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Friday, February 15, 2013

Porque Hoje é Sexta-feira

Happy Friday - Fabrini Crisci
I

Hoje é Sexta-feira, amanhã é Sábado
A vida vem em ondas, como um tsunami
as pessoas correm para cá e para lá,
acreditando em suas coisas importantes,
até de repente serem arrancadas do rumo,
bruscamente, para perceberem que pouco,
bem pouco mesmo, nessa vida vale a pena...

Hoje é Sexta-feira, amanhã é Sábado
Impossível fugir a essa dura realidade
Os bares repletos de homens vazios,
As mulheres atentas, porque é Sexta-feira.

II

Neste exato momento pode haver um casamento, um divórcio, um violamento, um homem rico que se mata, uma mulher que apanha e cala, uma profunda discordância, uma mulher que vira homem, criancinhas que não comem, adolescências seminuas, ladrões soltos nas ruas, um aumento no consumo, adolescentes puxando fumo, uma sensação angustiante, de sumir no próximo instante, só porque hoje é Sexta-feira.

III

Cansado de parodiar Porque hoje é Sábado, vou-me, encher-me de Sexta-feira!

Friday, June 24, 2011

Rock in opposition de primeira!

Lá no The Guardian chamaram isso de jazz, disseram que mistura Duke Ellington com marcha fúnebre de New Orleans, entre poemas de Federico García Lorca, William Blake e Herman Hesse.

Bem, o cara é um crítico musical, e eu até posso perceber um pouco desses elementos todos em The Cortège, ou O cortejo, mas esta gravação de 1982 de Mike Westbrook tem muito de música de câmara, Varèse, Stravisnky, Bartók, Schoenberg, e mais contemporâneamente lembra Univers Zero, Art Zoyd, Present, Art Bears, Henry Cow... toda a nata do rock in opposition!

Vale muitíssimo ouvir! Tanto pelo jazz, como pelo rock in opposition ou pela música de câmara! Eu ouvi pelo Spotify, e você?

Friday, June 17, 2011

A New Contract

Só porque é sexta-feira...

Feel Good, James Brown



I feel good, I knew that I would, now
I feel good, I knew that I would, now
So good, so good, I got you

Whoa! I feel nice, like sugar and spice
I feel nice, like sugar and spice
So nice, so nice, I got you

When I hold you in my arms
I know that I can't do no wrong
and when I hold you in my arms
My love won't do you no harm

and I feel nice, like sugar and spice
I feel nice, like sugar and spice
So nice, so nice, I got you

When I hold you in my arms
I know that I can't do no wrong
and when I hold you in my arms
My love can't do me no harm

and I feel nice, like sugar and spice
I feel nice, like sugar and spice
So nice, so nice, well I got you

Whoa! I feel good, I knew that I would, now
I feel good, I knew that I would
So good, so good, 'cause I got you
So good, so good, 'cause I got you
So good, so good, 'cause I got you

Friday, May 27, 2011

Sshhhh...

Trabalha, trabalha, nego
Terra Seca, Ary Barroso

Andam questionando meu silêncio...

Seria político? Uma concessão ao governo de Enda Kelly, que primeiro quis abolir o ensino do irlandês das escolas, aumentou as taxas dos trabalhadores de salários ditos baixos, e vergonhosamente parodiou Obama, ao lado do próprio Obama?

Seria cultural? Um protesto à banalização do cinema em detrimento do culto da celebridade, ccada vez mais presente em lugares nunca antes imagináveis, como Cannes? Um manifesto poético contr os grupos de amigos que é a poesia irlandesa, com seus livros plastificados e revistas inexpressivas sendo publicadas em coquetéis badalados a vinho branco, enquanto gente de expressão se confina a um livro a cada dez anos? Ou um grito silencioso contra a supervalorização do rock 'n' roll em detrimento de outros gêneros, claramente observado na programação das rádios e nos calendários culturais país afora?

Seria financeiro? Uma adesão moral ao movimento de blogueiros fanceses que resolveram se negar a dar informação gratuita, alegando que a grande mídia - a mídia paga - aproveita-se da blogosfera para obter in,formação gratuita e transformar em artigos pagos?

Não, não, é só trabalho mesmo! Mas como hoje é sexta-feira...

Friday, March 11, 2011

Porque hoje é Sexta-Feira

Conheci um Sexta-Feira. Era esse o seu nome - Friday. Ou melhor, apelido. Apelidaram-no assim porque Sexta-Feira é o dia em que reconhecidamente ninguém trabalha direito devido à expectativa do final de semana. E assim era Sexta-Feira... um não-trabalhor, como prontamente corrigia se alguém lhe chamasse de desempregado:

- Desempregado é alguém sem emprego, alguém que perdeu o emprego. Eu nunca trabalhei! Sou um não-trabalhador!

E dizia isso cheio de um orgulho que deixava as pessoas confusas, a se perguntarem do que exatamente Sexta-Feira sentia-se orgulhoso. E se perguntassem a ele do que sentia orgulho, responderia de bate-pronto, "De ser independente!", o que poderia levar os mais desavisados a pensar que não era verdade, já que Sexta-Feira só sobrevivia devido caridade dos outros; caridade dos que lhe davam comida, caridade dos que lhe davam abrigo vez ou outra, caridade dos que lhe davam roupas, e caridade também dos que lhe davam ouvidos... talvez essa a única caridade da qual Sexta-Feira realmente dependesse.

Seria um engano dizer que Sexta-Feira não era independente. Ele era independente do dinheiro sujo. Segundo Sexta-Feira, o dinheiro, mesmo aquele proveniente do trabalho honesto, era sujo, pois ele dizia não haver trabalho honesto num mundo onde as vantagens e as oportunidades tomadas sobre o próximo regem as engrenagens. "Vide os mercados financeiros, os interesses das grandes organizaçcões e seus políticos lobistas, os patrões sobre seus empregados, os ricos sobre os pobres...", dizia Sexta-Feira.

O negócio é que Sexta-Feira sumiu. Desapareceu... uns dizem que deram um fim nele, pois andava incomodando muita gente com aqueles pensamentos pseudo-comunistas. Outros dizem que achou um bilhete de loteria premiado.

A verdade é que nunca mais se viu o Sexta-Feira...

Friday, August 13, 2010

Um dia de azar?

Treze é um número de azar. Sexta-feira é um dia de azar. Mas por quê?

O imaginário das pessoas vai longe... na numerologia, o número doze é considerado o número da perfeição. E chamam de perfeição coisinhas como 12 meses no ano, 12 signos no zodíaco, 12 horas no relógio, 12 tribos de Israel, 12 apóstolos de Jesus, 12 deuses do Olimpo... faltou dizer que tem 12 unidades numa dúzia! E jå que o 12 é perfeito, o 13 é o quê? Imperfeito, é claro, e assim transgride a completude.

Dizem também que do azar pois Jesus foi crucificado numa sexta-feira 13. E havia 13 pessoas na última ceia (impressionante, não?). E os Cavaleiros Templários, que foram presos pelo Rei Philip numa sexta-feira 13?

Diz também que o compositor Gioachino Rossini, como tantos outros italianos da época, considerava a sexta-feira como um dia de azar, e 13 como um número de azar.... e ele morreu em 13 de novembro de 1868... uma sexta-feira 13!

Se esses argumentos não foram suficientes para te manter em casa, eu diria que você, camaradinha, não é um estadosunidense... Acertei?!? De acordo com o Stress Management Center e Instituto Phobia em Asheville, North Carolina, 21 milhões de pessoas nos Estados Unidos são afetadas pela fobia da Sexta-feira 13. Algumas pessoas ficam tão paralisadas pelo medo que evitam até mesmo sair da cama.

Agora fica mais fácil entender porque os prédios naquele país não têm o décimo-terceiro andar...

Ô gente doida, né?

Friday, March 26, 2010

Aberto...

Só isso, aberto. Coração aberto, mente aberta, sem limites ou barreiras. Assim as coisas deveriam ser...

Me sinto aberto nesta sexta-feira... como que querendo mudanças - de vida, de país, de emprego... estou aberto, desejoso de desafios, de obstáculos a serem trasnspostos, como a trilha da Oxfam - um obstáculo não só físico, mas psicológico tambem - mas quero mais... preciso de mais... mais desafios, sejam físicos, mentais, psicológicos, psiquiátricos, psico-ativos, pseudestesia... me expor mais, arriscar mais, inovar mais, transgredir mais...

A começar por hoje, assistindo a um filme da Jennifer Aniston!

Friday, February 12, 2010

4 dias antes do carnaval...


O Carnaval vem chegando, e com ele, mais uma obrigação... obrigação sim, para carnavalescos e amantes da folia. Para quem não gosta de carnaval, tudo bem, não é obrigatório sair por aí, pulando como louco. Mas para os aficcionados... estes estão compromissados à festa. Simplesmente não podem "não estar afim", não podem acordar mal-humorados, indispostos, afinal carnaval é só uma vez por ano... há que aproveitar!

Quando eu era criançinha, certa vez, liderados por uma tia de um primo de segundo-grau (portanto, ninguém!) me vestiram de Tarzan, e pintaram "xuxu" numa bochecha e "beleza" noutra... Não imaginavam o enorme estrago que estavam causando aqui dentro. Foi um arraso emocional que durou muitos carnavais... mesmo para uma criança de 7, 8 anos de idade.

Já fui da segunda categoria, mas hoje faço parte da primeira. Eu suporto a não-existência do carnaval. No máximo ouço uma marchinha das antigas, coisas de arlequins chorando pelo amor das colombinas, daquele abanar da bandeira branca, por não poder mais de saudades, implorar para que a tristeza vá embora... essas coisas. Tanto que, em pleno carnaval, vou para Fredrikstad, na Noruega, atrás de um show de jazz. Quer mais desapego que isso?

Friday, February 05, 2010

TUDA de bom!


Depois de uma noite mal dormida, um dia ensolarado... ah, que bela sexta-feira! E por ser sexta-feira, a gente aguenta mais... dormir pouco acaba nem pesando na balança do dia. E com sol ainda? Nem se sente!

A noite curta foi devido à TUDA, que já está nas e-bancas!!! Muita poesia, conto, crônica, ensaio, tradução, ilustrações & fotos! Muito trabalho, mas valeu a pena.

Possivelmente, para o mês que vem, eu vou ter alguma ajudinha na publicação...

Agora, heading to The Hole in the Wall...

Friday, October 16, 2009

all you need is love


Difícil encarar a realidade? Falta força pra enfrentar o dia? Quer abraçar o mundo mas não consegue descruzar os braços? Surpreenda-se: tudo o quer você precisa é amor. Amor, carinho, atenção... seja na forma de um amigo, um namorado, parente... até um colega, que se proponha a ouvir, considerar, dar atenção.

Lennon & McCartney já diziam,
There's nothing you can do that can't be done.
Nothing you can sing that can't be sung.
Nothing you can say but you can learn how to play the game
It's easy.
There's nothing you can make that can't be made.
No one you can save that can't be saved.
Nothing you can do but you can learn how to be you
in time - It's easy.
All you need is love, love is all you need.

E Freddie Mercury assinou em baixo,
When youre feelin down and your resistance is low
Light another cigarette and let yourself go
This is your life
Dont play hard to get
Its a free world
All you have to do is fall in love
Play the game evryone play the game of love

Coincidência ouvir as duas músicas a caminho do trabalho... e em estações diferentes!

Longe de ser piegas, este amor extrapola o próprio sentido da palavra amor, que eu mesmo costumava dizer que não é um sentimento, mas sim um grupo de vários outros sentimentos reunidos. Este extrapolar se deve a um desapego! Não importa se este amor é de amigo(a) namorado(a), com ou sem conotação sexual - complemento vital para certas modalidades de amor - mas o desapego é fundamental para que o compremetimento aconteça, e o envolvimento com respeito, carinho e dedicação, podem mover um mundo... acreditem!

E como é sexta-feira, dia de cinema, jazz, vinho e diversão, proponho um brinde - uma homenagem a Dionísio, deus grego das festas, do vinho, do lazer e do prazer. É o equivalente ao romano Baco, imitação das festas dionísicas, e de onde, aliás, provém a palavra bacanal, que significa festa em honra a Baco, lugar onde se reúnem as mulheres que celebram os mistérios de Baco, mas que por extensão de sentido, nos tempos modernos virou festa no sentido licencioso, com participação de várias pessoas... devassidão, orgia, suruba!

Quem é partidário, boa surubada... quem não é - ou não pode - divirta-se! Mesmo que sozinho, vale a pena...

Friday, September 11, 2009

The Hole In The Wall


Não tem sido fácil estes dias, e embora ninguém tenha me falado que seria fácil, tampouco me disseram que seria difícil! Difícil sim, como força de expressão. A língua permite estes abusos.

E por falar em língua, no meu cursinho de irlandês esses dias, soube que a Quinta-feira é - ou era, na Antigüidade (trëma?) Céltica, um dia de banquete. É que em irlandes, "Dé Aoine", Sexta-feira, deriva de "Dé" (dia) e "Aoin" (jejum) - Dia de Jejum. Quarta-feira é "Dé Ceadaoin", onde "Ceadaoin" deriva de "Céad", primeiro, prévio, e "Aoin", jejum - Dia do Primeiro Jejum; e finalmente Quinta-feira é "Déardaoin", que deriva de "Dé idir dá Aoin", onde "Dé" - dia, "idir" - entre, "dá" - dois, e "Aoin" - jejum. O dia entre os dois jejuns. Certamente, Quinta-feira era o dia daqueles fartos e altamente calóricos desjejuns irlandeses, com toucinho, lingüiça, chorizo, batata, ovos, cogumelos, tomate, feijão doce, pão de soda e torradas na manteiga... nossa!

E como é Sexta-feira, Dia de Jejum, vou assumir que é quinta mesmo, e ir correndinho lá pro "The Hole in the Wall", meu novo "Local Pub"...

Fui!

Friday, August 21, 2009

Um simples Dylan


Como pode haver tantas coisas ainda para serem descobertas numa simples canção de Bob Dylan? No momento, as que me chamaram a atenção foram If You Ever Go to Houston do Together Through Life, Mississippi, uma música 'lado B' não lançada no álbum Time Out Of Mind, e Born In Time, outro 'lado B' não lançado do Oh Mercy.

E sabe aquela gig que daríamos no fim do mês? Furou! O cara da festa achou "caro" quando o Fergus disse que seria €150 para cobrir despesas apenas... Oh, I didn't expect that much! Tenha dó, né? Mas acabou sendo bom para a banda - sem nome ainda! - e se tudo der certo, sairemos desta com uma boa lista de canções que realmente tenham algum sentido para todos nós, um nome, e uma linha de composição, para finalmente começarmos a compor!

De letra pra som... Ah, essa TUDA dá um trabalho! Mas eu não reclamo dela não, reclamo de mim, que facilmente me acostumo às faltas de tempo - aquela medida usada pra lembrar o quanto que você está distante de fazer tudo o que você queria fazer e ainda não fez, sabe? Pois é, ele sempre me prega uma peça... principalmente quando estou determinado a estudar irlandês... basta eu me enfiar numa regra gramatical qualquer que já deu meia-noite! Que saco!

Pois é, mas as coisas andam indo - nossa, que horrível essas construções inglesas aportuguesadas, não?!? - indo bem. E pra me complicar ainda mais com o Sr. Tempo, cismei de traduzir um poema euskara - a língua basca. Em progresso, já... mas não é nada fácil, te digo, mas ainda assim mais prazeroso do que o tupi-guarani (ainda retomo aquele projeto), que só falava do deus dos cristãos, já que os índios não escreviam, só os portugueses, o que se podia esperar, se o objetivo de aprender e normatizar a língua era a catequese?

Sexta-feira era dia de pastel lá na Granja (Julieta, onde era a Eletropaulo). Chegávamos de manhã, cada qual em seu (ônibus) fretado e nos encontrávamos na barraquinha de pastel. E não tinha caloria que me fizesse engordar! Eta tempinho bom!!!

É isso...
- Não vou na pastelada hoje: vou rever um velho amigo que se mudou para Dubaiu, e está de passagem por Dublin.

- Pastelada?

- É, uma reunião com pastel é pastelada...

- Eu sei o que uma pastelada é, mas de que pastelada você está falando?

- Err... não te chamaram?

- Me chamaram para o quê?!?

- Olha... a gente se fala, tá? Eu preciso ir... o ônibus já vai sair, e...

- Mas você está de carro?

- ... eu detesto carne!

- ...

Friday, August 07, 2009

Brasil, um país de todos


Esse negócio de que corrupção só acontece no Brasil é puro papo furado. Ela está em todos os países! Sem excessão, seja na propinagem direta, seja na cobertura de investigações - vide Suiça, onde o anonimato, garantido e amplamente divulgado, é o chamariz para o dinheiro sujo do mundo.

É claro, o que muda é o discaramento no tamanho da mordida. Como bem ilustra aquela piadinha, em que um governante que precisava fazer uma obra, abre concorrência pública. Três empreiteiras se candidataram:
- Faço por 3 milhões - disse a empreiteira japonesa. Um milhão pela mão-de-obra, 1 milhão pelo material e o outro milhão é o meu lucro.
- Faço por 6 milhões - propôs a empreiteira americana. Dois milhões pela mão-de-obra, 2 milhões pelo material e os outros 2 milhões para mim... mas o serviço é de primeira!
- Faço por 9 milhões - disse o brazuca.
- Nove paus? Espantou-se o governante. É muito dinheiro! Por que tanto?
- Três milhões para mim, 3 milhões para você e 3 milhões para os japonêses fazerem a obra.
- Negócio fechado.

É... até que enfim é Sexta-feira!

Friday, July 31, 2009

De viagens...


Eu adoro viajar. Literalmente, e de qualquer maneira: ônibus, trem, avião, navio, e até carro (quando eu não estou dirijgindo). Cada meio de transporte me trás certas lembranças, e uma certa nostalgia até. Ônibus, por exemplo, me lembra a juventude, sem dinheiro, e de viagens baratas, as mais baratas possíveis. No outro extremo, os aviões me lembram duas coisas: primeiro negócios - viajo muito a trabalho - e depois lazer, os "weekend breaks" europeus, mas a principal lembrança é o Brasil, já que 11 horas de vôo não é algo fácil de esquecer. E os trems - os meus preferidos - me trazem a imagem da aventura que realmente busco nas viagens... uma poltrona confortável numa cabine vazia, uma garrafa de vinho e um bom livro, jazz nos fones de ouvido e uma maravilhosa paisagem na janela - o eurotúnel londrino, os vales normandos, as trilhas montanhosas de Luxemburgo, as margens do rio Reno em Renânia-Palatinado, os alpes suíços...

Como já disse John Donne, poeta inglês do século XVI, em seu famoso texto "Meditações XVII", "Nenhum homem é uma ilha, sozinho em sí mesmo..." Bem, eu estou numa ilha, e acabo por me obrigando a explorá-la, também. O que é muito interessante: o Oeste, a verdadeira Irlanda da língua gaélica; o Sul e suas vilas de pescadores, o norte e seus conflitos patrióticos, e mesmo Dublin, em sua jornada de tolerância e diversidade...

E já que é sexta-feira, camaradinha, eu te digo: viaje, viaje bastante e sempre... e quanto mais lúcido melhor!

Friday, July 24, 2009

De blogs, cognição & headhunters

Às vezes fico ansioso para blogar coisas que penso e escrevo - mas assim que acabo de escrever e vou efetivamente postar, acabo me retraindo um pouco, principalmente se o post tratar de algum assunto delicado ou controverso - bem do jeito que eu gosto! Geralmente essa sensação desaparece - pelo menos na maioria das vezes - ao ler e reler o post - é que acabo por achá-lo nem tão embaraçoso assim, e, afinal, não estarei prejudicando ninguém a não ser eu mesmo...

Pois é, não dizem que hoje em dia, na era da vulnerabilidade regulamentada, da falta de privacidade pessoal e individualidade extremamente comunitária - tudo é coletivo - e do voyeurismo institucionalizado, as companhias de recrutamento e os headhunters vasculham a internet em busca de informação verdadeira, do verdadeiro ser, o eu-profundo, em blogs e forums, em redes de relacionamento e até mesmo no tipo de newsletters você recebe? Pois é...

Há momentos em que me preocupo com isso... seja por não acreditar na vigilância "bigbrotheriana" e procurar sempre desafiá-la, seja por não acreditar mais no que escrevi, seja por ter excedido certas fronteiras na tentativa de encontrar a melhor maneira de textualizar os pensamentos - pensamento, palavra e escrita, mídias tão distintas. Afinal, quem não é multicognitivo não pode compreender o que é ser multipersona. Talvez algum dia eu volte aos meus blogs e faça uma seleção para os selecionadores - se algum dia precisar deles.

Mas já que falei dos meus blogs, seguindo uma tendência de simplicidade que vem martelando os meus miolos - tanto os direitos quanto os tortos, quer dizer, quanto os esquerdos, sem falar nos centrais, frontais, traseiros, internos e externos - vou reduzir o número de blogs para... 1! Os famígeros The Waste Land - este que estás a ler, ora pois! - The Little Green Bug, The Lens of the Mind, Plog: poetry log e Auto-Pensante migrarão para um único - a decidir entre The Waste Land, The Little Green Bug e Auto-Pensante.

Continuarão independentes o Eduardo Miranda - Literatura, e o mais recente (ainda em construção) The Virtual Em3. E a TUDA, é claro, que é um projeto à parte. Só não posso garantir que não mudarão de domínio - wordpress talvez?

E falando em multicognição, um colega na aula de japonês me perguntou por que me interessava em aprender japonês. Disse-lhe que gostava de línguas, e que também estudava inglês, espanhol, francês e russo. Impressionado ele perguntou se eu trabalhava com línguas. Disse-lhe que não, que trabalhva com computadores, mas também era músico, escritor e poeta. Espantado, comentou do alto de sua serenidade zen-budista, "tal qual o pato..." Eu, inteirado da cultura e sabedoria oriental e suas sutilezas proverbiais, tentei por alguns segundos associar a imagem do pato a algum ensinamento budista... sem sucesso. Foi quando lhe perguntei, Pato por quê? E ele, O pato é capaz de nadar, andar e voar... mas não faz nada disso com perfeição! Meu primeiro sentimento foi de embaraço, já que todos riram, menos ele. Logo veio a raiva - bem curta, é verdade - que deu lugar à iluminação. Ele mesmo não ria, o que me ajudou a refletir... O pato é um generalista! Aquele cujos conhecimentos e interesses se estendem a vários campos, não se confinando em uma especialização. Era exatamente como me sentia - e me sinto até hoje. Não quero a chatice da especialização, mas a diversidade do genérico - ou a generalidade do diverso.

Quem sabe o meu novo blog venha a ser... The Duck!

Friday, July 17, 2009

até que enfim...

... é Sexta-feira.

E por ser Sexta-feira, aqui vai uma dica: Peur(s) du noir. Assisti ontem em DVD. São pequenos medos encaixotados por animação em preto-e-branco, onde histórias assustadoras se interligam por um homem de sorriso diabólico com seus cães infernais, mais o monólogo de uma mulher sobre seus próprios medos e receios... uma pérola!

Ainda vou ao cinema hoje. Não sei se vou encarar o Brüno - andam falando muito mal, e questionando o gosto das piadas, mas acho que terei que constatar por mim mesmo, claro!


Bruce Springstein + Bono Vox = Grandpa Elliot

Sempre achei Bruce americaníssimo, mas ouvindo Granpa, a coisa toda muda... Vale a pena curtir na internet a mais nova celebridade mundial do ativismo social - Bono Vox que se cuide: o americaníssimo Grandpa Elliot no Playing for Change, cantando God Bless America, com muita emoção! Confira!




Tá muid inár gcónaí ar an domhan

E como ando estudando para minhas aulinhas de Irlandês - só freqüentar as aulas não adianta, é o que eu sempre digo! - no meu email diário "iris word of the day", coincidentemente com o Playing for Change, veio a palavra do dia: domhan, que quer dizer Planeta Terra! Tá muid inár gcónaí ar an domhan, ou seja, Nós todos vivemos no Planeta Terra. Seria bom fazermos algo para melhorá-lo não? Como? Ora, não estragando já ajuda muito!

Pequeno Tratado da Ascenção e Queda dos Tempos Modernos

Agora é oficial: França declara que "acesso à internet é um direito humano fundamental". O primeiro passo para a regulamentação e institucionalização da internet como protocolo humano (como eu já preví aqui, e pretendo escrever sobre o tema, no meu (tão esperado) livro-profecia "Pequeno Tratado da Ascenção e Queda dos Tempos Modernos". Eu já tenho o Conteúdo, pelo menos:
  • Tecnologia
    - A Inteligência Totalmente Artificial
    - Bio-Eletrônica & Psico-Eletrônica
    - A Internet Como Protocolo Humano

  • Consumo
    - A Produção de Bens de Consumo
    - Necessidade x Hábito
    - A Mitificação da Necessidade

  • Entretenimento
    - Coisificação do Intelecto
    - A Formação de Paradigmas
    - Valor Social x Valor Artístico

  • Mídia
    - O Universo Líquido
    - A Opinião Formada x A Formação da Opinião
    - A Realidade Inventada

  • Economia
    - Homo-Economicus
    - O Fim da Dignidade
    - Por Mecanismos de Troca Mais Eficientes

  • Nosso Século
    - A Monetarização do Ser-Humano
    - Da Idade da Pedra à Idade da Água
    - A Poeira Cósmica
Ainda porque é Sexta-Feira, dia oficial de jazz - agora que descobri que aquele café pertinho de casa toca jazz toda Sexta, ninguém me segura! Das 18:30 às 21:30. Antes, um cineminha (claro, afinal, hoje é Sexta, e todo mundo sai mais cedo - eu saio às 3pm!) e depois um carteado com um vinhozinho lá na casa da Lú - vai rolar?!?

Fui.

Friday, June 26, 2009

Yonlu. Quem?

Ontem meu chefe me perguntou se eu conhecia um cara chamado Yonlu. Brasileiro, músico - aparentemente jazz e bossa-nova - que haveria se matado aos 17 anos. Ele ouvira uma canção na rádio e gostara da música. Intrigado, disse a ele que tentaria descobrir... e cá está:

Além de música, Yonlu, apelido de Vinícius Gageiro Marques, também se interessava por poesia, desenho e fotografia. Ele sofria de depressão e estava sob internação domiciliar havia dois meses. O suicídio, explicado em uma carta deixada aos pais, foi compartilhado ao vivo com um grupo de internautas - assunto que gerou uma longa matéria sobre sites que incentivam suicídios na edição da revista Época, em fevereiro de 2008 [link]. Suspeitou-se este grupo não só o haviam incentivado mas também lhe deram conselhos sobre o método: intoxicação por monóxido de carbono.

Em 2008 o selo goiano Allegro lançou um CD com uma seleção de 23 canções de Yonlu. O disco chegou nas mãos da gravadora Luaka Bop (do David Byrne), conhecida por suas coletâneas de música brasileira (em seu catálogo estão Tom Zé, Nouvelle Vague e Susana Baca). Os caras dizem ter gostado do material antes de ouvir a história, mas só lançaram o disco depois de ouvir a história.

A versão americana é diferente da brasileira, com algumas faixas inéditas e uma abordagem mais conceitual, mas a pergunta que não quer calar é: será que o selo teria lançado um álbum com as demos de um compositor desconhecido, de 16 anos, se tivesse ouvido o material antes da sua morte?

Especulações como estas trouxeram à tona o caráter oportunista do sensacionalismo, e em defesa disseram que o fato de que ele não estar vivo tornava mais difícil a tarefa de fazer as pessoas ouvirem o disc, ou que seria mais fácil se ele pudesse dar entrevistas e tocar para as pessoas, e ainda que o fato dele não estar vivo era particularmente triste, por ele não poder presenciar o que sua música está provocando nas pessoas, e que teria sido incrível poder fazer um próximo álbum, se ele já soava assim aos 16, imagine mais velho?. E por aí vai.

No outro lado da moeda reza que se não ouvesse o suicídio, o garoto poderia não passar de mais um potencial talento anônimo, como tantos, ou se chegasse a gravar, a gravadora teria que discutir termos com ele, o autor, o que por vezes é um fator impeditivo. Um possível segundo álbum poderia não decolar, ou o amadurecimento do artista poderia estragar sua música, e etc, etc, etc.

Mas o álbum está aí, se chama "A Society in Which No Tear Is Shed Is Inconceivably Mediocre", e pode ser comprado aqui, ou baixado (g-r-á-t-i-s) aqui - talvez precise de inscrição...

Friday, June 19, 2009

Saiu a TUDA de Junho!!!


E neste Junho, o mês do chamado Solstício de Verão, cá nas Terras de Cima, que o verão venha quente, porque a TUDA está fervendo!

Como sempre TUDA tem muita coisa boa, nas Palavras Quebradas de Arnaldo Xavier, Souzalopes, Luis Roberto Guedes, Santiago de Novais, Dorival Fontana, Vicente Werner y Sánchez e Jacob Pinheiro Goldberg; nas Palavras Contínuas de Valdomiro Santana, Mariângela de Almeida, e José Miranda Filho; nas Palavras Alheias do martinicano Aimé Césaire e do alemão Kurt Weill; nas Foreign Words com Firmino Rocha; nas Palavras Já Ditas de Zé Rodrix; nas Palavras Mostradas de Aristides Klafke, José Geraldo de Barros Martins e Matilde Damele; nas Palavras Antigas de Roniwalter Jatobá na série Memória...

Aprecie TUDA SEM NENHUMA MODERAÇÃO. Ela não faz mal. Apenas é contra a INDIFERENÇA!!!

Passa lá: http://www.tuda-papeleletronico.blogspot.com

Na luta, companheiros... e TUDA de bom!

Los Menudos estão de volta!!!


Sabe quando uma música entra em sua cabeça e não sai mais? Não importa se boa ou ruim, ela simplesmente decide se alojar em sua cabeça, e vira-e-mexe você se pega cantando o refrão:"não se reprima, não se reprima..." Como esquecer aquele terrível refrão martelando sua cabeça?

Depois de tantos anos, crente que estava curado da praga, o tal do "hit" dos anos 80 da "boy band" portoriquenha Los Menudos está de volta, com carinha cool!

A Eldorado FM de São Paulo - também, quem mandou sintonizar ali?!? - está veiculando nos blocos comerciais a música "Não se Reprima", mas numa versão cantada por uma voz feminina, acústica com uns beats eletrônicos depois...

Para onde vamos agora?!? Versão Drum'n'Bass do Tiririca?

Ainda bem que é sexta-feira...

Friday, June 12, 2009

dia dos namorados...


Por que o dia dos namorados no Brasil é comemorado hoje, 12 de Junho, e na Europa e nos EUA no dia 14 de Fevereiro?

Diz a lenda que o imperador Cláudio II proibiu a realização de casamentos em seu reino, querendo assim aumentar seu exército, já que jovens sem família cairiam mais facilmente nas garras militares. Mas Valentim, um bispo romano, continuou a celebrar os casamentos mesmo com a proibição do imperador. Valentim foi preso e decapitado em ... adivinhem? Isso, 14 de Fevereiro, no ano de 270.

No Brasil a data é comemorada no dia 12 de Junho - véspera do 13 de Junho, Dia de Santo Antônio. A tradição casamenteira do santo é o que mais se assemelha ao Saint Valentine.

Bobinho, não? É só porque hoje é senxta-feira...