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Tuesday, February 12, 2013

Sopão


Lembro de minha mãe fazendo o sopão - sabe o que é o sopão, né? Ou você é como o Slobodan Matarazzo, que não sabe o que é pobre, nem o que é sopão - e mesmo assim não gosta de nenhum dos dois! Eu, particularmente, soltaria o seu Slobodan lá na Baixada Fluminense, ou no Capão Redondo, tardinha da noite, pra ele ter um pouco de contato com a realidade do país onde vive... Não quer saber de pobre? Vai morar na Suiça!

Bem, esnobismo e ignorância à parte, sopão é aquele resto de tudo, tudo junto, numas de economizar e aproveitar o que sobrou! Minha mãe - que Deus a tenha - juntava coisas do almoço, da janta, do almoço de novo e da janta de novo... e ficava bom "pra dedéu!"

E como o sopão que vai tudo, este post também vai um pouco de tudo: tem o papa que renunciou, alegando não ter mais forças... políticas para enfrentar a pressão no quesito da pedofilia dos padres - na Irlanda, particularmente, virou um escândalo tal que até o Taoiseach (primeiro ministro) Irlandês, Enda Kenny, atacou a igreja! E para aqueles que assistiram Deliver Us from Evil - excelente documentário sobre Oliver O'Grady, um padre católico irlandês que atuava nos Estados Unidos, que foi sistematicamente transferido de uma paróquias para outra durante a década de 1970, numa tentativa por parte da Igreja Católica para cobrir o estupro de dezenas de crianças - nada disso é novidade, já que o filme mostra o atual Papa, na época Arcebispo, encobrindo os crimes de estupros de O'Grady.

Surprise! Surprise!

E a carne de cavalo? Absurdo, não? Mas o problema nunca foi o cavalo em si, e sim a documentação do cavalo... é, passaporte, vacina, exame médico, etc, etc. De novo, coisas do capital... já que o cavalo "documentado", que é vendido para consumo humano em praticamente toda a Europa, custa em torno de €600, enquanto o "sem papel", vendido para virar ração de animais, custa menos de €100! E o nosso famoso bife à cavalo, como é que fica? Nada mais "politicamente incorreto", como diria o Macaco Simão - "o meu eu quero sem ovo, por favor!"

É isso o sopão... um monte de coisa na mesma panela! E eu, que só postei porque me cobraram e me fizeram acreditar que "alguém lá fora" lê o meu blog, para "engrossar o caldo" colocaria um pouco de proteína... talvez testículos de carneiro, se me permitem... temperados com sal e alecrim, fritos no azeite!

Wednesday, December 12, 2012

121212


... ou
O Poder Místico da Ignorância Humana
ou ainda
A Ética Desvirtuada e a Imbecilidade Capitalista

12/12/12, uma data como outra qualquer... ou pelo menos como foi 11/11/11, 10/10/10, 09/09/09, 08/08/08... etc, etc, etc, e nada, absolutamente nada de importante, ou meramente relevante, aconteceu. Alguém lembra?

MAS, como sempre tem um místico de plantão para associar os números, as datas, os eventos, eis que hoje pela manhã, no programa Morning Ireland, os caras tiveram a pachorra de despender longos 10 minutos (ou foram 15? Ou 5?) numa entrevista com 2 garotas que aniversariam hoje. Veja só que interessante: ambas fazem 12 anos hoje! E daí? Pois é, também me perguntei, mas a apresentadora nem ao menos deixou eu formular a pergunta, e já fez questão de ressaltar que ambas nasceram no dia 12 do mês 12 de 2000, portanto faziam 12 anos no dia 12 do mês 12 do ano 12.

Ah, mas não acabou por aí, não... além disso, elas estudam na mesma escola!!! E, pasmem agora, NA MESMA CLASSE!!!!! "Não é demais?"

Não, não é. Foi o que também pensei...

Se a RTE, a rádio que transmite o Morning Ireland, é bem conhecida por algo, esse algo são os âncoras mal-educados, grosseiros, pretensiosos e petulantes, que raramente deixam o entrevistado terminar seu ponto de vista, interrompendo as respostas com perguntas complementares, causando confusão não só para o entrevistado como para o ouvinte. E por terem seus microfones mais altos do que o dos entrevistados, não sobra chance para os entrevistados terminarem suas colocações, mesmo que insistam em continuar suas respostas por cima da interrupção. Uma coisa realmente horrível de se ouvir, tanto que chega a ser cômico - por isso mesmo eu ouço!

Chegam ao absurdo, estes âncoras, de cortar a entrevista em pontos cruciais para chamarem os comerciais? Ora, se o tempo é tão valiosos assim, como podem colocar 15, 10, ou mesmo 5 minutos dessa baboseira de 12/12/12 no ar?

Não duvide de nada, é o que sempre prego. Nem da estupidez humana, nem da ilógica do capital... tampouco do fim do mundo, já plenamente anunciado para 21/12/12... Percebeste os números? invertidos?!?

Sunday, July 15, 2012

Drogas não esfaqueiam pessoas...


Tem uma RAP que canta que "armas não matam pessoas, rappers matam." Acho meio drástico e localizado, embora atinja o objetivo. Eu, por outro lado, diria que armas não matam pessoas, mas pessoas matam. Nessa mesma linha, o que aconteceu semana passada no concerto aqui no Phoenix Park, poderíamos dizer que "drogas não esfaqueiam pessoas. Pessoas esfaqueiam." Ou como o Irish Independent colocou: Knackers esfaqueiam!

Knackers, para os desavisados, é um termo que o dicionário urbano descreve como uma "subespécie de adolescentes irlandeses". Ao pé da letra é o comerciante de animais velhos ou improdutivos, vivos ou mortos, inteiros ou em pedaços. Pejorativamente associado aos travellers, irlandeses viajantes que vivem em traillers, hoje em dia se refere a todo um espectro de degenerados, uma subclasse de gente, que ficam geralmente vagabundeando em frente a lojas de bebidas e/ou de conveniência, badernando o espaço público e puxando briga aleatoriamente.

Skanger é outro termo para essa raça. No Reino Unido são chamados de Chavs ou Pikeys, e na América de White Trash. Seja qual for o termo, todo mundo sabe quem eles são, mas ninguém cita a palavrinha proibida... "classe".

Em vez disso travam debates sérios sobre o abuso de álcool na sociedade irlandesa, ou a responsabilidade dos agentes de segurança. E novamente aquela idéia simplista de aumentar o preço do álcool para que os jovens não possam comprá-lo, ignorando o fato de que o álcool é muito mais barato na Europa continental, e lá não se vê esses ataques de comportamento anti-social.

É... o irlandês tem uma relação problemática com a bebida, e aqueles promovem eventos com álcool certamente têm a responsabilidade de considerar isso. Mas nada disso responde uma perguntinha crucial: por que alguém iria trazer uma faca para um concerto? Ou ainda, quem traria uma faca para um converto? Knackers trariam. Skangers trariam. Chavs trariam. Scumbags trariam.

O que aconteceu no Phoenix Park acontece quase todas as noites no centro das cidades irlandesas. Não é preciso ser muito esperto para identificar os prováveis ​​suspeitos - embora a polícia continue fingindo que o problema está fora da sua capacidade de ação, e que é tal "mistério" deveria ser desvendado por uma equipe de cientistas sociais... Balela! Não há mistério em esfaquear pessoas! Eles gostam de esfaquear pessoas, mesmo! Lhes dá mais barato que heroína! E é mais barato também! O problema é outro... MEDO é a palavra que não ousa dizer o seu nome!

A polícia teme essa subclasse de baixa escolaridade, que usufruem dos benefícios sociais do governo por tempo quase que permanente, que vivem à margem da criminalidade, que são desassimilados, e que são hostis para com a sociedade em geral. E nós, a sociedade em geral, continuamos pagando nossos impostos cada vez mais altos para manter esses criminosos vivendo nesse estilo de vida disfuncional e anti-social, nos ferindo e nos ameaçando! Não se pode impedir que pessoas sejam esfaqueadas até que se mostre que as conseqüências são tão graves e desagradáveis, que até knackers analfabetos entenderão que não vale a pena o risco!

Assim, a sociedade não demonizaria os knackers pelo que representam, mas pelo que fazem, se fazem, e quando fazem... como todo o resto. Afinal, pelo menos aqui na Irlanda, ser um vagabundo criminoso e desordeiro não é algo inevitável... é muito mais uma escolha.

Tuesday, May 01, 2012

cheguei...

Coming Back Home

... cheguei sim, sem mesmo saber ao certo
de onde, nem mesmo pra onde havia ido -
ido ou partido? pois partido já ando, há muito,
em migalhas, pequenos pedaços de vidas -
não lheias, alheias - que não escolhi, herdei
só herdei. e como todo homem que herda,
quando herda, herda com a honra dos homens
mesmo sabendo do risco de se perder no caminho...

Como já dizia José Américo de Almeida:
"Rejubila-me a alma repatriada. A memória pode falhar, mas no coração não há nada esquecido. Volto. Voltar é uma forma de renascer. Ninguém se perde na volta".

Friday, October 07, 2011

Deu lá, no blog da Atelie...


Em entrevista ao Blog da Ateliê, o tradutor, músico e poeta falou da relação de “amor e ódio” entre Joyce e Dublin. Eduardo Miranda chegou à final do Concurso de Tradução Bloomsday 2011 e publicou sua tradução na revista eletrônica TUDA.

Como foi seu primeiro “encontro” com a obra de James Joyce?
Joyce me chegou primeiro através de Ulisses, ainda muito jovem – praticamente ilegível para mim na época. Depois fui cronologicamente retrocedendo: Retrato do Artista Quando Jovem, Dublinenses, e depois a poesia… mas foi em Dublin que tive a oportunidade de me envolver mais com a literatura e a cultura irlandesa – inclusive com a língua irlandesa – e consequentemente com James Joyce. Foi aqui em Dublin, durante a comemoração dos 100 anos de Ulisses,  que pude percorrer o caminho que Leopold Bloom percorreu, no mesmo passo que o livro.
Fale um pouco sobre a obra e vida de James Joyce, segundo a sua experiência.
Na verdade foi depois da minha mudança para Dublin por motivos de trabalho que vim a me interessar mais pela obra de Joyce – e tudo em Joyce é Dublin! E entender essa relação de amor e ódio foi um desafio… Joyce deixou claro em vida que não gostava de Dublin. Stephen Joyce, neto e curador da obra de Joyce, faz questão de afirmar que seu avô não gostava da cidade. Tampouco ele simpatiza com Dublin, e desaprova toda tentativa de citar a obra do avô, seja para turismo, nomeação de monumentos, ou mesmo comemorações. O único lugar onde é permitido citar a obra de Joyce é no James Joyce Centre, durante as comemorações do Bloomsday, festival que acontece todo dia 16 de Junho e que comemora as aventuras de Bloom.
Como é traduzir James Joyce?
Primeiramente acho que todos os que se submeteram ao desafio de traduzir o Finnegans Wake – e não só os finalistas – já são heróis pela própria ousadia. Para mim foi uma tarefa trabalhosa, tanto que consumiu quase todas as minhas horas livres de uma semana inteira! Mas ao mesmo tempo foi excitante e divertida… uma aventura e tanto! E o fato de morar em Dublin e de ter um certo conhecimento da língua irlandesa – mesmo que parco –  fez com que eu me sentisse, de certa maneira, mais próximo dos contextos joyceanos, e acho que acabou ajudando um pouco a transposicão multi-dimensionais do texto… além, é claro, de um pouco de intuição e muita poesia!
Fale um pouco de você e do seu trabalho.
Não sei se posso chamar de trabalho, no sentido convencional da palavra. É mais como um hobby, só que levado muito à sério… extremamente! Mas o tempo é que não ajuda muito. Como tenho o meu trabalho na área de Tecnologia da Informação, acabo dedicando apenas o tempo que sobra às outras atividades. Trabalho e família vêm primeiro e, às vezes, o que sobra não é muito. Tento ser constante na TUDA, uma e-zine de poesia, literatura e arte que publico mensalmente, já há 3 anos. É lá que publico minhas traduções. Minhas poesias, meus contos e outros textos podem ser acessados à partir de um “portal” que mantenho, o edotm.info. Já na música, tenho um projeto experimental e multi-instrumental, à distância, chamado The Virtual EM3, e uma banda real, o Wellfish. Conforme o tempo permite, vou “trabalhando”….
Eduardo Miranda

Confira no blog da Ateliê: http://blog.atelie.com.br/2011/09/eduardo-miranda-respira-james-joyce-em-dublin/

Friday, June 03, 2011

Cadê Wally?


Wally estará em Dublin de 16 a 19 de Junho, como parte do Campeonato Mundial de Performance de Rua - Street Performance World Championship.

Vem ser um Wally você também, vem!!!

Detalhes aqui:

Monday, April 19, 2010

A caminhada de sábado

Devagar e sempre... esse é o segredo!

Comecei com 8km (Ashtown-Dublin), depois 12km (Mulhuddart-Ashtown), 14km (Bray-Greystones-Bray + Bray Head), 16km (Howth-Dublin), 25km (Howth Head + Howth-Dublin), e agora, 30km, de Greystones até Sandymount... Uma bela caminhada, com subidas, descidas, trilhas irregulares, trilhas planas... um pouco de tudo.

A caminhada me serviu para experimentar um tênis-bota, próprio para terrenos mais irregulares. Realmente, quando andamos pelos penhascos de Greystones-Bray ele fez a diferença. Ao voltar para terreno plano calcei o tênis para caminhada, muito mais leve e confortável, mas as pedras da costa de Bray não estavam nos planos... pedras grandes e irregulares, forçaram muito - e desnecessariamente - os tornozelos e os joelhos.

Teríamos andado mais, não fosse praia de pedras entre Bray e Dún Laoghaire.
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no mei do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
Grande Drummond... E semana que vem tem mais!

Friday, April 03, 2009

jogando o jogo

Pode-se dizer que a Arthurs Tavern de Nova Iorque seja a versão americana do The Mezz de Dublin, onde o palco é minúsculo, a música é fantástica, e os drinks são caros - não caríssimos mas acima do preço dos outros clubes.

Enquanto no The Mezz você sempre encontrará aquela religiosa multidão de adolescentes com mochilas nas costas procurando diversão gratuita, no Arthurs você encontra gente mais madura e com maior poder aquisitivo, poi embora a entrada seja gratuita, a casa impões uma política de no mínimo dois drinks por sessão de música - e os músicos tocam por uma hora, e fazem intervalos de 30 minutos.

Também, no The Mezz nunca ouvi jazz... rock'n roll, blues, country, folk, mas nunca jazz. No Arthurs não, o jazz começa logo às 19:00, e vai fundo até as 21:30, quando então entra a banda da casa - um sucesso, pelo visto! - com muito soul, funk e blues. Realmente a Noite pegA FOGO!

Eu te digo camaradinha, cá entre nós: só fui lá por causa do jazz, mas acabei encarando uma sessão da outra banda também, e tenho que admitir que os caras são bons! Mentalize aquele esteriótipo de músico de blues & soul americano que você sempre ouviu ou viu (!) por aí: negro, um pouco acima do peso, com aquele voizerão de trovão, e uma ginga nas cadeiras de dar inveja! Eram eles. Teresa iria A-MAR!

Soa bem? Sim, o SOM soa muito bem, mas só se você estiver disposto a pagar $7 dinheiros por uma cerveja, $8 dinheiros por um drink, $9 dinheiros por uma taça de vinho barato ou $11 dinheiros por uma dose de whisky. Dito isso, vejamos se o Arthurs Tavern ainda é um lugar justo de se ir... fiquei pensando nisso ontem, no intervalo de uma banda e outra: das 7 às 11 consegui me conter com uma taça de vinho, duas cervejas e um whisky. Não me leve a mal, não sou um beberrão desvairado não! Ia ficar no vinho apenas, mas o preço e a qualidade me desencorajaram; aí resolvi tomar um whiskinho, e o preço quase me derrubou da cadeira; aí tive que ficar na cerveja mesmo...

Vamos às contas: 9 (+ 1 gorjeta) + 11 (+ 1 gorjeta) + 7 (+ 1 gorjeta) + 7 (+ 1 gorjeta) = 38 dinheiros.

Outros bares de jazz cobram no mínimo $10 dinheiros de entrada, e a cerveja vai ser $5 dinheiros, o vinho provavelmente $7 dinheiros e o whisky $8dinheiros. Assim, gastaria 10 + 7 (+ 1 gorjeta) + 5 (+ 1 gorjeta) + 5 (+ 1 gorjeta) + 8 (+ 1 gorjeta) = $39 dinheiros.

E só porque hoje é sexta-feira e estou em Nova Iorque, eu vou lá de novo! Mas só até as 11, pois 11:30 tem show do Vinícius Cantuária no Jazz Standard... Vou queimar um charuto lá também!

Toque outra vez, Sam!