful day indeed...


Um belo final de semana, na verdade... muito sol - frio, é claro - e muito céu azul. Inusitado, no entanto, pois num mesmo final de semana arrisquei-me não só no golfe mas também no tênis!

Foi o dia do São Patrício (Saint Patrick, ou melhor, Naomh Phádraig, em irlandês), não fomos à parada - ultimamente ela perdeu a graça, e anda resultanto em badernas isoladas - mas a mensagem foi recebida: Naomh Phádraig voltou a andar entre os vivos por alguns momentos e, ao ir embora, levou com ele as serpentes. Não aquelas do passado, tidas como divindades na cultura druída, mas estas dos nossos tempos, das nossas desavenças.

No seu caminho de volta, segundo consta dos Livros dos Colóquios dos Anciões (Acallam na Senórach), Patrício deparou-se com dois guerreiros, Caílte Mac Rónáin e Oisín, sobreviventes da eterna batalha entre O Bem e O Mal. Os guerreiros juntaram-se a Patrício, e contaram-lhe suas histórias...

Thursday, March 05, 2009

rumo à moeda-única

Conjecturemos hipoteticamente que o presidente Lula, conhecido por ser ou ter sido de esquerda, resolva, numa recaída marxista, leninista, stalinista ou trotskista, distribuir dinheiro à população para que ela consuma mais, gaste mesmo, e assim aqueça a frígida economia brasileira, que começa a dar sinais de dependência da bagunça que vem acontecendo no mundo!

Pois é, isso é o que o governo japonês está fazendo: distribuindo dinheiro para a população. É, deu na BBC Brasil! Por isso aproveito para conjecturar nosso hipotético quadro; só que sendo Lula brasileiro da gema, ex-torneiro mecânico, sofrido na vida e devidamente vacinado contra malandragem, diferentemente dos japoneses, ao invés de dinheiro, lançaria os vale-consumo - nome aplaudidíssimo, aliás, pelo povo nos discursos da anunciação. O que nem todos sabem é quanto Duda Mendonça embolsou para chegar a tão genial analogia!

Bem, lançado o tal do vale-consumo, o próximo passo seria só esperar o povo consumir, e logo, já que o vale tem prazo de expiração. Mas não é bem isso que acontece... A economia se aquece, sim, mas de outra maneira: a população, calejada de acreditar em elixires milagrosos vendidos por alquimistas caseiros em cima de charretes mambembes, resolve, ao invés de gastar o vale-consumo, recorrer ao "mercado-branco" - alusão ao antigamente chamado "mercado-negro", banido por ser considerado racismo - e vender os vales por algo em torno de 70% do seu valor de estampa. Isso rapidamente agitou a economia informal, criando os famosos "valeiros", camelôs especializados em compra e venda de vales-consumo. Vendo que o prazo de expiração dos vales se aproxima, os comerciantes, que deveriam ser os principais favorecidos no esquema, subsidiam um forte esquema de propaganda onde declaram que não respeitarão o prazo de validade estampado nos vales-consumo, e que a população pode utilizá-los quando bem entenderem. Tal pronunciamento causa uma alta no "câmbio" do vale-consumo, onde os felizardos possuintes conseguem permutar os vales por até 25% a mais do valor de estampa. Preocupado com a volta da Inflação, aquela senhora refinadíssima, de brincos e colares de brilhantes em sua silhueta delicada, anéis de ouro em seus dedos longos e audazes, bem conhecida dos brasileiros, o presidente Lula autoriza a Casa Da Moeda a imprimir mais vales-consumo, desta vez devidamente não-expiráveis e em diversos valores. Silvio Santos, tido como um "expert" em transformar papel-comum em papel-moeda, é convidado para ocupar o Ministério da Economia e do Messianismo Pidorâmico, e o Brasil exporta a tecnologia para o mundo todo.

Está criada a "moeda única".

Wednesday, May 14, 2008

crônica de uma morte anunciada

O ex-ministro da Fazenda do governo Sarney, Luiz Carlos Bresser-Pereira, decretou o "fim da onda neoliberal" em artigo na Folha de São Paulo do dia 21 de Abril passado. Clóvis Rossi, jornalista, colunista e membro do conselho editorial do jornal tentou nos mostrar no dia seguinte, que não há morte sem defunto, querendo crer que o neoliberalismo continua hígido (sic) como sempre. Quem estaria certo?

NINGUÉM!!!

Desde o começo dessa onda, a patuléia não entendeu direito o que leu... ou se entendeu, resolveu mudar a história talvez para deixar a coisa mais interessante... mais atraente - coisa de marketeiro! Nem o "elegante" Terceira Via" pegou tanto quanto o famigerado "Neoliberal".

Como ensinou Paul Hugon na sua "História das Doutrinas Econômicas", neoliberalismo, na verdade, é aquela doutrina que prega a prática de um Estado interventor e regulador, justamente o oposto desta praticada pelo hegemônico sistema dos ianques do norte (os estadosunidenses, mas com culpa também no cartório da humanidade aqueles outros mais ao leste, chamados reinos-unidenses), e por conseguinte seguida por todo o mundis novus, e assim também adotada pelo país das terras brasilis - também conhecido como pindorama, terra do brasil, ou só brasil minúsculo, já que exime respeito.

De volta à tal doutrina, a tal ideologia reacionária que visava reformar o capitalismo global para fazê-lo voltar aos tempos do capitalismo liberal do século XIX deveria chamar-se sim Liberalismo de Mercado - se muito. Não passa (ou passou) de uma releitura (nada se perde, tudo se transforma) do chamado Liberalismo Clássico, doutrina do pensamento econômico que teve seu auge em meados do século XVIII, nas idéias de Hume, Smith e Kant.

Nos tempos de pós-graduação em Comunicação Social, costumávamos brigar muito pelas má-interpretações da história. Por fim elas ganharam popularidade mesmo, pois de tanto se bater na tecla - simplesmente trocaram os nomes das coisas! - o que sempre fora preto passou a chamar-se branco, e o que sempre fora branco passou a chamar-se preto.

Longe da discussão se o neoliberalismo - ou como quer que se chame esta doutrina econômica - morreu ou não, temos José Saramago, em seu recluso retiro na Ilhas de Lanzarote, chorando noutro enterro que deveríamos nos preocupar muito mais: o da Justiça, que já anda falecida há muito.

E não só a Justiça, clama ele, que já sabemos morta há tempos, mas também a Democracia, esta milenária senhora sofisticadíssima que anda tão em baixa, ingenuamente criada por uns atenienses mais ingênuos ainda, sob o lema do povo, pelo povo, para o povo... puro dislate!

E se sabemos exercer a democracia, sim, é através do voto direto, partícula mínima de soberania que nos reconhece como participantes ao elegermos nossos representantes no governo. É exatamente aí que a representação da nossa democracia começa, mas também é aonde ela acaba... Podemos por e tirar presidentes, mas nosso voto nunca terá nenhum efeito, mínimo que seja, na verdadeira máquina de poder do mundo, e conseqüentemente, nenhum efeito no meu ou no seu país, nem em nossas cidades, talvez nem em você mesmo: a tal da máquina do poder econômico!

E à morte da Democracia devemos chorar, então! Sem Democracia estamos impossibilitados de toda e qualquer outra ação. Mesmo que a Justiça estivesse viva, nada poderíamos contra o poder econômico e suas estratégias de domínio que nada têm que ver com aquele bem comum que a Democracia aspira. É deste ponto-de-vista que Bresser Pereira está certo e Clóvis Rossi equivocado. Os fatos ocorridos nas últimas semanas que, segundo Bresser Pereira, marcam o fim inglório do neoliberalismo, não são as primeiras - socorro a bancos e revoltas populares pelo aumento dos preços - nem serão as últimas, preconizando o fim inglório do coisa-ruim.

E mesmo assim, a contradição dos avanços políticos e institucionais que transformaram o Estado democrático e social da segunda metade do século 20, ainda sucumbe-se perante o poderio econômico, a discutir-se a morte ou não do neoliberalismo! Ora, tanto faz! Apocalípticos e Integrados teriam seus próprios argumentos: estes bradariam "morreu para você, que é ingrato"; enquanto aqueles diriam que "não morreu porque simplesmente nunca existiu".

Eu fico aqui de trás, observando e aplaudindo o burlesco, chorando num misto de dor e pena, a gastar horas insanas neste debruçar quase corcunda de inutilidade da palavra... Um minuto de silêncio, pois o sino vai tocar mais uma vez, anunciando outra morte de ninguém... Ouçamo-lo, por favor.

Para ler Saramago sobre a morte da Justiça e da Democracia, clique aqui.

Para ler artigo de Clovis Rossi e Bresser Pereira publicados na Folha de São Paulo, veja abaixo os dois primeiros comentários deste post.