Wednesday, December 24, 2008

nicolaus

"Tenho penado bastante
tenho sofrido pra cachorro
o ano passado eu morri
mas este ano eu não morro"
[Zé Limeira, o poeta do absurdo]


deesta terra desólada
éra só iço meesmo qe restaara :
ë alghuü lugar d’ mumdo
é oora d ijrse
ë alghuü lugar d’ mumdo
é oora d seerse
– signaes deesta y d’outras modernaijdades :
nhuü mumdo redomdo
d’ooras redomdas ,
falhame señr que valhote amen
– agora y na ora d’ noosa bem tardia ora ...

y neeste novvu anno
qe sy approçima y açerca ,
aqui o alli , ao norte o sul ,
ao eeste o oeste ,
qe os Noéis nos sejamm gentijs ,
poijs huü homeë se vae
)in memoria(

emcuamto ooutro homeë se fijca
qe é como averija de seer :
y asy só , todo o mauu casy nõ se apercebe ,
neë tampoco se pod' ijmpedjr .

o< [¦¬]==
oh, oh, oh
& felizannonovodenovo &
> 2oo8 - 2oo9 <

açyno eduardo miranda
deeste porto seguro d' Ijlha d' Eire,
oje, qvartª fejira, vijgesº qvartº dija do dezº-segº mez deeste Anno-Domijnij d MMVIII.

Thursday, December 11, 2008

rumo ao oeste

De San Francisco a Los Angeles, passando pelo Silicon Valley, Big Bassin Redwoods Park, Santa Cruz, Monterey/Carmel, San Luis Obispo via Big Sur e Santa Bárbara. Depois um vôo "rápino" de volta a SanFra, uma rápida estadia na cidade e pé na estrada novamente rumo ao Nappa Valley - aahhh... os vinhos! Depois disso Las Vegas e redondezas!

Este é o plano. Mas quase que não dá certo devido a um imprevisto hoje pela manhã, que nos fez chegar ao check-in no aeroporto de Dublin dois minutos APÓS o fechamento. Por sorte não era Ryanair! E sorte também foi a presidente Mary McAleese estar no NOSSO vôo (leia), o que segundo o atendente, tornou o horário de partida um pouco mais "flexível"!

Passado o primeiro susto, ao chegar a San Francisco fui chamado para a "segunda checagem" da segurança! Me mandaram para uma salinha para ser interrogado! É mole?!? Mas acabou tudo bem. Alugamos o carro e como não tínhamos GPS, nos perdemos até encontrarmos uma Best Buy! Agora com o GPS e uma CÂMERA acho que vamos nos virar melhor! Pena que a câmera veio com a bateria descarregada, senão eu tiraria uma foto do motelzinho de beira de estrada, no melhor estilo "No Country for Old Man". Com sorte amanhã teremos algumas fotos...

Ah, e aquele papo todo de San Francisco ser uma cidade wireless (leia)... pode acreditar! Do quarto desse motelzinho de beira de estrada, liguei o notebook e caí numa wireless na rede pública!

Isso vai fazer uma falta quando voltarmos pra Dublin...

Tem mais aqui e aqui!

Friday, December 05, 2008

até que enfim é sexta-feira!


As coisas passam a fazer mais sentido na sexta-feira, quando a vida começa a ser levada a sério! Com a aprovação de Lula batendo a casa dos 70%, só dá pra rir... Não que eu seja lulista de carteirinha, não. Simpatizo com o PT porque simpatizo com causas de minorias. E seu fundo social (questionável hoje em dia) ainda desperta uma certa paixão, mas isso não nos desobriga a manter o olho aberto a tudo o que acontece. E não é porque é do PT que pode, ou que não vai fazer coisa errada, afinal, isso é inerente ao ser-humano, não é mesmo?

E um estudo publicado na revista científica British Medical Journal aponta que a felicidade de uma pessoa não é só uma escolha ou experiência individual, mas que está ligada “à felicidade dos indivíduos aos quais a pessoa está conectada, direta ou indiretamente”. Segundo os dados do estudo, a felicidade de uma pessoa pode “contagiar” aqueles com quem ela se relaciona.

Taí, a escolha continua sendo sua: rodeie-se de pessoas felizes e de alto-astral, afinal é sexta-feira!

Tuesday, December 02, 2008

Recessão ou Retraimento?


Chame do que quiser, o fato é que a coisa está pegando... "A tua recessão não é a mesma que a minha..." Estão até inventando outras definições para recessão, na esperança de enganar "o mercado" (esse famigerado!) e conquistar a confiança dos investidores. Agora, se lembrarmos que investimento é a especulação que deu certo, inversamente poderíamos dizer que a especulação é uma tentativa de investimento que deu com os burros n'água! Sendo assim, mercados e governos não têm o direito moral de estarem tão putos assim, já que é a própria regra da putaria por eles institucionalizada... Espantados? Atônitos? Quebrados? Impotentes? Ora, que dozinha deles!

Pra mim, tudo não passa de pânico mesmo! "A recessão chegou!" O consumidor já está deixando de comprar agora com medo que falte dinheiro no bolso depois, os bancos não emprestam com medo de não receberem de volta, empresas demitem funcionários para cortarem custos, afinal a recessão está chegando... E dependendo da ocasião, esse pânico assume nomes diversos - recessão ou retrimento - mas ainda é o bom e velho pânico. Chame de "downturn", "meltdown", o-diabo-a-quatro... a tradução mais nua e crua é "a casa caiu!"

Semana passada foi a chamada Black Friday* americana, onde oficialmente se declara "aberta a temporada de compras". O primeiro dia não se mostrou tão promissor como esperado, e embora houvessem bons números, a imprensa divulgou que "o consumo ainda não foi o bastante pra salvar a economia...". Culpa do consumidor, que não consome! CADÊ O PATRIOTISMO?!?

Com o petróleo na casa dos US$50, o euro batendo os 3 reais, e o dólar na casa dos 2,50 reais o Brasil pousa de imune, mas mesmo Lula na sua simplicidade contagiante não consegue mais enganar. Só ao "andar de cima" (como diz Gaspari) é que as coisas andam de vento em popa, com o Shopping Iguatemi oferecendo o nono metro quadrado mais caro do mundo, a US$176. A campeã é a 5a. Avenida, a US$2.244/m2. E o Gilberto Dimenstein, vulgo O Rei da Pérola, dá a "notícia" com toda a pomposidade de um pai orgulhoso do filho prodígio, esquecendo que todos os amiguinhos do filhinho mal têm o que comer.

Ah, Brasil! dá uma saudade... principalmente quando vejo as imagens da catástrofe de Santa Catarina, as pessoas desoladas... perdidas... saqueando os supermercados... levando primeiro comida, coitados, depois roupas... TV... aparelhos de som... eletrodomésticos...

* O termo "Black Friday" (Sexta-feira Negra) vem sendo utilizado para descrever a sexta-feira após o Thanksgiving (Dia de Ação de Graça americano) na qual varejistas vendem o bastante para colocarem-se no "black ink" (tinta negra), jargão usado pelos comerciantes para definir lucro.

Thursday, November 27, 2008

começar bem...


Ele levantou-se mais tarde do que pretendia. Isso fez com que saísse de casa 8:50, um pouco mais tarde do que desejara - queria estar no trabalho às 9, e pela manhã, leva pelo menos 15 minutos para chegar no escritório. "Esses horário de congestionamento...", reclamava.

Alguns carros trafegavam na faixa exclusiva aos ônibus e táxis, mas le manteve-se na fila. Já na rodovia, carros ultrapassavam-no, claramente acima do limite, mas ele deciciu manter-se nos 100 km/h. "Onde vamos parar com essa agressividade toda?", indignava-se.

É, ele decidira começar bem naquela manhã...

Friday, November 21, 2008

Jazz-me!

Sob o título "Scene Norway", o London Jazz Festival deste ano trouxe gente da pesada. E nós estávamos lá! Fomos para ver Marie Boine e Bugge Wesseltoft, mas acabamos nos surpreendendo com outras coisas tambem. A noite abriu-se com a dupla "Terje Isungset & Karl Seglem". O saxofonista e o percursionista noruegueses sabem o que estão fazendo, misturando como ninguem trechos folclóricos com ambiente e jazz. De tirar o fôlego! Marie Boine veio em seguida com sua nova banda - muito boa por sinal. Destaque para a precisão do baterista e a sutileza do guitarrista. E ela, claro, Marie Boine esbanjando sua voz, cantando exclusivamente em Sami.

Na sala dois assistimos ao tecladista Bugge Wesseltoft & Convidados. Primeiro Bugge começou sua apresentação solo ao piano, destilando-se em samplers e sequencers, numa aula de improvisação e composição "on-demand"! Em seguida, o baterista - em solo - tentou fazer o mesmo, menos impressionante mas ainda criativo, mas quando a trompista - também em solo - partiu para sua seqüência de samplerização, deixou a desejar., e acabou vaiada...

Não se faz jazz pela fama, pelas as jóias ou pelas mulheres. Isso é coisa de RaP, Hip-Hop, Pagodeiro... Muito menos se espera fama e dinheiro quando se sai da trilha do convencional, seja em qualquer estilo! Vair um músico não é educado, tampouco justo ou honesto. Traz o sentido do desprezo, e ao invés de demonstrar que você não gostou, sugere que você pode fazer melhor. E mesmo que possa, não vaie, pois poderia ser você lá no palco... Não gostou? Não aplauda. Umas poucas palmas espaçadas já é embaraçoso o suficiente para qualquer artista, não há necessidade das vaias.

Este fim de semana vamos para ver Chick Corea & John McLaughlin juntos, mais Kenny Garrett, Christian McBride e Vinnie Colaiuta. O Grand Finale do festival! O super grupo de Corea e McLaughlin - ambos parte do Bitches Brew Band, de Miles Davis antes de suas experiências com fusion em suas próprias bandas (Return To Forever e The Mahavishnu Orchestra). Já tive o prazer de ver McLaughlin este ano cá em Dublin, mas algo me diz que esta apresentação vai dar o que falar...

Wednesday, November 19, 2008

que consciência é essa...

Aproveite o feriado da consciência negra e compre aquele shampoo especial para negros, compre o CD do seu artista negro predileto, nas próximas eleições vote no seu político negro - afinal ele é negro - e não esqueça de assinar a Revista Raça, que está uma graça...

Criado para promover a reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira, o Dia da Consciência Negra, como tudo que desperta um nicho comercial, corre o risco cada vez mais, de cair na banalização. E é novamente a mídia, como na fábula de Esopo, que tem que exercer o papel do bem ou do mal. Ela é do bem quando usa sua penetração para conscientizar e denunciar os absurdos que ainda hoje acontecem por aí, mas quando se veste com a carapuça da imbecilidade e infantiliza seu público para ou persuadí-los a consumir, veiculando propagandas duvidosas e apelativas, ou para instigar a curiosidade mórbida da mediocracia, através de programas que exploram privacidades alheias... Essa é a mídia do mal - e infelizmente, é a que mais se vê no Brasil. E como prêmio de consolação, podemos dizer que não só no Brasil é assim... Aliviou?!?

Cotas sim, banalização não! Como postei lá no Auto-Pensante outro dia, o racismo está longe de ter acabado no Brasil, mas banalizar e tirar proveito da situação, isso não!

Zumbi, nessa altura, deve estar se remexendo todo no túmulo...

Wednesday, November 12, 2008

Palavra do dia: libação


libation - noun.
1. The pouring of a liquid offering as a religious ritual; 2. The liquid so poured.
2. Informal.
1. A beverage, especially an intoxicating beverage.
2. The act of drinking an intoxicating beverage.
[Middle English libacioun, from Latin lībātiō, lībātiōn-, from lībātus, past participle of lībāre, to pour out as an offering.]

Libação - substantivo feminino
1. ato que consiste na aspersão de um líquido em intenção de uma divindade
2. o líquido espargido
3. ato de tomar bebidas, esp. alcoólicas, por prazer ou para se fazerem brindes
4. a bebida tomada por prazer ou para brindar (us. exclusivamente no pl.)

Lib- - elemento de composição
antepositivo, do v.lat. libo,as,ávi,átum,áre 'oferecer uma libação, fazer um sacrifício; tomar parte de alguma coisa (sólida ou líquida) para oferecer aos deuses; provar, saborear, beber, comer; apanhar, tirar, extrair'; ocorre em voc. já orign. latinos, como libação, libado, libador, libar (este, em curso na língua desde o sXVII) e libatório, já nos cultismos libamento e libável, de cunho recente; ocorre ainda em f. prefixadas, em sua maioria forjadas no próprio lat.: delibação, delibado, delibador, delibamento, delibante, delibar, delibável; ilibação, ilibado, ilibar; prelibação, prelibado, prelibador, prelibamento, prelibante, prelibar e prelibável

Eu não conhecia...

Tuesday, November 11, 2008

ITUNICÚ


Essa junção do Itaú com o Unibanco... sei não! Ainda mais sendo o Unibanco parceiro do AIG... Vixe!!! Em meio à crise mundial do capitalismo moderno - leia-se putaria econômica, bancária e mercadológica - dois dos maiores bancos privados nacionais, o Itaú e o Unibanco, querem juntar os trapos... por meio de troca de figurinhas (ações), criando o que estão chamando de "o maior banco do hemisféiro sul" e "o 17º do mundo". Em valores mercadológicos (!) o negócio é de mais de R$ 108 bilhões. A nova empresa, Itaú Unibanco S.A. - carinhosamente chamada aqui de ITAICÚ - vai ser controlada por uma holding com participação dividida "igualmente" (existe esta palavra em mercadolês???) entre os dois.

Ora bolas, não adianta analista financeiro de cá ou d'acolá falar que esse acordo estava na gaveta há mais de 15 meses... não ajuda a engolir o sapo tampouco exime essa fusão do desespero da crise mundial do capitalismo moderno. É desespero puro, gente! E só anunciaram na véspera das eleições americanas pra não dar muito na cara que não querem holofotes em suas cumbucas! E como disse Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, "dois mais dois, igual a cinco"... mas pode ser três também... quiça um!

Coincidentemente, semana passada Lula editou uma MP que permite ao Banco do Brasil e à Caixa Economica Federal comprarem outros bancos através de negociações diretas, sem licitação. Mal anunciou a MP, começaram os "rumores" sobre a saúde do Unibanco... Coincidência, não?

Nem é preciso muito não... um pouco de perspicácia é o suficiente. Basta observar as caras de Roberto Setubal do Itaú à esquerda, e de Pedro Moreira Salles do Unibanco à direita, durante entrevista no MAM, em SP, em foto da Folha de São Paulo... Setubal rí um sorriso amarelo, sem graça, sem a alegria que tanto apregoam à fusão, enquanto Salles rí um sorriso inseguro, preocupado, sorriso de pau-mandado, como que dizendo "o que mais me resta?".

E tudo antes da vitória de Obama... ou diriam, amargamente, que a culpa de tudo isso é da Ku Klux Klan, da CIA ou mesmo do papa Bento 16, que também é conhecido em certos meios por fazer vistas grossas a padres estupradores de criancinhas... Eu, hem?!? Mr. Bean para PAPA, JÁ!!!

Monday, November 10, 2008

Um Caxeiro Viajante

Depois de uma semana na África do Sul e um fim-de-semana na Letônia, nada como uma semana de trabalho na Dinamarca antes de voar para um festival de jazz em Londres... soa excitante, né? É, pode soar excitante, mas é bem cansativo também.

Viagens são ótimas, não reclamo. Só que há momentos que você sente que tudo do que precisa é do seu cantinho - aquele que você chama de lar - para recarregar as baterias... e é justamente assim que eu me sinto agora!

Só pra registrar, estou cansadão...

Silkeborg:




Riga:




Pretoria:




E em Londres, vamos assistir ao tecladista de Nu Jazz Bugge Wesseltoft e a cantora Maire Boine. E no próximo, John McLaughlin e Chick Corea, juntos...

Ô canseira!

Thursday, November 06, 2008

o fim de uma era 2


Podemos carinhosamente chamar a era Bush de boshta, bushit, ou algo parecido, mas justiça seja feita, ele colaborou, e muito, para a democracia estadosunidenses e mundial! Calma! Calma! Não enlouqueci tampouco me transformei em algo racista, reacionário, republicano, cristão-branco, nazista, facista, kkk, white power, ou qualquer outra bandeira associada à figura arbustiana de George Walker Bush, também conhecido como Jorginho Caminhador Arbusto, nas premissas onde se fala o português.

Se multiplicarmos todo o mal que Bush representa, dividirmos por todas as bushices que ele fez, noves-fora todas as coisas decentes que poderia ter feito mas se omitiu, sobra-nos O Mal, puro e simples. O exemplo claro e crasso de como NÃO se deve administrar um país. Tanto foi ruim que criou um paradigma às avessas, e fez mesmo o mais brancos dos estados norte-americanos votarem no negro Obama. E não adiantou querer associar seu nome a Osama, nem chamá-lo de intelectual metido de Harvard. Não teve quem pudesse achar adjetivo ruim para ofuscar a merda do legado Bush, e desassociar McCain (quem?) do temido continuismo. Não é de Obama o mérito da vitória, mas de Bush... OBRIGADO, BUSH, pela sua gritante estupidez!

Mas Obama também tem o seu mérito, ou melhor, terá o seu mérito quando começar a trabalhar. É o que todos esperam, até mesmo os que querem matá-lo! E essa é outra história: a ilusão da mudança. Os Estados Unidos da América mudou? Duvido. A população apenas manifestou que Bush foi uma "mão ruim" de cartas, e vão agora tentar outra estratégia. Mudar de mesa, trocar os dados, mas o jogo é o mesmo... Uma continuidade transvestida de mudanças, na figura de um negro comprometido com fortes instituições há muito estabelecidas. Não há tempo ruim para o capital... É certo que os conceitos de raça estão mudando mundo afora, como comentei no Auto-Pensante, que aliás, estou pensando em mudar de nome para Self-Pensante, já que ninguém fala nada, ou melhor, pensa nada... deixa prá lá!


Continuando, realisticamente, esperamos muito de Obama, mas principalmente duas coisas: Uma, que tire aquele estigma do ianque branco-cristão, racista e intolerante, e outra, que eles parem, de uma vez por todas, de dizer por aí que a capital do Brasil é Buenos Aires! Digam que é Montevoidéu, ao menos, mas não Buenos Aires...

Friday, October 31, 2008

halloween: uma festa irlandesa

Pagã ou cristã, nem importa muito. Ou melhor, importa sim. A festa é pagã, e não tem nada a ver com o cristianismo. Só que a igreja, em suas operações expansionistas, tentou eliminar a festa do Samhain - festa celta onde se comemorava a passagem do ano, e marcava o fim do ano velho e o começo do ano novo - instituindo restrições na véspera do Dia de Todos os Santos, conhecido nos países de língua inglesa como All Hallows' Eve (Hallow Evening -> Hallowe'en -> Halloween).

abóbora: uma história americana

A abóbora entalhada em forma de máscara e iluminada por uma vela é um dos símbolos mas conhecidos do Halloween. Acreditando ser a cabeça a parte mais poderosa do corpo, os antigos celtas carregavam cabeças esculpidas em vegetais com o intuito de espantar qualquer mal ou superstição. Antigamente a tal máscara era entalhada em um tipo de nabo ou de repolho (turnip ou rutabaga), mas quando a tradição exportou-se para a América, logo se percebeu que a abóbora, uma fruta americana, dava um bom Jack o'lantern!

Sem tradução certa para o português, o termo Jack o'lantern, que é como a abóbora com a vela dentro é conhecida em inglês, vem de outra lenda irlandesa chamada Stingy Jack, ou Jack, o Mesquinho.

Conta a lenda que Jack, um ferreiro irlandês e notório beberrão, teve a má-sorte de encontrar com o demo em pessoa num pub. Jack convidou o demo para um drink, e para fazer jus ao seu nome, não quis pagar a conta, e convenceu o tinhoso a se transformar numa moeda para pagar os drinks, em troca da alma de Jack. Uma vez o diabo transformado em moeda, ao invés de usá-lo para o pagamento, Jack cololcou-o no bolso, junto ao seu crucifíxo - cristão que era - impedindo o diabo de sair e de se transformar de volta em sua forma original. Ao final Jack libertou o coisa-ruim com a promessa de que ele não o molestaria por 10 anos.

Passado 10 anos Jack topou com o anhangá novamente, numa estradinha do interior. Estava o mofento ansioso para reivindicar a alma de Jack de volta, e Jack disse que iria, desde que o bode-preto colhesse uma mação de uma macieira no pé-da-estrada... Sem ver por que não, o capeta, meio que perturbado, sobe na árvore atrás da tal maçã, e Jack entalha uma cruz no tronco da árvore, mantendo o chavelhudo preso novamente. Orgulhoso de sí, Jack fez o diabo prometer que nunca mais olharia por sua alma. Sem outra opção, o sapucaio aceitou.

Pouco tempo depois Jack faleceu. Barrado por deus de entrar no paraíso devido a sua vida mundana e avarenta, tentou o infer no, mas o diabo, ainda envergonhado pelas peças pregadas e mantendo a palavra de que não olharia mais para a alma de Jack, tampouco permitiu a entrada dele no inferno. Jack então pergunta ai demo para onde deveria ir, e o canheta responde "de volta pra onde veio". Jack implorou por uma luz para iliuminar seu caminho, e o diabo deu-lhe algumas brasas dos fogos do inferno para ele. Jack pegou um grande nabo, entalhou-o e meteu as brasas dentro, e sua alma tem andado a vagar pela Terra desde então...

gostosuras ou travessuras


A tradição de dar gostosuras originou-se na Irlanda e na Bretanha da idade média. As "gostosuras" eram os chamados Bolos "bolos de alma" (soul cake). Recheados com pimenta, noz-moscada, canela, cravo, e groselha, usando uvas-passas para fazer uma cruz no topo. Acreditava-se que a cada bolo-de-alma que se comia, se libertava uma alma penada rumo ao paraíso. As crianças então, saiam de porta em porta pedindo bolos-de-alma, cantarolando coisas como:
Alma, alma, um bolo-de-alma!
Eu lhe rogo, minha boa senhora, um bolo-de-alma!
Um pro João, um pro Zé, e três pra "Ele", sabe como é...
Bolo-de-alma, bolo-de-alma, por favor minha senhora, um bolo-de-alma!
Uma maçã, uma cereja, um pêssego ou uma ameixa, e não faremos nenhuma queixa
Uma pro João, uma pro Zé, e três pra "Ele", sabe como é...

Gostou? Então olha a reiceita aqui... ("Samhain Soul Cake")

Wednesday, October 29, 2008

com o rei na barriga


Uma coisa é notícia, outra coisa é a tendência da notícia. Para os mais desavisados (ou menos avisados), tudo caminha junto, disfarçadamente, como se não estivessem lá. Mas estão. Pura propaganda (modo específico de se apresentar informações de maneira partidária, mesmo que a mensagem traga informação verdadeira).

Deu na Folha de São Paulo, em sua edição gratuita na internet, a Folha Online:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia na noite desta quarta (29) mais uma viagem internacional. Embarca em São Paulo...
No blog do Josias...

Não que o Josias (?!?!) seja uma sumidade jornalística (falei besteira? Jornalismo e sumidades são incompatíveis e não habitam o mesmo universo?), mas na atual "Cultura do Amador", meu amigo, tudo é onda... E o apelo escancarado pelo tom tabloidístico reduz a "notícia" à categoria de fofoca pra cativar desocupados. Uma vergonha para um jornal da reputação da Folha.

O que ele quiz dizer é que o presidente Lula viaja muito... Infeliz mensagem, eu diria. Independente de viajar muito ou não, o Josias (?!?!) precisa se decidir se faz notícia ou folhetim. Sarcasmo em notícia vira propaganda - básico em qualquer curso de comunicação. Faça como eu: escancare sua opinião, mas sem se comprometer com a notícia...

Ele finaliza:
Lula aproveita a passagem por havana (sic) para avistar-se, na sexta (31), com o companheiro Fidel Castro, agora de pijamas.
Camaradinha Josias (?!?!), teu blog é insonso - não é notícia tampouco crítica, teu blog nem cheira nem fede... É uma verdadeira BOSTA!

Sunday, October 26, 2008

URSA - União das Repúblicas Socialistas Americanas

Depois que aqueles dois palhaços do circo das ações pagaram o mico, digo, o barril (leia aqui sobre os dois primeiros infelizes a pagarem US$100 num barril de petróleo), presenciamos ainda por algum tempo uma alta nos preços do petróleo, mas ultimamente, só para engrossar ainda mais o caldo da crise mundial, o preço do barril está em franca decadência.

Uma boa notícia, então?

Nem tanto. Para o leitor desavisado, não em total harmonia com O Espírito Capitalista - deixemos A Ética Protestante de lado por hora - a confusão pode ser grande. Espertos como sempre, o capitalista comum está constantemente à procura de mecanismos para levar vantagem sobre situações. O que ele fez? Ao ver que o barril do óleo vinha aumentando, foi ao "mercado" e comprometeu-se a comprar a produção de um ano a um preço X. Coloquemos em números:

Suponhamos que o barril vale 99,40. O Sr. Experto sugere comprar a produção de um ano da Rindo A. Toa S/A. a, digamos, 110. Feito o negócio, o barril ainda subindo, tudo corre como esperado: o Sr. Experto não liga para os aumentos e a Rindo A. Toa torce para que o barril não suba muito e o contrato acabe logo.

Mas há sempre um porém, não é? Atualmente, com o barril ao redor dos US$65, o Sr. Experto não anda muito feliz. E parece que espertos foram todos os que usam o vil óleo, poi num programa na RTE, o jornalista comenta - e comemora - que o preço do barril esteja abaixando, e que os combustíveis, as viagens, os alimentos, tudo enfim, poderia refletir esta baixa e beneficiar o consumidor, mas o especialista respondeu que não, que o mercado deveria sim, e logo, se estabilizar ao redor dos US$90, ou as coisas poderiam ficar ainda piores.

Eu diria que depois da confissão do Alan Greenspan, presidente do FED, dizendo que ele estava errado sobre o mercado ser capaz de se auto-regular, o capitalismo passa pela sua maior crise, que é justamente a de confiança. E respeito. Assim como a economia americana, o respeito intelectual de Greenspan deixa a desejar. O negócio é adotar as medidas bushianas de socializar o prejuízo, digo o sistema financeiro...

Viva la Revolución!

Wednesday, October 22, 2008

crise? que crise?

Não falei? Foi só o Arbustinho abrir a boca que esmerdeou tudo de novo? Ô cabra pra dar errado, sô? Um peido no Texas derruba mercados na Europa e na Ásia:
As principais bolsas européias abriram o pregão no vermelho. Na Ásia, os mercados fecharam em forte baixa. O pior desempenho foi em Tóquio, onde o índice Nikkei caiu 6,79%.
E o Lula convoca reunião do Mercosul e diz que se crise chegar ao Brasil, ministérios podem ser afetados: não poderão mais comer caviar entre as refeições, terão que abrir mão das águas Perrier e tomar Lindóia mesmo...

Aqui na IBM Dublin a coisa também está pegando... não podemos mais viajar de primeira classe... Ô dó!

Tuesday, October 21, 2008

Uma tradição americana

O ilustre economista e pensador John Kenneth Galbraith escreveu em seu livro “1929 - O Colapso da Bolsa” que em Wall Street havia uma fé profunda no poder da magia preventiva, na qual requeria que as pessoas repetissem com o máximo de convicção possível, que a queda do mercado não aconteceria... isso foi em 1955! Mais tarde, na edição dos anos 80, por ocasião de outra quebra generalizada dos mercados, reafirmou que um dos motivos do estouro da bolha de 1929 foi justamente a falta de controle do sistema financeiro, e que a crise dos anos 80 não tinha o mesmo caráter da de 29 justamente porque o sistema já estava mais protegido, com instituições mais sólidas. Como sempre, difícil é saber quais os sinais necessários para se detectar uma crise. Não se pode negar que o mercado tem uma capacidade muito pequena de se auto-regular, e que quando a merda começa a feder, é porque a vaca já se afogou no brejo...

Entre uma bushice e outra, Jorginho Caminhador Arbusto afirmou que o 'pânico' econômico está passando, e que as pessoas estão mais relaxadas com a economia, mais tranqüilos em relação ao futuro da economia do país. Isso é preocupante, já que em tudo que o senhor Arbusto toca ou comenta, fede.

Mais estúpido e inútil de que uma mula trípede, Jorginho Caminhador Arbusto arriscou um comentário (supostamente) inteligente, dizendo “Eu ouvi que a atitude das pessoas está começando a mudar depois de um período de muitas preocupações, quase pânico, para um sentimento mais relaxado”, e afirmou que “há muito a ser feito”.

Sem medo de soar "asnático", o ilustre quadrúpede equilibrado em duas patas não tem medo de discursos infantis, pois para ele são os modelos de coerência política e econômica.

Matar presidentes já é uma tradição americana - mataram Lincoln, James Garfield, William McKinley e Kennedy. Tentaram e falharam com Andrew Jackson, Theodore e Franklin Roosevelt, Harry Truman, Gerald Ford e Ronald Reagan. Agora ameaçam matar Obama... Aí eu me pergunto: Será que nem pra isso o senhor Arbusto serve?

Friday, October 17, 2008

um bom fim de semana confuciano

E não só porque é sexta-feira, mas também porque as bolsas andam loucas - eu já dizia, há muito, que "bolsa é treco de botar coisa de mulher"! Todos esperam uma baixa, já que a lógica anda apregoando que deixar dinheiro parado num fim-de-semana pode te deixar, em média, de 25 a 50 porcento mais pobre! Já pensou? E quem não tem nada, como fica? Será que perde de 25 a 50 porcento de miséria também? Ou neste caso a escala é inversa e aumenta?

Mas é porque é sexta-feira que nos sentimos mais leves, não? Claro! Todo mundo só pensando no choppinho, na balada ou na viagem... até eu! Cineminha, vinhozinho, tem ensaio domingo lá no Scruffy Murphy's... tudo ao contento! Veremos se conseguimos passar por cima do papelão da semana passada...

O que me falta mesmo é aquela máxima confuciana que diz que se você encontrar um trabalho que realmente goste, numca mais trabalhará na sua vida.

Eu gosto do meu, mas não cheguei neste estágio ainda...

Monday, October 13, 2008

Blog Action - Poverty

O site Blog Action Day é um blog que promove um evento anual sem fins lucrativos, que busca unir o mundo blogueiro para postarem sobre o mesmo assunto no mesmo dia. O objetivo é disparar um gatilho mundial para a discussão de temas relevantes - este ano o tema é Pobreza.

Hoje é O Dia da Ação. Que tal se todos postarmos algo sobre a pobreza?

Eu juntei minha voz a esse apelo (veja o link ao na seção lateral). Vamos todos nessa!

Pobreza x Miséria

Eis aqui uma diferença importante - ou se não uma diferença, um fator importante. Pobreza existe em todos os países do mundo. A diferença é a miséria, esta senhoura perversa e cruel, que com sua fome de dignidade e sede de racionalidade, rouba-nos os mais básicos instintos de humanidade e nos atira na vala comum dos irracionais. Ela faz a diferença!

Vejamos a Irlanda: tem pobreza, desemprego, e gente que não quer trabalhar e prefere viver dos subsidios do governo, que são os impostos dos cidadãos que trabalham, mas sabe-se que é o preço a se pagar para que não haja miséria.E como o subisídio não é lá essas coisas, ele pede esmola na rua. Isso eu chamo de pobreza. No Brasil tem pobreza mas não tem subsídio do governo. E tem miséria, pois sem condições de sobreviver, o homem vira bicho, e como bicho usa seus instintos mais puros, mais básicos, não-lapidados pelos padrões sociais e comunitários que foram-nos impostos ao longo de toda a evolução humana. Aí ele partem para o tudo ou nada, para a lei da sobrevivência, o assalto, a violência, misturados com um sentimento de revolta, incompreensão, medo, desespero, numa mera questão de vida ou morte, aqui e agora.

Sunday, October 12, 2008

Alguma coisa anda fora da ordem...


Alguma coisa anda fora da ordem... E não é preciso ser nenhum gênio pra ver o que é, precisa? Abriram as portas do Bordel Global! Mas não para que os reles mortais entrassem e desfrutassem dos prazeres mundanos que lá dentro se pratica, mas abriram-se para evacuar a podridão que se acumulou nas últimas décadas e já não há quem agüente o cheiro!

Se bancos, banqueiros & cia. pensavam que eram importantes demais para que o governo não os ajudassem, acertaram. Mas se pensam que são poderosos demais para não justificarem o que fizeram para que a merda feda tanto, estão enganados. Para o bem da confiança no sistema, tomara que estejam enganados! Na minha lógica terrestre, se os causadores de tal falácia não vierem, deliberadamente ou não, a público explicar como e por que fizeram a cagada que fizeram e como usaram o dinheiro público cedido por governos ao redor do mundo, a já abalada credibilidade nos governos e nessas instituições enfraquecerá ainda mais.

As doações do governo americano já entraram na casa dos trilhões de dólares. Pondo a Europa numa só panela também batemos cifras na ordem de trilhões de euros. Mais sei lá quantos yens japoneses, mais os Russos e outros nichos econômicos... é uma boa grana, não? Será que se dividida igualmente entre os cidadãos daria uma confortável quantia? Provavelmente não, mas seria mais justo... gastaríamos nosso próprio dinheiro.

Assim talvez as coisas FUNCIONASSEM...

Uma "gig" com Craig McClune

Pois é, nem só de bons ventos é feita a bonança, mas de maus ventos também. E vento, cá nesta verd'ilha d'Eire, é coisa da qual que se entende muito bem... portanto quando digo que foi uma mau vento, acreditem, foi péssimo!

Nossa "gig" quinta passada foi um desastre. Em todos os sentidos. Começando pela pontualidade - começamos 10:15pm, estávamos previstos para 9pm - até a performance sofrida do repertório improvisado! Podemos até dar um desconto no horário, afinal, tínhamos um visitante ilustre - o tal do título, mas...

Depois de uma taça de vinho, algumas pints de Guinness e 2 Jack Daniels, o vocalista resolve não beber mais (pois já estava ficando pra lá de Bagdá) e finalmente reunir a banda pra tocar. Antes tivéssemos ficado só na bebedeira e no papo furado - furado mas interessantíssimo - com Clune, como é chamado pelos amigos.

As coisas só não foram piores porque ao menos sabemos como tocar as porras (com o perdão da palavra) dos instrumentos! Faltou apenas o vocal conhecer as canções! Inclusive a nova que ele escolhera, a qual fez tanta questão que todos ouvissem para apresentarmos na noite... Um desastre em particular, já que foi a canção de abertura! E pra não falar nas outras já ensaiadas, mas sempre negligenciadas, tem o "fator surpresa":
- Do you know that song... from that guy...?
- Err... no, digo eu.
- No, dizem o baixista e a tecladista.
- Nevermind... follow me!
Desastre, desastre, desastre! Nem mesmo ele sabia! Na hora do verso canta o refrão, inventa ralentandos repentinos e fermatas delirantes, fecha os olhos e espera que todos sintonizem na sua loucura sideral de baixa-freqüência... Desastre, desastre, desastre!

Não há desculpa para uma performance ruim. Você deve apenas saber tocar seu instrumento, saber as canções de trás-para-frente, ou de-cór-e-salteado! E não foi isso que aconteceu...

Para salvar a noite, porém, Craig McClune (foto) - o baterista do David Gray - subiu no palco e tocou as últimas duas canções conosco... a última, particularmente, ficou muito boa - "To Make You Feel My Love", de Mr. Bon Dylan.

Nem só de maus ventos é feito uma tempestade...

Thursday, October 09, 2008

Socializando o Capitalismo

Mercados Financeiros precisam dos governos para duas coisas:
1- Ditar as regras do jogo - a chamada "regulamentação";
2- quando os mercados colapsam. A isto chamam de pragmatismo, não de socialismo!
As regras são simples: o lucro é dos bancos, o prejuízo é do Estado, pago com títulos públicos ou recursos da receita. Não sei não, mas a mim não enganam. Por mais que digam que não, o que estão fazendo nada mais é do que socializar o capitalismo. O prejuízo pelo menos.

Mudando de assunto...

Hoje acontece mais uma apresentação do - novo nome - Tramyard Blues! É lá mesmo, no Scruffy Murphy's.

9pm sharp!

Monday, October 06, 2008

Rumo à Presidência Mundial

A campanha da revista britânica The Economist da semana passada me chamou a atenção: "Global Electoral College - What if the whole world could vote". A proposta é de coletar votos pelos 4 (?) cantos do mundo, e ver quem ganharia a eleição se todos pudessem votar (veja também If the world could vote).

Nada mais lógico, afinal não são os ianques - tanto os do norte como os do sul - que pleiteiam o conhecimento universal do que é melhor para o mundo? Pois votemos todos, então! Seria o primeiro passo para uma presidência mundial - certeira prenunciação Nostradâmica, se não me falha a cachola... ou Orwelliana... seria Huxleyísta... ou Wellsiana... acho que todas...

Mas se a presidência mundial ainda soa utópico, a coisa pode ficar mais concreta se "pensarmos em blocos", como diria Mr. Lego.

Diretamente da Legolândia

Uma presidência européia parece cada vez mais cristalina no horizonte do provável, com a inevitável aprovação do Tratado de Lisboa (fruto do árduo trabalho diplomático de Sarcozy), suponhamos que abrace também a sonhada União Mediterrânea - os 27 Estados europeus mais Argélia, Egito, Líbia, Marrocos, Tunísia, Israel, Jordânia, Líbano, Síria, Turquia e Palestina - e mas o que restar da África. China e Rússia consolidariam a União Asiática, levando de quebra a Oceania. Ao Brasil restaria fazer lobby junto aos EUA e o resto das Américas e tentar criar os Estados Unidos DAS Américas, e pegar uma posição confortável - isso se conseguir dobrar o neo-comunismo emergente se Chávez e companhia.

Mas tudo isso seria bom ou ruim? A imposição des modelos econômicos e políticos dos países desenvolvidos - seria esse o o resultado de tal passo rumo à globalização, digamos, total?


Pode parecer algo inalcançável - ainda - mas a configuração econômica atual já nos mostra a tendência de 3 grandes blocos - Américas, Europa + África e Ásia + Oceania.

Nós mortais, do lado de cá da fronteira - aquela que separa os cafetões seus clientes das putas... ou você tem dúvida de que lado nós estamos? - nós, do lado de cá, vamos tentando, dignamente, ganhar o vil metal, que se torna cada vez mais vil ao vermos como os cafetões usam o dinheiro que nós, putas e putos, suamos pra ganhar, nos submetendo a caprichos por vezes desumanos dos manipuladores de idéias e capitais.


Tudo é igual em qualquer lugar. Há pobreza e exploração em todos os lugares do mundo - alguns países com mais, outros com menos. A grande diferença se dá onde além da pobreza há também a miséria. Sob condições miseráveis, o ser-humano perde suas nobres qualidades, e age insanamente, guiado pelo último instinto que lhe resta: o da sobrevivência.

Tuesday, September 30, 2008

a rua da muralha


Tem gente que ainda que aposta na propaganda - a chamada "palavra não-dita" (há um livro fantástico sobre isso: Unspeak, de Steven Poole). A nova agora é que, recusando o pacote de ajuda de US$ 700 bi, o congresso americano está negando ajuda ao sistema financeiro, não aos banqueiros.

BALELA! Querem nos fazer acreditar que o pacote não ajuda os banqueiros, que não aprovando-o, não os banqueiros, mas os bancários - entre muitas outras categorias - perderão seus empregos.

Ora, isso é claro como os dias de primavera aqui da Irlanda... mas que o pacote é para ajudar banqueiros, especuladores e todos os outros putanheiros das finanças, isso é. Sem dúvida que as coisas vão esfriar, mas antes tarde - bem tarde! - do que nunca. Esse subsídio do capital aos manipuladores de capital tem que acabar algum dia, e o dinheiro voltar a ser aquele produto de troca para os bens de necessidade, mesmo que não sejam só os de primeira-necessidade...

Mas o problema é que, na Rua da Muralha (Wall St.), a parede de madeira e lama dos idos de 1652 parece ainda estar lá - não para proteger dos ataques dos novos colonizadores, mas para manter os privilégios da velha cartolagem bem encerrados...

Monday, September 29, 2008

Lula Mata a Cobra e Mostra o Pau!

Lula, na sua simplicidade quase infantil, apelou para que "eles", pelamordedeus, resolvam essa crise e não deixem ela atingir o Brasil!

Uma coisa é certa: se eles brincaram de casino nos bancos, que agora paguem as fichas sozinhos, mas ainda parece que querem nos apresentar a conta de uma festa na qual nunca fomos convidados!

Agora, quando Lula diz que a "era dos economistas" acabou no Brasil, numa alusão à congressista americana Nancy Pelosi, nao é só infantil, mas também e pretensioso. Ou Lula e sua equipe econômica acham que uma reserva de 250 bilhões de dólares é suficiente... que nada! O "mercado" é capaz de engolir isso tudo em poucas horas...

Thursday, September 18, 2008

um mal desnecessário?

Dizem as más línguas que os SPAMs, as pragas da internet, ao menos servem para alguma coisa: saber que seus amigos estão vivos. Um mal necessário? Nem tanto! Nada que um "Olá, como vai?" ou "Há quanto tempo, hem? Mande notícias!" não resolva. Além de ser mais simpático e natural, é mais pessoal, o que é muito importante hoje em dia para sua relação com o seu computador.

É claro que há os SPAMs involuntários, ou automáticos, ao qual chamo de malware. São pequenos truques carregados com programas mal-intencionados, que se auto-propagam através de sua lista de contatos sem ao menos você saber. Por isso, camaradinha, deves cuidar do seu computador assim como cuidas de outras coisinhas que tanto prezas. Lembra da relação AIDS x camisinha! Há de ser a mesma em relação ao seu computador nestes tempos de promiscuidade tecnológica. Pergunte ao seu computador, "Devo instalar este(s) aplicativo(s) pirata(s) em você?", e seu computador gritaria "NÃO! Pelo amor de HAL(*)! Há tantas opções por aí, aplicativos gratuitos, open source (código-aberto), e mesmo os chamados shareware, que são gratuitos mas pedem uma contribuição não-compulsória para funções mais avançadas. Para os mais populares como Microsoft Office e Internet Explorer há o OpenOffice e o Firefox, respectivamente, e ambos gratuitos! E se você não quiser nem mesmo usar o Windows (o Vista está realmente uma merda, não?), melhor ainda! Há vários "sabores" de Linux para você escolher, e com interfaces (aparência e disposição dos programas e ferramentas) cada vez mais amigáveis.

Teste a sua popularidade

Nessa mesma linha eu pergunto: devemos aceitar emails escusos? Mesmo que supostamente tenham sido enviados por amigos? A resposta também é NÃO! Emails do tipo "Junte-se a Fulano na comunidade Tal. Basta clicar aqui!" Não clique! Se Fulano quiser falar contigo, que lhe mande um email PESSOAL!

Agora, se você é daqueles que adora ficar assistindo apresentações do Powerpoint recheadas de fotos e melodias, vídeos no Youtube sobre supostas bizarrices de outros povos e culturas, cenas "paparazzidíacas" de celebridades plastificadas, ou simplesmente lendo textos medíocres atribuído a autores brilhantes, lanço aqui um desafio: o pré-spam!

É fácil. Ao receber um email "interessantíssimo" pela sua lixeira eletrônica, ao invés de simplesmente assumir que ele é "interessantíssimo" - seja porque seu "firewall de imbecilidades" está desligado, seja porque seu "antivírus de critérios" não tenha sido propriamente instalado - antes de assumir que ele é "interessantíssimo" e repassar para toda a sua lista de contatos, gaste dois minutinhos - se muito - preparando o pré-spam. Descreva no máximo em duas linhas o "mote" do "interessantíssimo" email. Por exemplo, "Pessoal, recebi um texto I-NÉ-DI-TO do Arnaldo Jabor sobre a imbecilidade brasileira que é DE-MAIS! Alguém quer ler?", ou ainda, "Gente, recebi umas fotos LIN-DAS das profundezas do Mar Báltico. Elas estão numa apresentação em Powerpoint, com um fundo musical do Richard Clayderman que é de CHO-RAR! Querem que eu mande pra vocês?".

Uma vez que você tenha conseguido dissertar o mote do email "interessantíssimo" em duas linhas, mande-o para TODOS os seus contatos e aguarde... aguarde... e aguarde... Para aqueles que responderem "Sim, sim... estou louco(a) para ver / ouvir / ler isto também!" você pode mandar o seu "interessantíssimo" email. Mas por favor... poupe os outros!

(*)HAL 9000 (Heuristic ALgorithmic, mas há uma lenda que diz o nome foi baseado nas letras anteriores da sigla IBM) é o supercomputador de 2001, Uma Odisséia no Espaço, na saga de Arthur C. Clarke, filmada por Stanley Kubrick, onde o supercomputador quer decidir por sua própria vontade o futuro da humanidade.

Sunday, September 07, 2008

só que NÃO É do Jabor...

O que tem de texto circulando por aí atribuído a gente famosa é brincadeira! Drummond, Veríssimo, Jabor... textos geralmente amadores com "cacoetes" estilísticos que tentam imitar o suposto autor para tentar dar credibilidade, e todo mundo acredita! Eu sempre ignoro tais emails - não leio mesmo! Desculpem-me os amigos que os enviam, que assim só colaboram com os spams - uma das maiores pragas da internet - e com a falsa informação. Mas este eu li! E resolvi comentar, porque é especialmente reacionário, e quem não consegue perceber isso, camaradinha, está precisando rever seus conceitos... a saber:
Brasileiro é um povo solidário. Mentira. Brasileiro é babaca.
Começou bem, pois "babaca" é uma palavra que Arnaldo Jabor usaria tranqüilamente, no seu jeito despojado de falar. Dá credibilidade à mentira. Continuemos...
Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida; Pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza;
Aí pegou. Primeiro que Lula não tem história de vida sofrida, ele tem história de vida simples, como todo mundo que não se enquadra naqueles 3 (ou serão 10) por cento de privilegiados que nasceram em berço de ouro e não precisam (ou não precisaram) trabalhar duro pra conseguir as coisas. Querer desclassificar o gari não parece também uma colocação de Jabor, que sabe reconhecer a importância de qualquer profissão, de puta a jogador de futebol. E o que elegeu Lula, todo mundo sabe e o Jabor também, foi o populismo. Aquele mesmo usado por Collor e por FHC, mas FHC é letrado, e candidato letrado não faz populismo, mas plano de governo.

Dar ou não dar esmola pra pobre não tem nada que ver com cobrar que governo resolva o problema da pobreza. A pobreza não é um problema, é um estado. Sempre vai existir, até em países ricos existe. O que precisa acabar é a miséria. Em país rico não tem miséria, mas tem pobreza. E o governo ajuda. É até um direito. Dá esmola quem quer. Mas dar esmola para um miserável pode salvar o dia do desinfeliz. Solidariedade, compaixão e misericórdia não dependem de ação de governo nenhum, não tem nacionalidade nem crença. É uma questão de coração.
Brasileiro é um povo alegre. Mentira. Brasileiro é bobalhão.
Errou aqui... duvido que Arnaldo Jabor usasse "bobalhão". Não é do seu repertório.
Fazer piadinha com as imundices que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada. Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo , ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai. Brasileiro tem um sério problema. Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.
Criticar um humorista? Não... não é o Jabor. Isso é coisa de recalcado chauvinista, que tem medo de rir... rir da desgraça sim, por que não? Rir não te imobiliza, não te "abobalha", ao contrário, faz pensar. Além do mais, ser humorista nesse país é uma tarefa árdua, pois a concorrência é grande: a realidade já é uma piada. Mas o chauvinismo é o pior deshumor. "Põe na cadeia"!
Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.
Aqui o autor do texto deixou cair sem querer a máscara do seu facismo barato e expôs ao que realmente veio - acabar com o problema da miséria acabando com os miseráveis. E como ele provavelmente não faz parte dessa fatia da população que vive de bolsa-família, poderia ter idéias melhores e fazer coisas melhores, mas não, prefere num texto esdrúxulo exigir que os "vagabundos" que vivem de R$90 por mês se ocupem de pensamentos mais nobres do que a simples sobrevivência.

E até agora eu estou só no terceiro ou quarto parágrafo! Melhor mesmo é pular esse monte de merda e partir pra conclusão do sujeito:
O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar. Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse e-mail, meus sentimentos amigo, continue fazendo sua parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente. Aí sim, teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta. Afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão. Temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: Água doce!
Alguém aí é capaz de adivinhar a quem ele se referiu ao dizer "... e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente"? Faltou dizer que "Esse é um país que vai pra frente" e "Brasil: ame-o ou deixe-o".

Monday, August 25, 2008

na latrina do mundo...


Um amigo que muito admiro me enviou recentemente um email para me parabenizar pelo em3, o trio musical que consegui montar junto com meus "amigos virtuais", como gosto de chamá-los. Ele me lembrou que, quando certa vez estive no Brasil - país na qual ele "carinhosamente" chama de "a latrina do mundo" - reclamara que estava difícil montar uma banda, devido à falta de tempo das pessoas neste mundo tão rápido em que vivemos, onde as facilidades tecnológicas que efetivamente tornam sua vida mais fácil, encurtando distâncias e automatizando tarefas, paradoxalmente também distorce nossa percepção de tempo, tornando-o cada vez "menor" - como se fosse possível!

Ao final do email, ele me parabeniza por eu ser a pessoa mais eclética que ele conhece... PORÉM eu gostaria de lembrá-lo do quão eclético ELE é, já que geralmente as pessoas não reconhecem - ou não enxergam - o próprio umbigo, seja por flatulência - que não é o caso aqui - ou modéstia.

Este meu caro amigo, além de estar entre as maiores autoridades em se tratando de sistema operacional MVS - agora conhecido como z/OS, um dos mais complexos sistemas operacionais de todos os tempos - também poderia facilmente ter-se arriscado na carreira médica, área em que tem verdadeira paixão. Sem mencionar a carreira científica, na qual poderia transitar livremente do academicismo à prática de pesquisas, além da física, da química e da matemática.

E para não nos "limitarmos" ao ramo das ciências, lembro quando deu-se a praticar música num pequeno teclado, e em questão de semanas já estava a ler partituras e a discutir os clássicos. Agora, sua mais nova incursão é no ramo da crítica literária. Engajado num grupo literário disposto a discutir os grandes clássicos em toda sua profundez, em apenas alguns meses já é destaque entre aqueles que dedicaram sua vida ao assunto.

Talvez ele só esteja comprovando que, onde quer que ele empregue seu espírito crítico, sua mente ávida por conhecimento puro e sincero, avesso a imposições pré-estabelecidas, onde quer que haja a oportunidade de empregar aquele pequeno miolo de milhares de milhões de células que chamamos cérebro, ele sucederá.

Eu é quem digo, meu amigo... Parabéns!

Wednesday, August 20, 2008

o número 27


Entre Julho de 69 e Julho de 71 morreram Jimi Hendrix, Jim Morrison, Brian Jones e Janis Joplin. Todos com 27 anos. O suicídio de Kurt Cobain em 1994 - também com 27 anos - reviveu o mito das lendas do rock que deixaram de existir aos 27 anos... Wendy O'Connor, mãe de Kurt Cobain, chegou a lamentar na ocasião da morte do seu filho que havia lhe pedido para "não se unir a esse estúpido clube".

Catorze anos depois da tétrica entrada do ex-líder do Nirvana no tal grupo, a Proud Galleries mostrará retratos, muitos inéditos, das estrelas mortas aos 27 anos, feitos pelos melhores fotógrafos do mundo do rock.

Em comum, o estranho fato de deixarem este mundo (para um melhor?) no auge de suas carreiras. Cobain, Hendrix, Joplin, Morrison e Jones são alguns dos mais famosos, mas outros menos renomados também estarão presentes na exposição, como o cantor de blues Robert Johnson, Dave Alexander (The Stooges) e Ron McKernan (The Grateful Dead).

Hum... taí algo para se apegar, não? Vejamos: 27 com 27, 54... mais 27, 81, mais 27...

Tuesday, August 05, 2008

verde, verde... muito verde!


Em alguns países da Europa, há muito tempo que as as sacolas plásticas nos supermercados são cobradas. Vários tipos, vários preços. Das mais simples, frágeis e realmente descartáveis até as mais sofisticadas, resistentes e reutilizáveis. Pode-se pagar de 0.20€ até 2.50€. Dizem que o objetivo é "verde", ou seja, compromisso com o meio ambiente, já que estudos mostram que o plástico das sacolas demora no mínimo 100 anos para se desintegrar. Cobrando as sacolinhas, os supermercados estariam incentivando os consumidores a trazerem suas próprias sacolas.

Na lógica cartesiana, isso até que funcionaria bem. Mas a lógica moderna é plenamente formal, preocupando-se cada vez menos com o conteúdo moral das preposições, e uma nova indústria acaba surgindo, um novo nicho, com mais e mais tipos diferentes de sacolas de plástico, tamanhos, cores, estampas, texturas, resistências... um novo artigo de venda! E o verde? O que acaba acontecendo é que de verde só a nota, (não só o dólar, mas a nota de 100 euros também é verde).

Deveriam sim, os governos, regulamentarem o setor para evitar o enxovalho, e exigir que as sacolas sejam de papel - material totalmente reciclável - e gratuitas. Mas não! Quando tem-se o problema, não se busca a solução, se busca o remendo, na qual se oculta um buraco abrindo outro. No caso, um buraco muito mais lucrativo.

Monday, August 04, 2008

filosofia japonesa e a pequenez do mundo

Há uma máxima na cultura japonesa que diz que não se deve servir o próprio copo. Além de ser uma atitude solícita para com o seu próximo, torna-se também mais saudável ser servido, o que acaba por lhe previnir de beber sozinho, hábito que geralmente não é um bom presságio. Afinal, o bom costume de encontrar pessoas pode ser algo fácil de ser esquecido nesses dias de virtualidades. E quando encontramos pessoas onde menos esperamos é que temos a real noção de quão pequeno é esse nosso mundo.

Silkeborg, Dinamarca. Uma cidadezinha, ou uma grande vila, com um belo lago no centro. Simpática, principalmente com o verão maravilhoso que anda fazendo por aqui (para desespero dos irlandeses). Uma vez explorada a cidade, resolvi "me perder" pela Dinamarca... munido de um bom Sistema de Posicionamento Global (o famoso GPS), é claro!


Meu destino era Løgstør, uma vila na região de Nordjylland, na península de Jutland, pois havia um festival de jazz acontecendo por lá. Como parte daquela simpatia habitual dos europeus, o dono do albergue me deu uma carona até o centro da vila e me pagou uma cerveja. Conversa vai, conversa vem, descobre que sou brasileiro e me diz que há um restaurante brasileiro na vila, e que a dona é brasileira. Duvidei, no bom sentido, e ele me levou até o Café Kunst. Matilde, a dona, atarefadíssima comandando duas chapas de panquecas, a especialidade da casa, teve a paciência de me aturar com meu papo-furado! Muito simpática a moça!

Embora o site de turismo dinamarquês não cite (link), o Café Kunst serve comida brasileira sim... no menu tinha casquina de siri, camarão à baiana, e, claro, caipirinha!

No dia seguinte, apareci para o café, e para mais papo-furado. Matilde me sugeriu ir até Skagen, uma vila de artistas, passando por Blokhus e Løkken, duas praias famosas. Um passeio e tanto! Obrigado Matilde, os lugares realmente valeram a pena!

Voltando ao hotel, depois de um dia cansativo - dirigi quase 300 km! - não me restou outra alternativa do que tomar um bom vinho. Um maravilhoso Brunello di Montalcino, que havia comprado no caminho - olha a má intensão - e que paguei a ba-ga-te-la de 110 DKK, que dá mais ou menos 14 euros. Na Irlanda custaria 30! Com os devidos ornamentos - proscuito e mozzarella di bufala - já que o vinho é o prato principal, caí no dilema da filosofia japonesa: como servir-me do vinho sem me servir do vinho? Como servir uma taça que não posso tomar? Ligar para a recepção? Levar a garrafa no bar e pedir ao garçon? Não, muito embaraçoso...

E tudo isto enquanto o vinho decantava - claro que o abri! Como bebê-lo era parte de outro problema, abrir ou não abrir a garrafa não chegou a ser um dilema. E toda solução que envolvesse um terceiro, ou um segundo, neste caso, me parecia embaraçosa - como de fato é! Então, para evitar tais embaraços, camaradinha, não deu outra... o negócio foi deixar a etiqueta do lado de fora do quarto e entornar o vinho na garrafa mesmo!

SAÚDE!

Wednesday, July 30, 2008

alô, alô

Lembro como se fosse ontem, andando pela Rua Coronel Xavier de Toledo, no centro de São Paulo, quando ouvi o barulho de um telefone tocando. Em seguida, um executivo - ele claramente era um "alto" executivo - apoia sua pastinha 007 e saca um telefone celular, meio atrapalhado, meio constrangido, aperta um botão leva o aparelho até a orelha e diz, em alto e bom som: "ALÔ?"... nada. "ALÔ? ALÔ?", movendo-se freneticamente, tapando um ouvido com o indicador, enquanto sustenta a pasta no polegar. "ALÔ?"! A esta altura, todo mundo olhava para o homem. Pudera, nos idos de 1988 - há meros vinte anos - pouco se ouvia falar de celulares, quanto mais ver um pertinho de você.

Hoje em dia, quem não tem um celular é tido como um estranho, um alheio. "Como alguém pode viver sem o celular?", exclamariam, espantados! A coisa passa dos limites, até. Aqui na Irlanda, temos 138 celulares para cada 100 habitantes. Luxemburgo tem 158! É 158% de celular, camarada... não é mole não! Mas no momento que você ler isso, estes números já mudaram... Em Pindorama a Anatel prevê um celular por habitante até 2018 (link).

Pois é, a figura do "alto" executivo falando numa coisa que mais parecia um tijolo ficou pra trás, junto com a piadinha do político brasileiro que, num encontro com políticos europeus, recebeu uma ligação no celular. Todo pomposo, atendeu a altos brados... ao desligar, sorriu vantajosamente dizendo "essas tecnologias... ", quando um dos europeus, frente tamanho desrespeito fanfarrão, respondeu: "A nós também é muito útil... até as prostitutas já os têm"! Eu, particularmente, não entendi o que ele quis dizer com "até as prostitutas"... não é tudo a mesma coisa?!? Eu acho que foi um elogio aos políticos, e uma ofensa às mulheres da vida [nada] fácil.

você ainda vai depender disso...

Mas agora que celular é coisa do passado, precisamos de uma nova dependência, algo que te faça sentir aquela sensação de que agora sim, você se encontrou, e se fazer a perguntar "como é que eu vivia até hoje sem isso?" Nãããooo! Não estou falando da Internet, não! Bem-vindos sejam à sua mais nova dependência... o GPS! Como não?!? Quem nunca ouviu falar? Até na Wikipédia tem! E em português também!

E que ele é útil, sem dúvida... que ninguém ouse aqui negar, mas que vai acabar com a graça do "se perder", isso vai! Com o GPS se vai ao longe... muito além de Roma, e sem precisar da boca pra perguntar, só dos olhos fixos na telinha, que pode variar dos 2.5" do celular até pequenas TVs de 5.2". E se você está se perguntando pra quê você precisa disso, ora, pode ser pra te levar aonde você precisar ir! E mesmo que você não vá a nenhum lugar que você já não saiba ir, você sempre pode ligar o GPS assim mesmo, e fingir que está usando... Eu particularmente faço isso às vezes. Outra muito boa, num futuro próximo, vai ser o rastreamento [nossa, como eu "lutei" pra não escrever traceabilidade] das crianças. Pais poderão saber onde seus filhos estão... e poderão fugir na direção contrária! Pelo menos não serão mais pegos "com as calças na mão!"

Pois é, camaradinha... idéias surgem, só falta criarmos a dependência! Aí, como já dizia o poeta:
o caminho é fácil:
basta experimentar na primeira,
curtir uma na segunda,
ver pra crer na terceira,
e a partir da quarta deixar de contar...

Tuesday, July 29, 2008

minha despedida...


Embora sozinho, eu também mereço... Esse almoço eu me ofereci no sábado, em despedida a mim mesmo, já que partia para Silkeborg, Dinamarca, no Domingo. Nada demais, só a minha "já clássica" Flying Mushrooms Salad, com meus Aspargus con Mozzarella e Proscuito al Rollè, e meus Pimientos Rellenos. Acompanhou um modesto Pedro Ximénez.

Da janela do hotel...

Nove e meia da noite, em Silkeborg...

Wednesday, July 23, 2008

Sarkozy Bonaparte


Os irlandeses receberam esta semana a visita do Presidente da França - e atualmente da Europa - Nicolas Sarkozy, que desembarcou aqui para "ouvir" sobre o "problema irlandês". Basicamente, ele queria saber por que os irlandeses votaram não. Razoável para um francês, não?

O alvoroço aqui causado foi tão grande que, já que ele disse que viria para ouvir, prepararam vários discursos para ele, desde os mais suaves, como "mas senhor presidente, o senhor não acha que a opinião dos irlandeses deveria ser levada em conta?" até coisa como "NO significa NON em francês".

Ao final, Sarkozy mostrou porque é tão popular: numa lição de diplomacia, realmente ouviu, e ninguém teve a ousadia de levantar a voz para ele, ou mesmo de mandar espetadas referentes a democracia ou referendum, tamanho o carisma, a calma e a simpatia do homem...

É, meu camaradinha, assim ele vai longe... e acabará conseguindo o que quer: o YES irlandês!

Monday, July 21, 2008

O jegue e o abacaxi


O jegue na sala é uma figura de linguagem muito usada na política brasileira para representar como políticos tratam certos assuntos de interesse da população. A figura é a seguinte: instala-se uma família de 4 pessoas num cubículo de 2 por 2 (metros quadrados). A primeira reação das pessoas seria dizer que a sala é muito pequena para viverem 4 pessoas. Agora, se na sala fosse deixado um jegue, digamos por um mês, e ao cabo do mês o jegue fosse retirado, as pessoas diriam, aliviadas, "Ah, agora sim ficou bom"!

O que muito nos espanta é que tal tática política esteja sendo utilizada também aqui na Irlanda! Como já havia sido publicado aqui, a SFA (Small Firms Association), na voz da sua diretora Patricia Callan, clama a redução do salário mínimo de €8.75 para €7.65 por hora. O que alegam terem descoberto neste final de semana é que tudo não passa da "política do jegue". Como vem chegando aquela época do ano onde se fazem alguns ajustes de contas, os salários poderiam sofrer um reajuste - não um aumento, vejam bem! - referente à inflação do período, que é chamado aqui de "ajuste do custo de vida". Visando uma estratégia para não conceder tal ajuste, cria-se a impressão que a diminuição do salário é uma possibilidade a ser discutida com viabilidade pelos empresários. Depois de muita discussão e indignação das pessoas, desistirão da idéia e não diminuirão o salário. Dirão "OK, não reduziremos o salário mínimo, mas também não podemos aumentá-lo", e saem contentes, eles, os empresários!

Será que o povo vai engolir esse abacaxi com casca e tudo?

Friday, July 18, 2008

Adote um Abstêmio

Pra vocês verem como não sou injusto, tampouco pego no pé de quem não simpatizo... O Dimenstein soltou uma ÓTIMA hoje na CBN. A campanha "Adote um abstêmio!"

Abstêmio, palavra não muito usada num mundo onde o álcool é parte obrigatória da sociabilidade humana, é um adjetivo e substantivo ao memso tempo. Do latim abstemìus (aquele que se abstém de beber), é provavelmente derivado de um substantivo "témus","témum", que deve ter designado uma bebida inebriante e estupefaciente ou ainda uma planta da qual se tirava um licor fermentado.

Mas enfim, a campanha "Adote um abstêmio" é basicamente simples. Procure um abstêmio que não tenha amigos e esteja disponível aos finais de semana. Não deve ser difícil, já que abstêmios não são lá muito populares, justamente pela sua natureza não-alcoólica. Uma vez que você tenha um abstêmio "em mãos", que tenha carro e dirija bem, é claro, chame seus amigos beberrões e caiam todos na gandaia. O abstêmio poderá beber sucos, refrigerantes e coquetéis não alcólicos à vontade, pode até jantar, tudo por conta do grupo, e todo mundo fica feliz... você e seus amigos que podem beber à vontade, e o abstêmio que vai fazer novas amizades.